<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114</id><updated>2012-02-07T20:35:10.425Z</updated><title type='text'>Espaço de Crítica Artística</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>247</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-5595746555560178422</id><published>2007-06-21T19:29:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:46.516Z</updated><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RnrDlkIKUmI/AAAAAAAAALY/Icg5Da4gqzs/s1600-h/icaro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078586579934138978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RnrDlkIKUmI/AAAAAAAAALY/Icg5Da4gqzs/s400/icaro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A partir de agora, podem encontrar-me em &lt;a href="http://outracritica.blogspot.com/"&gt;Ícaro&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-5595746555560178422?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/5595746555560178422/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=5595746555560178422' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5595746555560178422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5595746555560178422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/06/mudana_21.html' title='Mudança'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RnrDlkIKUmI/AAAAAAAAALY/Icg5Da4gqzs/s72-c/icaro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-4043421188271212258</id><published>2007-06-16T23:26:00.000+01:00</published><updated>2007-06-17T13:02:20.269+01:00</updated><title type='text'>Final</title><content type='html'>Por razões internas, este post representa o fim deste projecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos os que nos visitaram, obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-4043421188271212258?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/4043421188271212258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=4043421188271212258' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4043421188271212258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4043421188271212258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/06/final.html' title='Final'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1596807808350355634</id><published>2007-06-07T15:01:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:46.791Z</updated><title type='text'>Release the Stars</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RmgS4_1q8RI/AAAAAAAAA-k/ZPeczy0louI/s1600-h/release.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073325750651384082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RmgS4_1q8RI/AAAAAAAAA-k/ZPeczy0louI/s320/release.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma carreira já com uma década de criação musical, da qual nasceram cinco álbuns, &lt;em&gt;Rufus Wainwright &lt;/em&gt;traz-nos o seu mais recente projecto, que aspira também ser o seu melhor trabalho, não tivesse a sua herança musical o peso que tem (quer do seu pai Loudon Wainwright e da sua mãe Kate Wainwright, quer dos seus contemporâneos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À semelhança do que já acontecera em Want One e Want Two, &lt;em&gt;Rufus Wainwright &lt;/em&gt;soube jogar com a certeza de que é bastante melhor ao distanciar-se do pré-fabricado do que ao tentar imiscuir-se na banalidade das caixas registadoras. Do mesmo modo, a temática bipolar do cantor continua bastante presente neste álbum: oscila entre a dor amorosa e a opulência da estética que só a sua homossexualidade lhe permite. Aliás, não é muito difícil encontrar nesta homossexualidade toda a inspiração da sua criação artística, das suas letras e do seu jeito peculiar de fazer música diferente e alternativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, em &lt;strong&gt;Release the Stars&lt;/strong&gt;, encontramos um &lt;em&gt;Rufus Wainwright &lt;/em&gt;mais expandido a outras musicalidades, a outros instrumentos, a outros estilos e texturas, sempre com resultados muito próprios, muito individuais (que muito embora não se afastam do que já sabemos acerca dele), residindo aqui o seu trunfo indiscernível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como homem do espectáculo que é, não dispensa uma abertura em grande. Começa, então com &lt;em&gt;Do I Disappoint You&lt;/em&gt;, uma faixa de inspiração mais oriental, com uma peculiar harmonização das cordas sobre uma letra interessante, como já &lt;em&gt;Wainwright &lt;/em&gt;nos tem habituado. Abre-se, assim, a cortina para o primeiro single &lt;em&gt;Going to a Town&lt;/em&gt;, uma música que facilmente fica no ouvido pela simplicidade dos acordes no piano, pela melodia triste e melancólica, e pela letra de rara sátira política e activista: “&lt;em&gt;Do you really think you go to Hell for having loved?&lt;/em&gt;”. Expondo aqui alguma da sua revolta contra o cinismo e a homofobia americanas, &lt;em&gt;Rufus &lt;/em&gt;consegue, sem se extinguir, a música mais marcante do disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já vem sendo hábito, as baladas de &lt;em&gt;Wainwright &lt;/em&gt;também são indispensáveis de qualquer álbum. Toques gentis, arranjos lentos para cordas, uma expressão arrepiante muito bem conseguida estão presentes em &lt;em&gt;Nobody’s Off the Hook &lt;/em&gt;(com algumas reminiscências da conhecida música &lt;em&gt;Poses&lt;/em&gt;). &lt;em&gt;Leaving for Paris no. 2&lt;/em&gt; também consegue realçar uma música já conhecida, com uma nova leitura no piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, do mesmo modo, como também já se sabe, &lt;em&gt;Rufus Wainwright &lt;/em&gt;alcança melhores momentos quando escreve sobre romance, em vez de sexo: &lt;em&gt;Between My Legs &lt;/em&gt;funciona bem, embora se note alguma plasticidade desnecessária no rodeio dado às guitarras. Já &lt;em&gt;Tulsa&lt;/em&gt;, baseada no alegado affair do cantor com o vocalista dos The Killers (Brandon Flowers), é uma faixa poderosa, com uma letra particular ("&lt;em&gt;You taste of potato chips in the morning / Your face has the Marlon Brando club calling&lt;/em&gt;") e concentra-se num final mediado pela impertinência das cordas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Slideshow &lt;/em&gt;peca pela redundância e &lt;em&gt;Sanssouci &lt;/em&gt;pela extrema simplicidade na composição, embora sejam duas músicas que põem à prova a magnífica voz de &lt;em&gt;Wainwright&lt;/em&gt;. E as letras são, como sempre, qualquer coisa de extraordinário, remontando aos temas típicos: a família, a religião, a homossexualidade, o amor e o romance, tudo regadíssimo com um glamour muito próprio de quem vive para a extravagância de uma realidade alternativa. É neste sentido que a última faixa &lt;em&gt;Release the Stars&lt;/em&gt;, entregue a uma nostalgia musical muito bem conseguida, fecha em grande um álbum que, apesar de não surpreender, não deixa de nos trazer bons momentos musicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os fãs, é imperdível. Para quem não conhece, aconselho vivamente a que peguem nos outros discos todos lá para trás… &lt;em&gt;Straight to the point.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Release the Stars&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Rufus Wainwright&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Ano:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; 2007&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1596807808350355634?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1596807808350355634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1596807808350355634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1596807808350355634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1596807808350355634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/06/release-stars.html' title='Release the Stars'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RmgS4_1q8RI/AAAAAAAAA-k/ZPeczy0louI/s72-c/release.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-302949911815719012</id><published>2007-05-16T21:40:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:46.895Z</updated><title type='text'>Favourite Worst Nightmare</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RkttJ0wc8NI/AAAAAAAAAJc/Lwyo6-7xaFo/s1600-h/AM-FWN.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065262221456371922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RkttJ0wc8NI/AAAAAAAAAJc/Lwyo6-7xaFo/s400/AM-FWN.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Numa convenção com não muitos precedentes, tornou-se ponto assente na critica musical mundial que o segundo álbum de uma banda seria a sua prova de fogo, especialmente se o primeiro tiver sido um sucesso. Assim se tem passado ao longo dos últimos anos, com a constante evocação desta regra. E 2007, longe de ser excepção, parece ter-se assumido como o ano internacional da consumação dessa legislação musical. Arcade Fire, Bloc Party ou, agora, os Arctic Monkeys, são bom exemplo disso, num ano onde nomes para citar nunca andarão em falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, cimentada a importância do tão ansiado segundo cd, resta falar do caso dos Arctic Monkeys. Á partida, estava tudo mal. O segundo cd quer-se de consolidação, e a banda de Sheffield traz-nos um trabalho de continuação imberbe. Por norma, há um período relativamente longo de introspecção e maturação entre os dois trabalhos, e os Arctic Monkeys, depois de em 2006 lançarem o megalómano &lt;em&gt;Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not&lt;/em&gt;, libertam já em Abril de 2007 este &lt;em&gt;Favourite Worst Nightmare&lt;/em&gt;. Como seria de esperar com eles, deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este segundo álbum desfaria mais do que meras dúvidas musicais. Aclamados, apesar de serem alheios a esse meio, como a face do fenómeno MySpace, era a altura de se afirmarem como banda de música, mais do que como porta-estandarte de um movimento e de um tipo de comunicação e linguagem. Essa afirmação está feita. Os Arctic Monkeys são uma banda. Não são aqueles tipos da Internet. São a banda que, depois de arrasar os tops ingleses e europeus, está de volta. Ser jovem, imberbe e irresponsável é o novo preto. Está na moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando de &lt;em&gt;Favourite Worst Nightmare&lt;/em&gt; propriamente dito, essa juventude é, uma vez mais, a grande virtude. Músicas rápidas, alucinantes, simples, meia bola e força. Se antes as parecenças com Franz Ferdinand e com um tom mais Pop-Rock dançante eram fulcrais, aqui fica-se com a sensação de que a coisa ficou mais séria. Ou pelo menso mais pesada. Cheira aqui e ali a crescimento. Sentem-se uns pelos da barba a nascer em forma de música mais arranjada e composta. Não se aconselha. Façam a barba, mantenham-se jovens. Mantenham-nos jovens. Foi por isso que surgiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra virtude que não lhes pode ser negada é a originalidade do seu som. Reconhecer de imediato o seu som, tornou-se uma das suas grandes conquistas. Tal facto sugere ainda que a banda padecerá doutro síndrome tão comum numa banda com um grande primeiro trabalho. O de se recriar continuamente, num ciclo fechado sobre si próprio, nunca mais realmente criando nada de original. Espera-se que não. Pior ou melhor, por enquanto só se lhes pede uma coisa. Juventude. Músicas como ”Brianstorm”, “D is for Dangerous” ou “Balaclava” fazem acreditar que rejuvenescer é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Favourite Worst Nightmare&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Arctic Monkeys&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-302949911815719012?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/302949911815719012/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=302949911815719012' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/302949911815719012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/302949911815719012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/05/favourite-worst-nightmare.html' title='Favourite Worst Nightmare'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RkttJ0wc8NI/AAAAAAAAAJc/Lwyo6-7xaFo/s72-c/AM-FWN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7613649643535229223</id><published>2007-05-13T13:59:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:47.155Z</updated><title type='text'>Myth Takes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RkcL9pDHreI/AAAAAAAAAJU/pm-wR3QYT9U/s1600-h/!!!+-+Myth+Takes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064029459620277730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RkcL9pDHreI/AAAAAAAAAJU/pm-wR3QYT9U/s400/!!!+-+Myth+Takes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A dança sempre foi um dos grandes impulsionadores da música. Não se leve, hoje, à letra. Não necessariamente dançar, mas a capacidade de fazer movimentar os corpos tornou-se essencial numa música. Freneticamente, numa pista de dança; com movimentos pendulares da cabeça, num concerto; ou, no mínimo exigível, um leve acenar acompanhado de um pé marca-passo, de headphones aos berros. Esta é a nova concepção de dança que temos e faz mover o mundo. Pelo menos o da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessa, assim, a composição como fonte de energia e vitalidade. E, com maior ou menor acervo, é o que tem acontecido. Neste largo mundo, em 2007, entram os !!!. O leitor mais atento reclamará de imediato que a banda não vem de agora, que já com &lt;em&gt;Louden Up Now&lt;/em&gt; e com, por exemplo, a óptima versão de “Get Up!” de Nate Dogg tinham dado que falar. Com efeito. Mas é com o mais recente &lt;em&gt;Myth Takes&lt;/em&gt; que se apresentam como uma banda madura, interessante e inovadora. Os !!! compilam as melhores influências e misturam uma parafernália de estilos, factor que, a priori, se poderia desenhar complicado. Mas eles fazem-no com destreza. E ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo mundo da música dançante vão se imiscuindo os terrenos pós-punk, onde os Gang of Four são referência constante na crítica, os bailes Funk e o mundialmente omnipresente Rock. De novo, os !!! trazem algumas vozes femininas, mais maturidade e um punhado de boas músicas que se constroem num muito bom álbum. Assim se desenha, para já, um dos melhores trabalhos do ano. Tudo começa com “Myth Takes”, faixa homónima ao álbum, com ambientes de saloon americano melancólico. “All My Heroes are Weirdos” é reminescência de !!! de &lt;em&gt;Louden Up Now&lt;/em&gt;, prova de que a banda de Brooklyn se recicla. Sonoramente ambientalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Must Be the Moon” é música em forma de vício, exercício electrizante de hipnose musical, onde o ritmo se imiscui com o subconsciente em forma de nódoa de gordura, de forma a não mais sair. “A New Name”, um das melhores músicas de &lt;em&gt;Myth Takes&lt;/em&gt;, é fusão de vários ambientes e vivências, entre a pista de dança e o intimista, a pedir remistura para animar noites Electro. A piscar o olho a uma noite de pista de dança está também “Heart of Hearts”, música de forte presença feminina. Até ao fim do álbum, destaque ainda para “Break in Case of Anything”, a prova de que também de Pop se fez este mito. Por trás de cada mito, estará uma ponta de verdade. A verdade deste é que os !!! conseguiram um dos melhores trabalhos do ano. Quanto à parte do mito, da ficção e da lenda, descubra-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Myth Takes&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: !!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 8/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7613649643535229223?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7613649643535229223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7613649643535229223' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7613649643535229223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7613649643535229223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/05/myth-takes.html' title='Myth Takes'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RkcL9pDHreI/AAAAAAAAAJU/pm-wR3QYT9U/s72-c/!!!+-+Myth+Takes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-239259255713691605</id><published>2007-05-11T21:44:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:47.543Z</updated><title type='text'>Pequenos Crimes Conjugais</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RkTUlKZnQxI/AAAAAAAAABE/RjrP3SF6W-Y/s1600-h/crimes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063405615983313682" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RkTUlKZnQxI/AAAAAAAAABE/RjrP3SF6W-Y/s400/crimes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RkTUKqZnQwI/AAAAAAAAAA8/2QRfmdRMZ0U/s1600-h/crimes.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Pequenos Crimes Conjugais&lt;/em&gt; é uma peça de teatro, da autoria de Eric-Emmanuel Schmitt, que esteve em cena no Teatro Nacional D.Maria II no início do presente ano. Esta encenação contou com a interpretação de Paulo Pires e Margarida Marinho. A minha disponibilidade na altura não me permitiu trazer esta peça para o &lt;strong&gt;Espaço de Crítica Artística&lt;/strong&gt;. No entanto, a peça está em reposição no Teatro Aberto sendo a motivação que faltava para uma nova crítica. Explicito que o texto que se segue decorre da encenação no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II que contou com a interpretação de Margarida Marinho e não de Rita Salema. As diferenças do espaço e das actrizes provocarão diferenças evidentes no resultado final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou com a entrada no Salão Nobre. A escolha desta sala-não-auditório tornou-se evidente. O prolongamento do cenário encarnado até às duas plateias laterais encaixava perfeitamente na nobreza do salão onde se destacavam dois candeeiros grandiosos. Schmitt, o anfitrião da visita àquela casa tão invulgar (praticamente todos os elementos cénicos eram encarnados, desde a poltrana até às centenas de livros expostos nas prateleiras) recebe-nos como se de uma visita guiada à sua casa se tratasse. Nós, os convidados, deixamo-nos envolver por todo aquele ambiente e seguimos o mestre de cerímonia para onde ele nos leva. Schmitt aproveita-se do facto e manipula-nos de uma forma irritante, tal é a facilidade com que admitimos uma mentira descarada como uma verdade inegável. O autor apresenta-nos um casal fragililizado que vive um dia importante: o regresso a casa de Jaime (Paulo Pires) depois de um inexplicável acidente. Jaime, amnésico, interpela Luísa (Margarida Marinho) com uma série de perguntas aparentemente inofensivas. A partir deste ponto Schmitt constrói os alicerces para uma demonstração de genialidade dramatúrgica pouco recorrente nos palcos portugueses. Sem querer escancarar onde se exprime a inteligência do autor, destaco mais uma vez o largo caminho que o mesmo nos obriga a percorrer que, tem tanto de “desnecessário” como de delicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a primeira encenação do realizador José Fonseca e Costa não há muito mais a dizer. A ideia de criar uma sala invulgar num salão tão perfeito é mesmo de aplaudir. Todo aquele vermelho podia ter o efeito indesejado de repugnância no público mas tal não se verificou e, o risco corrido valeu muito a pena. Fora este rasgo, criador da tão esperada imagem cinematográfica, a encenação caracterizou-se por ser bastante eficaz, nomeadamente, na escolha dos dois actores. As personagens não são fáceis, não são exuberantes, vivem da constante mutação de sentimentos que o diálogo entre ambos desencadeia. Sem pretender cometer uma grande injustiça, parece-me que a interpretação de Rita Salema ficará aquém de Margarida Marinho (compromissos assumidos previamente não permitiram que a actriz continuasse a interpretar a personagem), nem que seja como consequência dos escassos 10 dias que Rita Salema dispôs para ensaiar. E como o desempenho de um actor vive da contracena e irradiação proveniente dos outros actores em cena, é de se esperar um Jaime algo diferente mas igualmente intrigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma peça de teatro de Schmitt é sempre uma peça imperdível”. O conselho não é meu, pelo contrário, limitei-me a tomá-lo em consideração. &lt;em&gt;Pequenos Crimes Conjugais&lt;/em&gt; não estará provavelmente ao nível de &lt;em&gt;A Visita&lt;/em&gt; (também esta já encenada no Teatro Aberto, interpretada por João Perry e João Reis) mas como pretendo continuar a seguir o conselho, espero alargar o meu leque de conhecimento das criações do tão elogiado autor. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-239259255713691605?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/239259255713691605/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=239259255713691605' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/239259255713691605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/239259255713691605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/05/pequenos-crimes-conjugais.html' title='Pequenos Crimes Conjugais'/><author><name>Ensaio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17968431232829196146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RkTUlKZnQxI/AAAAAAAAABE/RjrP3SF6W-Y/s72-c/crimes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-416377470733324769</id><published>2007-05-10T01:51:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:47.756Z</updated><title type='text'>Ed Rec Vol. 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RkKL_KQspfI/AAAAAAAAACo/u1EjEwQ2dos/s1600-h/Ed+Rec+Vol.+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062762848320267762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RkKL_KQspfI/AAAAAAAAACo/u1EjEwQ2dos/s400/Ed+Rec+Vol.+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A música electrónica francesa vive um período de grande agitação, suportado essencialmente pela actividade das editoras Ed Banger, Kitsuné e Institubes. Nomes como Para One, Kavinsky (este editado pela Record Makers), DJ Mehdi, Justice, SebastiAn, Uffie, Surkin, Busy P, TTC e Krazy Baldhead vêm rapidamente criando um movimento de renovação do “french touch” que parecia já circunscrito à segunda parte da década de 90. Ironicamente, num momento em que a última manifestação dos influentes Daft Punk, o angustiante &lt;em&gt;Electroma&lt;/em&gt;, pode ser entendido como a “morte” do duo, há uma geração que mostra com descaro que lhes segue na esteira: a que vive sob o selo da Ed Banger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elemento mais sintomático - e menos surpreendente – da orientação estética da Ed Banger é o facto de esta ser gerida por Pedro Winter (Busy P), manager dos Daft Punk. Paradoxalmente, o catálogo da editora contém sonoridades tão distintas como as protagonizadas por Uffie, SebastiAn e Mr. Flash, pelo que a impressão que se instala em nós é a de estarmos na presença de uma plêiade de músicos com raízes díspares mas unidos sob o magistério da dupla que prepara a digressão &lt;em&gt;Alive 2007&lt;/em&gt;. À parte isto, o que reina na segunda compilação da editora é a ausência de unidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No vídeo de apresentação deste Ed Rec Vol. 2 (dirigido por So Me), há uma frase que surge na capa do último vinil que explica a heterogeneidade da editora: “One of our leitmotivs here at &lt;strong&gt;Ed Banger&lt;/strong&gt; is &lt;strong&gt;No Boundaries&lt;/strong&gt;”. Há, contudo, algumas regras a cumprir: a música da Ed Banger tem de ser, no mínimo, dançável e, no máximo, tão agressiva que se aproxime do &lt;em&gt;rave&lt;/em&gt;; ser instigadora de um tal hedonismo que não permita a alguém não se esgotar fisicamente numa festa da editora; e, finalmente, ser o mais vã e instantânea possível para que não haja mais metafísica que dançar. Verificados estes pressupostos, não há estilo ou &lt;em&gt;nuance&lt;/em&gt; que não possa ser incorporado no catálogo da Ed Banger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que os Stooges e os MC5 passeiam-se por aqui tanto quanto James Brown e os De La Soul. Que estilos como o &lt;em&gt;disco&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;rock&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;hip-hop&lt;/em&gt; andam de mãos dadas nesta compilação. Há o &lt;em&gt;hip-hop&lt;/em&gt; deslavado de Uffie em “Dismissed”, o &lt;em&gt;electro&lt;/em&gt; industrial e obscuro de Krazy Baldhead em “Strings Of Death” e o &lt;em&gt;disco&lt;/em&gt; musculado de Mr. Flash em “Disco Dynamite”. Quando numa compilação há de tudo, fica sempre algo para trás. Mas, para sorte da Ed Banger, a memória adere aos que ficam à frente, e o que deixará verdadeiro impacto nesta compilação é a força que os Justice, Busy P e SebastiAn emprestam ao cruzamento entre batidas house e guitarras fortemente distorcidas, em “Phantom", “Rainbowman” e “Greel”, bem acompanhados pelos ritmos infecciosos de DJ Mehdi, autor do surpreendente &lt;em&gt;Lucky Boy&lt;/em&gt;, editado em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de &lt;em&gt;Lucky Boy&lt;/em&gt;, o próximo longa-duração a sair será o aguardado "†", primeiro álbum dos Justice, que cada vez mais se assumem como as estrelas desta constelação francesa. Busy P e SebastiAn também deverão lançar os seus primeiros álbuns. O sucesso futuro da Ed Banger dependerá muito do impacto destas edições mas, ao que parece, veio para ficar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#990000;"&gt;7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/edbangerrecords"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;http://www.myspace.com/edbangerrecords&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-416377470733324769?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/416377470733324769/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=416377470733324769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/416377470733324769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/416377470733324769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/05/ed-rec-vol-2.html' title='Ed Rec Vol. 2'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RkKL_KQspfI/AAAAAAAAACo/u1EjEwQ2dos/s72-c/Ed+Rec+Vol.+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7254584249821792204</id><published>2007-05-08T01:02:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:47.875Z</updated><title type='text'>Rewind #4 - Vale Abraão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rj--LpDHrdI/AAAAAAAAAJM/P_yPBVq-MwI/s1600-h/vale+abraÃ£o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061973613394505170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rj--LpDHrdI/AAAAAAAAAJM/P_yPBVq-MwI/s400/vale+abra%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Poucas vezes assentou tão bem em alguém o que de tantos se disse. Com Manoel de Oliveira, dificilmente haverá meio-termo. Ou se ama, ou se odeia. Onde uns verão planos repletos de uma poesia muito própria, outros julgarão o porquê de tamanha afeição pela ausência de movimento. Onde uns encaixarão a sensibilidade, outros tentarão, não poucas vezes, descobrir bons motivos para permanecer consciente. Onde uns deslindarão uma estética representativa original e identificativa, outros porão em causa a opção assumida de filmar uma peça de teatro. Já se percebeu de que lado da barricada se instaurou a crítica europeia. E o público português também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentado no Festival de Cannes de 1993, onde, pela Quinzena dos Realizadores, foi alvo de uma Menção Especial, &lt;em&gt;Vale Abrãao&lt;/em&gt; é mais um filme da prolifera dupla Manoel de Oliveira – Agustina Bessa Luís. Baseado no romance da segunda, o multi aclamado realizador português filma a história da Bovary portuguesa e contemporânea, Ema Paiva. De realçar que a expressão bastante em voga “multi aclamado” não surge por falta de melhor caracterização. Não só Manoel de Oliveira o é de facto, como o próprio filme em questão marcou presença em inúmeros festivais, de onde se destaca a Mostra de São Paulo, o Festival de Cinema de Nova Iorque ou o Festival de Berlim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De realçar ainda, já que a isto nos propusemos, a expressão “Bovary portuguesa e contemporânea”. Não tenhamos dúvidas de que tal se trata. Mas, mais do que sugeri-lo, Manoel de Oliveira (e Agustina, essencialmente) demonstram-no, quer através de sugestões várias, como a presença física do próprio livro, quer mesmo através do epíteto que a heroína arrecada da sociedade que a abraça. A Bovarinha. &lt;em&gt;Vale Abraão&lt;/em&gt; conta-nos (e tenha em atenção o verbo contar, porque a história é-lhe literalmente recitada) o percurso de Ema, primeiro Cardeano, depois Cardeano Paiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos apresentados a uma Ema ainda juvenil, com traços da &lt;em&gt;Lolita&lt;/em&gt; de Nabokov e Kubrick (mais a de Kubrick, confessemos), que vive, mimada e enclausuradamente, na casa de seu pai, Paulino Cardeano (Ruy de Carvalho). É nesta quinta, o Romesal, que Ema (Leonor Silveira) cresce, e é dela que nunca conseguirá sair, mesmo quando o faz. É nela que passa a infância que nunca terminou, que se sente senhora e segura, onde as criadas, de tanto respeito e admiração, são amigas íntimas. Daqui sai Ema, por casamento, com Carlos Paiva (Luís Miguel Cintra), um médico com tanto de absorto como de inerte, que de romantismo conhece pouco ou nada, e que da mulher conhece menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de Ema propriamente dita, tirando os seus romances e o final trágico, pouco mais terá de relevo. Como qualquer boa Madame Bovary que se preze. Fruto da sociedade claustrofóbica e tacanha que a rodeia, Ema vê-se refugiada na única arma que tem, a sua beleza. Incapaz de amar verdadeiramente, ainda que busque o amor, não se permite, no fundo, mais do que o mero prazer carnal ou a satisfação da presença de alguém. Até os seus romances são prova do seu desnorte. O dandy rico e charmoso, o camponês robusto e forte ou o jovem génio musical são os amantes, meio cardápio-cliché, que vai desfilando, aos olhos do marido apático e da sociedade alerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para melhor compreensão, imagine tudo isto regado com a Sonata ao Luar, grandes planos de um Douro aldeão e uma slow motion sempre característica mas que, se nalguns casos enriquece, noutros nada mesmo. Incompreensível é a escolha de direcção de actores, já que teatral é o mínimo dos adjectivos que se poderão utilizar sobre algumas representações. A inexpressividade mistura-se com um programa de dicção para crianças num cocktail que a ninguém favorece, nem ao espectador, nem ao filme, e muito menos ao actor. O que realmente se tira desta versão documental do livro de Agustina é a excelente caracterização de uma vivência de aldeia, de um Portugal fechado sobre si mesmo e sobre uma cultura religiosa e mesquinha. Uma caracterização de um lugar (que por vezes parece um “não-lugar” sociológico) a meias com um modo de vida, que em nada deve aos melhores exemplos do género, como O Vale era Verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Vale Abraão&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realizador&lt;/strong&gt;: Manoel de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Leonor Silveira, Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, Ruy de Carvalho, Luís Lima Barreto, José Pinto, Filipe Cochofel, Dalila Carmo, Sofia Alves, Glória de Matos, Isabel Ruth e João Perry.&lt;br /&gt;Portugal, 1993.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 6/10&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7254584249821792204?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7254584249821792204/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7254584249821792204' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7254584249821792204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7254584249821792204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/05/rewind-4-vale-abrao.html' title='Rewind #4 - Vale Abraão'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rj--LpDHrdI/AAAAAAAAAJM/P_yPBVq-MwI/s72-c/vale+abra%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7665157048963928468</id><published>2007-04-29T04:55:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:48.055Z</updated><title type='text'>The Pervert's Guide To Cinema</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RjQYJ6QspeI/AAAAAAAAACg/ruYbAljBs4Y/s1600-h/The+Perverts+Guide+to+Cinema.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058694839981090274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RjQYJ6QspeI/AAAAAAAAACg/ruYbAljBs4Y/s400/The+Perverts+Guide+to+Cinema.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Indie Lisboa trouxe-nos um filósofo que aparenta estar a meio caminho entre o excêntrico e o sério. Seguido por uma autêntica legião de fãs (especialmente no continente americano) que extravasa qualquer noção sensata da popularidade alcançável por um filósofo, Slavoj Zizek (lê-se Slavói Chichec) arranca o espectador da sua habitual passividade e procura, ao longo de mais de duas horas, levá-lo numa desafiadora viagem pelas intersecções do cinema com a psicanálise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa realçar que o psicanalista esloveno se despe do jargão académico que à partida se lhe associaria como eminente filósofo, embarcando num registo que lhe permite intercalar alguns momentos em que expõe raciocínios conceptualmente apurados com outros em que mostra toda a sua comicidade. O que se mantém é a sua disponibilidade para o choque e para o inesperado, bem patente quer no desenvolvimento que dá ao tema do prazer sexual quer em apontamentos acessórios, como quando diz o que as tulipas lhe suscitam, num jardim que recria um cenário de &lt;em&gt;Blue Velvet&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;“Basically it’s an open invitation to all the insects: ‘Please come and screw me.’”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O sexo é, de facto, um assunto que se espera ver tratado num filme com este enquadramento, mas o carismático Zizek sabe apresentá-lo com o entusiasmo próprio de quem percebe que há mais na teoria psicanalítica do que sexo. Do que fala ele então? Pode-se dizer, embora com algum risco, que Zizek consegue a proeza de abordar todos os aspectos que comummente se associam à psicologia. Conceitos como real, imaginário, consciente, inconsciente, desejo e fantasia fazem todos parte do vocabulário de Zizek, sendo que o seu grande esforço é tornar simples e acessível às massas a tradução da psicanálise lacaniana (da qual é discípulo). Para ele, o cinema é a arte que reúne as melhores características quando o objectivo é comunicar certas noções da psicologia: o cinema não só é uma mescla perfeita entre imagem, linguagem e som, como tem a virtude de pertencer à cultura popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revisitando alguns ambientes e cenários famosos, Zizek aborda o espectador partindo de dentro dos filmes sobre os quais discorre, pelo que a presença dele avisa-nos para a verosimilhança de todo o cinema ou, opostamente, para a inverosimilhança da nossa vida – de qualquer das maneiras, Zizek tenta laboriosamente convencer-nos de que o espectador poderá ver em si próprio e na apreensão que tem do mundo exterior impressões que os filmes de David Lynch, Alfred Hitchcock e Charlie Chaplin apenas vagamente deixam em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hitchcock é provavelmente, na opinião de Zizek, o mais freudiano de todos os realizadores, pelo que os seus filmes, especialmente o clássico &lt;em&gt;Os Pássaros&lt;/em&gt;, são a verdadeira massa consistente que une todas as pontas soltas deste documentário. Mas há mais: Lynch vê o seu cinema normalmente tido por enigmático e misterioso à beira da desconstrução, Chaplin é arrancado (com toda a oportunidade) do simplismo que habitualmente lhe é diagnosticado e outros realizadores como Tarkovsky, Francis Ford Coppola, Kubrick e Eisenstein vêm alguma da sua arte devassada pelo poder oratório de Zizek.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso guia é um apaixonado pelo cinema e pela psicanálise, mas contém a sua paixão até ao ponto intermédio em que não nos deixa compreender se ele nos apresenta uma mera interpretação à luz da sua formação, ou uma descodificação do que ele julga terem sido os verdadeiros objectivos de alguns realizadores na feitura dos seus filmes. Mas, na verdade, tudo isto roça a esterilidade se não se assistiu ao documentário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Cinema is the ultimate pervert art. It doesn't give you what you desire, it tells you how to desire."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Título:&lt;/strong&gt; The Pervert's Guide To Cinema&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Realizador:&lt;/strong&gt; Sophie Fiennes&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reino Unido, 2006.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7665157048963928468?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7665157048963928468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7665157048963928468' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7665157048963928468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7665157048963928468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/perverts-guide-to-cinema.html' title='The Pervert&apos;s Guide To Cinema'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RjQYJ6QspeI/AAAAAAAAACg/ruYbAljBs4Y/s72-c/The+Perverts+Guide+to+Cinema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-3669046770100177463</id><published>2007-04-27T14:14:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:48.278Z</updated><title type='text'>Missão Solar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RjH3VZDHrcI/AAAAAAAAAJE/FqKAVJew3AM/s1600-h/sunshine.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058095803387063746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RjH3VZDHrcI/AAAAAAAAAJE/FqKAVJew3AM/s400/sunshine.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Ora vamos lá ver. Uma nave faz o seu percurso pelo espaço quando um intruso se faz presente e complica a missão, tentando matar os residentes da nave. Onde é que eu já vi isto? Ok, vamos tentar de outra forma então. Um grupo é destacado para salvar a humanidade de uma catástrofe emergente. Familiar? Não se trata de &lt;em&gt;Alien&lt;/em&gt;, muito menos de &lt;em&gt;Armageddon&lt;/em&gt;. Falamos de &lt;em&gt;Missão Solar&lt;/em&gt;, o novo filme do britânico Danny Boyle que, com menos pompa que outros mas igual prejuízo, é mais um alvo dos péssimos tradutores de títulos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos justos com Boyle e recapitulemos a sinopse. Num futuro próximo, a estrela que ilumina a Terra – que para os mais despistados é o Sol – está a apagar-se, e com ela a vida na Terra. Um grupo é enviado, na sequência de um primeiro grupo cujo destino se desconhece, para tentar reverter a situação, criando uma espécie de Big-Bang que recrie a formação de uma estrela e, como tal, reponha a vida, assim na Terra como no Céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vantagem é que Boyle não esquece &lt;em&gt;Alien&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Armageddon&lt;/em&gt;, antes os cita e evita os seus erros. Bom contador de histórias como sempre se revelou (nunca esquecer &lt;em&gt;Trainspotting&lt;/em&gt;), consegue fugir ao padrão básico de desenrolar dos acontecimentos. Opta por iniciar o nosso contacto com a nave Icarus II quando já passam 16 meses de viagem. Evitam-se assim os sentimentalismos desnecessários da despedida e entra-se de rompante num clima já conflituoso. A desvantagem de &lt;em&gt;Missão Solar&lt;/em&gt; é, contudo, a mesma. Boyle não esquece que já existem &lt;em&gt;Alien&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Armageddon&lt;/em&gt;. E nós também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão que se tenta ainda introduzir no filme, porque Boyle não é menino de pegar num tema e deixar-se sossegado, é a dicotomia Fé/Ciência. Não bastava o filme ter uma toada eminentemente simbólica, como o indica o próprio nome da nave, é trazido à tona a questão existencialista por trás de tudo isto. Ainda bem, porque a Ficção Cientifica não se fez só para apreciar grandes planos do espaço. Há em &lt;em&gt;Missão Solar&lt;/em&gt; as questões da proximidade cósmica, da solidão e da inevitabilidade. Fica uma não suficientemente profunda achega a Deus, ele próprio aqui revisitado constantemente sobre a forma de luz e vida, um ressuscitar que tem tanto de bíblico como de fenixiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cillian Murphy, na pele de Capa, é o principal actor de serviço em torno do qual tudo parece girar, o sol do filme, nem de propósito. Ainda assim, e valha o esforço de Danny Boyle, não chega. &lt;em&gt;Missão Solar&lt;/em&gt; raramente levanta as asas da prisão de apenas-mais-um-filme e quando o faz, qual Ícaro, queima-se, porque os temas que bem aborda exigiam outra consistência que o filme não soube ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Missão Solar&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realizador&lt;/strong&gt;: Danny Boyle&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;:Cillian Murphy, Rose Byrne, Cliff Curtis, Chris Evans, Troy Garity, Hiroyuki Sanada, Mark Strong, Benedict Wong, Michelle Yeoh&lt;br /&gt;Reino Unido, 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 6/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-3669046770100177463?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/3669046770100177463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=3669046770100177463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3669046770100177463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3669046770100177463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/misso-solar.html' title='Missão Solar'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RjH3VZDHrcI/AAAAAAAAAJE/FqKAVJew3AM/s72-c/sunshine.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7412008516502216456</id><published>2007-04-23T00:07:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:48.403Z</updated><title type='text'>Vivo #4 - Buraka Som Sistema no Lux</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RivrFdGBNdI/AAAAAAAAAI8/RzOWfnjt-o0/s1600-h/Buraka.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056393485595260370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RivrFdGBNdI/AAAAAAAAAI8/RzOWfnjt-o0/s400/Buraka.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Lisboa, noite de 20 de Abril, Lux. A noite começa calma e sem grande entusiasmo. O Lux vai enchendo aos poucos, muito poucos a principio, no principio de uma noite ainda fresca mas que viria a aquecer. Piso de baixo fechado à espera da hora ansiada, piso de cima averso a qualquer ponta de emoção. Por volta da uma da manhã, o espaço começa a compor-se, a fila de entrada a engrossar, mas tudo continua em banho-maria. A noite começa verdadeiramente quando, pouco antes das duas, alguém tem a boa ideia de passar, adivinharam, Buraka Som Sistema. Mais propriamente, a mais recente versão de “Dialectos de Ternura”. A noite começa nesse instante. Como que animados por uma força invasiva, os corpos dispertam para movimentos que segundos antes se julgavam impensáveis. Prenúncios de uma festa por acontecer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;From Buraca to the world.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Buraka Som Sistema tem vindo a habituar-nos a este crescendo em todos os campos. Por volta das duas horas, começa a tornar-se complicado respirar. É então a altura de abrir as portas ao andar de baixo, gesto que dá azo a um movimento apressado e generalizado, espécie de urbe histérica em período de saldos. Bem-vindos ao Inferno. E não, isto não é uma coisa má. Corpos demais em espaço de menos. É assim que devemos beber o Cocktail explosivo que se revela Buraka Som Sistema. Para perceber porquê um Cocktail, basta olhar à volta. É impossível encontrar um padrão. Aqui estão o residente habitual do Lux, o miúdo do secundário, o trintão convertido, o amante de boa música, o amante de Electrónica e o amante de Kuduro. Todos juntos. Mal o Dj de Buraka entra, todos os seus corpos se materializam numa dança contínua e sempre, sempre, próxima, em grande parte devido à falta de espaço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Buraka entra, o som rebenta.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O resto, que é o que importa, foi aquilo que Buraka mais sabe fazer. A festa. Os puritanos do Kuduro Progressivo (se é que isto pode haver..), poderão, como por vezes fazem, clamar que isto não é o verdadeiro som que praticam. Os fãs da música da Electrónica mais arrojada poderão, e com razão, queixar-se da falta de arrojo da música de Buraka. Esta não é a música mais complexa, completa ou conexa que ouvimos e ouviremos no palco do Lux. Mas, perante a festa em que Buraka se torna, torna-se complicado pensar em qualquer destes pontos. Á técnica responde-se, em força, com o corpo. Com a agressividade. Com uma festa multiracial de constante comunicação com o corpo. Porque a falta de politicamente correcto é uma linguagem. E o Kuduro também. O Cocktail veio a demonstrar-se um shot, num concerto que durou pouco menos de duas horas, já com o encore que se pedia. Pelo meio, pessoas no palco, espectáculo visual em forma de dança e muita, muita, festa. Tanta que se perdoa o facto de terem tocado duas vezes a tão apetecível “Yah!”. No fundo, o que contou, foram os imensos corpos que se abanaram no espaço que não tinham.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ai não…&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7412008516502216456?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7412008516502216456/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7412008516502216456' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7412008516502216456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7412008516502216456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/vivo-4-buraka-som-sistema-no-lux.html' title='Vivo #4 - Buraka Som Sistema no Lux'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RivrFdGBNdI/AAAAAAAAAI8/RzOWfnjt-o0/s72-c/Buraka.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-8204592818669811556</id><published>2007-04-22T12:00:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:48.639Z</updated><title type='text'>Vivo # 3 – Alexander Gavrylyuk &amp; Orquestra Filarmónica da Eslováquia nos Dias da Música (C.C.B.)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RitBcREJ1KI/AAAAAAAAA-I/Q_7BKmDx0jo/s1600-h/Gavrylyuk%2520head-piano%2520300dpi-small%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056206960526480546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RitBcREJ1KI/AAAAAAAAA-I/Q_7BKmDx0jo/s320/Gavrylyuk%2520head-piano%2520300dpi-small%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este ano, para surpresa de muitos melómanos que, como eu, ansiavam pelo decréscimo substancial do preço dos bilhetes para concertos de extraordinária qualidade, a Festa da Música do CCB viu-se reduzida a dois dias. Assim, a edição deste ano, sob o mesmo formato que as antecedentes Festas, dedicou-se inteiramente ao piano. Foram dois dias de concertos, dois dias de entradas para espaços alusivos ao instrumento rei da Música dita Clássica. Pelos auditórios e salas do Centro Cultural de Belém passaram nomes como Alexander Gavrylyuk, Artur Pizarro, Bernardo Sassetti, Jorge Moyano, Maria João Pires, Mário Laginha, Pascal Rogé, Uri Caine, orquestras de renome internacional, e solistas de instrumentos “primos” do piano, como o cravo (com Nicolau de Figueiredo) e a marimba (com Pedro Carneiro)..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À semelhança das edições anteriores, os repertórios destes artistas eram variados, embora a edição deste ano, uma vez que não era dedicada a um compositor ou a um período artístico específicos, conseguiu trazer ao público uma obra tocada mais vasta e abrangente, cobrindo algumas formas do barroco, passando pelos românticos e pelos modernos, com uma pequena paragem para a improvisação mais &lt;em&gt;jazzística&lt;/em&gt;. Dia 21 de Abril, no grande auditório, Alexander Gavrylyuk ao piano, acompanhado pela Orquestra Filarmónica da Eslováquia dirigida por Olivieri-Monroe, trouxe-nos o magnífico &lt;em&gt;Concerto &lt;/em&gt;para Piano e Orquestra no. 2 op. 18 em Dó Menor, do génio russo Sergei Rachmaninov (1873-1943).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as formas musicais existentes na Música, o &lt;em&gt;Concerto &lt;/em&gt;para Piano e Orquestra sempre foi olhada como uma fórmula quase divina, oscilando entre o duelo de titãs e a lírica complementação de duas “vozes” tão distintas. É certo que o piano oferece uma paleta interminável de sonoridades – tão bem explorada por Rachmaninov nos seus quatro concertos – e que a orquestra consegue manipular a musicalidade imensa a partir dos seus múltiplos instrumentos. No entanto, Rachmaninov atinge um patamar diferente quando escreve o &lt;em&gt;Concerto &lt;/em&gt;no. 2: alcança aqui toda a genialidade que lhe faz justiça, expõe do modo mais lírico e mais bonito tudo aquilo que conseguia pôr em música, desenvolve, sem nunca esgotar, o piano em companhia da orquestra. Apesar de ter atingido o seu expoente máximo no &lt;em&gt;Concerto &lt;/em&gt;no. 3 – bastante mais prepotente e tecnicamente dificílimo – é no no. 2 que lemos o Rachmaninov mais esteta, mais lírico, de mais bonita expressão. Uma obra magistral e perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Alexander Gavrylyuk, é necessário referir a impressionante técnica do pianista, assim como também é de notar a absolutamente arrebatadora leitura da partitura do compositor russo. Alexander Gavrylyuk é um virtuoso do piano, que brilhou ao longo dos quase trinta e sete minutos do &lt;em&gt;Concerto&lt;/em&gt;, que se sagrou divino com as mãos nas teclas do instrumento mais magnânimo da noite. Olivieri-Monroe dirigiu uma Orquestra fluente e especialmente intensa, em especial no toque dos sopros no primeiro andamento, no brilho das cordas e dos fagotes no segundo andamento, e na segurança dos &lt;em&gt;pizzicato &lt;/em&gt;e do &lt;em&gt;crescendo &lt;/em&gt;no terceiro andamento. A prova de fogo de Gavrylyuk enquadra-se na mestria de Olivieri-Monroe à frente do gigante orquestral, funde-se na precisão expressiva por entre o domínio extremo do teclado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que o melhor de um espectáculo são os &lt;em&gt;encores&lt;/em&gt;. Depois de ser aplaudido com especial entusiasmo, Alexander Gavrylyuk não resistiu em oferecer-nos uma redução e variações para piano da célebre Marcha Nupcial do &lt;em&gt;Sonho de Uma Noite de Verão &lt;/em&gt;do alemão Felix Mendelssohn-Bartholdy. Um toque final, bastante humorístico, que levou a audiência a irromper num aplauso ainda maior. Uma noite para celebrar, poder-se-ia dizer. Para muitos pianos e muitas orquestras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-8204592818669811556?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/8204592818669811556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=8204592818669811556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/8204592818669811556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/8204592818669811556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/vivo-3-alexander-gavrylyuk-orquestra.html' title='Vivo # 3 – Alexander Gavrylyuk &amp; Orquestra Filarmónica da Eslováquia nos Dias da Música (C.C.B.)'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RitBcREJ1KI/AAAAAAAAA-I/Q_7BKmDx0jo/s72-c/Gavrylyuk%2520head-piano%2520300dpi-small%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-2774708261618401197</id><published>2007-04-21T13:01:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:48.865Z</updated><title type='text'>Amor, Escárnio e Maldizer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rin-btGBNcI/AAAAAAAAAI0/XmlvRZFTrUU/s1600-h/Da+Weasel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5055851808614856130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rin-btGBNcI/AAAAAAAAAI0/XmlvRZFTrUU/s400/Da+Weasel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Mais do que em qualquer outra ocasião, apresentações dispensam-se. &lt;em&gt;Amor, Escárnio e Maldizer&lt;/em&gt; é o sétimo trabalho dos multipremiados Da Weasel. Depois de &lt;em&gt;Re-definições&lt;/em&gt;, a doninha está de volta com um álbum que promete manter os níveis quer de sucesso quer de influência. Quanto ao sucesso, as vendas no primeiro dia são bom cartão de visita para o que os espera. Quanto à influência, repita-se uma vez mais, para que não restem dúvidas. É dos Da Weasel que falamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder-se-à não gostar de Hip-Hop. Poder-se-à não gostar da música dos Da Weasel. Mas dificilmente poderá alguém ser levado a sério se não se der conta da importância dos mesmos. O Hip-Hop mainstream em Portugal tem um rosto, que vai mostrando diversas faces. Da mais agressiva e social à introspectiva e intimista. Não há medo da exposição, há necessidade de confrontação. Há sinceridade, sentimento, cultura underground lentamente tornada de massas. Como sempre disseram, eles dão-lhe com alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento é o de que crescemos com esta banda. Treinámos os nossos ouvidos nem sempre habituados a este espectáculo de ritmo e batida e fomos acompanhando, ao longo dos seus trabalhos, a sua maturação e a nossa. Felizmente, este ainda não é um grupo maduro. Tem as suas fraquezas. Músicas que empatam, dificuldade nalgumas situações em discernir o fundamental do acessório, letras que nem sempre mantém a toada geral de qualidade. Mas tem, esta imaturidade, uma grande vantagem. Mantêm-se um grupo à procura, sem medo do novo, audaz e propício à experiência, à variedade. Amor, Escárnio e Maldizer, pois claro. De tudo um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde &lt;em&gt;Cinema&lt;/em&gt; que não se via algo assim. Desde que Rodrigo Leão se lembrou de juntar uma colectânea impressionante de convidados para o seu álbum em forma de banda sonora, que ninguém juntava tamanha amalgama de impar qualidade. José Luís Peixoto, Gato Fedorento, Bernardo Sassetti, Buraka Som Sistema, Maestro Rui Massena e Vikter Duplaix são participações que, de uma forma ou de outra, seja em remisturas, letras, arranjos ou skits, enriquecem o trabalho. Música Hip-Hop a puxar pelas massas, mãos no ar em concerto variado, numa orquestração de uma banda que caminha para o maduro em passos seguros. Referências à cultura popular um pouco ao estilo de Seth Cohen, mas sem a BD, ainda que Manara seja chamada ao barulho são pautadas com tiradas de sátira social, bem ao estilo da doninha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Toque-Toque” tem tempero brasileiro enquanto faz lembrar o início da banda. “Mundos Mudos” é versão intimista com participação de orquestra que encaixa bem em qualquer colectânea amorosa. Intimista também, mas porque o piano de Sassetti a isso o obriga, é “A Palavra”, bem ao estilo dos melhores cantautores. A realidade é palavra de ordem em “Negócios Estrangeiros”, na prova cabal de que é possível a convergência de influências culturais. Quanto a “Dialectos de Ternura”, se não gosta da música, aguente-se. Esta música é o verão que se avizinha. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Amor, Escárnio e Maldizer&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Da Weasel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-2774708261618401197?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/2774708261618401197/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=2774708261618401197' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/2774708261618401197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/2774708261618401197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/amor-escrnio-e-maldizer.html' title='Amor, Escárnio e Maldizer'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rin-btGBNcI/AAAAAAAAAI0/XmlvRZFTrUU/s72-c/Da+Weasel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-383686110825399938</id><published>2007-04-15T20:33:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:49.099Z</updated><title type='text'>Someone to Drive You Home</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RiJ-RH7XlaI/AAAAAAAAAIk/o1ccAaiYWpE/s1600-h/the+long+blondes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5053740564514051490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RiJ-RH7XlaI/AAAAAAAAAIk/o1ccAaiYWpE/s400/the+long+blondes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Kate Jackson, sensual mais do que o suficiente é a voz e o corpo, da banda constituída por três elas e dois eles. The Long Blondes apresentam, sem complexos e repletos de espontaneidade, o seu primeiro trabalho, &lt;em&gt;Someone to Drive You Home&lt;/em&gt;. Onde mora a new wave feminina? Em Sheffield. É daí que provem este som refrescante, que vagueia entre o revivalista e o moderno, entre o next-big-thing assumido e disco para ouvir e reouvir, uma e outra e outra vez. Tudo, sempre, sem quaisquer pretensiosismos. “You’re only nineteen for God’s sake. You don’t need a boyfriend.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Long Blondes são uma mistura heterogénea entre Franz Ferdinand e Cansei de Ser Sexy. Dos primeiros pescam o som rockeiro, de refrão Pop, repleto de energia, a piscar o olho à pista de dança e ao agitar de corpos dentro de vestimentas retro-fashion. Das segundas, para além da feminilidade (onde, convenhamos, Kate Jackson ganha aos pontos), retiram o espírito. We want it fast, and we want it now. O que está mais na moda do que assumir um som descomprometido, que procura apenas a efemeridade de 3 minutos de uma boa música? O que é, agora, mais fashion do que o imediatismo assumido, a atitude de procurar apenas aquela boa música? Nada. Nada sabe melhor do que 4 minutos e alguns segundos numa pista de dança, num concerto, num carro com o volume ao máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Someone to Drive You Home&lt;/em&gt; é mestre em canções Pop de encanto imediato, mas estranhamente persistente. Um fim de semana sem maquilhagem, a idade ou o amor são problemas que por aqui são debatidos, constantemente a alta velocidade. Nem Sartre, nem Nietzsche, nem metafísica que lhes valha, nem das mais modernas. Apenas mulheres ligeiramente mais velhas a falar para mulheres ligeiramente mais novas. É este o fascínio. “Once and Never Again” é exemplo claro da maturidade de todo este festival adolescente. Tudo sabe melhor quando é intencional. Fundo Punk-Rock e refrão inteligente, regado com o coro do resto das meninas dá num dos primeiros singles da banda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Giddy Stratospheres” traz versão mais adulta e “Weekend Without Make-up” é paradigma de tudo isto, versão de quatro minutos e onze segundos de como bem fazer um single de Pop, a permitir tanto pormenores interessantes como simples agitar de cabeça. Sem esquecer que o bom refrão Pop, canta-se. “Where do You go when you finish work. You Should have been home an hour ago.” E com estas linhas se coze um dos melhores albums do inicio de 2007. Consumam-no rápido, muito rápido. Não que o prazo passe, mas é assim que deve ser consumido. Bem agitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Somone to Drive You Home&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: The Long Blondes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-383686110825399938?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/383686110825399938/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=383686110825399938' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/383686110825399938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/383686110825399938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/someone-to-drive-you-home.html' title='Someone to Drive You Home'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RiJ-RH7XlaI/AAAAAAAAAIk/o1ccAaiYWpE/s72-c/the+long+blondes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-38671579519719305</id><published>2007-04-14T19:30:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:49.236Z</updated><title type='text'>Life in Cartoon Motion</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RiEd_37XlZI/AAAAAAAAAIc/AUgodEtJtkk/s1600-h/mika.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5053353240068330898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RiEd_37XlZI/AAAAAAAAAIc/AUgodEtJtkk/s400/mika.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Há um subgénero muito claro dentro da música Pop. Nunca afirmado pelos próprios autores mas desavergonhada e categoricamente demonstrado pelos seus trabalhos. O género em causa é o de um álbum que sobrevive à custa de uma única música. Regra geral, esta será radiofónica ao máximo, tocará em todo o lado, inclusive na sua cabeça, de preferência até ao ponto de o fazer esquecer que há mais músicas no resto do cd. &lt;em&gt;Life in Cartoon Motion&lt;/em&gt;, do anglo-libanês Mika é exemplo disso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tem estado pelo planeta terra nos últimos tempos, com certeza já se deparou com “Grace Kelly”, hino Pop a puxar pelo bate-pé, de ritmo acelerado e variações vocais de grande nível. Com referências aos Queen e aos Scissor Sisters, passeando, como em todo o cd, por ambientes entre o infanto-juvenil e a Pop perfeitinha de produção exagerada, a verdade é que “Grace Kelly” cumpre a função. Com distinção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, infelizmente, &lt;em&gt;Life in Cartoon Motion&lt;/em&gt; não se limita ao seu single principal. Há ainda “Lollipop”, mistura de comercial infantil, musical colorido e pedaços de essência Pop desgarrada. De seguida, “My Interpretation” arrepia na sua simplicidade bacoca e desprovida de sentido para além do natural seguimento Pop-Rock pisado e repisado. Mais para a frente, aparece-nos “Relax, Take it easy”, um poço de ar onde respirar. Finalmente, a voz de Mika encontra material mais sustentável que assegure mais que a mera exploração desse filão. Com um toque das “confissões” de Madonna, é o mesmo ambiente, mas desta vez a remeter para a pista de dança. Espaço então para uma Pop dançante, já que a criança se mostra mais madura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além desta curta exploração do que é, sem qualquer dúvida, uma óptima voz, o álbum passa sem notas nem reparos, numa triste banalidade que a ninguém agrada nem favorece. Talvez quando Mika passar a idade dos cartoons possamos assistir a uma exploração Pop conveniente e consistente, já que parece ser aí que ela melhor se movimenta. Porque a voz dele merece. Como gente grande, para a próxima, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Life in Cartoon Motion&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Mika&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 4/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-38671579519719305?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/38671579519719305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=38671579519719305' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/38671579519719305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/38671579519719305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/life-in-cartoon-motion.html' title='Life in Cartoon Motion'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RiEd_37XlZI/AAAAAAAAAIc/AUgodEtJtkk/s72-c/mika.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-555150427914457165</id><published>2007-04-09T02:49:00.000+01:00</published><updated>2007-04-09T13:26:36.981+01:00</updated><title type='text'>Playlist #5 - Electroma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Recuperando esta rubrica, trago-vos uma banda-sonora de um filme que analisarei muito brevemente (as músicas não estão na sequência correcta, mas antes na ordem que aparecem nos créditos finais).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;International Feel - &lt;em&gt;Todd Rundgren&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;In Dark Trees - &lt;em&gt;Brian Eno&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Billy Jack - &lt;em&gt;Curtis Mayfield&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Miserere - &lt;em&gt;Gregorio Allegri&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;String Quarter In E Flat Major Op. 64, No. 6 - &lt;em&gt;Joseph Haydn&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No. 4 In E Minor [24 Preludes, Op. 28] - &lt;em&gt;Fryderyk Chopin&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;If You Were My Man - &lt;em&gt;Linda Perhacs&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dialogue - &lt;em&gt;Jackson Carey Frank&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Universe - &lt;em&gt;Sebastian Tellier&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-555150427914457165?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/555150427914457165/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=555150427914457165' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/555150427914457165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/555150427914457165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/playlist-5.html' title='Playlist #5 - Electroma'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7010882892572032277</id><published>2007-04-09T00:11:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:49.650Z</updated><title type='text'>Dúvida</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhomdDi5ZKI/AAAAAAAAAIU/AAvgy-X0saQ/s1600-h/DÃVIDA23-03-07124.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5051392212659168418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhomdDi5ZKI/AAAAAAAAAIU/AAvgy-X0saQ/s400/D%C3%9AVIDA23-03-07124.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rhl2sji5ZJI/AAAAAAAAAIM/ByFMDpUXvSw/s1600-h/DÃºvida.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Em cena no Teatro Maria Matos encontra-se a peça &lt;em&gt;Dúvida&lt;/em&gt;, de John Patrick Shanley. Com encenação de Ana Luísa Guimarães, a peça galardoada com os prémios Pulitzer e Tony, conta com interpretação de Eunice Muñoz, Diogo Infante, Isabel Abreu e Lucília Raimundo. O Teatro Maria Matos volta a apresentar um espectáculo que se mostra consistente na sua linha de programas, um novo passo na criação de um espaço de reflexão, de exigência e de confronto. Como se pretende um Teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dúvida&lt;/em&gt; envolve-nos no contexto de uma igreja e respectiva escola da década de 60 no Bronx, em plena Nova Iorque. Sobre o Padre Flynn, a determinada altura, recairão as suspeita de assédio sobre uma criança, a primeira criança negra na instituição. A fonte destas suspeitas será a Madre Superiora Aloysius que consegue convencer a bem intencionada irmã James para a acompanhar na sua cruzada contra o mal, que na sua convicção, tem o rosto do Padre Flynn. Para ajudar, a mãe da criança, um estereótipo de elevada qualidade, é trazido à questão, numa interessante caracterização da sociedade americana da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Shanley nos traz é um muito aprazível conjunto de questões, de inegável actualidade e pertinência, numa peça bem estruturada e urdida. Pecará pela sua fluência nem sempre estreita e por um fim, mais do que previsível, insonso. Mas nada lhe retirará a capacidade máxima que, em última análise, é a função do Teatro. A de fazer pensar. E isso Shanley mostra dominar, trazendo à baila, de forma inteligente e nunca demasiado incomodativa, o pior de várias facetas da sociedade, em geral, e do clero, em particular. &lt;em&gt;Dúvida&lt;/em&gt; fala-nos, numa primeira instância, de pedofilia. Não da sua parte mais óbvia e tão em voga, vendo a criança, mas pelos olhos de quem se apercebe. A inquietação da necessidade de agir perante a falta de provas que não a convicção. Todo este conflito de interesses ganhará especial interesse, e a isso não terá sido alheia a escolha da peça, quando vista à luz dos acontecimentos recentes que entupiram a imprensa nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;em&gt;Dúvida&lt;/em&gt; é ainda um pertinente alerta para outras questões. Uma figura de uma Igreja demasiado burocratizada e hierarquizada. Um clero masculinizado e inoperante. A força da dúvida por oposição à da certeza. A denúncia da pederastia no seio da Igreja. O poder do boato e a incapacidade de evitar as suas consequências. O peso das acções e a necessidade das mesmas. Estes são alguns dos muitos temas que vemos sendo dissecados ou meramente sugeridos na encenação de Ana Luísa Guimarães. Encenação que, apoiada por um maleável e poderoso cenário, se mostra acertada e tranquila, deixando o protagonismo, quando este é possível, para os actores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar de actores nesta peça é falar de Diogo Infante, que se mostra, nesta primeira vez que sobe ao palco do Maria Matos desde que dele se encarregou, cada vez mais maduro e cada vez mais versátil. Vê-lo em &lt;em&gt;Animal&lt;/em&gt;, de Roselyne Bosch, e vê-lo como Padre Flynn, é prova cabal disto mesmo. Quer a nível técnico (atente-se, na peça, na sua colocação de voz), quer a nível psicológico. É à volta de Diogo Infante que &lt;em&gt;Dúvida&lt;/em&gt; gira, esteja, ou não, presente em palco. Suportando-o temos uma excelente Isabel Abreu (&lt;em&gt;Laramie&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Coisa Ruim&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Dot.com&lt;/em&gt;) no papel de Irmã James e uma incompreensivelmente titubeante Eunice Muñoz no papel de Irmã Aloysius, numa interpretação sem chama nem de boa memória, que em nada faz jus aos galões que o seu nome ostentam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fica desta &lt;em&gt;Dúvida&lt;/em&gt; é a certeza de haver Teatro de referência em Portugal. A certeza da consolidação de um projecto, o Teatro Maria Matos, que em tudo revigora e revitaliza o género em Portugal, contribuindo, ainda, para uma chamada activa do público para as salas. Disso, não há dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Dúvida&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: John Patrick Shanley&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Encenação&lt;/strong&gt;: Ana Luísa Guimarães&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Eunice Muñoz, Diogo Infante, Isabel Abreu e Lucília Raimundo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7010882892572032277?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7010882892572032277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7010882892572032277' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7010882892572032277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7010882892572032277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/dvida.html' title='Dúvida'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhomdDi5ZKI/AAAAAAAAAIU/AAvgy-X0saQ/s72-c/D%C3%9AVIDA23-03-07124.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-5685337340260956290</id><published>2007-04-08T00:04:00.001+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:49.819Z</updated><title type='text'>300</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RhgtHJWFGyI/AAAAAAAAACQ/zN3Tt6K2o70/s1600-h/300Poster.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5050836582886873890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RhgtHJWFGyI/AAAAAAAAACQ/zN3Tt6K2o70/s400/300Poster.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Baseado na banda-desenhada com o mesmo título, da autoria de Frank Miller, que por sua vez conta a resistência heroico-masoquista do rei espartano Leónidas e os seus trezentos homens face às hordas do Império Persa – mais sobrenaturais que humanas -, este &lt;em&gt;300&lt;/em&gt; de Jack Snyder tem, diga-se, a decência de procurar efectivamente ser um decalque fílmico da sua fonte, apresentando as características mais comummente associadas ao género, todas elas acentuando o exagero e a fantasia. Quem de bom senso se interessar subitamente na Batalha de Termópilas de um ponto de vista intelectual e ansiando o máximo rigor histórico, decerto não considerará a referida BD uma fonte credível, mas quem se achar sentado na sala de cinema na expectativa de assistir a um retrato documental da batalha saberá o que é afinal um amargo de boca. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para além das diatribes que se têm multiplicado (quase todas injuriando o realizador e a sua equipa pela grotesca animalização que fazem dos persas), importa perceber se, feita a proposta, vale a pena perder cerca de duas horas frente a uma hagiografia balofa dos heróis espartanos e seus temerosos aliados. E o que salta à vista é o absurdo processo de redução da psicologia verosímil dos homens - supostamente complexa – até se chegar a um resultado final em que não há indivíduos, mas homens que suportam o epíteto do seu povo: o que transparece dos espartanos é, pelo lado dos soldados, tudo o que não infrinja a sua intrépida condição de guerreiros patrióticos e sanguinários; os aliados arcadianos são, genericamente, receosos e desajeitados; e aos persas, enfim, foi dada a honra de ser não mais que uma paleta de criaturas vagamente humanas, ora demoníacas, ora irracionais, ora andróginas (veja-se o irreconhecível Rodrigo Santoro no papel de Xerxes I). Há, no entanto, uma inultrapassável comicidade nisto tudo se o espectador ousar não levar este filme a sério, quiçá a medida sensata a tomar caso se encontre de modo irreversível na sala. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mesmo considerando que há uma nítida aposta no grafismo, de tal maneira que o filme pretende presumivelmente ser uma espécie de exibição de espectaculares sequências de acção, &lt;em&gt;300&lt;/em&gt; não convence completamente como &lt;em&gt;tour de force&lt;/em&gt; estético. Apresentando algumas semelhanças com &lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt; (de que Frank Miller também é, a propósito, autor), &lt;em&gt;300&lt;/em&gt; vive perdido entre a infantilidade da sua narrativa, a vacuidade psicológica das suas personagens e a sua violência gráfica. Removendo as cenas mais sangrentas – especialmente aquelas em que o sangue, assim que espirrado, parece coagular em pleno ar -, fica-se com um épico aprazível às crianças. Para os menos pueris haverá certamente trezentas outras escolhas mais frutuosas que assistir ao polémico &lt;em&gt;300&lt;/em&gt;. &lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Título:&lt;/strong&gt; 300&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Realizador:&lt;/strong&gt; Jack Snyder&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Elenco:&lt;/strong&gt; Gerard Butler, Lena Headay, David Wenham, Dominic West, Vincent Regan, Michael Fassbender, Rodrigo Santoro, Andrew Tiernan, Andrew Pleavin, Tim Connolly, Marie-Julie Rivest, Tyler Max Neitzel e Tyrone Benskin.&lt;br /&gt;E.U.A., 2006.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-5685337340260956290?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/5685337340260956290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=5685337340260956290' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5685337340260956290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5685337340260956290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/300.html' title='300'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RhgtHJWFGyI/AAAAAAAAACQ/zN3Tt6K2o70/s72-c/300Poster.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7907331930002696031</id><published>2007-04-06T20:21:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:49.981Z</updated><title type='text'>The Temple Bell</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhaeSDi5ZII/AAAAAAAAAIE/DgEVDmw-k9I/s1600-h/old_jerusalem_-_the_temple_bell.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5050398065169097858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhaeSDi5ZII/AAAAAAAAAIE/DgEVDmw-k9I/s400/old_jerusalem_-_the_temple_bell.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; “É um facto que muitas bandas recorrem ao inglês para disfarçarem um vazio de ideias, mas cada caso é um caso, não se pode generalizar. Atente-se ao trabalho de artistas como o Old Jerusalem, por exemplo. É bem visível que aquilo é feito de forma genuína.”&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;The Weatherman em entrevista ao &lt;a href="http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/voz-prpria-3-weatherman.html"&gt;Espaço de Crítica Artística&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta altura, o nome de Old Jerusalem dispensará já as costumeiras apresentações. Ainda assim, porque as formalidades assim o obrigam, digamos que é do projecto de Francisco Silva de que falamos. Diga-se ainda que se trata do terceiro álbum, que dá pelo nome de &lt;em&gt;The Temple Bell&lt;/em&gt; e que sucede os belíssimos &lt;em&gt;April&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Twice the Humbling sun&lt;/em&gt;. Eram dispensáveis estas apresentações tão somente porque Francisco Silva, sob o nome de Old Jerusalem, se tem vindo a afirmar como um dos mais importantes, e distintamente originais, cantautores portugueses. E, senão o melhor, dos melhores a fazê-lo em inglês. Sobre ele, a propósito deste novo trabalho, escreveu Pedro Mexia, escritor que, num segundo a propósito, está prestes a lançar 2 livros:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“&lt;em&gt;A melancolia da anatomia. Quem reconhece em «Old Jerusalem» o título de uma canção de Will Oldham imediatamente imagina uma genealogia de melancólicos americanos (essa que inclui Bill Callahan, Damien Jurado, os Mountain Goats e outros). Francisco Silva, o mentor deste grupo de geografia variável chamado Old Jerusalem, nunca escondeu as suas influências e afinidades.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um trabalho de consolidação. Onde se percorrem tema recorrentes, mas salutarmente revistos, da escrita do músico. Onde se estabelece um padrão, onde se desenha uma coesão na sua carreira. Há um grande cantautor neste economista de profissão. As melodias simples dos seus acordes casam-se com as melodias melancólicas das suas belas letras. Há aqui uma vastidão de sentimentos que exalam de &lt;em&gt;The Temple Bell&lt;/em&gt; e invadem quem por lá se aventure. Há melancolia e há vastidão. Mas há, acima de tudo, a sensação de sermos convidados para sua casa, para um recanto intimo e pessoal, de estarmos a espreitar por uma frincha na porta. Old Jerusalém é este sentimento de pertença à sua vida através da sua música. Onde as distâncias entre a pessoalidade do musico e a do ouvinte se fundem, mantendo, ao mesmo tempo, a reserva necessária. Confuso? Não se admire se se encontrar a divagar. Faz parte da magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal sempre foi um terreno fértil para os cantautores. Dos reformistas aos intimistas, dos lutadores aos reservados. Este não é mais um. É Old Jerusalem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: The Temple Bell&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Old Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7907331930002696031?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7907331930002696031/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7907331930002696031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7907331930002696031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7907331930002696031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/temple-bell.html' title='The Temple Bell'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhaeSDi5ZII/AAAAAAAAAIE/DgEVDmw-k9I/s72-c/old_jerusalem_-_the_temple_bell.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-5075059129939129789</id><published>2007-04-04T22:34:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:50.119Z</updated><title type='text'>O Caimão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhQa5zi5ZHI/AAAAAAAAAH8/_PL_9oQq_zg/s1600-h/o+caimao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5049690662580610162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhQa5zi5ZHI/AAAAAAAAAH8/_PL_9oQq_zg/s400/o+caimao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Polémicas à parte, este é claramente um dos melhores filmes actualmente em cena em Portugal. Contabilizando todos os êxtases e revezes, lá chegaremos, resta um filme politico e humano, combinação à partida difícil, que não se abstém, ainda assim, de reter uma visão tragicómica e retratista de uma Itália em descalabro. Parece-lhe demasiado? Trata-se de &lt;em&gt;O Caimão&lt;/em&gt;. Do melhor Nanni Moretti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À resposta de como abordar Berlusconi cinematograficamente, Moretti foge ao óbvio. Foge ao retrato puro e duro, mas inclui-o. Foge ao documentário Mooriano incisivo mas extremista, mas a extremidade da sua posição permanece. Agarra, ao invés de pegar o touro de cornos, na Itália que Berlusconi moldou. A “Italiazinha”, como lhe chama um produtor polaco no filme. Uma Itália minorizada, interna e externamente, por uma governação do mais prosaicamente mafioso. Centralização do poder, utilização abusiva dos media e enriquecimento de mãos dadas com ilegalidades. Nada que nós não percebamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já bastava esta faceta a &lt;em&gt;O Caimão&lt;/em&gt; para se revelar um bom filme. Tal não seria suficiente para Moretti, o realizador de &lt;em&gt;O Quarto do Filho&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Querido Diário&lt;/em&gt;. Este é, a propósito, um Moretti fora do esperado. Mais vivo, mais ousado, mais atrevido. Atrevimento este que vai bem para além do tema polémico que aborda. Mas onde parece ter sucedido, a julgar pelas eleições italianas, 17 dias depois da estreia do filme em Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia-se, há mais no filme do que o retrato de uma Itália Berlusconiana. Há ainda uma critica, pelo ridículo, ao cinema italiano actual. Uma produção a olhar para o umbigo, um realizador que começa um filme sem ler o guião por completo ou actores que desistem subitamente de projectos são parte integrante da toada mais ridicularizante de &lt;em&gt;O Caimão&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No melhor pano cai a nódoa, como sempre. Moretti tem em &lt;em&gt;O Caimão&lt;/em&gt;, cinematograficamente, uma faca de dois gumes. Por um lado, um filme completo e complexo que aborda uma Itália humana mas desumanizada por uma ditadura mascara. Por outro, um filme a querer por vezes mais do que pode. Um filme onde se abordam relações pessoais, problemas políticos, criticas cinéfilas, divórcios, a identidade da meia idade ou caracterizações nacionais. É obra. Mas é uma boa obra, em parte porque o filme nunca pesa, mistura tudo o mencionado com momentos trágicos e momentos de grande humor, que em grande parte se devem ao brilhante Sílvio Orlando, a personagem principal do filme (excluindo Berlusconi, obviamente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja pela parte politica, seja por Moretti, seja por Sílvio Orlando, seja pelo humor, seja pela Itália, seja, apenas, porque se trata de um filme belíssimo. Não se permita não ver &lt;em&gt;O Caimão&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: O Caimão&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Realizador&lt;/strong&gt;: Nanni Moretti&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Silvio Orlando, Margherita Buy, Jasmine Trinca, Michele Placido, Nanni Moretti e Giuliano Montaldo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Itália, França. 2006&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 8/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-5075059129939129789?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/5075059129939129789/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=5075059129939129789' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5075059129939129789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5075059129939129789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/o-caimo.html' title='O Caimão'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RhQa5zi5ZHI/AAAAAAAAAH8/_PL_9oQq_zg/s72-c/o+caimao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-3200231013816488315</id><published>2007-04-01T17:12:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:50.339Z</updated><title type='text'>Tones of Town</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rg_a5hTLRPI/AAAAAAAAAH0/MFj59aTYiiE/s1600-h/Field+Music+-+Tones+of+Town.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5048494389031814386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rg_a5hTLRPI/AAAAAAAAAH0/MFj59aTYiiE/s400/Field%2BMusic%2B-%2BTones%2Bof%2BTown.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O bom das etiquetas é que não nos perdemos. Sabemos ao que vamos, sabemos o que procurar, onde arrumar tudo na nossa mente tão sedenta de divisões lineares. O mau é catalogarmos tudo por secções, não deixando espaço a novas abordagens, nem ao desconhecido. Com os Field Music, a caneta hesita entre escrever Indie-pop ou Pop experimental, mas, numa ou noutra, a palavra Pop surge tanto esclarecedora como aterradora. Se é verdade que é de Pop que é feito este álbum, é de Pop também que morre este álbum. Ou de falta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o proverbial povo que cada um se deita na cama que faz. A cama dos Field Music é rendilhada, complexa, altamente instrumentada e arranjada. São arranjos atrás de arranjos, instrumentos que se introduzem por dá cá aquela palha, que, se nalguns momentos enriquecem um álbum morno, na maioria lhe retiram a centalha de que é feita a Pop. A acessibilidade. Ninguém os poderá acusar de serem repentistas, de procurarem ser uma next-big-thing. Ninguém os poderá, também, acusar de serem simplistas e redutores, de se imiscuírem na massa indistinguível de bandas Pop-a-piscar-o-olho-a-qualquer-coisa. Mas dificilmente alguém os acusará de empolgar alguém vivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O álbum, segundo na carreira da banda, é &lt;em&gt;Tones of Town&lt;/em&gt;. David Brewis, Peter Brewis e Andrew Moore são os responsáveis pelo mesmo, filhos de Sunderland, de onde também são provenientes os conhecidos, e ligados aos Field Music, Futureheads. Voltando ao álbum, este abre com “Give it Lose it Take it”, amostra exemplificativa, mas de superior qualidade, da génese do trabalho. Composição esforçada, bonitinha e com valor, sem grande ânimo, mas, quando ouvida atentamente, convincente. Tal como a seguinte “Sit Tight“, onde se começa a sentir o cheiro a cidade que percorre o álbum e tem ênfase no título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tones of Town” traz final mais empolgante que, por escassear, é bem vindo. “A House is not a home” cheira a década de 90 britânica por todo o lado enquanto “Kingston” é banda sonora de Soap Opera de serão inglês. “Working to work” traz pormenores vocais engraçados e antecede o single, “In Context”. “A Gap has appeared” é nova experiência interessante que não tem paralelo até ao final morno de ”She can do what she wants”. Passa escorreito este &lt;em&gt;Tones of Town&lt;/em&gt; dos Field Music. Tal como a vida na cidade. Se for metáfora da vida sob a forma de música, está bem visto. Se, como parece, é só um álbum de Indie-Pop a sobrecarregar no arranjo, está salgado demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Tones of Town&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Field Music&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 6/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-3200231013816488315?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/3200231013816488315/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=3200231013816488315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3200231013816488315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3200231013816488315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/04/tones-of-town.html' title='Tones of Town'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rg_a5hTLRPI/AAAAAAAAAH0/MFj59aTYiiE/s72-c/Field%2BMusic%2B-%2BTones%2Bof%2BTown.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-2313223908806341318</id><published>2007-03-31T16:24:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:50.553Z</updated><title type='text'>Solo Piano Music (Complete Published Piano Music)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rg5-p83R7vI/AAAAAAAAA2k/J2jRZm3WvAQ/s1600-h/barber.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5048111491506630386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rg5-p83R7vI/AAAAAAAAA2k/J2jRZm3WvAQ/s320/barber.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Integrando a colecção de discos da Naxos chamada &lt;em&gt;American Classics&lt;/em&gt;, a obra completa para piano &lt;em&gt;solo&lt;/em&gt; do compositor Samuel Barber (1910-1981) é um daqueles CDs que se encontra nos confins da prateleira das séries económicas. No entanto, e apesar de ter uma capa nada atractiva e um grafismo que roça o assustador, este disco contém uma excelente gravação de 1995 sob a mestria de Daniel Pollack. Reúne a totalidade do trabalho publicado do compositor americano, que sempre se manteve à sombra do seu conhecido &lt;em&gt;Adagio &lt;/em&gt;de um Quarteto de Cordas (posteriormente adaptado para Orquestra de Cordas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À descoberta da partitura de Barber está Daniel Pollack, o pianista californiano que actualmente lecciona em Yale, apesar de ser protagonista de uma carreira cheia de sucessos e de interpretações maravilhosas. Ganhou inclusivamente, com a &lt;em&gt;Sonata &lt;/em&gt;de Barber, a Competição de Piano Tchailovsky em Moscovo no ano de 1958. Assim, este disco oferece uma proposta irresistível: (re)descobrir a música de Barber – que vai muito além do já conhecido &lt;em&gt;Adagio &lt;/em&gt;– e auscultar a consagração de Pollack sobre as teclas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samuel Barber conseguiu o que a maior parte dos compositores não conseguiu, embora tenha sofrido consequências que a maior parte dos seus colegas, quer tenham sido eles seus contemporâneos ou não, não sofreram. No que toca ao facto de provocar, de inovar, de ser diferente, Barber sempre conseguiu fazer frente ao estabelecido (o melhor exemplo será relativo à sua vida particular, onde a sua homossexualidade, assumida aos dezoito anos com a relação que estabeleceu com Gian Carlo Menotti, sempre foi aceite em qualquer meio). Assim, Barber conseguiu usar a dissonância, os ritmos complexos, a visão mais pungente da harmonia a favor de uma busca pelo neo-Romantismo, pelo lirismo dos seus antepassados, pela perfeição mais ao nível dos conteúdos nas suas peças para um instrumento a solo. Ainda que poucos conheçam a sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um excelente exemplo da genialidade de Barber, e um magnífico marco na música americana, é a monumental &lt;em&gt;Sonata para Piano&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Opus 26&lt;/em&gt;. A &lt;em&gt;Sonata&lt;/em&gt;, intempestiva e tecnicamente feroz, foi durante alguns anos evitada, embora nunca ignorada, tornando-se na obra americana mais tocada em recitais de piano &lt;em&gt;solo&lt;/em&gt;, assim como uma peça obrigatória na maior parte das competições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Composta em dois anos, a obra tem quatro andamentos. O primeiro, &lt;em&gt;Allegro Energico&lt;/em&gt;, inicia-se com um cromatismo frio e duro, no qual se desenrola um tema mais lírico, depressa esbatido pelos intervalos dissonantes expressos na brusquidão da resolução dos fragmentos musicais vários. Na conclusão do andamento, temos presente um emaranhado mais indistinto, embora se dissolva em pequenas e leves carícias para o finalizar. O segundo andamento, &lt;em&gt;Allegro Vivace e Leggiero&lt;/em&gt;, é uma espécie de super-&lt;em&gt;scherzo &lt;/em&gt;que, embora se possa dizer divertido, não é de todo histérico; consegue, no entanto, inverter o final do primeiro andamento sob a forma de um alegre jogo de notas agudas. O terceiro andamento é um &lt;em&gt;Adagio Mesto &lt;/em&gt;que se caracteriza com a expressividade das notas mais graves e do ímpeto com que a melodia, nunca forçada, se esbate sobre o lirismo da reminiscência do tema principal. O quarto e último andamento é uma &lt;em&gt;Fuga: Allegro Con Spirito&lt;/em&gt;, sendo de longe o andamento mais rico harmonicamente, mais confuso em termos de forma, mas também facilmente descodificado à medida que caminha para o esmagador e genial final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo módulo deste disco diz respeito ao trabalho &lt;em&gt;Excursions, Opus 20&lt;/em&gt;, uma obra de Barber que reflecte as influências de outros estilos musicais – que variam desde o &lt;em&gt;boogie-woogie &lt;/em&gt;à música mais tradicional. Constituem, assim, quatro peças bastante interessantes, sendo a primeira um andamento &lt;em&gt;Un Poco Allegro&lt;/em&gt;, revelando-se sobre a forma do &lt;em&gt;boogie-woogie&lt;/em&gt;, com um ritmo moderno e vivaz. O segundo, &lt;em&gt;In Slow Blues Tempo &lt;/em&gt;traduz a harmonia, a melodia e o ritmo dos &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt;. Já o &lt;em&gt;Allegretto &lt;/em&gt;da terceira peça traz muito do Romantismo alemão misturado com secções menos líricas e mais atípicas, embora o bucolismo e a expressão que se sentem nesta&lt;em&gt; Excursion &lt;/em&gt;sejam muito lidas nas &lt;em&gt;Kinderszenen &lt;/em&gt;de Schumman, por exemplo. A quarta e última peça, um &lt;em&gt;Allegro Molto&lt;/em&gt;, tem uma componente mais étnica, sem nunca se soltar de um ritmo que já Debussy induzia em variadíssimas formas na sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Nocturne – Moderato &lt;/em&gt;é a peça que Daniel Pollack converte de um modo particularmente irrepreensível. Neste &lt;em&gt;Nocturno, Opus 23&lt;/em&gt;, Barber invoca, no subtítulo e na estética, John Field, o pianista irlandês que inventou a forma do Nocturno. Nesta peça, Barber relê a poesia que compositor polaco Fryderyk Chopin eternizou nos seus Nocturnos, transformando o seu &lt;em&gt;Nocturne – Moderato &lt;/em&gt;na sua obra mais idílica e mais etérea que, embora se mantenha fiel à profundidade da busca pelo Romantismo, não esquece a orientação moderna em todos os maneirismos que exemplifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em oposição a uma linha mais de exteriorização, Os &lt;em&gt;Three Sketches &lt;/em&gt;são três curtas peças que Barber escreveu e distribuiu pela família. O primeiro, &lt;em&gt;Love Song: Tempo Di Valse, Allegretto&lt;/em&gt;, é uma peça com apenas vinte e quatro compassos, que Samuel Barber traduziu numa valsa doce e nostálgica, e que dedicou à sua mãe. O segundo, &lt;em&gt;To My Steinway (To #220601): Adagio&lt;/em&gt;, é igualmente uma valsa curta, com quinze compassos, dedicada ao piano da sua infância. O terceiro e último, &lt;em&gt;Minuet: Tempo Di Minuetto&lt;/em&gt;, foi escrito com base no &lt;em&gt;Minuet número 2 WoO 10 &lt;/em&gt;de Ludwig van Beethoven, tendo sido dedicado à irmã de Barber. É de particular interesse e de especial beleza a forma simples com que o compositor consegue exprimir afectos e ternura com apenas alguns compassos para colocar notas. É fantástica a forma com que esboça as melodias mais inovadoras e intimistas, ténues por detrás de formas convencionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, Pollack oferece o &lt;em&gt;Interlude 1, "For Jeanne" – Adagio ma non troppo&lt;/em&gt;, uma obra mais ou menos ao estilo de uma rapsódia, que traz muito do Romantismo de Brahms ou mesmo Reger, sem nunca se afastar da linguagem musical e das tonalidades do século XX. Aqui, Barber exige ao executante uma exploração imensa do teclado, assim como alguns intervalos que requerem um especial esforço de dedos. É um trabalho dedicado a Jeanne Behrend, uma conhecida pianista americana. A &lt;em&gt;Ballade – Restless &lt;/em&gt;é o trabalho seguinte no alinhamento do disco. Escrita num período particularmente difícil, a &lt;em&gt;Ballade &lt;/em&gt;reflecte o estado mental do compositor, sendo sombreada pelo cansaço da abertura e pelo antagónico virtuosismo da secção do meio. A obra termina recapitulando o início num &lt;em&gt;pianissimo &lt;/em&gt;misterioso, fechando uma partitura bastante simples e compacta, que é simultaneamente um exercício de uma comovente expressão musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como forma de terminar o disco, Daniel Pollack interpreta os &lt;em&gt;Souvenirs, Opus 28&lt;/em&gt;, seis peças originalmente compostas para quatro mãos sobre as teclas. Samuel Barber adaptou as peças para piano &lt;em&gt;solo &lt;/em&gt;e mais tarde para orquestra. Esta obra diz respeito a seis pequenos trechos variadíssimos. Uns trechos são mais humorísticos, outros mais dramáticos, oscilando entre ritmos (&lt;em&gt;Scottische: Tempo Di Schottische, Allegro ma non troppo &lt;/em&gt;é um exemplo), formas (&lt;em&gt;Pas De Deux: Adagio&lt;/em&gt;, uma forma típica do &lt;em&gt;ballet&lt;/em&gt;), sempre com um discernimento moderno bem caracterizado e com uma elegância e precisão sublimes na harmonia e na melodia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis um disco que explora a musicalidade imensa de Pollack e a obra inconfundível, cheia de recursos inesgotáveis, de um compositor fantástico e tão facilmente olvidável e substituível por uma obra que alcançou o sucesso. A leitura do pianista é absolutamente digna de destaque, não só no modo como cruza a expressão artística com a nota escrita, mas também pelo modo como visualiza o afecto na obra de Barber. Uma excelente interpretação da obra do mais genial dos compositores americanos (que, para quem não sabe, escreveu mais do que o trecho que se ouve em &lt;em&gt;Platoon&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5048115172293603074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rg6CAM3R7wI/AAAAAAAAA2s/rTNdKxPg6YA/s320/310335%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;BARBER: Solo Piano Music&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Daniel Pollack &lt;/em&gt;toca &lt;em&gt;Samuel Barber&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;1998 (à venda agora)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-2313223908806341318?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/2313223908806341318/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=2313223908806341318' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/2313223908806341318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/2313223908806341318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/solo-piano-music-complete-published.html' title='Solo Piano Music (Complete Published Piano Music)'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rg5-p83R7vI/AAAAAAAAA2k/J2jRZm3WvAQ/s72-c/barber.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-5846521817961519979</id><published>2007-03-29T22:55:00.000+01:00</published><updated>2008-11-13T03:06:50.650Z</updated><title type='text'>Voz Própria #4 - JP Simões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rgw2OBTLROI/AAAAAAAAAHo/-NtYeww5cMg/s1600-h/Jp.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047468896870417634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rgw2OBTLROI/AAAAAAAAAHo/-NtYeww5cMg/s400/Jp.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; 1. Em 1970 (Retrato) ouve-se “A minha geração já se  acabou”, numa fotografiadesencantada e entristecida. Como encaras o rumo que a tua geração tomouface aos acontecimentos que a foram contextualizando?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uns morreram de overdose, outros salvaguardaram a sua dignidade num contexto discreto de construção pessoal, profissional e artística, a grande maioria deu continuidade, por omissão ou mimetismo, à grande feira do individualismo selvagem e irresponsável, agora sob a capa do progresso tecnológico (de importação) e da cidadania europeia (praticada essencialmente através do oportunismo financeiro e da novíssima demagogia baseada na interpretação de estatísticas).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. A “inquietação” que vais buscar a José Mário Branco é também um sinaldesse desencanto geracional, fruto da visão do que não foi face ao que podiater sido?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, mas é também apenas uma belíssima canção de um músico e cidadão notável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; 3. E como vês a nova geração que está a surgir, nomeadamente a nívelmusical? Sentes que cometem os mesmos erros?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt; Prognósticos só no fim do Universo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;4. Sempre mostraste uma preocupação social na tua música, quer em 1970 querem projectos anteriores. A música tem necessariamente uma função social, uma espécie de manifesto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não forçosamente: mas podes aproveitar os dias mais estuporados para cuspir todo o merecido veneno que a vida em sociedade segrega.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;5. 1970 é também o trabalho onde mais abertamente expões a tua influênciabrasileira, mais concretamente a influência de Chico Buarque. Como é que um rapaz de Coimbra acaba a compor um álbum tão “brasileiro”?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt; E como é que um rapaz do Texas declara guerra ao Iraque? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;6. Quer nos Belle Chase Hotel quer nos Quinteto Tati sentia-se uma fortepresença cinematográfica, a começar pelo nome das bandas. Há cinema em 1970?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt; Há mais literatura, panfleto e postalinho afectuoso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;7. Melhor Disco Nacional de Janeiro para o DN, um dos 30 cds mais vendidosno país, este tem sido talvez o teu trabalho mais amplamente reconhecido a nível do grande público. Como é a tua relação com esse lado? Pensas na reacção das pessoas quando escreves e compões?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, penso nas reacções dos dálmatas: são animais muito sensíveis à música. Mas além disso, escrevo e componho imaginando que estou a ser ouvido por um amigo que não seja parvo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;8. Quando instado a comentar sobre o que gozaria hoje Alexandre O’Neill,respondeste que “o alvo seria 'o politicamente correcto e a questão nacional da criação da imagem de Portugal para o exterior”. Portugal ainda é um país demasiado preso a uma mentalidade conservadoramente burguesa e religiosamente estagnada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu espero bem que sim: até porque me dá  jeito ter sempre à mão um imenso conjunto de defeitos nacionais insuportáveis e consensuais.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;9. Acabo a citar-te noutra entrevista: “Acho que me falta fazer tudo namesma, porque o que está feito já passou. (…) Continua tudo por fazer”. Qual é o próximo passo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É espetar-me de Galeão contra a Ponte Vasco da Gama&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-5846521817961519979?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/5846521817961519979/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=5846521817961519979' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5846521817961519979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5846521817961519979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/voz-prpria-4-jp-simes.html' title='Voz Própria #4 - JP Simões'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rgw2OBTLROI/AAAAAAAAAHo/-NtYeww5cMg/s72-c/Jp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1032810106334814258</id><published>2007-03-24T00:08:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:50.707Z</updated><title type='text'>Bandidos e Mocinhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RgRsQ4kv0GI/AAAAAAAAAHg/0v_S5eYqUsQ/s1600-h/bandidos+e+mocinhas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5045276519882018914" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RgRsQ4kv0GI/AAAAAAAAAHg/0v_S5eYqUsQ/s400/bandidos+e+mocinhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Nelson Motta, brasileiro, escritor e jornalista entre outras actividades, autor do romance &lt;em&gt;O Canto da Sereia&lt;/em&gt;, assina &lt;em&gt;Bandidos e Mocinhas&lt;/em&gt;, o seu mais recente livro. Romance em género de policial, &lt;em&gt;Bandidos e Mocinhas&lt;/em&gt; é apresentado como “o melhor estilo Pulp Fiction”. Aparte os provérbios, este é um livro bem intencionado. Um shake mal batido que mistura a falta de linearidade de &lt;em&gt;Pulp Fiction&lt;/em&gt; com o ambiente realista de &lt;em&gt;Cidade de Deus&lt;/em&gt;. O Cinema não é, aliás, trazido ao acaso, já que o livro apresenta-se assim, mesmo, cinematográfico. Quer em termos descritivos, quer na narrativa. É pena que o escritor não se mostre nenhum Quentin Tarantino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bandidos e Mocinhas&lt;/em&gt; começa a partir da morte de Lana Leoni, uma actriz, em plena representação da sua mais recente peça de teatro. Daqui se parte para a controvérsia da peça, para os vários relacionamentos cruzados numa trama que até poderia ter um bom desenvolvimento, não fosse uma terrível falta de ideias. Assim se vão conhecendo as várias personagens. Lana Leoni, a actriz provocadora e estereotipadamente ganaciosa, capaz de tudo pelo seu sucesso. George, o seu marido extravagante, voyeurista e enigmático. Dida, o fora-da-lei culto e desenvolto, mas com graves problemas sexuais. Marlene, a detective atraente e competente, encarregada do caso. Pedro, o ex-amante de Lana, devoto de uma vida recatada e isolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais impressiona pela negativa é a distância entre o que é e o que podia ter sido. &lt;em&gt;Bandidos e Mocinhas&lt;/em&gt; fica-se por um livro redundante, repleto de clichés, sem ideias criativas, nem desenvoltura narrativa. Uma linguagem desbragada e por vezes demasiado coloquial, que porventura assentaria bem num suporte dado por uma história consistente. No fundo, como faz Tarantino no filme que a capa insiste em citar. Aqui, tudo soa a fácil e demasiado óbvio. A começar pelo título. Tudo culmina com a falta de um clímax, o que é agravado por estarmos a falar de um policial, género que por excelência cozinha os acontecimentos até um borbulhar final de revelações. Motta começa por alinhar no género. Falha, redondamente, quando a previsibilidade e a falta de uma noção maior assassinam, não a personagem, mas o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paradigma de todo o livro será um relacionamento entre duas personagens que acontecerá no final do livro. Clichés amorosos à beira-mar fazem suspeitar de ideias irónicas do autor. Ou da sua necessidade de disfarçar uma final mal conseguido, mal desenvolvido e com pontas soltas. Nada disso. Tudo parece apenas inaptidão. Consegue &lt;em&gt;Bandidos e Mocinhas&lt;/em&gt; alguma vez animar? Sim. Tem alguns traços interessantes, especialmente quando apela aos galões tarantinianos que apregoa. Qualquer coisa mais que isso é um pedido exagerado. Com certeza, o autor não lamentará mais que o leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Bandidos e Mocinhas&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Nelson Motta&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1032810106334814258?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1032810106334814258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1032810106334814258' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1032810106334814258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1032810106334814258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/bandidos-e-mocinhas.html' title='Bandidos e Mocinhas'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RgRsQ4kv0GI/AAAAAAAAAHg/0v_S5eYqUsQ/s72-c/bandidos+e+mocinhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-4909804878294954696</id><published>2007-03-22T11:10:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:50.947Z</updated><title type='text'>Os Anjos Exterminadores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RgJmQYkv0FI/AAAAAAAAAHY/8FFBfoiCSR8/s1600-h/Les-Anges-exterminateurs.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044706964268896338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RgJmQYkv0FI/AAAAAAAAAHY/8FFBfoiCSR8/s400/Les-Anges-exterminateurs.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Nenhum tema se vulgarizou tanto na sociedade ocidental filmada como o sexo. Contudo, os meandros por onde o grande ecrã apresenta este tema são, praticamente sem excepção, uma exposição estilizada e cada vez mais aborrecida de um acto sexual clichezado. Há, contudo, realizadores que sabem manejar o sexo, para além dos tabus, ou mesmo dentro destes tabus. Há os despudorados, como Larry Clark, e há os estetas, como Jean-Claude Brisseau. O que os une é a tentativa de usar o sexo como liberdade, cada um à sua maneira. Como compreensão, como escape, como pathos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem brinca com o fogo, queima-se. Frase feita icariana de índole popular, espécie de advertência católica contra qualquer tipo de tentação, mas que se aplica, em jeito de moral da história, ao mais recente filme do realizador francês. &lt;em&gt;Os Anjos Exterminadores&lt;/em&gt; relata a procura voyeurista de uma realizador perseguido pelos seus fantasmas. François, enquanto prepara a realização de outro filme, depara-se com a sua necessidade de compreensão da sexualidade feminina. Esta necessidade irá dar azo à criação de um novo filme, numa espiral de polémica perante uma sociedade exterior que nunca se sente. O ambiente do filme é fechado em si próprio, repousando tudo sobre os ombros de François.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir deste ponto, François entregar-se-á à procura das suas actrizes no seu método muito próprio. Observá-las e filmá-las na sua procura pelo prazer. É assim que vai conhecer e dar a conhecer entre si Charlotte, Julie e Stephanie, três jovens sem relação mas que rapidamente constroem um triunvirato que será tanto o sucesso como a ruína do realizador. Com elas, François cria uma relação parental edipiana de atracção e envolve-se cada vez mais, perdendo o controlo. Pelo meio de tudo isto, aparições de cariz demoníaco parecem reger externamente a história desde o principio, como se a sexualidade feminina fosse, de facto, um segredo dos deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste filme com forte pendor autobiográfico, François assemelha-se à &lt;em&gt;Justine&lt;/em&gt; de Sade a quem tudo acontece pela sua virtuosidade, com reflexo na sua sexualidade. Com o senão de que, aqui, é ele mesmo que despoleta todos os acontecimentos sobre si próprio, sem o saber. Ou sabendo-o. &lt;em&gt;Os Anjos Exterminadores&lt;/em&gt; importa menos como caracterização lésbica de um prazer feminino ainda misterioso do que como pesquisa freudiana de uma realizador que é uma sociedade à procura de respostas. É menos &lt;em&gt;De Olhos Bem Fechados&lt;/em&gt; do que é &lt;em&gt;O Último Tango em Paris&lt;/em&gt;. Há uma concepção de sexo e prazer, uma procura do tabu, uma despreocupação face ao conservadorismo burguês que cria algo mais que o mero sexo, ainda que, em última instancia, tudo se resuma a isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brisseau premeia, como sempre, uma estética visual, uma encenação de grande espectáculo em que, por vezes, a nossa visão se confunde com a de François. É ainda interessante rever o carácter do destino, enquanto fado, deste realizador apolíneo e dionisíaco ao mesmo tempo. Um destino que constrói por oposição à imagem de um anjo exterminador que o vai controlando enquanto ele se imiscuir nesse assunto negro, o sexo dos anjos, que é o sexo das mulheres. A bem dizer, Brisseau consegue menos do que aquilo a que se propõe, em grande parte por estas inusitadas aparições mal limadas. Fosse o filme de Brisseau o filme de François, ou fosse o filme de Brisseau apenas sobre o filme de François e o resultado seria bem diferente.    &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Os Anjos Exterminadores&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Realizador&lt;/strong&gt;: Jean-Claude Brisseau&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Frédéric van den Driessche, Maroussia Dubreuil, Lise Bellynck, Marie Allan, Raphaële Godin, Margaret Zenou e Sophie Bonnet.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;França, 2006.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 6/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-4909804878294954696?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/4909804878294954696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=4909804878294954696' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4909804878294954696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4909804878294954696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/os-anjos-exterminadores.html' title='Os Anjos Exterminadores'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RgJmQYkv0FI/AAAAAAAAAHY/8FFBfoiCSR8/s72-c/Les-Anges-exterminateurs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-5398055504097591515</id><published>2007-03-21T16:53:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:51.339Z</updated><title type='text'>Inside In/Inside Out</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RgFjUgqB2AI/AAAAAAAAA2A/QR4op19T_FA/s1600-h/B000DN6CHY_02_LZZZZZZZ.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044422261646415874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RgFjUgqB2AI/AAAAAAAAA2A/QR4op19T_FA/s320/B000DN6CHY_02_LZZZZZZZ.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Inspiraram-se numa conhecida música de David Bowie para o seu nome e agora chega o seu primeiro trabalho. Chama-se &lt;strong&gt;Inside In/Inside Out &lt;/strong&gt;e é um nome divertido para um álbum divertido. Quanto aos &lt;em&gt;The Kooks&lt;/em&gt;, a banda inglesa chega com um brilho de um &lt;em&gt;rock &lt;/em&gt;moderno e com um toque de &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt;, embora se note uma grande sede de inovação ao longo das catorze faixas deste álbum. Ficaram conhecidos depois do &lt;em&gt;cover &lt;/em&gt;de &lt;em&gt;Crazy &lt;/em&gt;(original dos Gnarls Barkley) e estes quatro músicos assumem-se como um novo rosto na música britânica, trazendo muito de fresco e revigorante ao panorama musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Herdaram o sentido clássico de David Bowie e a sucessão harmónica dos Beatles, pegaram no charme inovador dos The Smiths e na vibração rebelde dos pioneiros do &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt;. Congregaram muitas (boas) influências e mantiveram uma face barbeada, cheia de peculiaridade. Trouxeram consigo formatos conhecidos e rechearam-nos de um sentido de humor muito próprio. Lançaram-se na música e nos olhos dos críticos com uma ferocidade interessante. Parece suficiente para perguntar porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com &lt;strong&gt;Inside In/Inside Out&lt;/strong&gt;, os &lt;em&gt;The Kooks &lt;/em&gt;trazem uma ligeireza e uma sobriedade muito característica, sem porem de lado a inovação e um ar desempoeirado. Luke Pritchard assume-se confiante enquanto vocalista e guitarrista, Max Rafferty pega no baixo, Hugh Harris apresenta-se na guitarra, e Paul Garred explora a bateria, sem grandes hesitações na mistura de &lt;em&gt;rock &lt;/em&gt;e algum &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seaside &lt;/em&gt;é a primeira faixa do álbum, conseguindo ser quente e íntima, sem nunca chegar a ser mole e aborrecida. Em &lt;em&gt;Sea The World&lt;/em&gt;, a bateria de Garred traz-nos uma tempestade muito bem conseguida. Já aqui se adivinha uma grande espiral de ideias e uma linha mestra que orientará o resto do disco. As faixas seguintes trazem uma reminiscência de Blur, muito visível em &lt;em&gt;Sofa Song&lt;/em&gt;, em &lt;em&gt;Eddie’s Gun &lt;/em&gt;(que funcionou como &lt;em&gt;single&lt;/em&gt;) e em &lt;em&gt;Ooh La&lt;/em&gt;. São músicas com um enorme potencial para soar bem nos ouvidos de quem as escuta, deliciando uma vasta área de ouvintes através de guitarras sacudidas e de um andamento veloz. &lt;em&gt;You Don’t Love Me &lt;/em&gt;é uma faixa muito ao estilo dos Arctic Monkeys, embora a letra caia um pouco no lugar-comum e num estilo muito próprio ao longo do álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como em &lt;em&gt;Seaside&lt;/em&gt;, temos &lt;em&gt;Want You Back &lt;/em&gt;com um ar muito certinho e muito sóbrio. No entanto, perde-se a solenidade em &lt;em&gt;Jackie Big Tits&lt;/em&gt;, uma faixa que traz à memória histórias do passado, raparigas precoces, e a música de Franz Ferdinand. &lt;em&gt;Naïve &lt;/em&gt;é uma faixa muito fresca, muito inovadora, muito próxima do objectivo que os &lt;em&gt;The Kooks &lt;/em&gt;tinham prometido alcançar, cheia de detalhes, de pormenores musicais, com um ritmo e uma percussão estimulantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os &lt;em&gt;The Kooks &lt;/em&gt;são excêntricos no maneirismo, nos arranjos e na interpretação. Ainda assim, poderiam ter um álbum mais característico, menos apegado às influências, o que não se torna mau de todo, uma vez que condensa bandas de qualidade numa tentativa de inovação. O que é certo é que em algumas faixas se sente a falta de qualquer mais própria, embora &lt;strong&gt;Inside In/Inside Out &lt;/strong&gt;entre em parâmetros onde bandas britânicas melancólicas como os Coldplay não ousam entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para já, neste disco, ficámos todos com a impressão de que esta é uma banda promissora, com imenso talento e imensa criatividade. Esperamos agora o próximo álbum, quem sabe com menos leituras fáceis de grandes influências. Apesar de tudo, eis um tributo à música feita no Reino Unido, eis uma banda que se pode apelidar de fruto de algumas gerações de bons músicos, mantendo em vista um horizonte bastante apetecível. Sempre com sentido de humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Inside In/Inside Out (&lt;/em&gt;2006)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;The Kooks&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-5398055504097591515?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/5398055504097591515/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=5398055504097591515' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5398055504097591515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5398055504097591515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/inside-ininside-out.html' title='Inside In/Inside Out'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RgFjUgqB2AI/AAAAAAAAA2A/QR4op19T_FA/s72-c/B000DN6CHY_02_LZZZZZZZ.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-8361130403031778257</id><published>2007-03-21T01:15:00.001Z</published><updated>2008-11-13T03:06:52.650Z</updated><title type='text'>A Tragédia de Júlio César</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RgFUoSg7lGI/AAAAAAAAACE/kKpEEIIJs5E/s1600-h/Sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044406108773127266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RgFUoSg7lGI/AAAAAAAAACE/kKpEEIIJs5E/s400/Sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Quantas vezes no futuro/ Esta cena sublime não voltará a ser representada,/ Em Estados ainda por nascer e em línguas ainda ignoradas!/ Quantas vezes não sangrará César no palco,/ Esse que agora jaz no pedestal de Pompeu,/ E mais não vale que o pó!/ E quantas vezes isso acontecer,/ Outras tantas será o nosso grupo chamado/ O dos homens que deram à sua pátria a liberdade.” Júlio César, homem, mito e conceito, é na peça de Shakespeare a figura sobre qual se abate verdadeiramente todo o corpo teórico da tragédia, enquanto crise existencial e pretensão íntima de divinização. César entroniza-se e incorpora as virtudes e os defeitos da liderança e do poder, numa sociedade sedenta de veneração e orientação. César (Luis Miguel Cintra), o tirano, recusa por três vezes a coroa que Marco António (Nuno Lopes) lhe oferece e, de seguida, desmaia; César, o colosso, aproxima-se de Marco António e pede-lhe que lhe fale para o ouvido direito, pois que é surdo do esquerdo; César, o homem público, a instituição, o líder liberto de inclinações egotistas, regressa ao seu “eu” para justificar a recusa do perdão ao irmão de Cimbro. Mas é sobre o César de carne e osso que, em última instância, se consuma o arco de ascensão e queda que conduz inevitavelmente à morte. A morte do futuro rei é o evento que não só entrega o mundo à desordem como o divide ao meio, e A Tragédia de Júlio César revela-se fundamentalmente como a tragédia da vida política, em duas partes: a da intriga e a da guerra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há todo um apodrecimento da Cidade que leva ao desenvolvimento da intriga e ao golpe vil. Em todos os conspiradores há um misto de servidão, escrúpulo e ódio que os anima a levar o plano a bom porto, sentindo-se imbuídos de um sentimento de dever para com uma glória maior (Roma) e, neste aspecto, Shakespeare constrói uma tragédia que se aproxima de um drama humano e terreno onde a personagem mais aparentada a uma divindade é César, quer pela sua presença em forma de mito, de ideia de ordem, quer pelo poder com que dilacera Bruto (Dinarte Branco), o traidor, e Cássio (Ricardo Aibéo), o corruptor. A decadência da sociedade expande-se, no entanto, para além do círculo dos conspiradores. Marco António expõe-se como o astuto instigador da rebelião através da oratória, repetindo, por quatro vezes, “Mas Bruto é um homem honrado” às massas ingenuamente maleáveis e permissivas, incapazes de, como hoje, adquirir consciência política. Octávio é o novo líder, o cínico, que à boa maneira de César se sente investido de autoridade sem, no entanto, possuir a aura imperial deste. Nos despojos da morte de César, dispõe maquinalmente das suas forças para próximo do fim ser já chamado de César, aqui já não um nome, mas um título, como mais tarde os derivados &lt;em&gt;czar&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;kaiser&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A degradação da estrutura social de Roma alimenta tanto os conspiradores, arrastando-os para o assassínio, como o público, enternecendo-o para com os mesmos. Bruto, o imortalizado traidor, é uma espécie de sonhador, de homem escrupuloso e crente numa Roma salva de tiranos, na Roma dos cidadãos e não de César. Cássio, por sua vez, é o rosto de uma vontade de muitos, o infeliz que carrega o fardo de haver persuadido com uma retórica cirúrgica o amigo Bruto. Os conspiradores são, e este significado reside profundamente nas palavras do texto de Shakespeare, a espada que Roma, no seu sentimento prevalecente, empunhou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Pusemos em cena um momento da História. Mas encenar Júlio César é mais do que isso, é uma múltipla tarefa; contar mais uma vez a História, para que não se esqueça, sim, falar ao nosso tempo da luta pela liberdade, pôr em cena homens mais que figuras simbólicas e fazer teatro, recriar a História transformada em poesia, comunicar” – escreve Luis Miguel Cintra acerca do espectáculo. Aparte toda a complexidade da peça, da fina malha de subtilezas com que Shakespeare dotou o texto, a principal fonte de força desta tragédia é o resultado da comunicação, a possibilidade de incluir o público numa crónica histórica e num drama vivo, impedindo-o de cair no marasmo e não pensar. O encenador respeita os anacronismos que Shakespeare, certamente com a intenção de levar o público a sentir-se numa Roma “real”, incluiu, dando-lhe seguimento para os dias de hoje. No quarto e quinto actos, os romanos despem as togas e vestem as fardas militares do século XX, e aquela guerra perde a distância e torna-se actual; é então que a falência dos homens, desumanizados, perdidos no absurdo da guerra, do suicídio e do erro, se torna nossa também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São três horas e meia de retórica política, de dilema moral e de reflexão sobre o poder, numa encenação sobre o texto integral sem os cortes que frequentemente amputam as grandes obras. “Ó Júlio César, ainda tens poder!”, diz Bruto em desespero.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em cena de 21 de Março a 22 de Abril de 2007&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Luiz Teatro Municipal, Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tradução:&lt;/strong&gt; José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto e Luis Miguel Cintra&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Encenação:&lt;/strong&gt; Luis Miguel Cintra&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cenário e Figurinos:&lt;/strong&gt; Cristina Reis&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desenho de luz:&lt;/strong&gt; Daniel Worm d’Assumpção&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Música original:&lt;/strong&gt; Vasco Mendonça&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Interpretação:&lt;/strong&gt; André Silva, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Edgar Morais, Filipe Costa, Hugo Tourita, Ivo Alexandre, Joaquim Horta, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Luís Lucas, Martim Pedroso, Pedro Lamas, Nuno Lopes, Nuno Gil, Pedro Lacerda, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Tiago Matias, Teresa Sobral, Tónan Quito e Vítor de Andrade.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-8361130403031778257?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/8361130403031778257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=8361130403031778257' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/8361130403031778257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/8361130403031778257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/tragdia-de-jlio-csar.html' title='A Tragédia de Júlio César'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RgFUoSg7lGI/AAAAAAAAACE/kKpEEIIJs5E/s72-c/Sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-622775001258568975</id><published>2007-03-20T22:21:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:52.929Z</updated><title type='text'>Stabat Mater</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RgBfwxDRhfI/AAAAAAAAAAw/u2Wl_D3Zsbo/s1600-h/stabatmater_d.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044136874060383730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RgBfwxDRhfI/AAAAAAAAAAw/u2Wl_D3Zsbo/s400/stabatmater_d.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Associação Portuguesa de Críticos de Teatro atribuiu o Prémio da Crítica, relativa ao ano de 2006, ex-aequo a Maria João Luís e João Lagarto pelas suas interpretações nas peças de teatro &lt;em&gt;Stabat Mater&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Começar a Acabar&lt;/em&gt;, respectivamente. A primeira está de novo em cena e a oportunidade de ver o espectáculo tornou-se uma prioridade. Não só pelo prémio conseguido mas, por toda a crítica da imprensa em geral e, também pelo testemunho de outras pessoas. A reposição está em cena no mesmo local da primeira encenação, no Convento das Mónicas, e depois de lá estar fica-se com a noção que este monólogo àquele espaço pertence, perdendo muita força se encenado num auditório qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Stabat Mater&lt;/em&gt; conta a história na primeira pessoa de Maria. O texto de António Tarantino não é um simples monólogo que nos entretém durante algum tempo numa sexta-feira à noite. É uma peça de teatro que, por acaso, só tem uma personagem em palco mas que não precisa de mais nenhuma presença física para nos captar a atenção. O monólogo, enquanto texto, tem uma série de características que o tornam muito bom: a personagem Maria está definida na perfeição e, no entanto, está longe de ser uma figura plana; a escrita formal é tão brejeira como a prostituta Maria, sem nunca ofender; os relatos da sua vida e de outros aliam a comédia à possível veracidade dos factos: e a evolução do texto, principalmente do lado dramático, sustenta todos os pormenores que nos podem encantar mas que caíriam no ridículo sem esta evolução. Um destaque tem de ser dado à comparação desta Maria que não sabe de um filho incompreendido pela sociedade com a personagem bíblica, a Virgem Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não interessa falar muito da personagem Maria dissociada da actriz Maria João Luís e, posteriormente, comentar a interpretação da mesma. Se é verdade que as personagens que assistimos em peças de teatro são aquelas, naquele momento que os actores estão a interpretá-las, não é menos verdade que as personagns existem, anteriormente, no papel e, poderemos sempre por em causa a interpretação do profissional. Esta “descolagem” requer um distanciamento que, provavelmente, nos torna mais exigentes mas, ao mesmo tempo, poderá afastar-nos do objecto artístico. Para mim, esta é a prova que distingue os actores excepcionais dos outros. Maria João Luís não nos dá hipótese de criarmos qualquer distanciamento. Impõem-nos uma Maria extremamente verosímil. Uma prostituta que diz &lt;em&gt;merda, cabrão, enrabar&lt;/em&gt; e todas as asneiras possíveis como se o fizesse desde sempre. Uma prostituta que descreve as mais caricatas situações com uma frieza arrepiante. Uma prostituta que sofre o desaparecimento de um filho a quem deu tudo o que podia. Uma prostituta com preconceitos. Uma prostituta que vive. Ou melhor, uma ex-prostituta que viveu enquanto tinha um filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A encenação de Jorge Silva Melo é bastante discreta. Está presente mas é feita para enaltecer o trabalho da actriz. Um desenho de luzes, alguns silêncios, uma restrição de espaço a Maria são os elementos mais visíveis do exercício do encenador. Contudo, sente-se que o seu principal objectivo foi o trabalho de actor. Jorge Silva Melo tem a sua quota parte de sucesso na fantástica construção da personagem Maria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A imperdível &lt;em&gt;Stabat Mater&lt;/em&gt; vai estar em cena no Convento das Mónicas até ao dia 24 de Março. Apesar de algum desconforto que a improvisada sala possa gerar, repito, é neste espaço (uma Capela) que a peça ganha vida necessária para ser considerada um dos melhores espectáculos de teatro do ano de 2006.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; Stabat Mater&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Texto: &lt;/strong&gt;Antonio Tarantino&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tradução:&lt;/strong&gt; Tereza Bento&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Com:&lt;/strong&gt; Maria João Luis&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Cenografia e figurinos:&lt;/strong&gt; Rita Lopes Alves&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Luz:&lt;/strong&gt; Pedro Domingos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Encenação: &lt;/strong&gt;Jorge Silva Melo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma produção Artistas Unidos &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-622775001258568975?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/622775001258568975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=622775001258568975' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/622775001258568975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/622775001258568975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/stabat-mater.html' title='Stabat Mater'/><author><name>Ensaio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17968431232829196146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RgBfwxDRhfI/AAAAAAAAAAw/u2Wl_D3Zsbo/s72-c/stabatmater_d.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-553075419082187588</id><published>2007-03-18T17:53:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:53.057Z</updated><title type='text'>The Catcher in the Rye</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043327077543183234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rf1_QZ8SA4I/AAAAAAAAA1w/S3d1zqY7gcQ/s320/catcher_in_the_rye.jpg" border="0" /&gt;«It's funny. All you have to do is say something nobody understands and they'll do practically anything you want them to.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fama de &lt;strong&gt;The Catcher in the Rye &lt;/strong&gt;é sobretudo devida à polémica da sua censura. Escrito por &lt;em&gt;J. D. Salinger &lt;/em&gt;em 1951, o livro é, nos dias de hoje, o livro mais vezes banido da Literatura, mas também uma parte obrigatória do currículo académico em muitos países de língua inglesa. A maior parte do ódio sentido pelos críticos em relação a esta obra deve-se à frieza com que &lt;em&gt;Salinger&lt;/em&gt;, sob a voz crítica e entediada de Holden Caulfield, narra uns quantos dias em Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Holden Caulfield é um jovem perfeitamente amargurado, deprimido e crítico. Narra-nos os dias que sucederam a sua expulsão da escola Pencey Prep, agredindo, com bastante inteligência e sarcasmo, tudo o que detesta à sua volta. Numa espiral de amargura e repulsa, Caulfield consegue tornar conversas banais em fenómenos nojentos, converte o quotidiano em toda uma panóplia de tristeza violenta, distorce a realidade em algo sujo e corrompido. Assim, o leitor é introduzido na vida desesperante deste rapaz de dezasseis anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1951, abordar temas como relações sexuais pré-matrimoniais, alcoolismo ou mesmo um certo tipo de violência era uma factor importante para garantir que o livro fosse rechaçado para a prateleira das obras polémicas. Ainda assim, &lt;em&gt;Salinger &lt;/em&gt;consegue trazer alguma polémica nos dias de hoje, mesmo estando já grandes tabus ultrapassados: as páginas deste livro ganham vida na aversão de Caulfield pelos “&lt;em&gt;phonies&lt;/em&gt;”, um termo que o protagonista usa para descrever o cinismo e o orgulho de quase toda a gente à sua volta. Sempre com um misto de apatia e melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta sua aversão ao cinismo e às aparências é bastante visível no modo como fala de Hollywood (onde o seu irmão trabalha, escrevendo argumentos) e como concebe uma existência onde ele livraria o mundo de todos os “&lt;em&gt;phonies&lt;/em&gt;”, de todas as pessoas que corrompem a inocência. Assim, imagina-se como no poema de Robert Burns, &lt;em&gt;if a body catch a body coming through the rye.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;«What I have to do, I have to catch everybody if they start to go over the cliff— I mean if they're running and they don't look where they're going I have to come out from somewhere and catch them. That's all I'd do all day. I'd just be the catcher in the rye and all. I know it's crazy, but that's the only thing I'd really like to be. I know it's crazy.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num estilo particularmente diferente, com grandes doses de oralidade e de informalidade, &lt;em&gt;Salinger &lt;/em&gt;faz muito uso do itálico e de determinadas expressões e maneirismos para concretizar as personagens de um modo muito concreto, realçando a narração fria e crua de Caulfield à medida que oscila entre a alienação desesperada e a depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;The Catcher in the Rye &lt;/strong&gt;é também uma palavra de ordem contra o pré-definido, contra o tédio da modernidade, contra a superficialidade da moral americana, contra o cinismo e a hipocrisia que ainda hoje se verificam. Não se trata, portanto, embora corra esse risco, de um &lt;em&gt;cliché &lt;/em&gt;na literatura, nem de um guião para existências deprimidas. Holden Caulfield traduz uma crítica desesperada e um desejo de superioridade nas sociedades humanas, em particular na Americana. Isto faz com que este livro permaneça actual num país que protege os seus jovens e não os deixa beber antes dos vinte e um anos, mas que os envia para a guerra a partir dos dezoito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«I thought what I'd do was, I'd pretend I was one of those deaf-mutes. That way I wouldn't have to have any goddam stupid useless conversations with anybody.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;The Catcher in the Rye&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;J. D. Salinger&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-553075419082187588?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/553075419082187588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=553075419082187588' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/553075419082187588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/553075419082187588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/catcher-in-rye.html' title='The Catcher in the Rye'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rf1_QZ8SA4I/AAAAAAAAA1w/S3d1zqY7gcQ/s72-c/catcher_in_the_rye.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-3487316579435543730</id><published>2007-03-17T00:27:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:53.208Z</updated><title type='text'>Myths Of The Near Future</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rfs6J85MHBI/AAAAAAAAAHI/IjfWW-Sr9g0/s1600-h/klaxons.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042688150410632210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rfs6J85MHBI/AAAAAAAAAHI/IjfWW-Sr9g0/s400/klaxons.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Revivendo o sempre complicado sucesso junto do público, é tarefa ingrata, mas possível, tentar perceber um padrão na actualidade de determinado género musical. Juntemos-lhe a ainda mais complexa e nem sempre desprovida de influência, actividade crítica musical e as coisas pioram significativamente. O que têm em comum LCD Soundsystem, Cansey de Ser Sexy, Bloc Party ou Franz Ferdinand? Para além do pano de fundo dançante. E da presença, em menor ou maior proporção, de um electrizante guitarra. E da fuga, amiúde, para um qualquer subgénero musical. A qualidade. Conclusões a retirar: A receita está escrita. Não quer dizer que todos saibam cozinhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, por entre os eternamente aclamados e os devastados sem comiseração, a critica musical decide dividir-se nalguns casos. Um dos mais recentes exemplos são os Klaxons. Referenciados desde o ano passado fruto dos singles que apresentavam, é em 2007 que trazem o envolto em polémica &lt;em&gt;Myths Of The Near Future&lt;/em&gt;. Presos desnecessariamente a epitopos de new rave (vá alguém compreender a parafernália de novos géneros constantemente a serem apregoados), viram o álbum causar discórdia, alimentado ódios, com o jornal Guardian à cabeça, e clamorosos aplausos de salvação aos mitos de um futuro vindouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade sobre o trabalho chega a ser tristemente burguesa, recaindo no meio termo. Os Klaxons não trazem um primeiro trabalho divinal, como fizeram os Arcade Fire, por exemplo, mas não borram a pintura. Bem pelo contrário. Se não sabe ao que vai, espere ouvir um belo álbum de iniciação desta banda que se enquadra bastante bem no bastante em voga Dance-Rock. Electrónica pungente apoiada por ambientes Rock a degladiar pós-Punk por afirmação. Até aqui nada de novo. É a vivacidade e a capacidade de diversificação dentro de um trabalho que surge, mesmo assim, coeso, que impressionam pela positiva. Apresentará mais momentos inferiores do que seria desejável, mas a toada constante que percorre uma audição a eito é claramente positiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um pouco de Franz Ferdinand em “Totem on the timeline”. O cinzento expresivo de The Good, The Bad and The Queen já se parece fazer sentir em “Golden Skanks”. Há pista de dança em tom Clap Your Hands Say Yeah! em “Forgotten Worlds”. Há inícios Prodigy. Há momentos altos como em “Atlantis to Interzone”. Tudo isto, num só, sãos os Klaxons, banda nem tanto ao mar nem tanto à terra. Não está aqui a salvação, se é que dela estamos à espera, da música contemporânea. Mas, bem mais longe, não está o vazio musical que muitos querem fazer crer. Deixá-los, por enquanto, ser mitos. Talvez possam vir a ser algo mais. Num futuro próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Myths Of The Near Future&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Klaxons&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-3487316579435543730?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/3487316579435543730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=3487316579435543730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3487316579435543730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3487316579435543730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/myths-of-near-future.html' title='Myths Of The Near Future'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rfs6J85MHBI/AAAAAAAAAHI/IjfWW-Sr9g0/s72-c/klaxons.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-911819927337103386</id><published>2007-03-13T17:33:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:53.303Z</updated><title type='text'>From This Moment On</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RfbjPdTA9aI/AAAAAAAAA1g/rr0_kvNv330/s1600-h/from_this_moment%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5041466687589774754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RfbjPdTA9aI/AAAAAAAAA1g/rr0_kvNv330/s320/from_this_moment%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois do seu ambicioso projecto de composição em &lt;em&gt;The Girl in the Other Room&lt;/em&gt;, Diana Krall abraça de novo alguns clássicos do &lt;em&gt;jazz &lt;/em&gt;americano. Com Tommy LiPuma e John Clayton, mantendo as interpretações e os arranjos dentro de moldes frescos e modernos, Krall apresenta aos amantes da sua voz suave algumas das suas músicas favoritas. Neste álbum, Diana Krall toca e canta músicas conhecidas, algumas das quais sempre estiveram nos seus dedos e na sua voz. Temos faixas como: &lt;em&gt;Day In, Day Out&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Come Dance With Me &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;It Could Happen To You&lt;/em&gt;, todas trabalhadas e interpretadas com uma mestria surpreendente, facto que torna este disco numa aventura histórica, pondo de parte a composição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os amantes do estilo, aqui estão alguns bons momentos de interpretação, algumas versões novas, alguns arranjos musicais bem conseguidos. Para os leigos, poderá ser apenas um rol de agradáveis momentos musicais, independentemente de quem tenha delineado a partitura ou de quem a tenha trabalhado... Fechando um pouco os olhos ao desenrolar histórico, é um disco de Diana Krall sem originais, numa interpretação que, embora seja mais fechada, é sinónimo também de uma maior entrega às teclas e à voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser muito associada ao piano, instrumento onde toca com um excelente fraseado e desenvoltura, Krall apresenta-se com uma voz mais rica, mais melodiosamente natural, bastante inspirada ao completar a harmonia e o ritmo, também eles muito bem conseguidos. Em particular, na versão menos apressada de &lt;em&gt;Isn’t This a Lovely Day &lt;/em&gt;(de Irving Berlin). Destaque também para a harmonização e para a interpretação em conjunto de todos os seus colegas neste álbum: a fascinante guitarra de Anthony Wilson em &lt;em&gt;Exactly Like You&lt;/em&gt;, o magnífico solo de trompete de Terrell Stafford em &lt;em&gt;Isn't This A Lovely Day&lt;/em&gt;, assim como a enorme empatia musical que se sente no desenrolar de partituras menos rígidas, menos presas às expectativas, diferentes dos originais de Krall.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O repertório é, no entanto, uma excelente colecção de escolhas de clássicos americanos (Gershwin, Berlin, Rodgers e Porter, entre outros), encontrando também espaço para a reformulação do conhecido Bossa Nova de Jobim e Vinícius, &lt;em&gt;How Insensitive&lt;/em&gt;. Permanecendo no seu estilo original no que toca à interpretção (muito linear e muito segura), embora mostre uma clara melhoria em relação aos seus dois álbuns anteriores, Diana Krall sagra-se enquanto intérprete e enquanto voz em &lt;strong&gt;From This Moment On&lt;/strong&gt;. Conta com Sal Cracchiolo, Rickey Woodard, Gerald Clayton, Tamir Hendelman, Gil Castellanos, Anthony Wilson, Jeff Clayton, John Clayton, Terrell Strafford, Jeff Hamilton e a Clayton/Hamilton Jazz Orchestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;From This Moment On &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;2006&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Diana Krall &lt;/em&gt;et al. / &lt;em&gt;Jimmy Van Heusen &lt;/em&gt;&amp;amp; &lt;em&gt;Johnny Burke &lt;/em&gt;et al.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-911819927337103386?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/911819927337103386/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=911819927337103386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/911819927337103386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/911819927337103386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/from-this-moment-on.html' title='From This Moment On'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RfbjPdTA9aI/AAAAAAAAA1g/rr0_kvNv330/s72-c/from_this_moment%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-434813030448449380</id><published>2007-03-11T02:20:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:53.496Z</updated><title type='text'>Hissing Fauna, Are You The Destroyer?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RfNnlc5MHAI/AAAAAAAAAHA/TQJR26zpigo/s1600-h/of+montreal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040486301066599426" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RfNnlc5MHAI/AAAAAAAAAHA/TQJR26zpigo/s400/of+montreal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;"Of Montreal isn't for everyone. Labyrinthine lyrics circle beguilingly around synthesized, twistingly psychedelic disco-rock. Their latest album, the dark and questing Hissing Fauna, Are You The Destroyer?, is like the sound of a nervous breakdown with a beat you can dance to."&lt;/em&gt; em &lt;a href="http://http://blogcritics.org/archives/2007/01/31/085402.php"&gt;BCMusic&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concedamos algo à partida a  Kevin Barnes, dando a mão à palmatória. O homem tentou. O cérebro dos of Montreal, banda assídua nas lides de publicar cds, embarca neste oitavo trabalho da banda, uma vez mais, por novos caminhos. De forma mais ou menos acentuada, assim tem sido o percurso da banda. Experimentando, costurando, cozendo. Como convém a uma banda indie. Sempre com a rede Rock-Electrónica por baixo do trapézio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes não são os mesmos of Montreal de sempre, fruto talvez das desventuras pessoais de Barnes (a mãos com uma mudança geográfica). Mas estão lá as referências de sempre e as semelhanças habituais. Prepare-se para entrar no universo muito próprio que é o Indie. Prepare-se para comparações com outras bandas contemporâneas como os Clap Your Hands Say Yeah!. Prepare-se para a amálgama experimental que os of Montreal juntaram em &lt;em&gt;Hissing Fauna, Are Your The Destroyer?.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um retrado deprimido e deprimente mas com, paradoxalmente, momentos de extâse, quase dançante. Muitos coros, muitos sons de fundo, muito sintetizador, sempre com um pano de fundo ambiental bastante negro. Morrissey aprova, mas de boas intenções está o inferno cheio. Dê um desconto quando ouvir o álbum pela primeira vez. Oiça de novo. Verá que o álbum melhor. Mas verá também que tanta ambição não teve eco, desta vez, no produto final. Um produto final que nunca chega a pegar de estaca em nenhum momento, que promete sempre mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atente-se na paradigmática “The Past is a Grotesque Animal”. Um exercício arriscado, mas ambicioso, onde ambientes electrónicos de fundo oscilam entre uma promessa bem vinda e a sensação de fracasso, soando sempre um pouco a mais. “Bunny ain’t no kind of rider”, uma das mais bem conseguidas e melódicas faixas, é bom exemplo da qualidade que as experiências misturantes dos of Montreal pode proporcionar. A par de outras boas faixas, como “Cato as a Pun” (a fazer lembrar &lt;em&gt;The Good, The Bad and The Queen&lt;/em&gt;.) ou “Gronlandic Edit” fazem valer a pena a audição.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Hissing Fauna, Are You The Destroyer?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: of Montreal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 6/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-434813030448449380?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/434813030448449380/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=434813030448449380' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/434813030448449380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/434813030448449380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/hissing-fauna-are-you-destroyer.html' title='Hissing Fauna, Are You The Destroyer?'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RfNnlc5MHAI/AAAAAAAAAHA/TQJR26zpigo/s72-c/of+montreal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-632916263392831256</id><published>2007-03-05T02:05:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:53.694Z</updated><title type='text'>1970</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Ret7WBFFrhI/AAAAAAAAAGw/M6fsDrSp3gE/s1600-h/jps1970.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038256226321149458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Ret7WBFFrhI/AAAAAAAAAGw/M6fsDrSp3gE/s400/jps1970.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“A geração com quem eu vivi a adolescência caracterizou-se essencialmente por uma falta de ideais. Foi uma geração que investiu muito mais numa certa gratuitidade do lúdico e numa absolutização absurda de quasetudo, porque cresceu encravada num hiato histórico que foi o fim da Revolução que não chegou a "revoluir" e o começo do desenvolvimento social caracterizado mais uma vez pelo mimetismo da economia de mercado que se estava aos poucos a implantar.”&lt;/em&gt; em &lt;a href="http://www.rascunho.net/artigo.asp?id=1320"&gt;Rascunho&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ligação entre Portugal e Brasil, musicalmente falando, nem sempre tem sido das melhores. É cada vez mais o que se importa e, aos poucos, o que se exporta. Mas importar nem sempre é importar bem e a amalgama brasileira que invade o espaço radiofónio nacional, entre samba, pagode e música de sertanense apaixonado, nem sempre abona a favor do Brasil. Mas, louve-se o senhor, há males que vêm por bem. Com eles chegam também Tropicália, MPB e uma carrada de bons nomes, entre mais velhos e recentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JP Simões é a prova viva de que esta reciprocidade musical pode dar bons frutos. Fazia falta, convenhamos. Não chegavam versões pouco convincentes de clássicos brasileiros por Tim e Rui Reininho. Era preciso construir um edifício sustentado de música original e de qualidade, cujos alicerces fossem, claramente e sem escamotear, do melhor que a música brasileira tem para oferecer. Ele aí está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Paulo, vulgo JP, Simões é o nome por detrás de &lt;em&gt;1970&lt;/em&gt;. Esta não é apenas a data do seu aniversário. Esta é uma data a que não serão alheios os seus conflitos geracionais, a música portuguesa da década de 70, a evolução histórica recente nacional e, principalmente, a cultura musical do Brasil. São vários os nomes que despontam mentalmente ao ouvir &lt;em&gt;1970&lt;/em&gt;. José Mário Branco, Caetano Veloso, Zeca Afonso ou Tom Jobim estarão certamente lá. Mas nenhum será tão instantâneo e constante como Chico Buarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste constante paralelismo referenciado com Buarque que melhor se percebe este já chamado lusosambismo. Mas aqui ouve-se mais ainda do que isto. Ouvem-se as experiências passadas de JP Simões, com especial destaque para Quinteto Tati. O mais, como sempre com JP Simões, é poesia. Poesia que é tanto expressa na forma de uma melodia simplesmente construída, como na sua forma mais prosaica, em belos e melancólicos versos. JP Simões consegue assim a proeza de burilar um álbum essencialmente brasileiro feito à medida de uma voz portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um apartamento na Baixa de Lisboa com vista para o Rio de Janeiro. Cheio de fumo, savoir faire, livros de Sartre e samba a tocar. É este o contexto musical de &lt;em&gt;1970&lt;/em&gt;. Quer na reflexivamente intimista “Inquietação”, quer na geracional “1970 (Retrato)”, quer na dolorosa “Se por acaso (me vires por aí)”. JP Simões há muito que se afirmara como um dos principais rostos da música portuguesa, sempre escondido por algum acompanhamento em forma de banda, mas sempre também expondo uma irreverência poética que se revelava socialmente saudável. Agora, a solo, esvaiem-se as dúvidas que já não havia. Este é um rosto de uma geração.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: 1970&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: JP Simões&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-632916263392831256?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/632916263392831256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=632916263392831256' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/632916263392831256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/632916263392831256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/1970.html' title='1970'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Ret7WBFFrhI/AAAAAAAAAGw/M6fsDrSp3gE/s72-c/jps1970.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-574585379276043197</id><published>2007-03-04T15:31:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:54.071Z</updated><title type='text'>Jornada de África</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RermbhFFrgI/AAAAAAAAAGo/8bZ-iCWIyoc/s1600-h/manuel_alegre1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038092493577891330" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RermbhFFrgI/AAAAAAAAAGo/8bZ-iCWIyoc/s320/manuel_alegre1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; “&lt;em&gt;Nos cais de Lisboa as mulheres gritam, arrepelam os cabelos, algumas enrolam os filhos nos seus xailes, se pudessem escondiam-nos ao colo, outra vez pequeninos e só delas. Os pais passam em silêncio os dedos pelas fardas, não conseguem quebrar o pudor masculino do gesto e da palavra, mesmo que lhes apeteça agarrar nos filhos e protegê-los com seus braços. Tempo de lenços a acenar, xailes negros, lágrimas, rugas, ó mar salgado, quanto do teu sal.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romance editado em 1989, &lt;em&gt;Jornada de África&lt;/em&gt; seria o primeiro grande romance de um Manuel Alegre até então maioritariamente conhecido literariamente como poeta. Talvez por isso a marca da poesia fosse, como ainda é, um cunho essencial na prosa do autor. Como noutros romances (vide, &lt;em&gt;Rafael&lt;/em&gt;), o livro desenrola-se em pequenos trechos, como se vários poemas em forma de prosa fossem avançando a acção. A própria escrita de Alegre é uma escrita carburada e harmónica, onde belas frases se conjugam num todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jornada de África&lt;/em&gt; traz-nos a história de Sebastião, militar português destacado para Angola, mas opositor do regime. Sebastião trilhará o percurso da generalidade dos combatentes da década de 60, entre o caos do conflito e a angústia das descobertas da vivência de guerra, e acrescentará a isso os seus fortes ideais revolucionários. Alegre opta por nos trazer uma visão do inicio do conflito, onde a resistência se forma, por oposição a uma visão mais tardia e com consequência directas na revolução de 1974. É nos primeiros anos de 1960 que este retrato de caserna e de mato se estilhaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sebastião será os olhos através dos quais veremos uma realidade corrompida como qualquer guerra. Sanguinolenta e desprovida de sentido. Mas é também por ser a sua visão, que acedemos à procura amorosa que culmina no amor com uma nativa; que partilhamos amizades e inimizades; que sugamos todas, e serão várias, as referências literárias que, entre uma granada e um concílio, despontam. Camus, Rilke, Pessoa caminham lado a lado com a poesia africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um poeta ainda, Manuel Alegre estabelece no seu romance um paralelismo a puxar pela metáfora com a obra de 1607 de Jerónimo de Mendonça, também ela de nome &lt;em&gt;Jornada de África&lt;/em&gt;. São constantes as referências à batalha de Alcácer-Quibir. Desde o destino premonitório do protagonista à conjuntura que se desenha similar entres os dois países, o de agora e o de então. É o retrato de um país perdido na sua cega cobiça que aqui se descreve, muito à custa do sangue dos seus filhos. Ponto de partida, o livro, para o futuro da prosa de Manuel Alegre. Ponto de partida, a história, para uma revolução que se anuciava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Jornada de África&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Manuel Alegre&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-574585379276043197?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/574585379276043197/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=574585379276043197' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/574585379276043197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/574585379276043197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/jornada-de-frica.html' title='Jornada de África'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RermbhFFrgI/AAAAAAAAAGo/8bZ-iCWIyoc/s72-c/manuel_alegre1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-6327462522584864155</id><published>2007-03-03T15:26:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:54.196Z</updated><title type='text'>Notes on a Scandal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RemYAbOx3EI/AAAAAAAAA1I/G-OifoRaSD8/s1600-h/notes_on_a_scandal%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5037724791267777602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RemYAbOx3EI/AAAAAAAAA1I/G-OifoRaSD8/s320/notes_on_a_scandal%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;br /&gt;"We are bound by the secrets we share." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notes on a Scandal &lt;/strong&gt;- &lt;em&gt;Diário de um Escândalo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado no romance homónimo de Zoë Heller, &lt;strong&gt;Notes on a Scandal &lt;/strong&gt;trata do diário de &lt;em&gt;Barbara Covett &lt;/em&gt;(Judi Dench), uma professora numa escola pública do norte de Londres. À beira da reforma, &lt;em&gt;Barbara &lt;/em&gt;é uma mulher cínica e amarga, que fuma sem parar, que despreza os seus colegas e alunos, que anseia por sair daquele antro de testosterona e criminalidade. É nesta condições que &lt;em&gt;Sheba Hart&lt;/em&gt;, uma recém-chegada professora de Artes (Cate Blanchett), conhece &lt;em&gt;Barbara&lt;/em&gt;. Desde logo, a frescura e jovialidade da liberal professora provocam uma repulsa condescendente em &lt;em&gt;Barbara&lt;/em&gt;. Porém, à medida que a domesticada professora da classe média se imiscui no meio dos professores, &lt;em&gt;Barbara &lt;/em&gt;vê em &lt;em&gt;Sheba &lt;/em&gt;uma oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, durante uma festa de Natal, &lt;em&gt;Barbara &lt;/em&gt;descobre que &lt;em&gt;Sheba &lt;/em&gt;tem um caso com &lt;em&gt;Steven Connolly &lt;/em&gt;(Andrew Simpson), um aluno irlandês. Aí, a velha professora propõe-se confidente de &lt;em&gt;Sheba &lt;/em&gt;e força-a a confessar as suas aventuras sexuais com o rapaz de quinze anos. Ao longo da sua narração dos acontecimentos, a situação parece mais profunda do que realmente aparenta ser: &lt;em&gt;Barbara &lt;/em&gt;vê neste delicioso &lt;em&gt;affair &lt;/em&gt;uma oportunidade para fundir a sua vida de solidão com a boémia burguesa da família Hart, tornando a trama numa espiral de obsessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro &lt;strong&gt;Notes on a Scandal &lt;/strong&gt;foi escrito como sendo um diário de &lt;em&gt;Barbara&lt;/em&gt;, pelo que a sua adaptação para o cinema foi especialmente difícil. Assim, o filme não gira totalmente em volta dos pensamentos da neurótica professora, embora exista uma extensa e inteligente narração de diversos eventos, deixando sempre margem para o destaque das cenas de intimidade entre &lt;em&gt;Sheba &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Connolly&lt;/em&gt;. O guião de Patrick Marber está absolutamente bem conseguido, oscilando entre o íntimo e cru, e o ácido da voz de Judi Dench sobre os acontecimentos mais banais (tão fielmente descritos no seu diário).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Judi Dench consegue em &lt;strong&gt;Notes on a Scandal&lt;/strong&gt; uma das suas melhores interpretações de sempre. Será difícil esquecer todo o ódio do seu olhar, toda a loucura delirante que transborda em cada gesto, toda a obsessão doentia que transmite nas acutilantes palavras. Dench traz-nos uma interpretação maravilhosa, o que, aliado ao seu cabelo pós-menopausa e a uma escolha adequadíssima de um guarda-roupa naftalínico, faz de &lt;em&gt;Barbara &lt;/em&gt;uma personagem muito bem criada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao seu lado está a maravilhosa e belíssima Cate Blanchett, com uma &lt;em&gt;Sheba &lt;/em&gt;etérea e perfeitamente confusa, um alvo perfeito para os pensamentos eróticos de qualquer rapazinho. Apesar do seu seguro casamento com um homem mais velho (Billy Night), &lt;em&gt;Sheba &lt;/em&gt;perde-se na sua insegurança face ao seu aspecto, acabando por se envolver com um rapaz de quinze anos. Aqui, a fabulosa interpretação de Blanchett expõe duas forças muito presentes em todo o filme: a inveja luxuriosa de &lt;em&gt;Barbara &lt;/em&gt;e o desejo do pseudo-&lt;em&gt;naïf Connolly&lt;/em&gt;. O contraste entre o ambiente conformado de uma casa igual a tantas outras com a realidade de um beco onde a bonita professora se envolve com o seu aluno sardento remete-nos para um plano muito mais denso do que o próprio desejo: será tudo um fantasiar de quem deseja sair do que lhe foi impingido, ou existiu verdadeiramente algum motivo superior para que tudo aquilo acontecesse? A resposta a esta pergunta é verdadeiramente conseguida pela câmara de Sir Richard Eyre sobre o corpo de Blanchett.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a Andrew Simpson, o jovem actor que interpreta &lt;em&gt;Steven Connolly&lt;/em&gt;, é espantosa a qualidade do modo como está tão presente na película. Os seus momentos ao lado da &lt;em&gt;diva &lt;/em&gt;Blanchett são verdadeiramente surpreendentes: Simpson é suficientemente maldoso, suficientemente cruel, suficientemente sedutor, incrivelmente brilhante. É uma pena que a sua personagem corra o risco de se diluir por entre alguns aspectos, também eles excelentes, deste filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realização ficou a cargo do experiente Sir Richard Eyre, que consegue arrancar algumas das melhores interpretações por parte do elenco. Mesmo Bill Nighy e Michael Maloney brilham em personagens muito bem enquadradas na tela. Independentemente de personagens, a abordagem de Eyre à tensão emocional, ao clima sexual, à extravagância das situações, à maldade da obsessão, e mesmo a todo o ambiente patológico que se respira neste filme, é uma obra de mestre. Junte-se a genial partitura de Philip Glass, que, apesar de não andar muito longe do seu trabalho em “&lt;em&gt;The Hours&lt;/em&gt;”, perfuma cada um dos momentos e cada uma das personagens com uma harmonia intencionalmente escorregadia e com uma profundidade de cortar a respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, &lt;strong&gt;Notes on a Scandal&lt;/strong&gt; - nomeado para quatro Óscares e um BAFTA -&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;faz uma excelente aproximação a um grande livro (que explora um pouco mais o pequeno &lt;em&gt;Connolly&lt;/em&gt;), apresenta uma realização pacífica e adequada, entrega algumas das melhores interpretações de sempre, reinventa uma abordagem feminina, torna o olhar do espectador diferente. Ultrapassa barreiras sociais, esquece o que é do burguês ou do proletário, desmistifica o sexo ilegal e imoral (sem nunca o condenar), mostra o que há de mais intenso no ser humano: o desejo e o segredo, o erro e a oportunidade. &lt;em&gt;One Woman's Mistake Is Another's Opportunity.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Notes on a Scandal &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;2006&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escrito/ Realizado por: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Patrick Marber&lt;/em&gt;/ Sir &lt;em&gt;Richard Eyre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Elenco: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Cate Blanchett, Judi Dench, Andrew Simpson, Bill Nighy, Michael Maloney, Tom Georgeson, etc.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-6327462522584864155?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/6327462522584864155/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=6327462522584864155' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6327462522584864155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6327462522584864155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/notes-on-scandal.html' title='Notes on a Scandal'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RemYAbOx3EI/AAAAAAAAA1I/G-OifoRaSD8/s72-c/notes_on_a_scandal%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-4026995999226230049</id><published>2007-03-01T17:01:00.001Z</published><updated>2008-11-13T03:06:54.348Z</updated><title type='text'>O Rapaz dos Desenhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RecHovydvgI/AAAAAAAAAAk/jpz5qoBPZ34/s1600-h/desenhos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5037003104841481730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RecHovydvgI/AAAAAAAAAAk/jpz5qoBPZ34/s400/desenhos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O Rapaz dos Desenhos&lt;/em&gt; é o nome da peça de teatro em cena no Teatro Aberto em Lisboa. A sala da Praça de Espanha é uma referência dos palcos portugueses, nomeadamente, na capacidade de aliar a &lt;strong&gt;excelência dos conteúdos&lt;/strong&gt; com a (cada vez mais) importante comercialidade dos espectáculos. Para tal, a direcção de João Lourenço tem sido a peça chave para o sucesso descrito. O director e encenador descobriu em &lt;em&gt;O Rapaz dos Desenhos&lt;/em&gt; mais uma oportunidade para a alimentar o seu projecto. A peça de Michael Healey é a grande bandeira do teatro canadiano, sendo desde a sua primeira encenação em 1999 a peça canadiana mais representada no país. Para a adaptação para português, João Lourenço contou com a ajuda de Vera San Payo de Lemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ângelo (&lt;em&gt;Rui Mendes&lt;/em&gt;) e Mário (&lt;em&gt;Luís Alberto&lt;/em&gt;) são amigos de longa data e vivem juntos no meio rural, partilhando a mesma casa. Ângelo é-nos apresentado com um comportamento estranho, ocupando o seu tempo de forma muito peculiar. Ainda sozinho em cena depara-se com uma estranha presença no exterior da sua casa, Miguel (Pedro Granger), um jovem actor de Toronto que chega à aldeia com a sua companhia de teatro e pretende ficar duas a três semanas ali em casa para poder observar o trabalho agrícola com o intuito de posteriormente escrever uma peça de teatro com os seus colegas da companhia. Entra em cena Mário que aceita receber Miguel em sua casa exigindo-lhe que ele trabalhe durante a sua estadia. Neste momento, torna-se nítido que Ângelo tem francas dificuldades psíquicas e fica clara a sua dependência para viver. No entanto, estabelece-se uma empatia&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;evidente entre Ângelo e Miguel. À medida que o jovem actor vai &lt;em&gt;puxando&lt;/em&gt; por Ângelo, remexendo e explorando (propositadamente) a sua vida, a tensão com Mário aumenta. Esta atinge o seu auge quando os dois velhos amigos assistem a um ensaio da peça de Miguel, em que ele e um colega imitam o episódio em que Mário conta a história do rapaz dos desenhos a Ângelo. Neste instante, para além dos sentimentos de revolta de Mário, acontece o facto que desencadeia toda a trama. Ângelo, ao contrário dos seus últimos trinta anos de vida, lembra-se do nome de uma pessoa para além de Mário, Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas temáticas principais entrelaçam-se durante a acção de modo a criar uma história sempre apelativa: &lt;strong&gt;amizade e teatro&lt;/strong&gt;. A primeira já foi abordada por variadíssimos autores e artistas e é algo tão intuitivo que raramente surpreende. O &lt;em&gt;Rapaz dos Desenhos&lt;/em&gt; relata-nos um grande exemplo de amizade, demonstrada numa enorme capacidade de sacrifício, mas isto já não é novo. Apercebendo-se deste obstáculo, Michael Healey surpreende-nos com uma história no limiar da credibilidade com o absurdo. O teatro, começando por ser uma temática mais secundária, cresce com a acção e atinge, no tal momento do ensaio, uma dimensão inesperada. É através desta arte que Ângelo ultrapassa uma das suas grandes limitações. No entanto, um potencial lado mais negativo do teatro também é explorado. Será que é moralmente aceitável uma pessoa apropriar-se da vida de outros, sem autorização, para montar um espectáculo para milhares de pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A encenação de João não passa despercebida, como já vem sendo hábito. Nesta peça não vemos palcos rotativos, nem extraordinárias mudanças de cenário, no entanto, somos praticamente convidados para entrar na casa de Mário e Ângelo. Só mesmo as cadeiras onde nos sentamos é que criam o distanciamento necessário numa representação deste tipo. Mais real que aquela casa é impossível. E por outro lado, João Lourenço consegue com dois simples degraus vincar a diferença do interior da casa para o exterior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à escolha dos actores para estas interpretações são compreensíveis as opções de João Lourenço. Rui Mendes percebe de uma forma quase &lt;strong&gt;gloriosa&lt;/strong&gt; todas as limitações de Ângelo e destaca-se claramente dos outro dois actores. As últimas interpretações de Rui Mendes têm mostrado um actor cada vez mais maduro e com ambição de fazer sempre o melhor, sem se deixar encostar às dezenas de anos de representação que poderiam provocar alguma inércia. As interpretações de Luís Alberto e Pedro Granger estão longe de encher o olho como a que acabei de descrever. João Lourenço foi buscar aos dois actores o que eles melhor tinham para dar a estas personagens: no caso de Mário, o peso de carregar outra vida com ele e, no caso de Miguel, a jovialidade. Luís Alberto e Pedro Granger não desiludem o encenador nesta sua busca, mas nota-se que não existem duas verdadeiras personagens, ficaram-se pelo objectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fedra, Moby Dick e O Misantropo&lt;/em&gt; foram as nossas mais recentes abordagens ao teatro nacional. São grandes clássicos de autores consagrados que incidem sobre temas fundamentais do ser humano. &lt;em&gt;O Rapaz dos Desenhos&lt;/em&gt; é uma peça, comparativamente, muito recente mas um &lt;strong&gt;exemplo&lt;/strong&gt; a seguir por vários autores contemporâneos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; O Rapaz dos Desenhos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Michael Healey&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Versão:&lt;/strong&gt; João Lourenço e Vera San Payo de Lemos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Dramaturgia:&lt;/strong&gt; Vera San Payo de Lemos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Encenação:&lt;/strong&gt; João Lourenço&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Elenco:&lt;/strong&gt; Luís Alberto, Pedro Granger e Rui Mendes&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-4026995999226230049?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/4026995999226230049/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=4026995999226230049' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4026995999226230049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4026995999226230049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/o-rapaz-dos-desenhos.html' title='O Rapaz dos Desenhos'/><author><name>Ensaio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17968431232829196146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RecHovydvgI/AAAAAAAAAAk/jpz5qoBPZ34/s72-c/desenhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-5996069640588273239</id><published>2007-03-01T00:39:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:54.504Z</updated><title type='text'>O Misantropo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/ReYg7_He-MI/AAAAAAAAAGQ/UQVeDvFMS0c/s1600-h/misantropo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036749448187672770" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/ReYg7_He-MI/AAAAAAAAAGQ/UQVeDvFMS0c/s400/misantropo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Misantropia – Ódio ao ser humano ou à humanidade em geral. Antónimo de altruísmo e filantropia.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Há, a priori, uma separação a ser feita. O texto e esta versão que nos é apresentada pelo Teatro da Comuna. O texto, de Molière e com tradução de Luís Miguel Cintra, é das melhores obras que poderemos ver representadas num qualquer palco, desde que bem orientado. Uma tradução irreprensível de Luís Miguel Cintra traz-nos um texto fiel à sua origem, tanto quanto possível, mais do que no conteúdo, também na forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Misantropo&lt;/em&gt; serve-se da história de Alceste, um homem revoltado com a sociedade hipócrita e tortuosamente simples em que se insere. Alceste está apaixonado por Celimène, que é tanto a causa do seu desconforto social como o paradoxo irónico dele mesmo, já que esta não é senão um dos principais bastiões desta retardatária e maledicente sociedade. É na criação desta oposição entre Alceste e a sociedade mesquinha, e na caracterização mordaz mas precisa da mesma, que a peça de Molière se imortaliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante isto, punham-se vários cenários possíveis. A escolha de Álvaro Correia é das mais acertadas. O texto nem sempre é fluído pelas truculências que anos de evolução linguística e teatral impuseram mas a escolha do registo natural e levemente quotidiano sobressaí pela positiva. Aliás, este será o registo que pontuará toda a peça, uma mistura entre a eternidade da peça e modernidade da mesma. Uma mistura de identidades que bem assentam quer na peça escrita quer na montada. Do vestuário, à música, passando pelas marcações e intensidade das personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais, a escolha do cenário revela-se ainda refrescantemente simbólica. Meros puffs contrastam com o texto de grande salões senhoriais, levando à reflexão óbvia sobre a actualidade do texto na sociedade que presenciamos. Sessões sociais de corte e costura humano são o pano de fundo. Pelo meio deste intrincado tricotar social, assistimos à história de Alceste, da sua sinceridade e da sua disputa amorosa com um autor, Oronte, o escritor falhado. Maneira subtil esta do autor desta critica de chegar a esta interpretação, com um metafórico, mordaz e caricaturado Orionte, uma das melhores interpretações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer o texto de Molière, quer a versão que nos é apresentada, são provas inequívocas de capacidade teatral de suscitar à reflexão. Perder este texto seria despediçar uma oportunidade. Um final, súbito, deixa levantar o véu de perguntas maiores. Poderemos nós mudar a sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Misantropo&lt;/em&gt; está em cena no Teatro da Comuna até 25 de Março. De 4ª a Sábado às 21h30m e Domingo às 16h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: O Misantropo&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor / Tradutor&lt;/strong&gt;: Molière / Luís Miguel Cintra&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Encenação&lt;/strong&gt;: Álvaro Correia&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Àlvaro Correia, João Tempera, Miguel Sermão, Lucinda Loureiro, Rogério Vieira, Sara Cipriano, Sandra Faleiro e Victor Soares. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-5996069640588273239?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/5996069640588273239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=5996069640588273239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5996069640588273239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5996069640588273239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/03/o-misantropo.html' title='O Misantropo'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/ReYg7_He-MI/AAAAAAAAAGQ/UQVeDvFMS0c/s72-c/misantropo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1104154494548450996</id><published>2007-02-27T19:21:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:54.604Z</updated><title type='text'>Driving Lessons</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/ReSJ7RbODnI/AAAAAAAAA0k/0I43FAPg1GY/s1600-h/poster1%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036301934689914482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/ReSJ7RbODnI/AAAAAAAAA0k/0I43FAPg1GY/s320/poster1%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Driving Lessons &lt;/strong&gt;- &lt;em&gt;Lições de Condução&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apesar da mediatização imensa sofrida pelos pequenos actores da saga Harry Potter no Reino Unido, em Portugal, &lt;em&gt;Rupert Grint &lt;/em&gt;(mais conhecido pela personagem Ron Weasley) passou quase despercebido. Acabado de completar dezoito anos, o actor inglês contracena com &lt;em&gt;Julie Walters &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Laura Linney &lt;/em&gt;no filme escrito e realizado por &lt;em&gt;Jeremy Brock&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de falhar no seu exame de condução, o tímido e sossegado adolescente Ben Marshall (&lt;em&gt;Rupert Grint&lt;/em&gt;) responde a uma entrevista de emprego e conhece Evie Walton (&lt;em&gt;Julie Walters&lt;/em&gt;), uma famosa actriz do Teatro Britânico, já aposentada, que precisa desesperadamente de ajuda nas suas lides domésticas. Ben afasta-se do seu pai, um vigário conservador, e da sua mãe (&lt;em&gt;Laura Linney&lt;/em&gt;), uma mulher dominadora e hipócrita, para se entregar às excentricidades de Evie. Quando a ex-actriz decide obrigá-lo a acampar e a conduzir até à Escócia, Ben torna-se um verdadeiro poço de surpresas e Evie arranca verdadeiras verdades à sua juventude e inexperiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Julie Walters, &lt;/em&gt;também ela recentemente saída de uma personagem &lt;em&gt;potteriana&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;junta-se a &lt;em&gt;Rupert Grint &lt;/em&gt;em cenas irresistíveis, quebrando a lei que obriga um adulto responsável dentro de um carro guiado por um candidato a exame. As peripécias do filme são contadas de uma forma muito inocente, sob a interpretação fantástica de &lt;em&gt;Walters &lt;/em&gt;e o talento incontornável de &lt;em&gt;Grint&lt;/em&gt;. Depois de sufocar numa personagem tão idealizada em Harry Potter, é um alívio vê-lo neste filme a praguejar ou a corar de timidez. Para &lt;em&gt;Grint&lt;/em&gt;, este primeiro passo num cinema mais adulto traz-lhe muita confiança: aqui, o actor está presente na tela, inspirando verdadeiras emoções a quem o vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Laura Linney &lt;/em&gt;interpreta a mãe de Ben, Laura, que, tal como &lt;em&gt;Julie Walters&lt;/em&gt;, interpreta uma personagem nada simpática, pelo que mantém a frieza do início ao fim do filme. Está aqui o exemplo mais drástico da fachada hipócrita do seu casamento e da inocência que tanto a sua religião quer impingir. Por outro lado, ainda que oscilando entre a embriaguez e o hedonismo, Evie ensina a Ben a caminhar por si só fora da Bíblia e da mesma alegada rectidão moral que desvia Laura para fora do seu casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante em todo este filme é a forma como foi escrito e filmado: não há nada visualmente explícito, não há uma palavra desnecessária. A inocência é aparente e hipócrita, mas quem se apercebe disso é o espectador. Existem muitas coisas que contornam a certidão religiosa, embora isso nunca seja declarado abertamente: há trocas de olhares e sorrisos como se fosse normal isso acontecer, como se não fosse preciso explicar ao público o que se está a passar em paralelo ao quotidiano e à rotina. Esta perícia de Brock - verdadeiramente britânica - consegue alertar o espectador para a leveza das convenções e para o peso do seu respectivo contorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E existem ainda alguns pormenores que merecem atenção, tal como a brilhante e adequada banda sonora, o inteligente genérico, a exemplar fotografia e a excelente caracterização psicológica de todas as personagens. Para além de todo o aspecto técnico e da panóplia de argumentos críticos que se possam encontrar, &lt;strong&gt;Driving Lessons &lt;/strong&gt;não é um filme sobre aulas de condução, é um filme bonito e enternecedor sobre como aprender a viver (com tudo o que isso implica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Driving Lessons &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;2006&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escrito/Realizado por: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Jeremy Brock&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Rupert Grint, Julie Walters, Laura Linney, Nicholas Farrell, Oliver Milburn, Jim Norton, etc.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1104154494548450996?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1104154494548450996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1104154494548450996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1104154494548450996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1104154494548450996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/driving-lessons.html' title='Driving Lessons'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/ReSJ7RbODnI/AAAAAAAAA0k/0I43FAPg1GY/s72-c/poster1%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-6425813317519082904</id><published>2007-02-24T15:29:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:54.755Z</updated><title type='text'>O Último Rei da Escócia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/ReBav8Ja0tI/AAAAAAAAAGE/-QsyJD74hWE/s1600-h/last_king_of_scotlandposter.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035124163046200018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/ReBav8Ja0tI/AAAAAAAAAGE/-QsyJD74hWE/s400/last_king_of_scotlandposter.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O cinema americano, o de Hollywood entenda-se, tem destas coisas. Ciclicamente, que é como quem praticamente diz de ano a ano, pega num tema geral e consagra-o, consagrando todas as perspectivas à sua volta. Com &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Último Rei da Escócia&lt;/em&gt;, África parece ser o pano de fundo deste ano. E, pese as diferenças, há pontos de contacto fortes entre os dois filmes. A figura de uma África dilacerada pela pobreza, quer económica quer humana, pela corrupção e por um jogo de influências que a ninguém parece interessar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz Jorge Mourinha, a propósito de &lt;em&gt;O Último Rei da Escócia&lt;/em&gt;, que “os óscares adoram números de actor”. Se assim for, deixe-se já aqui bem claro: o Óscar, como já aconteceu com o Globo de Ouro e o Prémio para melhor actor de várias associações de críticos, vai parar às mãos de Forest Whitaker. A interpretação do ditador do Uganda Idi Amin Dada é estarrecedora. Desde a pronúncia, passando pelo porte, pelo andar, pela expressão facial ou gestual, há ali verdadeiro trabalho de actor, de construção de personagem. Longe, muito longe de todos os estereótipos que abundam amiúde no cinema americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe ainda bem ver um actor como Forest Whitaker reconhecido. Mas, se o facto agrada, não tanto quando se vê que acontece à custa do filme. &lt;em&gt;O Último Rei da Escócia&lt;/em&gt; é mais do que Forest Whitaker. Não muito mais, mas há margem de manobra para além do trabalho de actor. Há um filme que ultrapassa o documentário à custa da personagem do médico Nicholas Garrigan. Uma visão que começa calorosa mas acaba fria sobre um Uganda que é apenas mais um país africano, no sentido da desgraça, da pobreza e do conflito. Politicamente, o melhor virá mesmo nas palavras da personagem de uma muito sumida Gillian Anderson, quando este refere a ciclicidade de ditadores, de regimes e de opressões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retrato do Uganda dos anos 70, quando governado com mãos de ferro por Idi Amin Dada, o filme é-nos apresentado pelos olhos do naif médico escocês Garrigan, recém chegado ao Uganda e recém fugido de casa. É a sua relação com o ditador, entre a descoberta e a desilusão, que pauta o filme. Daí a boa opção da realização. O que poderia ser um filme de tom morno, não o é quando visto à luz desta relação. O tom do filme é num crescendo contínuo de dramatismo cru, nem sempre bem conseguido, mas que acompanha bem a percepção de Garrigan. É quando a sua ingenuidade desaparece, que a ingenuidade do filme cai, revelando uma realidade bem mais fria e brutal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que fica na boca o mesmo travozinho amargo que sentimos com &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt;, pela diferença entre o que foi e o que podia ter sido. Com a vantagem de que &lt;em&gt;O Último Rei da Escócia&lt;/em&gt; não esconde ao que vem e apenas nos vandaliza sensorialmente, mas de forma consciente, perto do final do filme. A verdade, de novo, é que chegamos ao fim dos dois filmes com a mesma certeza na boca: This Is Africa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: O Último Rei da Escócia&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realização&lt;/strong&gt;: Kevin MacDonald&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Forest Whitaker, James McAvoy, Gillian Anderson, Kerry Washington, Simon McBurney, David Oyelowo e Abby Mukiibi Nkaaga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reino Unido, 2006. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-6425813317519082904?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/6425813317519082904/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=6425813317519082904' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6425813317519082904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6425813317519082904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/o-ltimo-rei-da-esccia.html' title='O Último Rei da Escócia'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/ReBav8Ja0tI/AAAAAAAAAGE/-QsyJD74hWE/s72-c/last_king_of_scotlandposter.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1063624510971821435</id><published>2007-02-20T18:14:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:54.899Z</updated><title type='text'>The Good, The Bad and The Queen</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rds6nsJa0rI/AAAAAAAAAFs/KLIgK7grzEI/s1600-h/goodbadqueen.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5033681462056637106" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rds6nsJa0rI/AAAAAAAAAFs/KLIgK7grzEI/s320/goodbadqueen.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Um pouco em jeito de banda desenhada, onde em tempos de crise e vilões uma compilação de super-heróis se agrega, Damon Albarn toca a trombeta e faz reunir uma colectânea de renome intitulando-se de The Good, The Bad and The Queen, editando neste principio de 2007 um álbum homónimo. À chamada responderam o ex-Clash Paul Simonon, o guitarrista dos Verve Simon Tong e o baterista Tony Allen. Não obstante a já sonante reunião, a produção ficaria a cargo do ultra-aclamado Danger Mouse. Tudo isto, então, com o capitão da cruzada, Damon Albarn, à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carreira de Albarn tem sido tudo menos escorreita. Agarra a fama através dos belíssimos Blur, compondo acordes melódicos e melancólicos mas que sobreviviam a este estatuto por vezes redutor por escalarem com qualidade a intricada Pop Britânica. Depois vieram as experiência no Mali e, mais mediaticamente, os Gorillaz. E, quando parecia que os seus tempos mais indie tinham dado lugar à exploração electrónica e tecnológica do mundo animado, eis que atira, antes do cd, o single “Herculean” do seu novo trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se ouve em “Herculean” é uma síntese perfeita do que será o álbum, num trabalho espantoso de coerência numa unidade afirmativa e positiva. O que se ouve em &lt;em&gt;The Good, The Bad and The Queen&lt;/em&gt; é o maior tributo à música dos Blur desde o fim destes. Um retorno às origens, a mesma essência Pop Britânica, os mesmos padrões estéticos. Esqueçam a força dos Gorillaz, esqueçam a experimentalidade da música do Mali. Peguem no &lt;em&gt;The Best Of&lt;/em&gt; dos Blur e procurem a sua zona mais obscura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Albarn está diferente. Não é a mesma Pop desencantada mas pura. A sua voz está na mesma, mas o que a acompanha não. Há uma sujidade, um perder da inocência, uma noção de que a vida não é mesmo nada boa – como se percebe pelas constantes referências à guerra. Músicas como “History Song”, “80’s Life” ou “Herculean” são do melhor Blur estragado, no bom sentido, pelo clima de uma cidade como Londres. Este não é o melhor cd com que Albarn nos presenteou. Mas este Albarn maduro a pedir metáforas ao vinho do porto assenta-lhe mesmo bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: The Good, The Bad and The Queen&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: The Good, The Bad and The Queen&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1063624510971821435?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1063624510971821435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1063624510971821435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1063624510971821435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1063624510971821435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/good-bad-and-queen.html' title='The Good, The Bad and The Queen'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rds6nsJa0rI/AAAAAAAAAFs/KLIgK7grzEI/s72-c/goodbadqueen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1951535170666252033</id><published>2007-02-15T23:19:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:55.032Z</updated><title type='text'>Diamante de Sangue</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RdTq5MJa0pI/AAAAAAAAAFU/1_alKeSLfxI/s1600-h/Diamante+de+sangue.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031904951913861778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RdTq5MJa0pI/AAAAAAAAAFU/1_alKeSLfxI/s400/Diamante+de+sangue.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; “This Is Africa.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; consegue a incrível proeza de compilar as características que fazem dele um grande filme e, ao mesmo tempo, o reduzem de um brilhante filme. &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; fica a meio caminho entre o filme-manifesto e o filme de acção. A parte boa é que nem é apenas filme de acção, arrastando-se em intermináveis e desprovidas de sentido cenas de massacre sanguinolento, nem se esgota no filme-manifesto onde as fronteiras entre o bem e o mal se polarizam. &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; consegue recolher dos dois a melhor parte, mantendo o filme aceso e disperto com a vivacidade da guerrilha na Serra Leoa e, paralelamente, abrindo brechas na componente humana mais profunda da África dos seus personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, Zwick perde em &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; a oportunidade da excelência por nunca permitir que o filme se afirme, exactamente, nem como filme de acção nem como manifesto. Talvez &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; pedisse uma abordagem mais semelhante a &lt;em&gt;Cidade de Deus&lt;/em&gt;, desprovida de filtros morais, crua e nua. Porque é no fundo disso que se trata. Fruto do meio, o conflito civil na Serra Leoa na década de 90, o que vemos são crianças a matar crianças, aldeias dizimadas e uma luta constante pela liberdade individual expressa num diamante. Há um duvida constante se é a natureza humana que é corrompida mas é no fundo correcta ou se é a mesma que corrompe a sociedade. Zwick perde-se quando deixa que a sua boa consciência civilizacional se sobreponha à crueldade africana. Ganham-se alguns muito bons momentos de densidade psicológica elevada temperados com uma já mais típica emotividade bélica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para além do bom filme recheado de boas intenções, para além das nomeações para os Oscars, para além do retrato de uma África mais profunda e verdadeira, para além da boa fotografia de Eduardo Serra, a grande conquista deste &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; são as duas grandes interpretações de Leonardo Di Caprio e de Djimon Hounsou. Hounsou, verdade seja dita, não está muito diferente do que lhe vimos em &lt;em&gt;Gladiador&lt;/em&gt;, mas a verdade também é que esta versão de herói de bom coração e melhores intenções lhe assenta como a ninguém. Em relação a &lt;em&gt;Gladiador&lt;/em&gt;, aparece mais maduro, com maior versatilidade e maior possibilidade de se expandir na procura de uma personagem de grande intensidade e força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a Di Caprio, revela-se cada vez mais, e passando a analogia óbvia do trabalho com Scorsese, parecido com De Niro. Um actor versátil, com inteligente gestão de carreira, que consegue conjugar o lado mais comercial com o lado mais independente, sem esquecer o trabalho com grandes realizadores ou os filmes de causa. Começa em &lt;em&gt;Titanic&lt;/em&gt;, rever &lt;em&gt;A praia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Aviador&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Gangs de Nova Iorque&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;The Departed&lt;/em&gt;, e acabar com &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; confere uma boa ideia da ascensão qualitativa de um dos melhores jovens actores do momento. &lt;em&gt;Diamante de Sangue &lt;/em&gt;poderia ter sido um muito melhor filme. Mas que ninguém duvide que estamos perante um dos mais sinceros retratos da África profunda e conflituosa. This is Africa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Diamante de Sangue&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Realizador&lt;/strong&gt;: Edward Zwick&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Elenco:&lt;/strong&gt; Leonardo Di Caprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Arnold Vosloo, Kagiso Kuypers e Antony Coleman.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E.U.A., 2006&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1951535170666252033?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1951535170666252033/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1951535170666252033' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1951535170666252033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1951535170666252033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/diamante-de-sangue.html' title='Diamante de Sangue'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RdTq5MJa0pI/AAAAAAAAAFU/1_alKeSLfxI/s72-c/Diamante+de+sangue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-8152545116761291511</id><published>2007-02-14T19:43:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:55.274Z</updated><title type='text'>Bobby</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RdNmqZVRfJI/AAAAAAAAAd0/e27PZIE3j00/s1600-h/bobby-poster3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031478087243627666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RdNmqZVRfJI/AAAAAAAAAd0/e27PZIE3j00/s320/bobby-poster3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Escrito e realizado por &lt;em&gt;Emilio Estevez&lt;/em&gt;, o filho mais velho de &lt;em&gt;Martin Sheen&lt;/em&gt;,&lt;strong&gt; Bobby &lt;/strong&gt;combina, com alguma alegria, a campanha do Senador Robert Kennedy nas eleições primárias e a vida agitada de vinte e duas outras personagens. Tudo isto se passa no Hotel Ambassador, a sua sede de campanha, no dia em que ele foi assassinado. Este emaranhado de personagens ajuda a criar o ambiente que se vivia nos anos 60, descreve as tensões raciais e sociais que se sentiam na altura, lida com a ameaça iminente do Vietname e com a ascensão de uma cultura &lt;em&gt;pop &lt;/em&gt;centrada nas drogas. Embora nenhuma personagem tenha uma história arrebatadora – o próprio Kennedy funciona como uma sombra – há que destacar que todas elas explicam ao espectador a necessidade que o mundo tinha de um homem como Bobby Kennedy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do hotel, tomamos contacto com uma atmosfera onde se respiram ideais elitistas e falsos moralismos. Conhecemos a cantora alcoólica Virgina Fallon (&lt;em&gt;Demi Moore&lt;/em&gt;) e o seu submisso marido Tim (&lt;em&gt;Emilio Estevez&lt;/em&gt;), olhamos para a vida de um amargurado homem (&lt;em&gt;Martin Sheen&lt;/em&gt;) e da sua mulher supérflua Samantha (&lt;em&gt;Helen Hunt&lt;/em&gt;) na demanda de um par de sapatos pretos. Vivemos as primeiras experiências de LSD de dois jovens apoiantes de Kennedy sob a perspectiva pseudo-hippie de um traficante de droga com ares de &lt;em&gt;zen &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;Ashton Kutcher&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;em&gt;lobby &lt;/em&gt;do hotel, o já aposentado porteiro John Casey (&lt;em&gt;Anthony Hopkins&lt;/em&gt;) joga xadrez e diz umas quantas frases com sentido, uma jornalista checoslovaca (&lt;em&gt;Svetlana Metkina&lt;/em&gt;) quer à força uma entrevista com o Senador Kennedy, embora esta lhe seja recusada pelo esterótipo do americano inculto (&lt;em&gt;Joshua Jackson&lt;/em&gt;) – que não sonha sequer onde fica a Checoslováquia e que confunde Socialismo com Comunismo. E há, claro, a esteticista deste role de personalidades (&lt;em&gt;Sharon Stone&lt;/em&gt;) que tenta salvar o seu casamento e encoraja uma sardenta noiva americaníssima (&lt;em&gt;Lindsay Lohan&lt;/em&gt;) a casar com um dos seus colegas de escola (&lt;em&gt;Elijah Wood&lt;/em&gt;) impedindo-o de morrer no Vietname.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas cozinhas, o gerente do hotel Paul Ebbers (&lt;em&gt;William H. Macy&lt;/em&gt;) luta contra as atitudes racistas, fechando-se depois numa relação adúltera com uma telefonista (&lt;em&gt;Heather Graham&lt;/em&gt;). Enquanto isso, os empregados da cozinha vivem uma tensão racial imensa, salva apenas pelas pérolas de sabedora do &lt;em&gt;chef &lt;/em&gt;Edward (&lt;em&gt;Lawrence Fishburne&lt;/em&gt;) ainda com muito ar de Matrix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se parece impossível explorar vinte e duas personagens em duas horas, então &lt;strong&gt;Bobby &lt;/strong&gt;é um filme interessante. No final, independentemente da relevância das histórias e peripécias, e ainda que algumas coisas não pareçam encaixar muito bem, temos um mosaico muito bem construído, com alguns momentos a tender para o comovente. Assim sendo, é fácil achar &lt;strong&gt;Bobby &lt;/strong&gt;um filme bom. Porém, depois de alguns actores desfilarem diante dos nossos olhos, o juízo acaba por ser outro: esqueça-se a coerência e a consistência das histórias, pegue-se na mensagem. O problema é o medo que se tem de que a mensagem, tal como a boa montagem de imagens reais de RFK na película, se dilua num filme a meio gás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acção está muito ritmada, goza de uma frescura interessante, a fotografia é boa. O espectador traduz tudo isso para: este filme faz ressoar a situação política americana dos dias de hoje… até se pode ler um desejo de tirar os republicanos e o seu ideal conservador de trazer por casa para fora de Washington. É por isso que ficam tão bem os comentários anti-racistas, os momentos climáticos com "The Sound of Silence" de &lt;em&gt;Simon &amp;amp; Grafunkel&lt;/em&gt;, a sequência final com o fantástico discurso de Robert Kennedy, a emoção que nos prende nos assentos a ver as fotografias históricas do clã Kennedy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecemos tudo o que se sabe sobre RFK quando nos sentamos para ver este filme e este não é um filme sobre um homem, sobre Bobby. Este é um filme sobre quem precisou de Bobby, de quem precisava de projectar em alguém todos os desejos de mudar o mundo, de tornar os E.U.A. num local socialmente habitável e moralmente perfeito. Isto dá ao filme uns agradáveis contornos actuais, ou seja, cada espectador vê em Bobby qualquer coisa que quer ver. E, aparentemente, isso funciona, o que, apesar de não ser necessariamente mau, não é suficiente para cobrir muitas das falhas deste filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Bobby &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;2006&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realizado/Escrito por:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Emilio Estevez&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Anthony Hopkins, Demi Moore, Sharon Stone, Elijah Wood, Harry Belafonte, Nick Cannon, Emilio Estevez, Laurence Fishburne, Heather Graham, Helen Hunt, Ashton Kutcher, Shia LaBeouf, William H. Macy, etc.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-8152545116761291511?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/8152545116761291511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=8152545116761291511' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/8152545116761291511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/8152545116761291511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/bobby.html' title='Bobby'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RdNmqZVRfJI/AAAAAAAAAd0/e27PZIE3j00/s72-c/bobby-poster3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-9214457184259006996</id><published>2007-02-13T21:17:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:55.362Z</updated><title type='text'>Bloc Party - A Weekend In The City</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RdYkscbJiLI/AAAAAAAAABo/WMoNY7eQEN4/s1600-h/A+Weekend+In+The+City.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032249979596015794" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RdYkscbJiLI/AAAAAAAAABo/WMoNY7eQEN4/s320/A+Weekend+In+The+City.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece que o segundo álbum se tornou uma espécie de prova dos nove que toda e qualquer banda deve superar. Chegou-se agora a um ponto em que o segundo álbum é visto como, regra geral, um sacrifício. Uma caminhada de pés descalços sobre as brasas. Embora seja verdade que, por norma, o segundo álbum envolve todo um processo psicológico que inclui tomar conhecimento das expectativas (dos fãs, da crítica e dos próprios músicos em relação à sua música) e reagir a elas, não foge muito da intensidade da pressão que rodeia a estreia ou, em rigor, outro momento qualquer. Criou-se esta ideia de que o segundo álbum é não apenas o que se segue ao primeiro, mas sim o “difícil segundo álbum”, uma espécie de parto doloroso. Construída a ideia, torna-se fácil encontrar uma mão cheia de exemplos que a corrobora. A tese pretende estabelecer um facto: quando o sucesso atingido no primeiro álbum é grande, a sequela destina-se, com grande probabilidade, ao fracasso. Esta tese, para além de ser contrariada por vários casos, faz com que muitos tendam a esperar esta mesma hecatombe antes de escutar o álbum.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este ano os Bloc Party afiguram-se, para alguns, como os possíveis novos membros dessa suposta galeria de bandas que derraparam à segunda tentativa. O êxito estrondoso de &lt;em&gt;Silent Alarm&lt;/em&gt;, através de três ou quatro êxitos que de novo reintroduziram o rock nas pistas de dança, fez crescer água na boca a muitos fãs. A infecção do pós-punk, realizada nas primeiras faixas de &lt;em&gt;Silent Alarm&lt;/em&gt;, convenceu uma certa parte dos admiradores que não notou (ou não quis notar) que havia ali algo mais que a satisfação dos jovens ocidentais mais hedonistas. Que, para além das guitarras angulares, dos riffs irresistíveis, havia uma agenda ali. Uma agenda que é personificada por Kele Okereke, vocalista e figura proeminente da banda. Em todas as entrevistas da banda, o rapaz do século XXI (para o Guardian) acaba por mostrar, mesmo que de uma maneira um pouco confusa, que há uma pretensão de se atingir algo maior que a euforia adolescente. Há melancolia, depressão e até significados políticos (oiça-se “Price Of Gas”, de &lt;em&gt;Silent Alarm&lt;/em&gt;). E é esse lado que se desenvolve em &lt;em&gt;A Weekend In The City&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste álbum, os Bloc Party aproximam-se dos TV On The Radio tanto quanto se afastam dos Gang Of Four. Os sintetizadores ganham força e, embora nunca surjam destapados, revelam o impacto que o R&amp;amp;B tem na banda, nomeadamente as produções de Timbaland. Produzido por Jacknife Lee (que, a propósito, gravou umas compilações musicais para a banda escutar, com nomes tão díspares como Amerie e Isolée), &lt;em&gt;A Weekend In The City&lt;/em&gt; mostra-nos uns Bloc Party no caminho de se tornarem na banda de suporte de Kele Okereke e da sua voz em mutação. Kele quer, ambiciosamente, retratar o burburinho da metrópole londrina na sua expressão mais moderna e fresca – o relato de uma geração que não se deixa unir por um sentimento colectivo, que convive com uma data de realidades semi-ocultas até há umas décadas atrás, desde o efeito sedutor das drogas até à descoberta de que a sexualidade é mais ambígua do que parece, passando pela frustração de se acharem como peões numa guerra internacional vergonhosamente encenada. Esta geração ocidental do &lt;em&gt;myspace&lt;/em&gt; e do &lt;em&gt;Youtube&lt;/em&gt; é, contudo, mais aérea e tola do que ele julga. Fora do mundo anglófono, será que os jovens admiradores da banda vão mesmo prestar atenção ao que ele diz? Agora que os Bloc Party se querem tornar um banda de rock a sério, como eram as do passado, servindo-nos um álbum que é simultaneamente uma tela e um protesto, mesmo que esteticamente com pés de barro, haverá uma geração que os queira ouvir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É discutível. O problema é que eles passaram do anonimato ao estrelato devido ao apelo dançante de “Like Eating Glass” e “Banquet” e não a considerações sociológicas ou afins. Agora há poderosos refrões, com conteúdo e energia, como em “Song For Clay (Disappear Here)”, “Hunting For Witches” e “The Prayer”, mas raramente há uma constância que permita o delírio e a agitação ao longo de cada faixa. Agora há significados, mais do que em &lt;em&gt;Silent Alarm&lt;/em&gt;. Há um activismo latente na forma de rock, que lhes pode valer o epíteto de “chatos”. Mas, mais que mandatários da sua geração, são o espelho da dispersão da juventude numa série de intentos, da expressão política à preguiça, do medo do futuro à sublimação do presente. O que, de certo modo, acaba por se ajustar à realidade do século que há pouco principiou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-9214457184259006996?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/9214457184259006996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=9214457184259006996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/9214457184259006996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/9214457184259006996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/bloc-party-weekend-in-city.html' title='Bloc Party - A Weekend In The City'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RdYkscbJiLI/AAAAAAAAABo/WMoNY7eQEN4/s72-c/A+Weekend+In+The+City.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-3649249632726619862</id><published>2007-02-12T02:18:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:55.465Z</updated><title type='text'>A minha mulher</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rc_OwAXBSzI/AAAAAAAAAFI/0-0iIc5puno/s1600-h/A+minha+mulher.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030466632921729842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rc_OwAXBSzI/AAAAAAAAAFI/0-0iIc5puno/s400/A+minha+mulher.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;“Quem já viveu no campo durante o Inverno e conhece a monotonia dos longos serões, tristes e calmos, em que nem mesmo se ouvem ladrar os cães ao longe, no negrume da noite, e até os relógios parece que estão cansados de bater o seu tiquetaque; e aqueles que, nessas noites, foram despertados pela voz da consciência, de súbito alarmada, e tentaram ora dormir, ora analisá-la, compreenderão como me distraía e deliciava a voz de minha mulher, num quartinho confortável, ainda quando me dizia que era um homem perverso…”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anton Tchékhov será provavelmente mais conhecido como dramaturgo. Para além da importância extrema que teve junto do movimento teatral criado na Rússia, cuja expressão maior é o conhecido Teatro Artístico de Moscovo, são peças como &lt;em&gt;A Gaivota&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Tio Vânia&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;As Três Irmãs&lt;/em&gt; que melhor representam o autor junto do público português. Não só porque são, amiúde, representadas, mas também porque o leitor português é, na maioria dos casos, pouco dado ao conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;País assumidamente de poetas, raros são os autores exclusiva ou maioritariamente de contos que singram em Portugal. E mesmo nos melhores casos, como acontece com Eça, este é relevado em prol do romance. Acontece que Tchéckhov, para além de incisivo dramaturgo é exímio no manejo do conto, ou antes, da narrativa breve. É o caso de &lt;em&gt;A minha mulher&lt;/em&gt;, livro cuja versão de Luiz Pacheco chegou, pela Editora quasi, o ano passado à estampa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que perpassa pelas variadas peças de Tchékhov é um marasmo constante, um sentimento generalizado de inércia social, uma sobrevivência como oposição à vida que, tradicionalmente, é vista em teatro. Este deslindar da sociedade que tão bem Tchéckhov consegue é uma vez mais o mote da sua obra. E, não podendo recorrer tão assiduamente à fala das suas personagens, o autor refugia-se na cabeça do seu narrador participativo, Pavel Anndreievitch, a figura central desta história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tchéckhov divide o romance em dois planos. Não em dois planos de acção, que esta decorrer num tempo único, mas em dois planos de entendimento. O plano da vida pessoal de Pavel e da sua mulher Nathalie e o plano do pano de fundo da sociedade russa. Para correcto entendimento, diga-se que ambos se cruzam e entrecruzam e o culminar de ambos é uma solução comum, ainda que não aparentemente: a humildade na resolução dos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No jogo da vida pessoal deparamo-nos com o isolamento cada vez mais acentuado entre o casal, em grande parte causado pelo orgulho e presunção de superioridade de Pavel. Este distanciamento, a que a vida recatada de uma pequena localidade não é alheia, é também uma metáfora da atitude do mesmo perante a fome e a miséria que o rodeiam. A sua resposta sempre sobranceira é a causa dos seus problemas matrimoniais e da sua falta de acção a nível social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A minha mulher&lt;/em&gt; oferece, assim, um retrato incisivo mas subtil da Rússia contemporânea de Tchéckhov ao mesmo tempo que nos entretém com a confusão psicológica de Pavel face aos complexos problemas matrimoniais que atravessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; A minha mulher&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Anton Tchéckhov&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-3649249632726619862?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/3649249632726619862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=3649249632726619862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3649249632726619862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3649249632726619862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/minha-mulher.html' title='A minha mulher'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rc_OwAXBSzI/AAAAAAAAAFI/0-0iIc5puno/s72-c/A+minha+mulher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1559291716519693808</id><published>2007-02-11T18:42:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:56.703Z</updated><title type='text'>Rocky Balboa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rc9j1gXBSyI/AAAAAAAAAE8/Jvs94dC0C74/s1600-h/RockyBalboa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030349079666838306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rc9j1gXBSyI/AAAAAAAAAE8/Jvs94dC0C74/s400/RockyBalboa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A verdade é que se estava mesmo a ver. Pegando na história de sempre, cheio de nostalgia e revivalismos, Stallone volta a trazer para a ribalta o seu Rocky Balboa. Seu na medida em que Stallone tem tanto de Balboa como Balboa de Stallone. Do carácter que transparecem à musculatura do mundo onde se inserem, torna-se complicado discernir quem é a metáfora de quem. &lt;em&gt;Rocky Balboa&lt;/em&gt;, o fim da saga, é um filme para fãs, no capítulo da revisitação, e para ele próprio, Stallone, que, mais do que se aperceber que é Balboa, o assume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rocky Balboa&lt;/em&gt; revisita a história do lutador de boxe homónimo criado em 1976 no oscarizado Rocky, um dos pilares maiores do cinema sobre o mundo do boxe. A fórmula do filme actual não foge muito de &lt;em&gt;Cinderella Man&lt;/em&gt;: Ex-boxeur reformado por todos menos pela sua vontade pretende um comeback contra o rival mais novo, ágil e rico. O paralelismo entres os dois filmes é notável, com a excepção de que Crowe luta pela sua família e Stallone por orgulho e raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda neste capitulo, a comparação leva-nos para um dos pontos mais fracos de Rocky Balboa: o adversário. Longe do charme de Apollo Creed ou da ferocidade de Clubber Lang, é um muito apagado Mason Dixon, interpretado por Antonio Tarver, que se apresenta como o boxeur em jeito de rapper que a principio exala arrogância mas entretanto se converte ao charme resistente de Stallone. Nem o conflito com Balboa é suficiente para empolgar, nem a personagem e os dilemas de Dixon são explorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, para além da previsibilidade e da mediocridade do guião, surge a homenagem a si próprio, à saga, e ao mito. A mítica subida das escadas, a luta no matadouro, em suma todo o período pré-combate são momento alto para quem viu nascer com &lt;em&gt;Rocky&lt;/em&gt; um modo de cinema de luta. Mais que isso, fica a boa interpretação de Burt Young e a boa intenção de caracterização da decadência do herói. Mas que mesmo assim se levanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste autêntico one-man-show, em que Sylvester Stallone escreve, dirige e interpreta, fica a certeza do fim da saga de &lt;em&gt;Rocky&lt;/em&gt;, num caminho continuamente descendente. Por entre metáforas de vida mais ou menos subtis, o filme encontra pelo menos um bom incentivo para ver Rocky Balboa no cinema. É a ultima vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Rocky Balboa&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realizador&lt;/strong&gt;: Sylvester Stallone.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia, Geraldine Hughes e Antonio Tarver.&lt;br /&gt;E.U.A., 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 4/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1559291716519693808?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1559291716519693808/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1559291716519693808' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1559291716519693808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1559291716519693808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/rocky-balboa.html' title='Rocky Balboa'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rc9j1gXBSyI/AAAAAAAAAE8/Jvs94dC0C74/s72-c/RockyBalboa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-9143533692611691697</id><published>2007-02-10T12:16:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:56.835Z</updated><title type='text'>Babel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5029878864760895394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rc24LZVRd6I/AAAAAAAAAT4/pEB5UwFom0Y/s320/babel_l200607272246%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;strong&gt;Babel &lt;/strong&gt;é um dos filmes mais falados nos últimos meses, um sucesso de bilheteira, um favorito na corrida aos Óscares. Transporta consigo uma aura quase messiânica de uma promessa de um filme a sério, de um produto artístico. Realizado por &lt;em&gt;Alejandro González Iñárritu&lt;/em&gt;, &lt;strong&gt;Babel &lt;/strong&gt;é efectivamente filme maravilhoso e um dos filmes que se destaca de todo o cinema que se faz nos dias de hoje. Prima assim pela diferença, pela qualidade e nunca pelo estrondoso número de nomeações que traz atrelado à sua fama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito que já se tenha sido visto no cinema (em &lt;em&gt;Magnolia &lt;/em&gt;ou mesmo em &lt;em&gt;Crash&lt;/em&gt;), a acção repartida por espaços distintos, com histórias e personagens relacionadas é uma fórmula re-inventada por &lt;em&gt;Iñárritu&lt;/em&gt;: a prodigiosa câmara do realizador mexicano leva-nos a Marrocos, à fronteira entre o México e os Estados Unidos, e ao Japão, em três histórias paralelas. Em Marrocos, o americano Richard (&lt;em&gt;Brad Pitt&lt;/em&gt;) tenta salvar a sua mulher Susan (&lt;em&gt;Cate Blanchett&lt;/em&gt;) depois de um ferimento quase mortal. Na fronteira, a desesperada Amelia (&lt;em&gt;Adriana Barraza&lt;/em&gt;) regressa com duas crianças americanas ao seu solo natal. No Japão, Chieko (&lt;em&gt;Rinko Kikuchi&lt;/em&gt;) vive atormentada pelo suicídio da mãe e pela ausência do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito bíblico de &lt;strong&gt;Babel &lt;/strong&gt;diz respeito à construção da torre homónima, uma tentativa inglória por parte dos Homens com o intuito de alcançar o céu. Deus acaba de vez com a ambição e a arrogância humanas, provocando uma diferenciação linguística: criam-se idiomas diferentes, línguas diferentes, provocando o caos. No filme, em três situações muito distintas, no seio de três povos diferentes, no meio de culturas diferentes, com línguas diferentes, seres humanos tentam sobreviver. Travam a mais dura das batalhas, atravessando o limiar da língua, do dinheiro, da religião. &lt;em&gt;Iñárritu &lt;/em&gt;desprotege os nossos sentidos quando introduz dialectos, linguagem gestual ou alterações na audição. Pinta um quadro objectivo de situações concretas, sem recorrer a insinuações ou factos históricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma realização tão perfeita, contamos também com interpretações fabulosas: &lt;em&gt;Brad Pitt &lt;/em&gt;alcança um dos seus grandes momentos no cinema neste filme, &lt;em&gt;Cate Blanchett &lt;/em&gt;resplandece, como vai sendo hábito, &lt;em&gt;Gael García Bernal &lt;/em&gt;surpreende mais uma vez com o seu Santiago (sobrinho de Amelia). Excelentes interpretações alinham-se a mudanças súbitas quer a nível geográfico quer a nível cronológico. Momentos verdadeiramente poéticos desafiam a belíssima fotografia, num conjunto perfeitamente enquadrado com a banda sonora de &lt;em&gt;Gustavo Santaolalla &lt;/em&gt;(onde se ouve também uma música de &lt;em&gt;Ryuichi Sakamoto&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Babel&lt;/strong&gt; traz muito de fresco à sala de cinema, envolvendo o espectador nas histórias profundas e intensas, expressas em línguas provavelmente desconhecidas. Junta as peças que inadvertidamente são apresentadas, dividindo papéis entre actores consagrados e actores menos conhecidos (e não menos extraordinários) de um modo equilibrado, conferindo ao filme um tom diferente das produções hollywoodescas. Baseia-se sobretudo numa idea muito bem trabalhada, que vai muito além de filmes semelhantes na sua forma de narração interrompida e baralhada (como o &lt;em&gt;Traffic – Ninguém Sai Ileso &lt;/em&gt;de &lt;em&gt;Steven Soderbergh&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que ofereça um tom documental em certos momentos de algumas histórias, &lt;strong&gt;Babel &lt;/strong&gt;é um dos grandes filmes de 2006 e uma excelente criação artística de &lt;em&gt;Alejandro González Iñárritu&lt;/em&gt;. Mesmo encontrando algumas imperfeições no modo como o guião está escrito, o filme é um grande momento de cinema, é uma experiência que abraça profundamente as culturas do mundo em que vivemos. Consegue observar, narrar, poetizar como só &lt;em&gt;Iñárritu &lt;/em&gt;consegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Babel &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;2006&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realizado/Escrito por:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Alejandro González Iñárritu / Alejandro González Iñárritu &amp;amp; Guillermo Arriaga&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, Kôji Yakusho, Adriana Barraza, Rinko Kikuchi, etc.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-9143533692611691697?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/9143533692611691697/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=9143533692611691697' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/9143533692611691697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/9143533692611691697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/babel.html' title='Babel'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rc24LZVRd6I/AAAAAAAAAT4/pEB5UwFom0Y/s72-c/babel_l200607272246%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-2454338120853227819</id><published>2007-02-09T15:46:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:56.861Z</updated><title type='text'>Prateleira #10 - 1996</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rcya65VRd5I/AAAAAAAAATs/j8Q0wb9zbUI/s1600-h/sakamoto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5029565220479137682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rcya65VRd5I/AAAAAAAAATs/j8Q0wb9zbUI/s320/sakamoto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Ryuichi Sakamoto &lt;/em&gt;tem aproximadamente oitenta álbuns disponíveis no mercado, sendo a grande maioria bandas sonoras. A destreza deste compositor japonês é imensa… movimenta-se nas bandas sonoras com uma agilidade estética e uma pertinência absolutamente maravilhosas. O seu antepenúltimo disco diz respeito à banda sonora do filme &lt;em&gt;Babel &lt;/em&gt;de Alejandro González Iñárritu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu álbum 1996, &lt;em&gt;Sakamoto &lt;/em&gt;reúne &lt;em&gt;David Nadien&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Everton Nelson &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Jacques Morelenbaum &lt;/em&gt;num trio de piano, violino e violoncelo. &lt;em&gt;Sakamoto &lt;/em&gt;senta-se ao piano, &lt;em&gt;Nadien &lt;/em&gt;é responsável pelo violino em &lt;em&gt;Rain &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;The Sheltering Sky&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Nelson &lt;/em&gt;faz uso do violino nas restantes faixas, e o violoncelo fica a cargo de &lt;em&gt;Morelenbaum&lt;/em&gt;. Depois de um percurso repleto de bandas sonoras de grande qualidade e de grande adaptação na tela, seria de esperar qualquer coisa de muito bom se o compositor algum dia compilasse os seus melhores momentos num disco só. &lt;em&gt;Sakamoto &lt;/em&gt;fá-lo, longe da música electrónica e do &lt;em&gt;pop &lt;/em&gt;(onde se movimentou com grande facilidade e qualidade, também), num disco onde adapta as suas mais belas partituras tocadas por um trio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trio de cordas, muito usado por grandes compositores como Schubert, Prokofiev, Bartók, entre outros, consegue atingir níveis de grade fluidez musical, o que, aliado a uma simplicidade instrumental, permite momentos de grande beleza. Os três instrumentos em destaque permitem uma conjugação muito própria – que &lt;em&gt;Sakamoto &lt;/em&gt;desafia, muito bem, diversas vezes – levando à exploração de combinações de ritmos, vozes melódicas e harmonizações muito interessantes. No entanto, ainda que com alguns bons sobressaltos, &lt;em&gt;Ryuichi Sakamoto &lt;/em&gt;constrói uma linha melódica que é expressa por um dos três instrumentos, desenvolvendo-a, depois, a partir do conjugar dos restantes. Um exemplo claro deste tipo de fórmula, que, como já referi, não é perfeitamente linear, é bastante visível aquando do desenrolar de uma melodia no piano, atacada posteriormente pela entrada das cordas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira faixa deste disco é &lt;em&gt;A Day A Gorilla Gives A Banana&lt;/em&gt;, uma faixa que se inicia com uma melodia no piano, acompanhada de seguida pelas cordas, desenvolvendo-se assim uma conjugação harmónica muito agradável, acompanhada por um ritmo diferente e bastante saliente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se &lt;em&gt;Rain&lt;/em&gt;, uma faixa onde a música começa abruptamente, com o violino a demarcar a melodia, acompanhado pelos acordes em &lt;em&gt;staccato &lt;/em&gt;no piano. A música continua, explorando o tema, desenvolvendo a melodia, acabando até para se passar a ter a linha melódica no piano e um acompanhamento por parte do violino, subvertendo assim algo de muito convencional neste tipo de conjugação instrumental. Destaque para uma secção intermédia muitíssimo bem conseguida e para a cadência que leva de novo ao tema original, já com a voz grave do violoncelo a realçar o que se diz no piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bibo No Aozora &lt;/em&gt;traz-nos um ritmo mais lento, mais comedido, sem hesitações, o que, apesar de não ser necessariamente mau, fica aquém do toque não convencional que se espera. Ainda assim, a melodia é de extrema perfeição e as suas variações são perfeitamente deliciosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;The Last Emperor&lt;/em&gt; constrói-se sempre com base no bonito fraseado das cordas, trazendo algumas reminiscências da música oriental. Prima, assim, por uma diferença ao nível do que ouve, não tanto ao nível do conteúdo. Alguns trechos do piano na música trazem, também, um pouco de algumas partituras mais excêntricas de Debussy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1919&lt;/em&gt; é, de longe, a faixa mais perturbadora deste disco, no entanto, é também uma das mais interessantes. Para além dos três instrumentos que estão na ordem do disco, acrescenta-se uma voz sobre os acordes rasgados no piano e a insanidade musical do violoncelo. Relembra os quartetos de cordas de Nyman pela adição de uma voz demente sobre a música, e algumas obras de Glass pela natureza intempestiva da partitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguidamente, escuta-se &lt;em&gt;Merry Christmas, Mr. Lawrence&lt;/em&gt;, uma das faixas mais bonitas deste disco. O piano começa, ténue e melancólico, até à entrada de um &lt;em&gt;tremolo &lt;/em&gt;das cordas que se silencia no segundo em que o piano retoma a melodia, primeiro mais grave para depois retomar as notas mais agudas. O violino fica, posteriormente, a cargo da melodia, sempre suave e na mesma disposição dos intervalos no piano. Há, então, um retomar do tema no piano, para depois se converter, com uma passagem absolutamente brilhante, numa sequência impressionantemente perfeita de acordes no piano e de uma marcação de um ritmo brilhante no violoncelo. Aqui, o tema melódico regressa, belíssimo, no piano até que muda para o violino no seu tom original, sempre acompanhado pelo ritmo no piano e no violoncelo. Desenvolve-se o tema crescendo a intensidade… o final surge com um novo &lt;em&gt;tremolo &lt;/em&gt;e uma repetição rápida de notas no piano que cedo se convertem ao silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;M.A.Y. In The Backyard &lt;/em&gt;oferece-se enquanto um fantasma das &lt;em&gt;Gnossiennes &lt;/em&gt;de Satie, embora cedo tenha algumas alucinações pelo meio, bem mais ao estilo de Bártok. Ainda assim, consegue resgatar passagens muito bem explícitas, excelentes encontros de estilos e de maneiras de fazer música. Um excelente &lt;em&gt;medley &lt;/em&gt;de inspirações plenas de espontaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O piano calmo e doce é retomado em &lt;em&gt;The Sheltering Sky&lt;/em&gt;, uma faixa lenta e dolorosa, com uma melodia muito bem conseguida num violino agudo, ao passo que o piano acompanha noutra voz. A melancolia defende-se até se arrastar para um momento intermédio, mais negro e profundo, que cedo se expande para movimentos e fraseados subtis sobre o piano e o violino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Tribute To N.J.P.&lt;/em&gt; é uma faixa misteriosa e desprovida de convenções. Cada instrumento parece independente de si, embora acabe por completar os outros. Prova de que o conjunto é mais do que a soma das partes que o constituem. &lt;em&gt;High Heels (Main Theme) &lt;/em&gt;retoma uma melodia lenta, num ritmo muito dançante, muito elegante e melancólico. O piano marca claramente toda a melodia, embora o violino se mova com especial vivacidade, sem excessos, sem sombrear em demasia o piano e o maravilhoso &lt;em&gt;pizzicato &lt;/em&gt;no violoncelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sakamoto&lt;/em&gt; relembra de novo Satie, desta vez em &lt;em&gt;Aoneko No Torso&lt;/em&gt;, faixa onde o piano recorda as três &lt;em&gt;Gymnopédies&lt;/em&gt; do compositor francês. Na verdade, a inspiração pode muito bem ser a impressionista, porém, Sakamoto consegue ser original na composição de texturas bem diferentes das de Satie. Assim, temos uma música dócil, lenta e bem distribuída, sem nada a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;The Wuthering Heights &lt;/em&gt;é uma das mais belas músicas de &lt;em&gt;Ryuichi Sakamoto&lt;/em&gt;, balanceada no confronto quase audível entre a calma do violino e a sonoridade do piano, que crescem numa ondulação até novos compassos cheios de uma apaixonante energia. A faixa desenvolve-se, repleta de contrastes mesmo dentro de cada instrumento, até se chegar a um final arrepiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A penúltima música do álbum, &lt;em&gt;Parolibre&lt;/em&gt;, começa por ser uma pequena peça para piano, bem ao estilo das &lt;em&gt;Kinderszenen &lt;/em&gt;de Schumman. Então, o piano mexe-se em harpejos para a dar voz ao violino que retoma a melodia. Esta é a faixa mais clássica de &lt;em&gt;Sakamoto&lt;/em&gt;, mas bastante bem definida nas “regras” que, muitas vezes, o compositor contorna. Por último, ouve-se a música dos créditos do filme Little Buddha, &lt;em&gt;Acceptance (End Credit) - Little Buddha&lt;/em&gt;, uma faixa bastante lenta, que vive sobretudo da harmonia no piano e da conjugação dos instrumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, &lt;strong&gt;1996 &lt;/strong&gt;é um disco de grandes momentos da carreira de Sakamoto, compilando adaptações e novas versões de temas seus. Ocupa um lugar de destaque por se afastar do estabelecido, por se moldar por regras próprias, por criar uma estética nova sem estar longe da sua cultura e do panorama musical ocidental. Um disco necessário para quem quer uma nova perspectiva, para quem procura um novo olhar sobre as bandas sonoras, para quem quer conhecer a partitura e a interpretação de &lt;em&gt;Ryuichi Sakamoto&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;1996&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Ryuichi Sakamoto, David Nadien, Everton Nelson &amp;amp; Jacques Morelenbaum / Ryuichi Sakamoto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;1996&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-2454338120853227819?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/2454338120853227819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=2454338120853227819' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/2454338120853227819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/2454338120853227819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/prateleira-10-1996.html' title='Prateleira #10 - 1996'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rcya65VRd5I/AAAAAAAAATs/j8Q0wb9zbUI/s72-c/sakamoto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7435347855794135867</id><published>2007-02-09T13:24:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:57.176Z</updated><title type='text'>Maurice</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rcx4NJVRd4I/AAAAAAAAATg/FPEstZs2xVo/s1600-h/img37%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5029527051104778114" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rcx4NJVRd4I/AAAAAAAAATg/FPEstZs2xVo/s320/img37%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;People were all around them, but with eyes that had gone intensely blue he whispered, “I love you”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda que publicado postumamente, &lt;strong&gt;Maurice &lt;/strong&gt;tornou-se uma obra fundamental de &lt;em&gt;E. M. Forster &lt;/em&gt;(em conjunto com &lt;em&gt;A Room With a View &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;A Passage to India&lt;/em&gt;) e, apesar de ter sido escrito sessenta anos antes da morte do seu autor, só conseguiu efectivamente conquistar a literatura passados alguns anos dessa data. O escritor britânico impediu sempre a publicação da obra, uma vez que o Reino Unido condenava quer legal quer moralmente a homossexualidade. Ainda assim, depois de publicado, &lt;strong&gt;Maurice &lt;/strong&gt;tornou-se não só um livro revolucionário, onde uma história de descoberta sexual e erótica toma lugar, mas também um livro em que os bons costumes da sociedade britânica são abalados por mudanças nos modos de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O talento de &lt;em&gt;E. M. Forster &lt;/em&gt;consagrou-o um dos melhores escritores do século XX, facto não abalado pela sua homossexualidade (também ela “assumida” postumamente). Na verdade, &lt;em&gt;Forster &lt;/em&gt;deixou em &lt;strong&gt;Maurice &lt;/strong&gt;a derradeira prova da beleza da sua escrita, da profundidade de um amor considerado perfeitamente imoral e ilegal na época em que vivia, da fantástica descrição de um percurso intenso de auto-descoberta. Muito para além de factos históricos e de suposições revolucionárias, o mérito literário subsiste e aventura-se muito mais além do que um mero desafio à Lei Britânica: &lt;strong&gt;Maurice &lt;/strong&gt;marca uma nova dimensão na Literatura Moderna e na obra de &lt;em&gt;E. M. Forster&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurice Hall vive confortavelmente uma vida típica da classe média, com alguma estagnação intelectual. Antes da sua entrada no liceu, Maurice ouve as palavras de um professor. Este momento, no meio de uma caminhada, marca o início do livro e marca também a vida de Maurice: o professor explica-lhe a visão moral do amor livre, apenas concretizável na diferença entre os géneros. Esta dimensão quase inibitória vai ser a sombra do jovem ao longo do seu crescimento, à medida que compreende que não quer para si um estilo de vida pré-definido, mas sim qualquer coisa de maior e de melhor, qualquer coisa de diferente que ainda não compreende por completo. À medida que progride nos seus estudos académicos, Maurice vai se conformando ao estabelecido, sem nunca compreender o fenómeno que, embora não afaste da sua consciência, não mantenha propriamente junto dos seus pensamentos: a sua atracção homossexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, Maurice começa a frequentar a Universidade de Cambridge, onde conhece Clive Durham, um intelectual abastado que leva Maurice a pensar em tudo o que, até aí, lhe havia assaltado a mente. Clive e Maurice iniciam, assim, um percurso onde existe um despertar sexual. A relação mantém-se à margem da sociedade, à margem dos amigos, atirada para tardes passadas no quarto um do outro ou no campo. Aqui, &lt;em&gt;Forster &lt;/em&gt;mostra-nos uma visão muito bonita deste amor: sem desligá-lo da componente física, descreve de um modo terno e doce como o amor entre dois homens tem contornos semelhantes ao amor heterossexual. Através de Clive, e estudando os Gregos, Maurice compreende finalmente o que se passa consigo, ainda que de um modo algo enevoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurice é então confrontado com a visão de Clive. O seu amante pretende casar e seguir a sua vida de acordo com a normalidade imposta socialmente. Chocado, Maurice rejeita por completo uma vida ao lado de uma mulher, sem qualquer tipo de prazer sexual. Depois destas desavenças, os dois amantes são forçados a ser separados. Maurice Hall regressa a casa, onde é confrontado com a realidade social, tão ambicionada pelo seu amigo Clive: o casamento, a família, o amor abençoado entre um homem e uma mulher. Assustado, Maurice recorre à opinião de um psiquiatra, alegando que é um &lt;em&gt;dos do género de Oscar Wilde&lt;/em&gt;… &lt;em&gt;Forster &lt;/em&gt;recorre a uma ironia muito subtil nesta cena, mesmo quando o psiquiatra explica a Maurice que não existe nada a fazer, que a ciência não tem resposta, que não compreende, que a sociedade também não compreende e condena. Sobretudo isso… a sociedade condena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurando um escape, Maurice tenta encontrar o seu companheiro dos tempos de faculdade… descobre que está casado e que, aparentemente, a sua vida voltara ao normal. Aceita, pois, um convite para passar por casa de Clive durante alguns dias. Atormentado pela culpa, abandonado pela sociedade, Maurice trava conhecimento com Alec, um jovem que trabalha na propriedade de Clive. Deste encontro nasce um novo relacionamento, mais feroz e mais apaixonado do que a relação de Maurice e Clive, muito mais idílica. Esta relação nasce sobretudo da diferença entre as classes dos dois: Maurice é um cavalheiro, que estudou em Cambridge e tem um emprego estável, Alec Scudder é um simples moço de recados, um criado, um ser menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As noites nos braços um do outro tornam-se cada vez mais frequentes. Forster delineia este amor de uma forma gradualmente mais intensa. Maurice confronta Clive com a relação que tiveram, comparando-a à que tem agora com Alec. Estupefacto, Clive não se mostra estupidamente compreensivo, como seria de esperar, facto que atira Maurice de novo para os braços de Alec. Esta relação mantém-se até ao dia em que Alec decide viajar, sem retorno, para a Argentina, abrindo um caminho para um final especialmente tocante, especialmente bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E. M. Forster &lt;/em&gt;consegue seguir Maurice num livro considerado por muitos como autobiográfico. Apesar de a homossexualidade ter sido despenalizada legalmente, continua a ser penalizada moralmente, até nos dias de hoje, pelo que realço a forma como a aproximação de &lt;em&gt;Forster &lt;/em&gt;a alguns temas está dotada de uma perspectiva diferente: o seu modo de olhar com carinho onde outros tantos olharam com ódio marcou a Literatura, abrindo portas para um tipo de Literatura honesta e sem pudores. Por mais que apaixone, por mais que desafie, por mais que explicite na perfeição um sentimento, atinge-se em &lt;strong&gt;Maurice &lt;/strong&gt;um novo patamar na Literatura, mesmo recorrendo a símbolos para ilustrar acções, mesmo utilizando muito movimento para delimitar o sossego. As palavras não poderiam ser outras, o contexto não poderia ser outro, Maurice Hall não poderia ter feito nada de maneira diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um autor perfeito, uma história perfeita, um livro perfeito. Sem moralismos ou juízos de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Maurice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Autor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;E. M. Forster&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7435347855794135867?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7435347855794135867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7435347855794135867' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7435347855794135867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7435347855794135867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/maurice.html' title='Maurice'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rcx4NJVRd4I/AAAAAAAAATg/FPEstZs2xVo/s72-c/img37%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-4441389833097289059</id><published>2007-02-07T23:04:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:57.279Z</updated><title type='text'>BES Photo 2006</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcpbIFnreHI/AAAAAAAAAEw/t-Ik_kS6Ykw/s1600-h/VascoAraujo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028932128418265202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcpbIFnreHI/AAAAAAAAAEw/t-Ik_kS6Ykw/s400/VascoAraujo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Em exposição na Galeria 3 do C.C.B., desde 19 de Janeiro último e até 18 de Março, encontra-se a colecção de fotografias que este ano concorre ao prémio BES Photo 2006. É de uma parceria entre o banco que dá nome ao prémio e a instituição que acolhe a exposição que nasce esta iniciativa que vai já na terceira edição e cujo vencedor será anunciado a 27 de Fevereiro. O que podemos ver nesta exposição é uma mostra dos quatro concorrentes, numa selecção díspar de fotografias cuja temática não abunda nem é frequentemente visitada em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe do fotojornalismo, face mais visível da fotografia a nível mediático, e da fotografia mais clássica, a que o grande público mais está habituado, esta exposição é um olhar muito interessante sobre a afirmação e a originalidade da fotografia enquanto objecto puramente artístico e estético ainda que, no caso em questão, bastante centrado na pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos naturais de Lisboa, os autores em questão são Vasco Araújo, Susanne Themlitz, Daniel Blaufuks e Augusto Alves da Silva. Com percursos diferentes, mas de gerações razoavelmente próximas, são estes os nomes que verão os seus trabalhos ser apreciados por um júri composto por Pepe Font de Mora, Kate Bush, Manuel Castro Caldas, Olga Sviblova e Teresa Siza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Susanne Themlitz, com os seus &lt;em&gt;Territórios e Estagnações Ambulatórias&lt;/em&gt;, traz-nos um universo para além do onírico, sentimentos humanos de solidão fundamentados em bases de ficção científica. Há uma construção da personagem que cria, e ultrapassa, o conceito impresso em cada fotografia. Vasco Araújo, com os seus &lt;em&gt;Trabalhos para nada&lt;/em&gt; remete também um pouco para a solidão, ainda que assente a sua estética sobre o contraste entre o homem e o quotidiano que o rodeia, quer na loucura, quer no deserto da espera. É, aliás, de Vasco Araújo, da sequência &lt;em&gt;O homem que confundiu a sua Mulher com um Chapéu&lt;/em&gt;, a fotografia que encabeça este texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, enquanto Augusto Alves da Silva oferece uma visão quase voyeur da busca da beleza por parte do homem, Daniel Blaufuks percorre caminhos cromáticos em torno do homem, da estética quer da cor quer do conceito, como o exemplificam uma porta aberta em nome da espera. É esta a compilação em mais uma das boas exposições que o C.C.B. nos oferece. A visitar, no sitio do costume, até 18 de Março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: BES Photo 2006&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autores&lt;/strong&gt;: Augusto Alves da Silva, Daniel Blaufuks, Susanne Themlitz e Vasco Araújo.&lt;br /&gt;Galeia 3  Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-4441389833097289059?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/4441389833097289059/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=4441389833097289059' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4441389833097289059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4441389833097289059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/bes-photo-2006.html' title='BES Photo 2006'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcpbIFnreHI/AAAAAAAAAEw/t-Ik_kS6Ykw/s72-c/VascoAraujo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1113723458212566396</id><published>2007-02-06T16:42:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:57.529Z</updated><title type='text'>Moby Dick</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RciwZoh3f6I/AAAAAAAAAAY/iNk2GF2ZLt8/s1600-h/mobydick_web_20061222154850.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028462938381844386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RciwZoh3f6I/AAAAAAAAAAY/iNk2GF2ZLt8/s320/mobydick_web_20061222154850.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Umas das peças de teatro que gerou mais expectativa no início do presente ano foi &lt;em&gt;Moby Dick&lt;/em&gt;. Em cena no Teatro Municipal São Luiz, vários são os motivos que suscitaram interesse prévio no público português. A adaptação da famosa obra de Herman Melville para os palcos é provavelmente o que mais chama a atenção das pessoas. Outro foco de curiosidade prende-se com os habituais actores de comédia, Maria Rueff e Miguel Guilherme, interpretarem papéis dramáticos. Por último, outro factor que apela o público ao teatro é a sala em que o espectáculo está em cena. O Teatro S. Luiz é um dos espaços da capital mais atractivo culturalmente e com um programa para o ano 2007 promissor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que tenho um grande &lt;em&gt;handicap&lt;/em&gt; perante esta peça de teatro: não li o livro &lt;em&gt;Moby Dick&lt;/em&gt;. No entanto, o interesse pela encenação da minha parte não foi menor. Não posso, contudo, avaliar o sucesso da adaptação da obra para o registo dramático. Só posso apreciar o espectáculo como peça de teatro. E aqui, este não é perfeito. É engraçado, vistoso, e principalmente dirigido para o público geral e não o que está habituado a ir ao teatro. Parecendo que não estou de acordo, afirmo que até vejo uma certa coerência nesta opção, até porque à quarta-feira, às 11h e às 14h30, as sessões são para as escolas. Contudo, este tipo de espectáculos peca pela intensidade que se pede exacerbada nos dramas. Esta crítica é baseada no pouco ênfase dada à fúria do &lt;em&gt;Capitão Ahab&lt;/em&gt;. Não seria suposto esta não se limitar à sua vingança com a baleia e transbordar para os companheiros de viagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os responsáveis por esta adaptação, Maria João Cruz e o encenador António Pires, começaram a trabalhar juntos em 2002, com a adaptação do texto para &lt;em&gt;Um D. Quixote - Um Musical&lt;/em&gt;, a partir do clássico de Cervantes. Pelo meio já adaptaram obras de autores como Luís de Camões e William Shakespeare. Este tipo de acções são de louvar porque leva aos palcos portugueses textos de enorme qualidade, interpretados de maneira a alargarem os nossos horizontes na percepção das mesmas obras e, chamam os portuguesas às salas de teatro que, por estes últimos tempos, ao contrário de outros anos, estão cada vez mais preenchidas. O encenador, começou em 1990, já encenou inúmeras peças de teatro e, tem se especializado num tipo de encenação apelidado de coreográfico, que consiste na fusão de texto e imagem tal qual uma coreografia. Em Moby Dick, António Pires aproveita-se da imensidão do palco para expor quatro elementos cénicos de peso. Um pano de fundo onde são projectadas paisagens bastante reais; um mastro enorme de pouca utilidade; uma construção de madeira, esta sim de elevado proveito, servindo no primeiro acto de quarto de uma das personagens, e nos restantes de barco. Estranho? Em palco resulta; e, a grande baleia, a “personagem principal” como referiu o encenador. Eu discordo. A baleia é sem dúvida muito vistosa e capaz de abrir muitas bocas de espanto mas só durante 5 efémeros segundos. Conclusão, dois dos elementos cénicos são enormes em tamanho mas pequenos em funcionalidade. Quanto à direcção de actores, Pires afirmou que tem os actores que escolheu inicialmente o que nem sempre é possível. A escolha é acertada. Quem vai à espera de ver grandes interpretações dos actores mediáticos ficará surpreendido com as restantes interpretações de exorbitante qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rueff, muita gente não sabe, é formada no Conservatório. Onde estudou e interpretou vários autores clássicos que assentaram a sua escrita no drama. No entanto, desde que saíra da escola de teatro só conheceu um registo, a comédia. Este é o seu primeiro papel dramático desde a sua formação. Fico, ansiosamente, à espera do próximo. Primeiro, este papel é pouco profundo e complexo para uma actriz de formação. Espero que a desafiem para uma interpretação mais dramática. Mas apesar da aparente simplicidade da personagem, a actriz realizou um excelente trabalho ao nível vocal e, sobretudo, no não recorrer aos tiques e exageros que as suas habituais personagens exigem. Miguel Guilherme é uma das minhas referências, com um curriculum vastíssimo em cinema, teatro e televisão. Também ele encontrou a notoriedade na comédia. E nesta peça de teatro a prova é bem mais exigente que a de Maria Rueff. A nota no final é positiva mas não é um 20. É notório que o drama não é a praia de Miguel Guilherme. Sempre que a personagem se exprime ironicamente ele estica a expressão ao limite até provocar gargalhadas. É também claro que, o actor precisa da evolução da acção para a sua personagem evoluir. Se é um facto que no final Miguel Guilherme quase atinge a perfeição, em muitos momentos anteriores o mesmo não foi conseguido. Sobre o restante elenco que já o classifiquei como de elevada qualidade, destaco dois nomes, Graciano Dias (Ismael) e Miguel Borges (Queequeg). É verdade que têm um maior realce do que os restantes pela cena que contracenam mas as suas presenças em palco são delineadas por uma coerência constantemente apropriada e sustentada pelos seus visíveis recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Moby Dick&lt;/em&gt; é um clássico da literatura americana que temos o privilégio de ver encenado em Lisboa e, podendo não concordar com certas opções e não sendo um espectáculo que me encha as medidas, reconheço a importância que poderá ter no panorama nacional pelos argumentos que já descrevi anteriormente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; Moby Dick&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Herman Melville&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Adaptação:&lt;/strong&gt; Maria João Cruz&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Encenação:&lt;/strong&gt; António Pires&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Elenco:&lt;/strong&gt; Maria Rueff, Miguel Guilherme, Graciano Dias, João Barbosa, Miguel Borges, Milton Lopes, Ricardo Aibéo e Rui Morisson&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1113723458212566396?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1113723458212566396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1113723458212566396' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1113723458212566396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1113723458212566396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/umas-das-peas-de-teatro-que-gerou-mais.html' title='Moby Dick'/><author><name>Ensaio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17968431232829196146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RciwZoh3f6I/AAAAAAAAAAY/iNk2GF2ZLt8/s72-c/mobydick_web_20061222154850.gif' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7606912560045319752</id><published>2007-02-05T21:21:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:57.678Z</updated><title type='text'>Little Children</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028166881241911234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RcejI1vOz8I/AAAAAAAAAS8/kKpXDAF3WNk/s320/little+children.bmp" border="0" /&gt;&lt;strong&gt;Little Children&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Pecados Íntimos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Adaptado a partir do livro homónimo de &lt;em&gt;Tom Perrotta&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Todd Field &lt;/em&gt;realiza &lt;strong&gt;Little Children&lt;/strong&gt;. Em Portugal o filme foi apresentado como &lt;em&gt;Pecados Íntimos&lt;/em&gt;, título bem apropriado para substituir o original nome inglês. Na verdade, &lt;em&gt;Todd Field &lt;/em&gt;adaptou o romance de &lt;em&gt;Perrotta &lt;/em&gt;para um guião que nos fala de crianças, de pecados e de intimidade, ainda que se mova no legado deixado por &lt;em&gt;Sam Mendes &lt;/em&gt;no seu &lt;strong&gt;American Beauty&lt;/strong&gt;. Contudo, e sem pretender fazer comparações, podemos dizer que aquilo que &lt;em&gt;Mendes &lt;/em&gt;não disse relativamente a certos temas está obviamente explícito na película de &lt;em&gt;Field&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história tem lugar num pacato subúrbio de um qualquer estado verdejante dos Estados Unidos, daqueles com largas ruas ladeadas de plátanos e cercas pintadas de madeira. Aqui, a câmara move-se em contrastes, deixando planos rápidos para mergulhar em sequências calmas e melancólicas. Somos apresentados, por meio de um irónico narrador, à vida de Sarah (&lt;em&gt;Kate Winslet&lt;/em&gt;) e da sua filha Lucy, aos dramas de Brad (&lt;em&gt;Patrick Wilson&lt;/em&gt;) e do seu filho Aaron. Olhamos pelas janelas, silenciosamente, e deparamo-nos com problemas conjugais, com pequenos conflitos, com banalidades do quotidiano. Julgamos um pedófilo, atacamos o adultério, cochichamos no Clube de Leitura bem ao jeito da Oprah Winfrey. Em suma, temos dentro da tela a vida suburbana de umas quantas personagens. Para qualquer um de nós, perigo é uma palavra desnecessária nestes termos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da trama, a teia aperta-se e o enredo torna-se mais intenso: há uma clara tensão sexual entre Sarah e Brad, com direito a subterfúgios eróticos muito bem delineados, mas tudo isto passa quase despercebido. A relação adensa-se, o tempo passa e o sentimento é o mesmo, dito assim neste tom meio abstracto. Na verdade, o filme não nos fala de certezas. Tão-pouco procura explicar a maldade ou justificar a perversão. Muito menos coloca no acto sexual a explicação para todos os acontecimentos. Simplesmente narra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espectador mal se apercebe de que o guião se contorce, de que as personagens não são apenas pessoas do dia-a-dia, no entanto, quando se faz o interessante paralelismo entre a &lt;em&gt;Madame Bovary &lt;/em&gt;de &lt;em&gt;Flaubert &lt;/em&gt;e a vida de Sarah damos conta de tudo o que aconteceu. A idealização da patologia num corpo só e o investimento sexual não são apenas bonecos para aromatizar a história, servindo sim um objectivo bastante claro e despegado de interpretações românticas. O pedófilo sente como outro homem qualquer, sofre sobretudo; os amantes adúlteros sentem o peso da culpa. Muito para além do mal, muito para além do acto de pecar. E &lt;em&gt;Todd Field &lt;/em&gt;consegue encontrar uma forma perfeita de o dizer sem ter de justificá-lo, como se o percurso trilhado pelas personagens não pudesse ser outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A película assume-se brilhante desde o seu início, embora guarde para o final o momento mais intenso da história e, consequentemente, o momento mais bem conseguido a todos os níveis. Conjugando uma boa banda sonora, excelentes interpretações e uma câmara bem enquadrada, atingimos o pretendido. Funcionado tudo como um acto sexual, &lt;em&gt;Field &lt;/em&gt;sagra-se perfeito ao filmar o momento &lt;em&gt;post-coitum&lt;/em&gt;. As personagens repousam, descansam depois de toda a intensidade, dando conta de que tudo o que procuraram esteve sempre ao seu alcance, ao seu lado. E, mais do que isso, converte-se o inimaginável perigo num castigo dostoevskiano: há um exaltar das figuras que nos acompanham sobre a sombra do crime cometido, há uma nova perspectiva que transforma o pecado em inocência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como último destaque, refira-se uma &lt;em&gt;Kate Winslet &lt;/em&gt;cada vez mais madura, cada vez mais capaz de uma maravilhosa interpretação, já reconhecida pelas nomeações para o &lt;em&gt;Óscar &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;BAFTA &lt;/em&gt;na categoria de Melhor Actriz Principal. Para além deste enorme contributo, o filme já está nomeado para &lt;em&gt;Óscar &lt;/em&gt;de Melhor Argumento Adaptado. Prémios e pecados à parte, vale o que é humano, o que é inocente, o que é íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Little Children (2006)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realizado/Escrito por:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Todd Field&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Kate Winslet, Patrick Wilson, Jennifer Connelly, Gregg Edelman, Jackie Earle Haley, etc.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7606912560045319752?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7606912560045319752/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7606912560045319752' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7606912560045319752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7606912560045319752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/little-children.html' title='Little Children'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RcejI1vOz8I/AAAAAAAAAS8/kKpXDAF3WNk/s72-c/little+children.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-3980105463521638600</id><published>2007-02-05T12:22:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:57.852Z</updated><title type='text'>A Clockwork Orange</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rccr7lvOz6I/AAAAAAAAASk/S5_Rv-WhgAA/s1600-h/medium_Clockwork_Orange.2%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028035811724939170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rccr7lvOz6I/AAAAAAAAASk/S5_Rv-WhgAA/s320/medium_Clockwork_Orange.2%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda que tenha chegado ao público depois do filme de Stanley Kubrick, o livro &lt;strong&gt;A Clockwork Orange &lt;/strong&gt;de &lt;em&gt;Anthony Burgess &lt;/em&gt;já tinha sido publicado antes disso, embora não tivesse sido lido na medida em que o filme foi visto. Depois da polémica instaurada com a saga alucinante de Alex e do seu &lt;em&gt;gang&lt;/em&gt;, chegou aos amantes deste filme o livro que lhe serviu de mote. Considerado por muitos a obra-prima de &lt;em&gt;Anthony Burgess&lt;/em&gt;, &lt;strong&gt;A Clockwork Orange &lt;/strong&gt;conserva, nos dias de hoje, um mérito quase sombrio, colado à grandiosidade de toda a obra de Kubrick.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de que o filme de Kubrick é absolutamente genial não suscita grandes dúvidas, do mesmo modo que instaura grandes polémicas sobre o seu conteúdo. Motivos mais do que suficientes para se passar os olhos sobre as páginas deste livro. Escrito na primeira pessoa, Alex narra o que todos já vimos na tela: o seu universo londrino futurista, com inúmeras referências à sexualidade e à Arte. Rodopiamos com ele na esfera podre de sexo, violência e ausência de moral, enquanto seguimos de perto a sua história perturbadora: o seu pequeno percurso, com os seus pequenos detalhes inundados com a música de Beethoven. Somos levados ao local mais malévolo, mas também ao local mais humano, derrubando as fronteiras da Liberdade propostas para a civilização ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo um livro, um dos fenómenos mais interessantes é a linguagem usada por todas as personagens... &lt;em&gt;Anthony Burgess &lt;/em&gt;é o mestre por detrás do calão que se escuta no filme de Kubrick e que se lê neste livro. Misturou essencialmente um russo adulterado com algumas dezenas de palavras inventadas, tornando o livro praticamente incompreensível. Requer, portanto, uma boa dose de motivação para descodificar vocábulos como &lt;em&gt;devotchka &lt;/em&gt;(rapariga), &lt;em&gt;droog &lt;/em&gt;(amigo), &lt;em&gt;podooshka&lt;/em&gt; (almofada), ou mesmo outros que são oriundos do calão &lt;em&gt;cockney &lt;/em&gt;britânico. Chamou a esta linguagem &lt;em&gt;Nadsat &lt;/em&gt;(palavra russa para adolescente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor recusou-se a integrar um glossário no final do livro e, como resposta às críticas, explicou apenas o significado do seu título (apêndice que o filme deixa em aberto). Como explicação, faz referência ao condicionamento clássico de Pavlov, muito explorado no tratamento de Alex através do método Ludovico. Assim, criou-se a linguagem própria, explorou-se os limites entre o Bem e o Mal, alcançou-se uma nova descrição da patologia &lt;em&gt;vs &lt;/em&gt;normalidade. Enterrámos os olhos em dilemas éticos, auscultámos a satisfação das pulsões, condensou-se toda a cultura psicanalítica numa obra só. Todos nos interrogamos, então, que nome está ao lado de &lt;strong&gt;A Clockwork Orange&lt;/strong&gt;? Que nome soa quando alguém se lhe refere?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, o filme e o livro são indissociáveis. Um visão atenta do filme não dispensa uma leitura. E quem pega nas páginas de &lt;em&gt;Burgess &lt;/em&gt;certamente verá com outros olhos a película colossal de Stanley Kubrick. Permitindo-me a ironia, e estando ambos os autores mortos, a questão presente não é o mérito, é a indispensabilidade cultural... E aqui, não se vence nem se perde, é-se fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;A Clockwork Orange&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Autor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Anthony Burgess&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-3980105463521638600?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/3980105463521638600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=3980105463521638600' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3980105463521638600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3980105463521638600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/clockwork-orange.html' title='A Clockwork Orange'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/Rccr7lvOz6I/AAAAAAAAASk/S5_Rv-WhgAA/s72-c/medium_Clockwork_Orange.2%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-6948959107057948047</id><published>2007-02-04T21:06:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:58.024Z</updated><title type='text'>Not too late</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcZLZVnrd9I/AAAAAAAAAC8/8u-1a0FZ9js/s1600-h/Norah+Jones+-+2007+-+Not+Too+Late.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5027788932678121426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcZLZVnrd9I/AAAAAAAAAC8/8u-1a0FZ9js/s400/Norah+Jones+-+2007+-+Not+Too+Late.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A coisa até parecia prometer. Depois do sucesso de &lt;em&gt;Come away with me&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Feels like home&lt;/em&gt;, ambos álbuns agradaváveis, a recente estrela Norah Jones pedia uns meses de folga da multidão e das tours, fechando-se no seu estúdio caseiro com o seu parceiro musical Lee Alexander. Adiantado, sabia-se ainda que seria um álbum mais intimista, no sentido em que seria a estreia de Jones como compositora. Se juntarmos a isto os vários Grammys, so far so good.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norah Jones sempre foi uma estrela dividida entre o Jazz e a Pop. No seu mais recente trabalho, &lt;em&gt;Not too late&lt;/em&gt;, faltam-lhe ambos. A voz jazz está lá mas não tem onde se agarrar, faltando-lhe momentos mais emotivos com que já nos surpreendera nos dois trabalhos anteriores. Para Pop falta-lhe Pop. O que se pedia a Norah Jones neste ponto da sua carreira era uma de duas coisas: a evolução para algo mais que uma estrela talentosa mas algo perdida; ou mais um álbum onde um bom momento Jazz ou Pop nos prendesse, como acontecia com “Sunrise”, “Don’t Know Why” ou “Come away with me”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando com atenção para &lt;em&gt;Not too late&lt;/em&gt;, Norah Jones falha ambos. A sua transição para compositora, entre os momentos intimistas e a manifestação politica não chega a convencer enquanto que nenhuma música realmente empolga ou emociona. Fica um álbum exageradamente morno. Não pensemos que &lt;em&gt;Not too late&lt;/em&gt; é um mau trabalho, porque o não é, mas sabe manifestamente a pouco. Espera-se mais de Norah Jones do que um mero cd em formato banda sonora de longa viagem em autoestrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, algumas músicas deixam alguma esperança em relação a esta nova versão de Norah Jones. “Wish I Could” é single radiofónico descarado e óbvio, mas ainda assim mostra um pouco da força dos álbuns anteriores. “Sinkin’ Soon” é homenagem (demasiado) notória a Tom Waits, “My dear country” é posicionamento politico em tom de bar de hotel e “Be my somebody” foge à monotonia generalizada. Tudo o resto são baladas com tiques Jazz demasiado lânguidas e mortiças. Mantenha-se a esperança na filha de Ravi Shankar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Not too late&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Norah Jones&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 5/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-6948959107057948047?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/6948959107057948047/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=6948959107057948047' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6948959107057948047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6948959107057948047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/not-too-late.html' title='Not too late'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcZLZVnrd9I/AAAAAAAAAC8/8u-1a0FZ9js/s72-c/Norah+Jones+-+2007+-+Not+Too+Late.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1936372594717291837</id><published>2007-02-02T02:39:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:58.177Z</updated><title type='text'>Volver</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcKlELHMsDI/AAAAAAAAACw/O4_Cg6QM5xA/s1600-h/volver.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5026761625219936306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcKlELHMsDI/AAAAAAAAACw/O4_Cg6QM5xA/s400/volver.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grandes realizadores marcam as suas obras com um carimbo cinéfilo, marca indistinta do seu olhar sobre a tela. Impossível ver um filme de Hitchcock e não reparar no seu toque, na sua visão do conjunto e, acima de tudo, na sua visão do particular, do pormenor. O mesmo se passa com Almodóvar, realizador espanhol e um dos ícones maiores do cinema europeu contemporâneo. A sua obra reflecte uma visão personalizada e descomprometida, um conjunto de filmes onde predomina a liberdade de pensamento. O último pilar desta construção é &lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente nomeado para Óscar de Melhor Actriz, &lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt; funciona quase como filme-paradigma da visão cinematográfica de Almodóvar. Onde todos vêem os fantasmas de aldeia de uma história antiga, os olhos de Almodóvar intersectam um compêndio de amor em forma de enredo cheio de inversões. Onde a maioria vê o medo da morte, Almodóvar mostra o fascínio da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt; é um novelo que se desenrola em torno de Raimunda (Penélope Cruz), rapariga latina afastada por opção da aldeia que a viu nascer. &lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt; conta a sua história através da desfuncionalidade da família que provem e a que, como o título sugere, volta. É à volta da sua irmã Soledad (Lola Dueñas), da sua mãe Irene (Cármen Maura) e da problemática Agustina (Blanca Portillo) que o seu passado se cruza com o presente, e ainda com o futuro no rosto da filha. Volver é um filme sobre relações, sobre o Amor. Não o amor no sentido mais carnal e corrente do termo, mas um amor familiar, claramente mais forte que o outro, como o filme também demonstra. Um amor feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feminino é o ambiente deste filme onde todas as personagens são femininas e onde os homens que circunstancialmente surgem mais não são que pontuais referências. A trama roda somente em torno das mulheres deste filme. A mãe que está morta e surge, fantasma do presente, apesar da sua realidade. Soledad que a protege e Raimunda, o protótipo de mulher latina, quente, irreflectida, espontânea e lutadora. É a espantosa força resistente das mulheres que Almodóvar retrata, não só relegando os homens para terceiro plano, como deixando deles uma imagem pouco gratificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nomeação de Cruz surge assim completamente justificada. Mas, enquanto, por exemplo, Streep é um portento capaz de segurar um filme sozinha, a prestação de Cruz premeia não só uma actriz, mas a capacidade de um conjunto de actrizes funcionarem como uma só. Penélope Cruz é exemplarmente suportada por uma selecção, nada uniforme à partida, mas cujo resultado é magnífico, potenciando a actuação da estrela de cartaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt; consegue sobreviver para alem da categorização de filme de autor, filme sobre relações ou filme feminino, o que diz muito sobre a vastidão do mesmo. &lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt; é, quase à semelhança de O &lt;em&gt;Vale era Verde&lt;/em&gt;, um filme retrato. O retrato de uma época, de uma vivência, de um modo de estar. Fotografia das aldeias interiores, que também reflecte a situação portuguesa, Volver oferece um cenário (humano) rico e característico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma palavra ainda para os pormenores, os tais que pertencem à imortalização dos realizadores. Alguns deles homenagens claras às referências do próprio Almodóvar, momentos como o sangue que é limpo com a esfregona ou os vários planos sobre Raimunda, nomeadamente com a faca, enriquecem um filme que já nem precisava. &lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt; é um marco afirmativo, e qualitativo, na carreira de Almodóvar. Parece também um ponto de síntese dos últimos tempos, auspiciando algo de novo. Pedro Almodóvar não deixará de surpreender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Volver&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Realizador&lt;/strong&gt;: Pedro Almodóvar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Penélope Cruz, Carmen Maura, Blanca Portillo, Lola Dueñas, Yohana Coba e Chus Lampreave.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espanha, 2006.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 8/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1936372594717291837?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1936372594717291837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1936372594717291837' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1936372594717291837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1936372594717291837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/02/volver.html' title='Volver'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcKlELHMsDI/AAAAAAAAACw/O4_Cg6QM5xA/s72-c/volver.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-3387460734737131779</id><published>2007-01-30T00:28:00.003Z</published><updated>2008-11-13T03:06:58.343Z</updated><title type='text'>The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcI4J7HMsCI/AAAAAAAAACk/vl8gJWIpr00/s1600-h/jayjay.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5026641877236756514" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcI4J7HMsCI/AAAAAAAAACk/vl8gJWIpr00/s320/jayjay.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div align="justify"&gt;Depois de &lt;em&gt;Rush&lt;/em&gt;, o prolifero músico sueco (8 álbuns desde 1996) chega a 2007 com o álbum &lt;em&gt;The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known&lt;/em&gt;. No mundo dos ambientes e dos sintetizadores, Jay Jay Johanson é rei e senhor e é, mais uma vez, essa faceta que descobrimos, num percurso que caminha cada vez menos pela Pop e cada vez mais pela emoção do som do Synth-pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;The Long Term…&lt;/em&gt; é banda sonora do princípio ao fim. Boa banda sonora. O seu defeito é não ser de um só filme. Há um épico, há tragédia, há jorrar de emoções em filme de Sofia Coppola. Mas também há musica de fim de baile de finalista dos anos 80, há o final de um romance hollywoodesco que tarda em passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johanson consegue a melhor e a pior melancolia. A pensativa e soturna mas que emerge em pulsares emotivos e épicos; e a lânguida e arrastada, não frutífera. Curiosamente tudo isto está espelhado no próprio trabalho que parece dividir-se ele mesmo numa primeira metade de qualidade superior e numa recta final onde nada de novo é dito, tudo parece ter-se esgotado no principio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, salvaguarde-se que, com Johanson, o que é bom é mesmo bom. É pena é o que sobre, o mais ou menos. Falemos então do retrato doloroso de “She doesn’t live here anymore”, do arrebatamento quieto de “Time Will Show me” ou da perseguição Pop de “Rocks in Pockets”. Ou falemos de cenas de amor de um filme clássico em “Only For You”. Ou falemos de “As Good As It Gets”, onde o Jazz encontra a canção, onde Saint-Germain se torna cantor de salão, onde o cinema se materializa numa pauta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jay Jay Johanson assina um bom trabalho em &lt;em&gt;The Long Term…&lt;/em&gt;, ainda que pareça prolongar-se em demasia. Sabemos que o permanecerá será a sua melhor parte e é dessa que desfrutamos quando o ouvimos. Há calor no Inverno mais profundo da Suécia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Jay Jay Johanson &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-3387460734737131779?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/3387460734737131779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=3387460734737131779' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3387460734737131779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3387460734737131779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/long-term-physical-effects-are-not-yet_2014.html' title='The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RcI4J7HMsCI/AAAAAAAAACk/vl8gJWIpr00/s72-c/jayjay.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-8462659543737846571</id><published>2007-01-29T00:09:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:58.895Z</updated><title type='text'>Poesia do Eu</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rb07YrHMsAI/AAAAAAAAAB8/s49Sxc43Xt4/s1600-h/poesia+do+eu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025238054291156994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rb07YrHMsAI/AAAAAAAAAB8/s49Sxc43Xt4/s400/poesia+do+eu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; “António de Oliveira Salazar.&lt;br /&gt;Três nomes em sequência regular…&lt;br /&gt;António é António.&lt;br /&gt;Oliveira é uma árvore.&lt;br /&gt;Salazar é só apelido.&lt;br /&gt;Até aí está bem.&lt;br /&gt;O que não faz sentido&lt;br /&gt;É o sentido que tudo isto tem.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falar de Fernando Pessoa é uma obra tanto perigosa quanto problemática. Quer pela vastidão da obra escrita, quer pela vastidão da mente do poeta, quer ainda pela vastidão de ensaios e comentários que têm vindo a ser desenvolvidos nos últimos anos. Mas, apesar do perigo, existe algo que permanece essencial. Conhecer, a fundo, a obra de Fernando Pessoa, quer para estudo, quer simplesmente para deleite. E se, a este ponto, temos acesso à obra praticamente total do autor, editado até em várias edições, tal deve-se a vários editores e estudiosos que transformaram Pessoa, do previamente editado ao manuscrito, em compilações de elevada qualidade, maioritatiamente via Assírio e Alvim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diz Richard Zenith no prefácio, “Surgirão ainda eventuais inéditos (incluindo na presente edição) e a fixação dos textos irá sendo melhorada, mas o grosso do trabalho já foi feito”. Para além deste trabalho, há ainda o trabalho da compreensão do autor, que devemos a Adolfo Casais Monteio, Teresa Rita Lopes, Fernando Cabral Martins, João Alves das Neves ou ao próprio Pessoa, por interposto das suas cartas explicativas. O que se apresenta aqui é mais uma hipótese de descobrir, rever ou aumentar a relação com a obra ortónima em português da figura máxima da literatura portuguesa do século XX, quiçá a figura máxima da literatura portuguesa em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sê-lo-á não só pela inegável qualidade poética, pela intrincada mente que em tudo reflecte a personagem portuguesa ou pelo vanguardismo com que liderou a busca de um novo movimento literário que culminou no modernismo português, mas também pela complexidade e alcance de todas as áreas que abrangeu. Da heteronomia às quadras, do épico desmedido à contenção politica face a Salazar, do português ao inglês, da prosa à poesia, do ensaio ao lírico. Pessoa é um poeta, um tratador da palavra, que consegue tanto alcançar o mais profundo da problemática que aborda, como simplesmente jogar com as palavras, baralhar e voltar a dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte da Colecção Obra Essencial de Fernando Pessoa, mais do que incluir alguns poemas inéditos, esta &lt;em&gt;Poesia do Eu&lt;/em&gt;, com edição de Richard Zenith, é um composto de qualidade elevada no que toca à documentação e à referência, complementando os poemas com indicações importantes e nunca excessivas, salvaguardando os leitores que as dispensarem. Engloba &lt;em&gt;Poemas de 1908-1935&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Mensagem&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Canções da Derrota&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Fausto&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Ruba’iyat&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Quadras&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Juvenília&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, apesar da ausência da heteronomia, Freudianamente apenas a ponta de um iceberg muito mais complexo que será a mente do poeta, &lt;em&gt;Poesia do Eu&lt;/em&gt; é uma obra vasta e intrincada. Do Pessoa descobridor de novas possibilidades literárias, com o pauismo ou o interseccionismo, ao Pessoa politico, passando por versões amorosas, angustiadas, populares ou existencialistas. A obra está, neste momento, ao nosso dispor. Resta-nos descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Poesia do Eu&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-8462659543737846571?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/8462659543737846571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=8462659543737846571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/8462659543737846571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/8462659543737846571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/poesia-do-eu.html' title='Poesia do Eu'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/Rb07YrHMsAI/AAAAAAAAAB8/s49Sxc43Xt4/s72-c/poesia+do+eu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-3597516843364671960</id><published>2007-01-28T12:35:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:58.988Z</updated><title type='text'>Scoop</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RbyZKb7h8MI/AAAAAAAAAR0/Rf0OIaORqmg/s1600-h/Scoop%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025059688813818050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RbyZKb7h8MI/AAAAAAAAAR0/Rf0OIaORqmg/s320/Scoop%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois do badalado &lt;strong&gt;Match Point&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Woody Allen &lt;/em&gt;regressa às salas de cinema com a sua mais recente película, que, à semelhança do seu último filme, foi totalmente produzida e realizada em Londres. Os amantes do realizador nova-iorquino já não estranham a ausência das árvores de Brooklyn e a substituição de Manhattan pela metrópole inglesa. Na verdade, &lt;em&gt;Allen &lt;/em&gt;viu-se quase obrigado a filmar no Reino Unido, país que lhe financia uma tela com os actores que ele escolhe e com o guião que ele escreve. Ainda a propósito do guião, recorde-se que &lt;strong&gt;Scoop &lt;/strong&gt;foi escrito propositadamente para integrar &lt;em&gt;Scarlett Johannson &lt;/em&gt;numa personagem cómica, muito ao jeito da fantasia neurótica que, em tempos, &lt;em&gt;Allen &lt;/em&gt;deixava a cargo de &lt;em&gt;Diane Keaton&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo o que se possa dizer, &lt;em&gt;Woody Allen &lt;/em&gt;abraça a cultura e a sociedade londrinas de um modo genial, conseguindo em &lt;strong&gt;Scoop &lt;/strong&gt;a sua melhor comédia em muitos anos enquanto realizador e argumentista. A história obedece ao criterioso humor rocambolesco de Allen: conta como uma estudante de jornalismo se envolve numa busca pela verdade, depois de ter sido visitada por um jornalista recentemente falecido. Este jornalista é Joe Strombel, que se lança do barco da Morte para partilhar a sua última notícia bombástica (“&lt;em&gt;scoop&lt;/em&gt;”). Aí tudo se complica: enquanto o mágico Splendini (&lt;em&gt;Woody Allen&lt;/em&gt;) agita as moléculas da estudante universitária Sondra Pransky (&lt;em&gt;Scarlett Johannson&lt;/em&gt;) no seu desmaterializador chinês, o falecido Strombel relata, de um modo vago e sem entrar em detalhes, como o aristocrata Peter Lyman (&lt;em&gt;Hugh Jackman&lt;/em&gt;) é o assassino das Cartas de &lt;em&gt;Tarot&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se, então, uma aventura surreal pelas ruas de Londres, envolvendo personalidades falsas, truques de magia, conspirações e perseguições, muitos mal-entendidos, e sobretudo o brilhante sentido de humor de &lt;em&gt;Woody Allen &lt;/em&gt;tão bem impresso na sua personagem! Splendini, cujo verdadeiro nome é Sidney, acaba por se fazer passar por pai de Sondra, numa tentativa de conseguirem desvendar o mistério dos homicídios em Londres. Tudo se desenrola aos tropeções, com muita ironia e &lt;em&gt;nonsense &lt;/em&gt;pelo meio, até Sondra se apaixonar pelo seu objecto de investigação. Aí, &lt;em&gt;Woody Allen &lt;/em&gt;consegue delinear de uma forma perfeita os contornos sinuosos do guião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais apaixonante neste filme acaba por ser a forma como todos os actores apresentam interpretações fabulosas em papéis que não poderiam ter sido entregues a mais ninguém. Assim, &lt;em&gt;Woody Allen &lt;/em&gt;prova ao público como ainda consegue surpreender e arrancar piadas inteligentes e de inspiração genial, enquanto move uma câmara perfeita e sem hesitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um modo geral, e apesar de ser qualquer coisa de extraordinário, &lt;strong&gt;Scoop&lt;/strong&gt; mostra-nos uma &lt;em&gt;Scarlett Johannson &lt;/em&gt;num papel diferente do habitual, com óculos e aparelho nos dentes, e uma relação fantástica entre o génio de &lt;em&gt;Allen&lt;/em&gt; e a jovialidade de &lt;em&gt;Johannson&lt;/em&gt;. Ainda que este filme não esteja ao nível de outras obras de &lt;em&gt;Allen&lt;/em&gt;, como &lt;strong&gt;Annie Hall&lt;/strong&gt;, por exemplo, é uma película que, pela boa dose de comédia e de drama, vale mesmo a pena, sobretudo se se é um fã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"If you put our heads together, you'll hear a hollow noise!" Ninguém diria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Scoop (2006)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escrito &amp; Realizado por&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Woody Allen&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Woody Allen, Scarlett Johansson, Ian McShane &lt;/em&gt;e&lt;em&gt; Hugh Jackman.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-3597516843364671960?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/3597516843364671960/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=3597516843364671960' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3597516843364671960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/3597516843364671960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/scoop.html' title='Scoop'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RbyZKb7h8MI/AAAAAAAAAR0/Rf0OIaORqmg/s72-c/Scoop%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-6292679861704867882</id><published>2007-01-27T15:23:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:59.105Z</updated><title type='text'>Some Loud Thunder</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RbtuqbHMr-I/AAAAAAAAABk/chOMau3j028/s1600-h/some+loud+thunder.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024731484373430242" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RbtuqbHMr-I/AAAAAAAAABk/chOMau3j028/s320/some+loud+thunder.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Há muito tempo que o mundo da música não acordava tão sobressaltado. Findo o ano de 2006, com as habituais listas de melhores e piores, o mundo acordou, ressacado, na manhã de dia 1, pronto a conferir o que esperar de 2007. Originais de Bloc Party, Árcade Fire, LCD Soundsystem, Damon Albarn, Air, Bight Eyes ou Kaiser Chiefs fazem do ano que se apresenta um pulsar ansioso de novidades prometedoras. Uns dos primeiros a chegar foram os Clap Your Hands Say Yeah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do álbum homónimo de 2005, a banda traz agora &lt;em&gt;Some Loud Thunder&lt;/em&gt;. A mesma perspectiva indie, Pop dançante com estilhaços Rock em fundo electrónica a apoiar a enigmática e quebradiça voz de Alec Ounsworth. Nada de novo, portanto. Contudo, &lt;em&gt;Some Loud Thunder&lt;/em&gt; traz uma versão mais suavizada, menos pungente, que, em abono da verdade, nada favorece a banda. Maturidade nem sempre se recomenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, os Clap Your Hands Say Yeah! conseguem um punhado de boas canções, algumas com a energia que se lhes reconhece, mas conseguem também mostrar por vezes uma mediocridade que não só não agrada como descompõe o bouquet final. &lt;em&gt;Some Loud Thunder&lt;/em&gt; é um processo indefinido que caminha inseguramente nos ouvidos de quem se aventura. Como o confirma o paradigma do single óbvio e homónimo ao álbum. Não é claro o sentimento perante o efeito de distorção-dessintonização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficam alguns bons momentos. Fica uma boa parte de “Emily Jean Stock”, o refrescante “Satan Said Dance” a preparar-se para as pistas de dança ou o lado mais Rock de “Yankee Go Home”. Mas fica também a esperança de que a ansiedade musical se repercuta em melhores momentos. A procissão ainda vai no adro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Some Loud Thunder&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Clap Your Hands Say Yeah!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 6/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-6292679861704867882?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/6292679861704867882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=6292679861704867882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6292679861704867882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6292679861704867882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/some-loud-thunder.html' title='Some Loud Thunder'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RbtuqbHMr-I/AAAAAAAAABk/chOMau3j028/s72-c/some+loud+thunder.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-632252772805829587</id><published>2007-01-22T04:34:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:59.281Z</updated><title type='text'>James Holden - The Idiots Are Winning</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5022710763433675410" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 147px; CURSOR: hand; HEIGHT: 145px" height="168" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RbRA0-_-ypI/AAAAAAAAABE/EmfNAOqz7EE/s400/The+Idiots+Are+Winning.jpg" width="169" border="0" /&gt;O ainda jovem James Holden é já um elemento fundamental no mundo da música electrónica, posição consubstanciada pela sua intensa actividade enquanto DJ e editor musical (é sua a Border Community). Nasceu para a música dançante em 1999, com apenas 19 anos, quando lançou “Horizons”, e desde então tem desenvolvido uma frenética carreira, conquistando reconhecimento mais alargado através das remisturas de “Get Together” para Madonna e “The Darkest Star” para os Depeche Mode. &lt;em&gt;Balance&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;James Holden – At The Controls&lt;/em&gt;, como bons &lt;em&gt;sets&lt;/em&gt; que indubitavelmente são, também lhe garantiram novos fãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltava então um primeiro disco de originais. Uma forte expectativa acumulara-se em certos meios e, ainda em 2006, chegaria aos escaparates &lt;em&gt;The Idiots Are Winning&lt;/em&gt;. Logo se percebeu, pelas primeiras reacções, que James Holden respondera às expectativas com ambição, e que o novo álbum seria uma competente visita às linguagens musicais com que o inglês sempre se exprimira, em maior ou menor abundância, nas suas actuações. Ele vinha cheio de méritos e de boa vontade, numa época em que a oferta musical é, para todos os efeitos, enorme em quantidade. Escuta-se finalmente o disco e o que nos invade é a indisfarçável sensação de que estavam todos certos e, por isso mesmo, errados. A música não é euclidiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;The Idiots Are Winning&lt;/em&gt; as músicas não nos chegam como blocos sonoros consistentes; ouve-se e sente-se, a cada momento, os &lt;em&gt;loops&lt;/em&gt;, os esboços de melodias, os efeitos e os decaimentos numa tentativa desesperada de relacionamento entre si, como se cada faixa se tratasse de um exercício específico desenhado para se compreender as potencialidades dos programas de sequenciação musical. Quase todas as músicas pretendem ser, simultaneamente, rítmicas, minimais, épicas, dançantes e ambientais, e é nesta confusão de prioridades que o álbum se perde. James Holden quer (e quer tanto) que nos deitemos nas suas texturas, que nos deixemos levar pelas suas progressões, que nos agitemos ou dancemos ao som das suas tímidas linhas melódicas que se esquece completamente que é difícil fazer tudo isto num curto espaço de tempo. Que para atingir tal feito importa ser um pouco mais imprevisível ou talentoso.&lt;em&gt; The Idiots Are Winning&lt;/em&gt; é tão regrado que faz da monotonia um sentimento realmente aborrecido, sendo incapaz de levar a nossa consciência a um afastamento que nos permita dizer, pelo menos, que a previsibilidade do álbum é uma encantadora ode à monotonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pontos altos não são verdadeiramente altos, não passando de pequenos planaltos de mediana satisfação: “Lump” podia ter sido feita por um Vitalic desinspirado, “10101” soa a resultado de um dia menos bom na vida de Isolée e há um objecto estranho pelo meio (“Intentionally Left Blank”) – uma faixa de dois minutos, uma benção, que nos deixa reflectir sobre o tempo perdido na audição do álbum no mais calmo e absoluto silêncio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Nota: 5/10&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-632252772805829587?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/632252772805829587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=632252772805829587' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/632252772805829587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/632252772805829587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/james-holden-idiots-are-winning.html' title='James Holden - The Idiots Are Winning'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RbRA0-_-ypI/AAAAAAAAABE/EmfNAOqz7EE/s72-c/The+Idiots+Are+Winning.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-6039902046443547291</id><published>2007-01-15T18:43:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:59.593Z</updated><title type='text'>Grey's Anatomy (Volume 2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RavL69_to0I/AAAAAAAAARo/c4uispKkrc8/s1600-h/grey%27s+anatomy+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5020330423569195842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RavL69_to0I/AAAAAAAAARo/c4uispKkrc8/s320/grey%27s+anatomy+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É do conhecimento geral que a série &lt;strong&gt;Grey’s Anatomy &lt;/strong&gt;(A Anatomia de Grey), um original da gigante americana ABC, é um sucesso em termos de audiências, quer nos Estados Unidos, quer em Portugal. Apesar da indecisão da televisão portuguesa relativamente a um horário estável, a série passa a horas certas no canal FoxLife, disponível apenas para quem queira desembolsar uma avultada quantia por meia dúzia de canais. Independentemente de guerras televisivas, de telenovelas e de importações brasileiras, &lt;em&gt;A Anatomia de Grey &lt;/em&gt;obedece à fórmula &lt;em&gt;série&lt;/em&gt;, prendendo o espectador num vício do qual é quase impossível sair. Razão mais do que suficiente para a Hollywood Records lançar no mercado, aquando do final da temporada, o segundo volume da banda sonora da série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem conhece, há que reconhecer a excelente escolha das músicas, mesmo se, ao escutá-las de novo, não venha à memória o momento exacto em que estas tocam na série… É de realçar também que a série prima por vários motivos, embora garanta uma banda sonora que nunca é desadequada, em que a música consegue levar a melhor e fazer o espectador sentir exactamente o que se pretende. E não é fácil brincar com sentimentos. Por todos estes motivos, destaco este disco como uma das grandes colectâneas do universo televisivo, o que não implica que se tenha de ser um fã incondicional da série ou mesmo possuir um exacerbado conhecimento da &lt;em&gt;pop culture&lt;/em&gt;. Um único senão, que não atingiu as terras lusitanas, foi o atraso com que este disco saiu relativamente ao final da temporada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O álbum tem &lt;em&gt;How to Save a Life &lt;/em&gt;dos &lt;strong&gt;The Fray&lt;/strong&gt; como um excelente início. A música foi usada cerca de dez minutos, com especial enfoque no refrão. Apesar de não se escutar quase nada na série, fica a carga emocional da própria música: o piano começa com uma melodia simples, que fica no ouvido, a linha cantada assenta numa voz fantástica, tudo isto sem se ter uma música complexa e demasiado arranjada. Flúi bastante ao escutar, decora-se facilmente e, melhor do que tudo, mexe com qualquer coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Moonbabies&lt;/strong&gt; trazem &lt;em&gt;War on Sound&lt;/em&gt;, a segunda faixa, muito ao estilo dos The Cranberries, sem os floreados célticos. O baixo faz uma segunda linha melódica muito interessante e a voz masculina realça o que se sente. O refrão é um exemplo muito bom para compreender como funciona a lógica desta banda sonora, como a música consegue estar ao serviço da emoção. Do mesmo modo, temos a crescente harmonia no órgão e na guitarra por parte de &lt;strong&gt;Jim Noir &lt;/strong&gt;em &lt;em&gt;I Me You&lt;/em&gt;, numa música onde as segundas vozes trazem uma reminiscência de como se transporta qualquer coisa de muito humano para a partitura, sem se ser aborrecido e sem cansar… afinal, não se pode dar ao luxo de perder o espectador numa cena crucial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Kaboom!&lt;/em&gt; de &lt;strong&gt;Ursula 1000&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Monster Hospital &lt;/em&gt;dos &lt;strong&gt;Metric &lt;/strong&gt;e &lt;em&gt;Sexy Mistake &lt;/em&gt;dos &lt;strong&gt;The Chalets &lt;/strong&gt;trazem o bambolear &lt;em&gt;sexy &lt;/em&gt;das reviravoltas sentimentais da série. Escuta-se em &lt;em&gt;Kaboom!&lt;/em&gt; o beijo de fugida na sala de operações deserta, ouvem-se as correrias dos boatos de quem dormiu com quem por entre as notas de &lt;em&gt;Monster Hospital&lt;/em&gt;, e as trocas de olhares dançam em &lt;em&gt;Sexy Mistake&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anya Marina&lt;/strong&gt; traz a calma em &lt;em&gt;Miss Halfway&lt;/em&gt;, com poucos recursos, mas com uma guitarra alinhada e uma percussão ajustada à sua voz doce e sensual. &lt;em&gt;Universe &amp; U &lt;/em&gt;insurge-se como uma desconhecida versão acústica por parte dos britânicos &lt;strong&gt;KT Tunstall&lt;/strong&gt;, conseguindo arrancar ao dedilhado na guitarra um momento de rara beleza: a modulação da melodia da voz é fantástica quando conjugada com os acordes espalhados na tenuidade das cordas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I Hate Everyone&lt;/em&gt;, da responsabilidade dos &lt;strong&gt;Get Set Go&lt;/strong&gt;, tem a letra mais interessante de todo o álbum, cheia de um sentido de humor próprio da cena que a acompanhou. O ritmo é adequado à vertente curiosa da voz, a oscilação da guitarra é brilhante e o refrão consegue mesmo surpreender. Um pequeno e bonito embrulho cheio de ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jamie Lidell&lt;/strong&gt; arranca com &lt;em&gt;Multiply&lt;/em&gt;, num estilo mais &lt;em&gt;funk &lt;/em&gt;e aconchegável, e &lt;strong&gt;Kate Havnevik &lt;/strong&gt;canta &lt;em&gt;Grace &lt;/em&gt;na sua voz etérea e cheia de significado. Em &lt;em&gt;Multiply&lt;/em&gt; assiste-se a um reboliço que bebe muito da harmonia, ao passo que &lt;em&gt;Grace &lt;/em&gt;assenta sobretudo no violoncelo a realçar a linha melódica orientada pelo serpentear da voz de &lt;strong&gt;Havnevik&lt;/strong&gt;. O contraste bipolar entre a euforia e a melancolia é um dos deliciosos desequilíbrios intencionais oferecidos pelas destacadas interpretações dos actores do Seattle Grace Hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;How We Operate &lt;/em&gt;destaca-se do resto do álbum sobretudo pela ideia, de contornos exóticos, e pelo uso da cítara. O início desta música de &lt;strong&gt;Gomez &lt;/strong&gt;parece um tanto-quanto esotérico, mas à medida que se progride na audição, encontramos vestígios mais ocidentais, como uma guitarra eléctrica bem temperada e uns quantos efeitos electrónicos. Para fechar o disco, os populares &lt;strong&gt;Snow Patrol &lt;/strong&gt;cantam &lt;em&gt;Chasing Cars&lt;/em&gt;, uma faixa poderosa e cheia de sentido: a progressão até ao avassalador refrão é notável. Mais uma vez, não só é possível converter em música o sentimento, mas também as imagens de uma série que, felizmente, parece ecoar em terras de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais notável neste CD é talvez o facto de se esquecer o fenómeno de audiências para haver efectivamente uma concentração no poder da partitura enquanto enquadrada no televisor. Combinando artistas independentes, bandas populares, vozes a descobrir e versões acústicas de músicas já conhecidas, &lt;strong&gt;Grey’s Anatomy Volume 2 &lt;/strong&gt;consegue o que poucos conseguem: trazer ao público o sentimento que não se serve apenas de palavras, de cenários e de alucinantes cenas em salas de operações. Música independente de actores, mas dependente de sentimentos, como se supõe que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Grey's Anatomy Volume 2&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;The Fray &lt;/em&gt;et al.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;2006&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-6039902046443547291?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/6039902046443547291/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=6039902046443547291' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6039902046443547291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/6039902046443547291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/greys-anatomy-volume-2.html' title='Grey&apos;s Anatomy (Volume 2)'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RavL69_to0I/AAAAAAAAARo/c4uispKkrc8/s72-c/grey%27s+anatomy+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1672206365412347362</id><published>2007-01-15T00:04:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:59.781Z</updated><title type='text'>Voz Própria #3 - The Weatherman</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RarFTh1naHI/AAAAAAAAABY/mkzUThSgU9Q/s1600-h/Alexandre+monteiro.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5020041673949276274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RarFTh1naHI/AAAAAAAAABY/mkzUThSgU9Q/s400/Alexandre+monteiro.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Alexandre Monteiro, gaiense, é o nome por trás de The Weatherman, músico que trilha os caminhos da Pop com uma integridade estética e qualidade invejável. É sobre o cd de estreia, &lt;em&gt;Cruisin'Alaska&lt;/em&gt;, de 2006, e a sua participação no projecto &lt;em&gt;Acorda!&lt;/em&gt; que incide a entrevista que se segue.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1.O teu cd de estreia, &lt;em&gt;Cruisin’Alaska&lt;/em&gt;, tem vindo a ser alvo de críticas muito positivas, quer a nível nacional (Y, por exemplo), quer internacionais (PopMatters ou HybridMagazine). Como lês tudo isto e que peso tem a imprensa do género para ti?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acima de tudo, foi importante a imprensa ter falado no disco porque de outra forma teria passado completamente despercebido, embora o trabalho da editora de início tenha sido bastante incisivo. Isso fez com que o disco passasse uma imagem de si mesmo como um objecto de culto, para minorias, o que não deixa de ser interessante, mas impediu que tivesse uma visibilidade exterior ao meio musical. As críticas são sempre bem vindas, sejam positivas ou não, mas tento sempre distanciar-me e nunca as levar demasiado a sério. Não faço música para agradar a críticos, nem para agradar ninguém em particular, faço-o sobretudo para mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;2.A crítica internacional faz-te sonhar com novos públicos? Ou antes, a internacionalização da tua música é um objectivo claro para ti?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Infelizmente a perspectiva de ter novos público não depende só das críticas internacionais. Depende muito mais de trabalho editorial ou de distribuição. Mas sim, gosto de pensar que a minha música tem condições para ser bem acolhida um pouco por toda a parte. O meu objectivo é dar um passo de cada vez e tentar sempre fazer o melhor possível o meu trabalho, que se for realmente bom, vai acabar por dar frutos. E a internacionalização poderá ser um deles. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;3.E a nível do público, quer na venda do cd quer no feedback dos concertos, como tem sido a aceitação ao álbum?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A avaliar pelos concertos recentes, o público fiel acaba sempre por aparecer. Pelo menos, a avaliar pelo último concerto, no Maus Hábitos, a casa estava praticamente cheia e toda a gente saiu de lá com ar satisfeito. Foi uma boa festa. Em relação a vendas, não faço a menor ideia. É um mistério até hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;4.A tua música é uma revisitação clara, mas completamente salutar, do universo dos Beatles e dos Beach Boys. Incomoda-te que as referências ao teu trabalho passem constantemente por aí? Não temes uma rotulação excessiva da tua música?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom, se existe uma rotulação excessiva, talvez o maior responsável por isso seja eu. Acho saudável que as raízes do meu trabalho sejam assumidas, caso contrário cairia no risco de ser comparado a artistas com os quais não sinto afinidade, e isso causa-me desconforto.. Na verdade ser influenciado por essas bandas tão basilares da música popular pode significar um mundo de possibilidades, mas de facto aprendi tanto ao ouvir os seus discos que sinto que lhes devo alguma coisa. Possivelmente com os meus discos futuros isso se irá dissolver um pouco, mas sinceramente não me incomoda nada assumir essas influências. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;5.Numa entrevista à Rua de Baixo, disseste que também chegaste a fazer músicas num universo mais punk, ao mesmo tempo que ias descobrindo os Beatles. O que te levou a escolher um som em detrimento do outro?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hmm, julgo que não foi bem isso que disse ou que queria dizer. De facto foram os Beatles que me fizeram escolher ser músico e compositor porque desde muito novo eu sonhava ardentemente eu ser como eles, no aspecto artístico. Foram eles que me cravaram a noção de que o músico pop perfeito é aquele que consegue ser muito popular mas ao mesmo tempo manter intacta a integridade artística. Penso que isso é o mais difícil de atingir. Nunca senti que alguma vez escolhesse uma orientação musical em detrimento de outra. Nunca fui pessoa de gostar da banda da moda, mas por outro lado nunca fui muito de analisar discos a frio. Cedo cheguei à conclusão que o meu lado punk tinha mais a ver com o lado sociológico da coisa do que propriamente com a música. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;6.Vais, em parte, buscar o nome do teu alter-ego, se lhe posso chamar assim, a uma frase de uma música de Dylan, “you don't need a weatherman to know which way the wind blows”. Apesar disso, surges com uma música direccionada num sentido completamene diferente da Pop usualmente feita em Portugal. Por que caminhos gostavas que a música nacional enveredasse e qual é o teu papel nesse processo?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chateia-me profundamente quando alguém chega com a conversa tão velha e gasta da identidade perdida da música portuguesa. Por essas e por outras é que países como a Suécia vão-se tornando relevantes no panorama internacional e nós andamos afundados neste nosso quintal a dizer mal do nosso próprio umbigo. Eu só distingo a música boa da musica má. Estou-me total e absolutamente a borrifar para uma noção de identidade cultural portuguesa a nível da música popular. Como tal, o caminho que gostava que a música portuguesa seguisse é o de ter a melhor música possível, e que tenha o máximo de visibilidade e o meu papel é dar esse contributo que é o meu trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;7.Entretanto, participaste na excelente iniciativa Acorda! Nova música portuguesa em mp3. Como é que surgiu a tua participação neste projecto?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por convite das pessoas envolvidas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;8.Na mesma entrevista que já citei, li ainda que classificaste a música portuguesa de “aborrecida e sem chama”. Como vês a nova produção musical portuguesa, nomeadamente aquela que participou contigo em Acorda! Nova música portuguesa em mp3?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não me estava a referir à música propriamente dita, estava-me a referir mais a tudo o que gira à sua volta. Falo do desinteresse generalizado pelo público em relação à música nova, às novidades. Falo da falta de canais de divulgação. Ás vezes tenho a sensação de os músicos fazem música para músicos e pouco mais. Para a maior parte dos mortais, a música portuguesa é só fado, Rui Veloso, Xutos, Dulce Pontes e Madredeus. É isso que torna o panorama português aborrecido. O desinteresse e falta de meios para que as coisas realmente excitantes, actuais e relevantes sejam devidamente apreciadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;9.Esse projecto reporta também para a importância cada vez maior de instrumentos de divulgação como o MySpace e até para a questão do download de mp3. Como vês todas essas questões?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejo que a indústria discográfica tal como a conhecíamos está a chegar ao fim. Instrumentos como o myspace são apenas o início de uma revolução que já está a acontecer. Acho que é a própria indústria discográfica que está a dar tiros nos pés, consequentemente. Ter os preços dos discos tão altos, por exemplo, só faz com que a pirataria e o negócio ilegal dos discos ganhe cada vez mais força. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;10.Outro dos meios, felizmente cada vez mais em voga, para a divulgação da nova música portuguesa é a rádio. Julgas existir um apoio suficiente da parte das emissoras nacionais? E como vês a inexistência dos mesmos apoios por parte da televisão, mesmo a estatal?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho totalmente vergonhoso o papel das rádios. Talvez a honrosa excepção seja a antena 3, porque dá a conhecer novos lançamentos, com uma selecção mais ou menos saudável em termos de qualidade. De resto temos um panorama radiofónico que me envergonha profundamente. Qualquer rádio (privada ou estatal) que passe os êxitos de há 20 anos, todos os dias, e se recusa a passar bons discos recentes de música feita em Portugal (como é o caso do último do Sérgio Godinho), não deixa de ser uma rádio profundamente medíocre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;11.Nos últimos tempos surgiu uma polémica sobre a música portuguesa cantada em inglês. Revês-te nessas críticas? Sentes alguma necessidade de te exprimires em português?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, não me revejo. Sempre achei isso uma falsa questão. É um facto que muitas bandas recorrem ao inglês para disfarçarem um vazio de ideias, mas cada caso é um caso, não se pode generalizar. Atente-se ao trabalho de artistas como o Old Jerusalém, por exemplo. É bem visível que aquilo é feito de forma genuína. No meu caso, é a mesma coisa. Tento ser genuíno. Gosto do inglês porque se adequa melhor que outras línguas ao tipo de melodias que eu faço. Mais uma vez, o que me interessa é a música boa, são os bons discos, os bons trabalhos. Dou exactamente o mesmo apreço a quem o faça bem em português, em inglês ou noutra língua qualquer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;12.“If you only have one wish, better make it big.” Por ultimo, qual é o teu desejo para 2007?&lt;/strong&gt; Gostava de tocar em Vilar de Mouros no mesmo dia em que toca esse grande génio da música pop: Brian Wilson &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1672206365412347362?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1672206365412347362/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1672206365412347362' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1672206365412347362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1672206365412347362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/voz-prpria-3-weatherman.html' title='Voz Própria #3 - The Weatherman'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RarFTh1naHI/AAAAAAAAABY/mkzUThSgU9Q/s72-c/Alexandre+monteiro.gif' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-2633665176313020965</id><published>2007-01-13T02:46:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:59.873Z</updated><title type='text'>Acorda!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RahIHx1naGI/AAAAAAAAABM/R83U1etdNe0/s1600-h/acorda3"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5019341083178920034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RahIHx1naGI/AAAAAAAAABM/R83U1etdNe0/s400/acorda3" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dá pelo nome de &lt;em&gt;Acorda! Nova música portuguesa em mp3&lt;/em&gt; a concretização da ideia de Henrique Amaro em colaboração com a Cobra Discos. Pelo sugestivo título se percebe a rica ideia do radialista da Antena3. São 120 músicas de 60 autores portugueses que tem em comum o facto de serem novos nomes das mais variadas cenas musicais portuguesas. Por cerca de oito euros, onde cinco revertem para o serviço de pediatria do I.P.O., adquire-se esta compilação de mp3, forma atraente, económica e qualitativa de estar por dentro da actualidade musical nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Acorda!&lt;/em&gt; é ainda uma espécie de abertura de debate à importância das novas tecnologias na música moderna. Do MySpace como meio de divulgação ao mp3 como formato musical vigente. É ainda a prova da vitalidade e do futuro da produção musical. Mais ainda, &lt;em&gt;Acorda!&lt;/em&gt; mostra que um dos piores flagelos do Portugal citadino (a falta de integração das segundas gerações emigrantes), tem na música um óptimo exemplo de resolução: A lusofonia vive na música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal geral entre as compilações é a falta de coerência entre as faixas. Num projecto com 120 músicas, nem entre por aí. Prepare-se para descobrir, apontar os nomes de que mais gostou e ir à procura. Isto não é um cd. É o princípio de uma discografia. Não é fácil agradar a gregos e troianos. Mas é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre com os Ovo, que trazem Pop cantada em português com apelação ao universo Mesa. The Weatherman, já criticado neste Espaço pelo excelente trabalho de apresentação em &lt;em&gt;Cruisin’Alaska&lt;/em&gt;, mostra o seu universo Beatleano de simplicidades e harmonias sonoras. Electrónica dançável é a sugestão de Spartak!, que têm em “Spartak! One” o seu single mais conhecido. Conhecidos e dançados são também os Buraka Som Sistema, kuduro progressivo onde Luanda e a Electrónica se fundem na perfeição de corpos a dançar numa pista de dança inprovisada. Tempo de sair da pista de dança, com os Nigga Poison, sugestão bastante agradável de salada mista de Hip-Hop e Reggae.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já descansámos e é tempo de voltar à pista. Mudamos de discoteca e quem nos tira o pé do chão agora são os irreverentes The Vicious Five, colectivo de um força imensa onde a guitarra é rainha e senhora do nosso ritmo. Força é também a palavra de ordem de “Amor Combate”, música dos Linda Martini, também já revistos aqui, e que lançam agora o cd &lt;em&gt;Olhos de Mongol&lt;/em&gt;. O espírito pede reflexão depois de tanto movimento e nada melhor que os Dead Combo: Alma e sentimento é a oferta do duo que segue as pisadas sonoras de Rodrigo Leão. Old Jerusalém é o nome que se segue, numa opção que segue a toada mais calma e introspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cacique 97 trazem ambientes mais Jazz, a par de Tora Tora Big Band que lhes junta uma especiaria oriental. Sativa são os representantes da Jamaica neste festival internacional, e antecedem os descendentes de Kusturica, Kompanhia Algazarra. Freddy Locks são membros Reggaes numa praia solarenga e segue-lhes Coca o FSM de elctrónica suave. Pores do sol do oeste americano com Mazgani antecedem outra grande participação, também ela já revista neste Espaço pelo trabalho &lt;em&gt;Todos os dias fossem estes outros&lt;/em&gt;. É Nuno Prata com a sua boémia jazzística de recortes Pop-Rock. Coincidência ou não, segue-se 2008, com influência dos Ornatos Violeta. Rock Group Tiger faz jus ao nome e, na mesma toada mas toada mas com mais sal, juntam-se-lhes os Sizo. No meio da confusão, não perca de vista o nome Fat Freddy. Em frente há o mundo dos cantautores com The Partisan Seed, o mundo falado dos Houdini Blues e a pista de dança de Rocky Marsiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sagas retoma o contexto Hip-Hop, mas Camarão e DK reintroduzem o tema Dança. A Pop cantada em português volta pela mão de O Projecto é grave antes dos beats melódicos de SP/Wilson. O Rap de Sir Scratch e a melodia de Soma abrem alas para a revisitação dos Mler Ife Dada que são os Micro Áudio Waves. A canção francesa de Nicorette, o Chillout de 1 Uik Project, as mensagens de Cartell70, o Reggae de One Sun Tribe, o Hip-Hop de Samp, a House dos Gaia Beat, ou o universo muito próprio dos The Ultimate Architects são o paradigma da diversidade. Ou ainda a canção dos Novembro e dos Frequency, o Rock dos Electric Willow, os Blues dos The Soaked Lamb, o ritmo mágico dos Munchen, a indecifrabilidade dos A Boy with the broken leg ou o som Guano-Apes-like dos Genius Loki.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ainda nos está a acompanhar, saiba que há ainda o universo mais pesado com Hiena, Green Machine e Tatsumaki, bem como os rockeiros Orangotang e os rítmicos Monstro Mau. Interessante alternativa Hip-Hop é L-Hyo, como sucede a Woman in panic nas atmosferas electro, bem apoiados por Alex Fx e Erro!. Sons de Kusturica também em Gnu, tal como os Pearl Jam estão em At Freddy’s House. Mais agressivos são os Veados com Fome, seguidos das guitarras de Intermission e dos melancólicos Oddawn. Para terminar, a electrónica com referências de videojogo nipónico de StereoBoy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São cerca de sete horas, sim leu bem, sete horas de música que aqui sucintamente, sim também leu bem, sucintamente se reviu. Não deixa que lhe digam o que ouvir. Siga o que lhe diz o seu ouvido, como diria Susanna Tamaro. A música portuguesa agradece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; Acorda! Nova música portuguesa em mp3&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Vários&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;Nota: 6/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-2633665176313020965?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/2633665176313020965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=2633665176313020965' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/2633665176313020965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/2633665176313020965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/acorda.html' title='Acorda!'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RahIHx1naGI/AAAAAAAAABM/R83U1etdNe0/s72-c/acorda3' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-4471079106491375809</id><published>2007-01-11T18:51:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:06:59.988Z</updated><title type='text'>Fedra</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RaaI3c4DhaI/AAAAAAAAAAM/jhfbJbTOvko/s1600-h/fedra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5018849320976483746" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RaaI3c4DhaI/AAAAAAAAAAM/jhfbJbTOvko/s320/fedra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Teatro Municipal Maria Matos abre o ano de 2007 com a representação teatral do clássico Fedra, traduzido do francês por Vasco Graça Moura. A peça de Jean Racine, um marco do neoclassicismo francês, assinala um novo rumo na programação no renovado teatro. Depois de peças como Laramie, The Pillow Man e Alter-Ego, cujos temas e encenações se inserem nos parâmetros comuns do teatro contemporâneo, Fedra reintroduz o vasto campo dos textos clássicos num ano que se prevê rico na revisitação do género mais específico que é a tragédia. Escrita no século XVII, numa época proveitosa no que toca à recuperação dos modelos e estruturas formais do período helénico, Fedra é um monumento literário consagrado ao desespero amoroso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora o amor desvairado de Fedra (Beatriz Batarda) por Hipólito (Pedro Carmo) seja em parte provocado pela distância que a relação familiar impõe, Racine, recorrendo à vergonha do incesto, pretende na verdade construir um relato do declínio que o amor não correspondido pode provocar. Teseu (Alexandre de Sousa), um dos maiores heróis da Grécia, pai de Hipólito e marido de Fedra, encontra-se ausente enquanto o amor de Fedra se torna insuportável. Hipólito, por sua vez, nutre uma paixão também irrealizável por Arícia (Sara Carinhas), irmã dos Palântidas que Teseu mandara matar. À medida que estes amores se vão desenhando, o desconhecimento do paradeiro de Teseu é o factor de bloqueio à consumação das acções. O sentimento que se apodera das figuras principais (e, por dever, das figuras menores) desta tragédia é de tal maneira tremendo que culminará numa série de eventos trágicos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para reforçar o carácter cósmico e mitológico da história, Ana Tamen criou uma encenação onde todos os elementos acentuam de alguma forma esse contraste para com o mundo actual. O cenário consiste em três planos em confluência para uma porta corrida: a lateral esquerda é uma parede em vermelho rubro (invocando as chamas associadas ao inferno), cortada por uma entrada e uma janela donde emana a luz que encadeia Fedra, quando da entrada desta, sugerindo o seu fatídico destino; ao invés, a lateral direita, em tons de azul, apela ao bem e aos princípios morais que as personagens tentam seguir, pelo que o contraste entre as duas paredes vinca o dilema moral que se abate sobre as personagens; o chão preto toma a forma invulgar de uma rampa que, nas palavras de Ana Tamen, é um obstáculo a superar pelos actores de forma a elevá-los a figuras mitológicas, forçando-os a uma gestualidade pouco natural e exagerada mas coerente. Também a música, proporcionada por uma série de instrumentos de percussão tocados ao vivo, serve o intuito da encenadora ao acentuar o lado primitivo do amor, expresso de um modo incomparavelmente mais intenso do que o sentido nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para os actores, a exigência do desempenho prende-se não só com as particularidades já descritas mas igualmente com a dificuldade em dominar completamente o verso alexandrino, a unidade básica da estrutura formal de Fedra. No campo das interpretações, destaque para as de Beatriz Batarda (notável na expressão do desespero e angústia) e Pedro Carmo (apropriando-se de Hipólito e dando-lhe vida própria), bem secundados por Sara Carinhas e Cristina Bizarro, esta no papel de Enone.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A rigidez do texto original e a distância que a encenação guarda para com os costumes modernos são os riscos que a equipa que montou Fedra corre, mas é com peças deste calibre que o espectador comum tem oportunidade de espremer o que há de melhor nos autores clássicos: a profundidade e textura dada aos temas essenciais que compõem a experiência humana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; Fedra&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Jean Racine&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tradução:&lt;/strong&gt; Vasco Graça Moura&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Encenação:&lt;/strong&gt; Ana Tamen&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Elenco:&lt;/strong&gt; Adelina Oliveira, Alexandre de Sousa, Beatriz Betarda, Cândido Ferreira, Cristina Bizarro, Kjersti Kaasa, Pedro Carmo e Sara Carinhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Em cena na Sala Principal do Teatro Maria Matos de 11-01-2007 a 18-02-2007&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Post da autoria de Exit1 e Ensaio&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-4471079106491375809?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/4471079106491375809/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=4471079106491375809' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4471079106491375809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4471079106491375809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/fedra.html' title='Fedra'/><author><name>Ensaio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17968431232829196146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D4KcMa5FDxs/RaaI3c4DhaI/AAAAAAAAAAM/jhfbJbTOvko/s72-c/fedra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-4149983829050436525</id><published>2007-01-08T18:04:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:07:00.090Z</updated><title type='text'>LCD Soundsystem - 45:33</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RaQWwgpGUmI/AAAAAAAAAAw/gTwUqkzdD3o/s1600-h/45m33s.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5018160907449422434" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RaQWwgpGUmI/AAAAAAAAAAw/gTwUqkzdD3o/s400/45m33s.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O gigante da indumentária desportiva Nike associou-se ao líder ocidental da eletrónica de consumo estilizada, a Apple. Juntos desenvolveram um sistema que permite ao utilizador comum do iPod Nano monitorizar o seu desempenho nas suas corridas de manutenção e, portanto, a sua performance física. Um sensor/emissor colocado em compartimento próprio nas sapatilhas da Nike e um receptor acoplado ao iPod Nano calculam o número de passos, a distância percorrida, o ritmo e as calorias queimadas, informando o utilizador enquanto ele ouve música. Há depois que efectuar o registo no sítio da &lt;em&gt;Nikeplus&lt;/em&gt; para que o utilizador possa acumular os dados estatísticos e compreender melhor o seu progresso, ao mesmo tempo que é estimulado pela integração numa comunidade mundial de atletas amadores amantes do &lt;em&gt;jogging &lt;/em&gt;e, quem sabe, de música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para compôr o ramalhete, precisava-se de um segundo capítulo para as (agora) séries &lt;em&gt;Nike+ Original Run&lt;/em&gt;, de um &lt;em&gt;set&lt;/em&gt; de 45 minutos que propulsionasse o corredor durante as fatigantes corridas, após a contribuição menos notada dos The Crystal Method, também em 2006. Viraram-se para os LCD Soundsystem, numa escolha que tem tanto que ver com os méritos e tendências musicais da banda (algumas das remisturas de James Murphy tinham, talvez inadvertidamente, uma cadência que se ajusta à passada) como com a notoriedade da mesma junto de um certo público, cada vez mais indefinido, habitualmente fiel aos leitores da Apple.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que o grupo, perdão, James Murphy tenha dado uma resposta rápida. O melhor dos nova-iorquinos vem ao de cima nas suas faixas com mais de seis minutos, como a obrigatória "Losing My Edge" e as essenciais versões de "Yeah", onde podem espraiar confortavelmente os elementos &lt;em&gt;disco&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;funk&lt;/em&gt; ao longo de camadas sucessivas e sincronizadas, brincando com as pistas e gerindo sabiamente a escalada até ao clímax, e a posterior descida. Nas faixas curtas, apesar de boas, não há tempo para tudo isto. Nos quase 46 minutos minutos de &lt;strong&gt;45:33&lt;/strong&gt; há tempo para quase tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escalpelizando rapidamente &lt;strong&gt;45:33&lt;/strong&gt;: Tudo começa com uma linha melódica sintetizada em aceleração, surgindo de seguida a melodia do piano, simplicíssima, mas que marcará o ritmo para a entrada da bateria e da voz, que nos diz: &lt;em&gt;“Hey! Your love away from me… You can’t hide… But shame on you!”&lt;/em&gt; – é mesmo Murphy a falar com o corredor, embora &lt;em&gt;shame on you&lt;/em&gt; talvez não seja o que se pretende ouvir quando se começa um esforço. A partir daqui o &lt;em&gt;set&lt;/em&gt; flui naturalmente, na linguagem que já está indelevelmente associada aos LCD Soundsystem. O 9º minuto assinala a primeira passagem séria do &lt;em&gt;set&lt;/em&gt;, do piano comum no estilo &lt;em&gt;house&lt;/em&gt; para o crescendo &lt;em&gt;disco-electro&lt;/em&gt; decorado com uma suave melodia de sinos digna dos Hot Chip. São 8 minutos fortíssimos que exigiam edição em 12’’, e isto era tão óbvio que no próximo álbum de originais da banda (&lt;strong&gt;Sound Of Silver&lt;/strong&gt;), prestes a sair, a este segmento de &lt;strong&gt;45:33&lt;/strong&gt; é acrescentada uma letra e é dado um nome e uma posição – "Someone Great", a 4ª pista do disco. Do 18º minuto ao 27º, sensivelmente, há espaço para uma deriva &lt;em&gt;funk&lt;/em&gt; com tiques de odisseia espacial em busca do prazer. Do 28º ao 38º há vozes robóticas e um &lt;em&gt;electro-funk&lt;/em&gt; frenético e futurista, sendo que a partir do 34º minuto o ritmo começa a baixar, no que deverá marcar o começo do declínio físico do corredor. Eles estimaram a resistência de corrida do indivíduo médio em 38 minutos, e o que resta serve para alongar ou descomprimir do esforço realizado, em 7 minutos que Brian Eno não desdenharia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;45:33&lt;/strong&gt; é, enfim: Peça fundamental para a compreensão desse fenómeno recente que são os LCD Soundsystem; um exercício essencial na música electrónica moderna, apesar de aquém do já lendário &lt;strong&gt;E2-E4&lt;/strong&gt; de Manuel Göttsching; e uma motivação para os preguiçosos começarem a cuidar do seu físico. Com este &lt;em&gt;set&lt;/em&gt;, não há desculpas para não suar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#990000;"&gt;Nota: 8/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-4149983829050436525?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/4149983829050436525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=4149983829050436525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4149983829050436525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/4149983829050436525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/o-gigante-da-indumentria-desportiva.html' title='LCD Soundsystem - 45:33'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_cxL7jArnzw4/RaQWwgpGUmI/AAAAAAAAAAw/gTwUqkzdD3o/s72-c/45m33s.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-5035045352230313032</id><published>2007-01-04T14:31:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:07:00.199Z</updated><title type='text'>Prateleira #9 - Little Earthquakes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RZ0Ib88htQI/AAAAAAAAAAM/2NHjKyTts-U/s1600-h/tori%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5016174836270085378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RZ0Ib88htQI/AAAAAAAAAAM/2NHjKyTts-U/s320/tori%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Little Earthquakes&lt;/strong&gt; foi o álbum de estreia de T&lt;em&gt;ori Amos &lt;/em&gt;enquanto cantora a solo. Antes do lançamento deste disco, já ela tinha tentado lançar-se no mundo da música, em conjunto com a sua banda, num álbum que a &lt;em&gt;Rolling Stone &lt;/em&gt;classificou de "piroso". Por isso, pode dizer-se que &lt;strong&gt;Little Earthquakes&lt;/strong&gt; foi o seu primeiro grande trabalho, fazendo com que o mundo lançasse os olhos para o seu talento. Antes disto, &lt;em&gt;Tori &lt;/em&gt;fazia pequenas actuações ao piano, alguns &lt;em&gt;covers&lt;/em&gt; e alguns originais, num bar em Los Angeles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, e apesar do aspecto promissor da cantora e compositora, a editora Atlantic rejeitou o seu projecto para este CD, temendo que ninguém estivesse minimamente interessado numa pobre rapariga ao piano, ainda por cima já chamada de pirosa por uma autoridade músico-social. Talvez isto tenha impulsionado mais a dedicação de &lt;em&gt;Amos&lt;/em&gt;, uma vez que acabou por conseguir lançar no mercado o seu disco, em 1992. O público escolhido foi o britânico, que, segundo se dizia na década, estava enjoado da norma vigente e ansiava por excentricidade. &lt;em&gt;Tori Amos&lt;/em&gt; provou ao Reino Unido que conseguia fazer muito mais do que escrever meia dúzia de canções fáceis de ouvir, com um arranjo de piano pegajoso. Em poucas palavras, criou um álbum que apaixonou fãs, que criou um estilo, que marcou a década pela sua qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira faixa deste disco apresenta logo a sua bonita voz, bastante maleável, num tema chamado &lt;em&gt;Crucify&lt;/em&gt;. Esta não é, de longe, a melhor faixa do disco, ainda que ilustre um pouco do que se há-de seguir no resto do CD. E não falo só das letras poderosas e intensas, cheias de intenções e de refúgios, mas da música plena de sofrimento e intensidade. "&lt;em&gt;Looking for a savior in these dirty streets Looking for a savior beneath these dirty sheets I’ve been raising up my hands drive another nail in Where are those angels when you need them.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Girl&lt;/em&gt; insurge-se como um poderoso exercício musical. O piano não é melodicamente disciplinado, e &lt;em&gt;Tori &lt;/em&gt;mostra-se perfeitamente à vontade quer no delinear da melodia cantada, quer na execução do instrumento. As cordas acompanham essa execução em que &lt;em&gt;Amos &lt;/em&gt;consegue mostrar o mais íntimo de si, o mais doloroso, arrancando ao piano trilhos muito fora do normal. A faixa corre muito bem, o refrão conta com uma delirante sobreposição de vozes, a percussão acompanha sem aborrecer, e tudo acaba com um final imponente por parte das cordas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Silent All These Years &lt;/em&gt;temos mais um exemplo da paleta de &lt;em&gt;Tori Amos &lt;/em&gt;ao piano, enquanto canta palavras aguçadas. As cordas vão embalando a melodia num crescendo até que o refrão se assume como um momento desarmante, para de novo cair nas notas alternadas sobre as teclas. Desta vez, as cordas tornam a sombrear a voz e o piano, mas o refrão repete-se ainda com mais força: &lt;em&gt;Tori &lt;/em&gt;canta idilicamente bem e as vozes de fundo misturam-se maravilhosamente sobre o piano. É o momento mais perfeito de uma faixa perfeita, pelo que, apesar de não ter sido o &lt;em&gt;single&lt;/em&gt;, foi a canção deste álbum mais passada na rádio britânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Precious Things&lt;/em&gt; começa com um fundo grave e intenso até o piano começar com um ritmo perturbador. A sucessão harmónica é assustadora! Uma nota grave no piano suscita o início e &lt;em&gt;Tori&lt;/em&gt; canta pouco depois. No refrão juntam-se vozes e a bateria, tornando a música uma corrente muito fluida e também muito gelada, até que uma nota se esboça num grito adolescente e dissonante sobre os instrumentos. Mais tarde, surgem outros instrumentos numa sucessão bem desenvolvida e igualmente emocional. No fundo, esta é a música menos normal deste CD, o que, aliado a uma letra cheia de dor, a torna na melhor faixa. “&lt;em&gt;Holding on to his picture Dressing up every day I wanna smash the faces Of those beautiful boys Those christian boys So you can make me cum That doesn't make you jesus.&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucede-se &lt;em&gt;Winter&lt;/em&gt;, a faixa mais bem disciplinada do disco, mas que não peca por isso,  uma vez que atinge um nível de melancolia tal que se torna quase surreal ouvi-la. É também uma das mais conhecidas músicas de &lt;em&gt;Tori Amos&lt;/em&gt;, talvez pelo facto de conseguir mostrar ao público uma letra diferente, uma variedade mais normativa sobre o piano, um excelente e intenso refrão. O tema melódico é simples e bonito, pelo que fica a tocar algum tempo na nossa imaginação. O mesmo acontece com o sentimento de profunda tristeza que se apodera no ouvinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Happy Phantom&lt;/em&gt; é um excelente contraste para acordar quem pensava que &lt;em&gt;Amos &lt;/em&gt;só desenhava músicas deprimentes. Com uma excelente arquitectura dos acompanhamentos instrumentais, &lt;em&gt;Happy Phantom&lt;/em&gt; exprime-se sobretudo numa sucessão rítmica ao piano. É humorística, destaca-se particularmente pela luminosidade, pela variação harmónica, pela modulação da voz de &lt;em&gt;Amos&lt;/em&gt;. Um fantástico exemplo de como tentar algo de novo e consegui-lo na perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;China&lt;/em&gt; tem um jeito mais comercial (sem nunca chegar a sê-lo!), mas ainda assim consegue surpreender nalguns momentos. Apesar de não ser um momento de composição particularmente brilhante, põe à prova as mãos e a voz de &lt;em&gt;Tori Amos&lt;/em&gt;. Em contrapartida, &lt;em&gt;Leather&lt;/em&gt; é absolutamente fascinante: a letra grita sem ser necessário recorrer à música, se bem que o piano ilustre muitíssimo bem o génio de &lt;em&gt;Tori&lt;/em&gt;. As guitarras eléctricas emolduram uma evolução fantástica das notas em &lt;em&gt;staccato &lt;/em&gt;até ao desenvolver do tema numa sucessão de notas sem qualquer voz. "&lt;em&gt;Look Im standing naked before you Don't you want more than my sex I can scream as loud as your last one But I can't claim innocence.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mother&lt;/em&gt; evoca um sentimento edipiano de busca pelo conforto no calor materno, alienando momentos com um excelente acompanhamento ao piano. Do mesmo modo que a letra preenche, as notas secas nas teclas englobam a ânsia ao cantar, ao tornear um tema bonito em algo de ainda mais superior. Os últimos dois minutos são de uma qualidade suprema na interpretação e na composição… e são um conter de respiração ao fim de quase sete minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tear in Your Hand&lt;/em&gt; consegue estragar um pouco o clima geral do álbum. Tem muito de vulgar, mesmo para quem ouve &lt;em&gt;Tori Amos &lt;/em&gt;pela primeira vez. Isto é bastante perceptível a partir do momento em que algumas partes da faixa se estranham pela diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me and a Gun &lt;/em&gt;foi o single no Reino Unido, mas não pegou. Parece evidente, uma vez que esta música tem uma carga emocional absolutamente petrificante, mesmo cantada &lt;em&gt;a capella&lt;/em&gt;. Aqui, &lt;em&gt;Tori Amos&lt;/em&gt; fala de uma violação, remetendo para a sua história pessoal que inspirou muitos dos sentimentos vividos neste disco. Destaque para a fabulosa intensidade da melodia, perfeitamente independente da letra (que também está muito bem conseguida). Esta faixa perturbará quem ainda não está perturbado com a melancolia que se transpira ao longo do CD. "&lt;em&gt;Me and a gun and a man On my back But I haven't seen Barbados So I must get out of this &lt;/em&gt;(…)&lt;em&gt; And do you know Carolina Where the biscuits are soft and sweet  These things go through you head When there's a man on your back And you're pushed flat on your stomach It's not a classic Cadillac.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, &lt;em&gt;Little Earthquakes &lt;/em&gt;traz algumas novidades a nível de harmonia de vozes e da sua conjugação com o piano e com alguma percussão. Funciona muito bem como resumo musical do que ficou para trás e mexe com uma letra que sintetiza um sentimento geral dissecado em todas as suas formas. Para os mais cépticos, os últimos minutos da música provam como aconteceu algo de tão bom na forma de fazer música. Tudo isto faz de &lt;em&gt;Tori Amos &lt;/em&gt;uma voz, um reinventar de poesia, uma expressão na composição, um marco na interpretação, um exercício de renovação. Este álbum consegue condensar faixas memoráveis, momentos musicais intensos e sentimentos profundos. Nas palavras de Amos, “&lt;em&gt;doesn’t take much to rip us into pieces.&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Little Earthquakes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Tori Amos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;1992&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-5035045352230313032?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/5035045352230313032/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=5035045352230313032' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5035045352230313032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5035045352230313032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/prateleira-9-little-earthquakes.html' title='Prateleira #9 - Little Earthquakes'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Ji6C7PjS_3M/RZ0Ib88htQI/AAAAAAAAAAM/2NHjKyTts-U/s72-c/tori%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-1725399507613206998</id><published>2007-01-04T01:34:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:07:00.375Z</updated><title type='text'>Journals</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RZxZrmEpfqI/AAAAAAAAABA/djrLIfFRK2U/s1600-h/Journals.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5015982690473180834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RZxZrmEpfqI/AAAAAAAAABA/djrLIfFRK2U/s400/Journals.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; “I like to calmly and rationally discuss my views in a conformist manor even though I consider myself to the extreme left.&lt;br /&gt;I like to infiltrate the mechanisms of a system by posing as one of them, then slowly start the rot from the inside of the empire.&lt;br /&gt;I like to impeach God.&lt;br /&gt;I like to abort Christ.&lt;br /&gt;I like to fuck sheep.&lt;br /&gt;I like the comfort in knowing that women are generally superior and naturally less violent than men.&lt;br /&gt;I like the comfort in knowing that women are the only future in Rock and Roll&lt;br /&gt;I like the comfort in knowing that the Afro American invented Rock and Roll yet has only been rewarded or awarded for their accomplishments when conforming to the white mans standards.&lt;br /&gt;I like the comfort in knowing that the Afro American has once again been the only race that has brought a new form of original music to this decade. (Hip Hop / Rap)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Censorship is VERY American. “&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; Nascido a 20 de Fevereiro de 1967 e, oficialmente, dado como morto por suicídio a 5 de Abril de 1994, poucos músicos terão sido tão marcantes e influentes como Kurt Cobain nos últimos 20 anos. Mais que vocalista, líder dos Nirvana, está para além da marca do Grunge em termos musicais o cunho pesado que a sua pessoa fez sentir na geração que acompanhou o seu aparecimento e queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, obviamente, que ler estes diários de Kurt Cobain à luz da sua música e do percurso dos Nirvana. Para começar, porque é impossível fugir-lhe. As letras de músicas que povoam os diários, as indicações sobre editoras, os apontamentos sobre concertos ou a ruptura com membros da banda, são temas que atravessam constantemente estas páginas pessoais. É o caminho de uma banda que se acompanha pelo olhar do seu sofredor líder. Da época do liceu em que enviavam cassetes até à opressão megalómana da imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, ainda, que ler estes recortes de intimidade, plenos de desabafos, desenhos, rabiscos, opiniões soltas, rascunhos de documentos e outros, como as páginas do mito em se tornou Kobain. A relação com as drogas, a relação com a música, a relação com Courtney Love e a relação com a imprensa. Uma cabeça psicótica e com traços de incompreensão para com todos, notoriamente desligado de quase tudo. Ao mesmo tempo, uma consciência artística atroz, uma noção estética altamente empreendedora e perturbada, como se deseja em qualquer génio fugaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, finalmente, que ler tudo isto apenas como a parte mais pessoal e inacessível de um homem. Cobain escreve mesmo: “This is not to be taken seriously. This is to be read as poetry”. Tão somente isso, a sua vida pessoal. A explicação do seu consumo de drogas (um problema gástrico que o atormentava), os seus problemas de infância, os seus gostos musicais (parte extremamente interessante e merecedora de análise face à sua produção musical) ou os seus pensamentos políticos e sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se apresenta é um escritor constantemente revoltado e crítico, dono de um sentido irónico aguçado e sem preocupações e com uma cultura musical impressionante. Se para mais nada servir, estes diários são ao menos lenha para a fogueira que alimenta o mito e as eternas suposições à sua volta. O génio de Cobain está vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“If you read, you’ll judge.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Journals&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Kurt Cobain&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-1725399507613206998?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/1725399507613206998/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=1725399507613206998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1725399507613206998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/1725399507613206998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2007/01/journals.html' title='Journals'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RZxZrmEpfqI/AAAAAAAAABA/djrLIfFRK2U/s72-c/Journals.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-7912217469593956425</id><published>2006-12-29T22:55:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:07:00.603Z</updated><title type='text'>Simples(mente) o melhor</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RZWdCs62juI/AAAAAAAAAAY/S_KW_93tLfU/s1600-h/Praticamente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5014086429890219746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RZWdCs62juI/AAAAAAAAAAY/S_KW_93tLfU/s400/Praticamente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; “Não ter já mais nada para dizer e continuar a escrever é um crime. Porque não tem o direito de continuar a escrever se não tem nada a dizer”.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;José Saramago&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da cena suburbana para o mainstream, o salto do Hip-Hop em Portugal foi tremendo. Valete, Boss AC, Da Weasel, Mind Da Gap, Chullage ou Dealema, muitos sãos os nomes que vão povoando este território ainda em crescimento no panorama musical nacional. Dos mais agressivos, aos mais comerciais; dos mais melódicos aos mais conscientemente crus. Há, cada vez mais, variedade e qualidade, neste género a ganhar definição própria. O que há também é Sam The Kid, até ver o maior talento de toda esta fornada e razão maior de o Hip-Hop em Portugal ser o que é hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despachemos a parte informativa e burocrática da coisa. &lt;em&gt;Pratica(mente)&lt;/em&gt; é o último trabalho do rapper que surgiu com &lt;em&gt;Entre(tanto),&lt;/em&gt; em 1999. Em 2002 lançava um dos melhores álbuns de Hip-Hop até à data, &lt;em&gt;Sobre(tudo).&lt;/em&gt; No final do mesmo ano sai ainda o criticamente aclamado &lt;em&gt;Beats Vol.1 – Amor&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Pratica(mente)&lt;/em&gt; traz participações de Melo D, Valete, Pacman, NBC, Lil’John e Carlos Bica. Os Scratches são responsabilidade de DJ Cruzfader e os temas são todos produzidos por Samuel Mira, vulgo Sam The Kid.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despachemos ainda a parte mais óbvia deste álbum. &lt;em&gt;Pratica(mente)&lt;/em&gt; é, perdoe-se-me o trocadilho, segura(mente) o melhor álbum Hip-Hop da história do género em Portugal. Sam The Kid segurava já com “Não percebes”, o troféu de melhor single do género, numa música repleta de força autobiográfica e revoltada, uma lufada de ar fresco bem ao seu género. “Poetas de Karaoke” segue as mesmas pegadas. Este álbum, ao contrário de muitos, não se resume, de todo, a este espantoso single. Ainda assim, este é um marco do Hip-Hop que não pode passar despercebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Não há credibilidade na performance.&lt;br /&gt;O microfone não está ligado. Isso para mim é non-sense.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Abre com José Saramago a quarta faixa, a tal dos poetas, ataque directo e bem direccionado contra a produção musical portuguesa que parece ter vergonha desse rótulo. Aqui esventra-se a criatividade dos músicos que insistem em fazê-lo em inglês. Sam fá-lo com um beat extremamente rico em subtilezas e as suas rimas intensas (esqueçam tudo o que aprenderam, aqui as rimas não se limitam a ABAB ou ABBA). Intensas no conteúdo e na própria frequência com que nos apercebemos da poesia premente e constante do rapper de Chelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor de Sam The Kid, que é subsequentemente o melhor do Hip-Hop, é isto mesmo, ter algo a dizer. Não é difícil criar um bom ritmo, mandar alguma areia para os olhos de ouvintes famintos com uma falsa agressividade ou manter uma atitude. Isso é o menos. Difícil é saber fugir ao óbvio, ao mundo quotidiano dos amores e desamores e perceber o que tem de ser dito, saber ser inconveniente, não por gritar, mas por obrigar a pensar. Em relação aos tais poetas de que fala a música, como diz o povo (personagem maior no ambiente de Sam), cada um enfiará a carapuça, sendo que, a alguns, a carapuça já foi enfiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Porque é que eles têm mais estudos do que eu?&lt;br /&gt;Ai não sabes?&lt;br /&gt;Porque já os pais deles eram mais ladrões que o meu!”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já o ouvimos samplar Amália, Carlos Paredes ou Mário Viegas. De referência em referência destilando qualidade. Em &lt;em&gt;Entre(tanto),&lt;/em&gt; vimo-lo mostrar-se. Em &lt;em&gt;Sobre(tudo),&lt;/em&gt; provar que é um escritor, referenciado pela originalidade. &lt;em&gt;Beats Vol.1&lt;/em&gt; traz o melhor do seu ouvido, a batida como linguagem. 2006 parece ser o ano da condensação de tudo isto. O Cântico Negro de José Régio, ouvido em “A partir de agora”, parece explicação sucinta da carreira musical de Sam The Kid, espécie de Kanye West português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Ide! Tendes estradas,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tendes jardins, tendes canteiros,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tendes pátria, tendes tetos,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eu tenho a minha Loucura!”&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;José Régio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autobiográfico, irreverente, dono de uma saudável verborreia, não em forma de verso, mas em forma de poesia. Agressivo mas consciente, socialmente alerta e alertante, musicalmente culto, instruído e instrutor. Da crítica aos que o procuram para ganhar algo com a sua música, aos falsos poetas da cena musical, passando pelo aborto, abstenção ou quotidiano. Há praticamente de tudo no universo deste senhor. Com poemas do pai, Napoelão, ou de José Régio, a intenção serve sempre o mesmo propósito. Escrever, enquanto se tiver algo a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Não sei por onde vou,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Não sei para onde vou&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Sei que não vou por aí!”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simples(mente) Samuel Mira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Pratica(mente)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Sam The Kid&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 8/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-7912217469593956425?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/7912217469593956425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=7912217469593956425' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7912217469593956425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/7912217469593956425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/simplesmente-o-melhor.html' title='Simples(mente) o melhor'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RZWdCs62juI/AAAAAAAAAAY/S_KW_93tLfU/s72-c/Praticamente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-5859547363564738509</id><published>2006-12-24T16:56:00.000Z</published><updated>2008-11-13T03:07:00.899Z</updated><title type='text'>Six Demon Bag</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RY6xhc62jtI/AAAAAAAAAAM/YMBOE8J6YT8/s1600-h/Six_Demon_Bag-Man_Man.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5012138623566778066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RY6xhc62jtI/AAAAAAAAAAM/YMBOE8J6YT8/s400/Six_Demon_Bag-Man_Man.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Numa altura em que a uniformização parece ser a palavra de ordem para o mercado musical, &lt;em&gt;Six Demon Bag&lt;/em&gt; é uma lufada de ar fresco, um oásis musical, não tanto pela qualidade, se bem que também a tem, mas pela excentricidade. Man Man é o nome do quinteto de Honus Honus, e &lt;em&gt;Six Demon Bag&lt;/em&gt; o segundo álbum da banda que ficou conhecida após &lt;em&gt;Man in a Blue Turban with a Face&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar de &lt;em&gt;Six Demon Bag&lt;/em&gt; é uma tarefa tão simples quanto o cd é linear. Nada, portanto. Amalgama de sons e instrumentos, tão variados e divergentes, a sua confluência num único álbum torna-se, como seria inevitável, paradoxal. Por um lado, são um exercício prazenteiro de melodias e, por outro, um conjunto controverso de sons incoerentes. A questão é que neste caso concreto tudo isso soa bem. Soa a diferente, a original. Como se, finalmente, fossemos a um alfaiate e não a um pronto-a-vestir. Ainda que o fato venha em cores berrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se fala de Man Man, vem à partida a trilogia Zappa / Waits / Beefheart para ajudar a classificar. Sem desprimor para os senhores, e aparte as semelhanças, a verdade é que se trata de um trabalho tão ímpar que semelhanças com qualquer outro são pontuais. Ainda assim, a presença de Tom Waits é muito sentida, a par de um universo que remete bastante para Emir Kusturica, nas secções mais circenses e até nalguns pormenores jazz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este saco de demónios de que fala Honus Honus é uma actividade catártica saudável, para ele, e benéfica, para nós. Vagueando esquizofrenicamente entre o Punk, o Circo, a Pop, o Rock e sons tribais e de influência cigana, &lt;em&gt;Six Demon Bag&lt;/em&gt; é um caso típico de algo de que se gosta ou não. Sem paninhos quentes. Ou se reconhece a qualidade do parafuso a menos de Honus Honus e se regozija com uma sonoridade eminentemente diferente; ou se ouve um bocado e se afirma categoricamente a incoerência do mesmo. Para qualquer um, não há indiferença, não se houve como música de fundo de supermercado, nem se confunde com dezenas ou centenas de bandas. Isso, ninguém lhes tira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Six Demon Bag&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Man Man&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-5859547363564738509?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/5859547363564738509/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=5859547363564738509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5859547363564738509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/5859547363564738509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/six-demon-bag.html' title='Six Demon Bag'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qvb2aY3RXa4/RY6xhc62jtI/AAAAAAAAAAM/YMBOE8J6YT8/s72-c/Six_Demon_Bag-Man_Man.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116689484921924569</id><published>2006-12-23T17:03:00.000Z</published><updated>2006-12-23T17:27:29.333Z</updated><title type='text'>Casino Royale</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.free-codecs.com/posters/casino_royale.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.free-codecs.com/posters/casino_royale.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há quem veja James Bond como um &lt;em&gt;franchising &lt;/em&gt;de sucesso. Outros vêem-no como uma inevitável gripe sazonal. Outros ainda vêem-no como um insopurtável fenómeno pendular. Por incrível que pareça, esta interminável saga continua viva após o &lt;em&gt;flop &lt;/em&gt;colossal de &lt;strong&gt;Die Another Day&lt;/strong&gt;. Muitos rumores se espalharam pelo meio, muitas informações foram lançadas pela imprensa, muita tinta correu. Quem seria o escolhido após a exoneração de &lt;em&gt;Pierce Brosnan &lt;/em&gt;enquanto agente secreto 007? A resposta soou com alarme: &lt;em&gt;Daniel Craig&lt;/em&gt;. Este actor inglês tinha sido visto em filmes sem peculiar distinção, mas a sua última aparição fora no polémico &lt;strong&gt;Munique &lt;/strong&gt;de &lt;em&gt;Steven Spielberg&lt;/em&gt;, pelo que a crítica queria saber se &lt;em&gt;Craig &lt;/em&gt;estaria ao nível de actores como &lt;strong&gt;Sean Connery &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;Roger Moore&lt;/strong&gt;. Quem já tinha visto, como eu, &lt;em&gt;Craig &lt;/em&gt;em séries britânicas, sabia que podia elevar as expectativas. E assim se fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do desafio que foi escolher o protagonista, o realizador &lt;em&gt;Martin Campbell &lt;/em&gt;(responsável por desastres cinematográficos como &lt;strong&gt;A Máscara de Zorro&lt;/strong&gt; e respectiva sequela, e &lt;strong&gt;Limite Vertical&lt;/strong&gt;) tinha nas mãos a tarefa de adaptar o primeiro livro de &lt;em&gt;Ian Fleming&lt;/em&gt;. Este livro, anterior à famosa licença para matar, lançava algumas luzes sobre o início de carreira de Bond ao serviço de Sua Majestade. Como tal, os argumentistas conseguiram adaptar o cenário da Guerra Fria para um clima de tensão pós 11 de Setembro, sempre com a ameaça terrorista a pairar nas paisagens exóticas que desde cedo encantaram os fãs dos filmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, este filme em particular é verdadeiramente surpreendente logo no início. Vemos sequências a preto e branco, e imagens em &lt;em&gt;flashback &lt;/em&gt;com uma fotografia alternativa, com imenso grão, mas muito bem conseguida. Posteriormente, vem o genérico. E aqui toda a gente faz um compasso de espera e sustém a respiração. Então, surpreendemo-nos: eis o genérico mais brilhante de todos os filmes! Não há silhuetas de mulheres seminuas, músicas arrastadas ou mesmo músicas sem qualquer qualidade. Ao invés, há uma exploração do universo de Bond, evoluindo com muito estilo, sem adereços pirosos, sem excessos, fazendo referência aos naipes de cartas de Casino. E a música é um deleite ao fim de tantos anos a ouvir canções idiotas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história que alenta a película é simples: nesta sua primeira missão, 007 tem de impedir o vilão (que desta vez não tem três mamilos, mas chora sangue) de ganhar um jogo de póquer milionário para que este não financie o terrorismo. Simples, mas, com a ajuda de cenários da Europa de Leste, de Itália e de Madagáscar, pega. E aqui &lt;em&gt;Daniel Craig &lt;/em&gt;mostra bem porque foi escolhido. Independentemente da sua impecável forma física e destreza motora, o actor consegue ser o melhor Bond da série ao tornear uma figura tão estereotipada em algo de novo, pondo de parte o &lt;em&gt;sex symbol &lt;/em&gt;para se converter num espião com sentimentos e origens. Demasiado para quem espera ver o agente secreto a correr por entre bombas e estilhaços, e a acabar a noite na cama com uma das infinitas &lt;em&gt;Bond-girls&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oferecemos também um lugar de honra aos argumentistas por nos terem poupado aos clichés &lt;em&gt;bondianos&lt;/em&gt; como o enjoativo modo de preparação do famoso &lt;em&gt;cocktail&lt;/em&gt;. Quando o empregado pergunta 'S&lt;em&gt;haken or stirred?'&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Bond remata com '&lt;em&gt;Does it look like I give a damn?'&lt;/em&gt; Brilhante. Ou mesmo o '&lt;em&gt;My name is Bond. James Bond.&lt;/em&gt;'&lt;em&gt; &lt;/em&gt;só aparece no final das duas horas e meia. Deste modo, também está dispensado da série o humor de Moneypenny e de Q, e apenas por uma questão de adaptação que pode nem parecer uma incongruência, uma vez que se trata do primeiro filme do herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, balançamos por entre os luxuosos ambientes, diamantes e muitos conflitos de interesses, armas e passagens secretas. Desta feita, depois de muitas impressionantes cenas de acção, entramos nas deslumbrantes paisagens do Montenegro. Aqui fica o Casino Royale, inspirado, segundo &lt;em&gt;Fleming&lt;/em&gt;, no Casino Estoril durante a Segunda Grande Guerra. É no Casino Royale que Bond vai ter de vencer Le Chiffre, o vilão de serviço, no tal jogo de cartas. Para isso, conta com a ajuda da &lt;em&gt;Bond-girl jovem-&lt;/em&gt;contabilista-em-ascensão Vesper Lynd, personagem ao cargo da francesa &lt;em&gt;Eva Green &lt;/em&gt;(observada muito ao de perto em &lt;strong&gt;Os Sonhadores &lt;/strong&gt;do grande &lt;em&gt;Bernardo Bertolucci&lt;/em&gt;). A surpresa reside no facto de, pela primeira vez, termos na tela uma &lt;em&gt;Bond-girl &lt;/em&gt;que não é só um acessório, um corpo bem definido e bem curvado: há de facto uma personagem. É pena que a lindíssima &lt;em&gt;Eva Green &lt;/em&gt;não esteja à altura da proeza, mesmo com o sotaque inglês… Verdadeiramente frustrante para quem espera um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contando com elaboradas cenas de perseguições e tudo o que se espera neste tipo de filmes, este embrulho tem o recheio que todos querem, ainda que com algumas boas surpresas. É certo que se pode fugir à fórmula já gasta para tentar comprar o público de novo. Não obstante, esperemos que este filme tenha sido um reinventar e não um subterfúgio de quem está cansado de não vender. Independentemente do ângulo, a película é um forte abanão à base modular da saga, é uma verdadeira adaptação do Bond de &lt;em&gt;Fleming &lt;/em&gt;e é uma actualização do universo da espionagem para o século XXI. Com uma fasquia colocada agora tão alta, esperamos ansiosamente pelo próximo filme do espião ao serviço de Sua Majestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título/Ano:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Casino Royale&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realizado por:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Martin Campbell&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escrito por:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Neal Purvis &amp;amp; Robert Wade&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Felix Leither, &lt;/em&gt;etc&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116689484921924569?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116689484921924569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116689484921924569' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116689484921924569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116689484921924569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/casino-royale.html' title='Casino Royale'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116684361927959683</id><published>2006-12-23T03:10:00.000Z</published><updated>2006-12-24T14:41:14.429Z</updated><title type='text'>As Pequenas Memórias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/1600/522571/pequenasmemorias.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/400/721305/pequenasmemorias.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;“Deixa-te levar pela criança que foste.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nome maior da Literatura portuguesa contemporânea, José Saramago não deixa por isso de ser um caso de invulgar divisão do público português. Laureado com o Nobel da Literatura, o feito não parece suficiente para encantar a gregos nem a troianos. Reminiscências da sua actividade no Diário de Noticias, incompreensão das suas escolhas politicas ou desagrado com o seu peculiar processo de escrita, algo persiste que não permite a uma larga camada da sociedade saborear o que escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As Pequenas Memórias&lt;/em&gt; são o seu mais recente livro. Planeado, na sua mente, há cerca de 20 anos, chega-nos agora esta visão autobiográfica dos seus primeiros anos de vida. Ao contrário do que seria de esperar numa biografia de um prémio Nobel, não são os grandes acontecimentos mundiais vistos pelos olhos que aqui se retratam. Não é a vida por trás da cortina do fenómeno Nobel, não é um repisar da história recente portuguesa pelos seus carregados óculos nem tão pouco se abordam algumas das suas posições que mais celeuma provocaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aborda-se tão simplesmente a sua infância. Uma sucessão de pequenos trechos, um contínuo jorrar de lembranças, que parecem surgir com a preocupação lógica de quem conta uma história à lareira, nenhuma. Entre a Azinhaga, no Ribatejo até aos primeiros tempos de Lisboa. Dos pormenores mais humilhantes que a infância proporciona aos momentos mais pessoalmente enriquecedores. É um Saramago, mais que biográfico, extremamente pessoal que aqui nos é transmitido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fica, mais que os eventos, sem qualquer fio condutor, que nos vão sendo descritos, é a enorme capacidade de comunicação de um escritor absolutamente ímpar. O interesse de &lt;em&gt;As Pequenas Memórias&lt;/em&gt; enquanto obra poderá ser, e é-o, totalmente discutível. A qualidade da escrita de Saramago não. No seu estilo rendilhado e mordaz, onde as frases podem tornar-se estradas compridas mas que, invariavelmente, chegam a bom porto, torna-se um prazer sensorial e enriquecedor seguir as peripécias da criança que foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas críticas têm sido dirigidas ao livro no sentido da escassez de conteúdo, indicando que o livro se resume a uma sucessão de trechos, na maioria de índole ligeiramente cómica, sem grande consequência. É de facto do que se trata. Mas esperar mais, em termos formais, do livro, seria ingénuo. O que recebemos é bem mais que isso. A possibilidade de mais uma obra para avaliar e contemplar uma escrita tão original quanto consistente. Ainda que o livro o não seja. Saramago é um nome sem nada a provar. Conseguir escrever tão bem sobre tão pouco é também uma arte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tìtulo&lt;/strong&gt;: As Pequenas Memórias&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: José Saramago&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116684361927959683?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116684361927959683/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116684361927959683' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116684361927959683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116684361927959683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/as-pequenas-memrias.html' title='As Pequenas Memórias'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116680909107298740</id><published>2006-12-22T17:15:00.000Z</published><updated>2006-12-22T17:38:11.146Z</updated><title type='text'>to: Elliot from: Portland</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4779/4229/1600/353881/review_toelliott.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4779/4229/320/332680/review_toelliott.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em Outubro de 2003, o conhecido cantor e compositor &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Elliott Smith &lt;/strong&gt;pôs fim à sua vida ao cravar uma faca de cozinha no seu peito. Alguns comparam a reacção da dita comunidade &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt; semelhante à reacção da geração &lt;em&gt;grunge &lt;/em&gt;depois da emblemática morte do seu líder &lt;em&gt;Kurt Cobain&lt;/em&gt;, ainda que com outras roupagens. Apesar do seu fim violento, o suicídio de &lt;em&gt;Smith&lt;/em&gt; era, para a maior parte dos seus acérrimos fãs, um fim previsível para um homem que lutava contra a dependência e contra a depressão. Para além dos seus ouvintes, também as bandas que se insurgiram com ele no universo da música independente depressa manifestaram a sua reacção. Assim, oriundo de Portland, Oregon, terra natal de &lt;em&gt;Smith&lt;/em&gt;, nasce, três anos depois, o álbum &lt;strong&gt;To: Elliot From: Portland&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este álbum, ainda que muito mais do que uma colectânea de &lt;em&gt;covers&lt;/em&gt;, é a prova máxima da genialidade de &lt;em&gt;Smith&lt;/em&gt;, um artista com uma alma torturada que deixou um legado suficientemente extenso para que se incluam num CD algumas músicas por si compostas nunca antes escutadas. Tudo isto faz de &lt;strong&gt;To: Elliott From: Portland &lt;/strong&gt;um disco com muito a reter, assim como uma excelente oportunidade para conhecer a música de &lt;em&gt;Smith&lt;/em&gt;. Para quem, como eu, já conhece, fica sempre a hipótese de revistar lugares antigos e reviver os sentimentos de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bandas preferidas da esfera &lt;em&gt;indie &lt;/em&gt;mostram-se sob um prisma muito interessante neste disco, fazendo uma leitura muito própria, por vezes diferente, sem se afastarem muito da intenção de &lt;em&gt;Smith&lt;/em&gt;, oferecendo sempre um cunho pessoal. A primeira banda deste rol é &lt;strong&gt;The Decembrists&lt;/strong&gt;, que oferecem uma aproximação &lt;em&gt;low-fi&lt;/em&gt; da música &lt;em&gt;Clementine&lt;/em&gt;, tornando-a num estudo que se aconchega no &lt;em&gt;country &lt;/em&gt;alternativo, uma possível intenção de &lt;strong&gt;Elliott &lt;/strong&gt;para esta faixa. &lt;em&gt;Clementine &lt;/em&gt;ergue-se muito lenta sobre acordes levemente abanados na guitarra acústica, delineada sobre o tom melancólico das harmónicas. A canção original é, segundo me recordo, perfeitamente espectral, cinzenta e ensombrada, pelo que os &lt;strong&gt;The Decembrists &lt;/strong&gt;conseguiram alcançar uma verdadeiramente boa interpretação: ao cinzento acrescentaram o outro lado da janela, a ver a chuva cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na faixa seguinte, esquecemos os sintetizadores e a loucura electrónica dos &lt;strong&gt;The Helio Sequence &lt;/strong&gt;para nos concentrarmos numa versão perturbadora de &lt;em&gt;Satellite&lt;/em&gt;. A beleza da música é inquestionável, porém, o mais notável é a diminuição do andamento, a fusão coral no refrão, a firmeza das cordas, os acordes acústicos e a pequena distorção da linha melódica. É absolutamente brilhante conseguir enquadrar a visão de &lt;strong&gt;Elliott Smith &lt;/strong&gt;em algo de tão sublimemente construído na subjectividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dolorean &lt;/strong&gt;simplifica &lt;em&gt;The Biggest Lie&lt;/em&gt; ao jeito do &lt;em&gt;country &lt;/em&gt;mais pragmático de &lt;em&gt;Emmylou Harris&lt;/em&gt;, o que não é necessariamente mau. Talvez a diferença desfaça a base de &lt;strong&gt;Smith&lt;/strong&gt;, sem deixar de ser uma leitura interessante. &lt;em&gt;The Ballad of Big Nothing&lt;/em&gt; é explicada pelos &lt;strong&gt;The Thermals&lt;/strong&gt;, um pouco mais trôpega do que a versão original, contando com um pouco mais de percussão e acordes mais robustos nas guitarras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I Didn’t Understand&lt;/em&gt; ficou ao cargo dos &lt;strong&gt;Swords&lt;/strong&gt;. E ainda bem. A banda oferece um excelente &lt;em&gt;cover &lt;/em&gt;da música de &lt;strong&gt;Smith&lt;/strong&gt;, conseguindo enquadrar uma surpreendente profundidade em termos de harmonia. O acordeão envolve o ritmo um pouco desacelerado para se confundir com os teclados no refrão. Destaque para a voz, modulada naquilo que parece uma assombração do registo de &lt;strong&gt;Elliott Smith&lt;/strong&gt;. Escutar &lt;em&gt;I Didn’t Understand&lt;/em&gt; é uma verdadeira overdose de melancolia: a atmosfera remonta aos tempos de canções de &lt;strong&gt;Elliott&lt;/strong&gt;, o ambiente é pesado e negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rose Parade&lt;/em&gt; é um produto muito bem acabado por parte de &lt;strong&gt;Sexton Blake&lt;/strong&gt;. Há um ritmo semelhante, o mesmo tom moribundo a definhar acordes ritmados no piano, alguma percussão quase escondida. Ainda assim, há uma pequena variação no modo como esta música soa. &lt;strong&gt;Amelia &lt;/strong&gt;traz-nos &lt;em&gt;Between the Bars &lt;/em&gt;na sua voz maravilhosa, num estilo muito simples, muito &lt;em&gt;sing-along&lt;/em&gt;, muito profético. Ao longo desta faixa, sente-se na voz, nas notas descendentes sequenciadas piano, na pandeireta, uma ironia própria do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De seguida, &lt;strong&gt;Eric Matthews &lt;/strong&gt;assoma com uma versão diferente de &lt;em&gt;Needle in the Hay&lt;/em&gt;, incorporando trompetes, um ritmo mais aos tropeções, sendo, por isso, uma manobra um tanto negra face à versão de Smith. Ainda assim, é uma boa música, que pegou na intensidade musical para aceder ao conteúdo das letras. Nesse sentido, &lt;strong&gt;Elliott Smith &lt;/strong&gt;não precisava de se fazer perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como outra versão mais adulterada, temos &lt;strong&gt;We are the Telephone &lt;/strong&gt;com &lt;em&gt;Division Day&lt;/em&gt;. É demasiado &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;, demasiado rápida e demasiado sintética para uma música de &lt;strong&gt;Smith&lt;/strong&gt;. E para provar que se pode interpretar &lt;strong&gt;Smith &lt;/strong&gt;de acordo com parâmetros mais &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;, os &lt;strong&gt;Crosstide &lt;/strong&gt;transformam o que poderia ser um &lt;em&gt;cover &lt;/em&gt;fantástico de &lt;em&gt;Angeles &lt;/em&gt;numa das melhores faixas deste disco: há uma leitura pessoal sem descurar o ambiente melancólico do compositor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Wouldn’t Mama be Proud &lt;/em&gt;é uma excelente aproximação de &lt;strong&gt;Jeff Tront &lt;/strong&gt;ao espírito do disco. Destaque para as notas mais agudas, muito bem conseguidas pelo vocalista, e para os enquadramentos rítmico e harmónico, muito bem estruturados.  Semelhante na qualidade, diferente na interpretação, temos &lt;strong&gt;To Live &amp; Die in L.A. &lt;/strong&gt;com &lt;em&gt;King's Crossing&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como forma de contraste, escutamos &lt;em&gt;Speed Trials&lt;/em&gt;, uma viagem alucinante levada a cabo pelos &lt;strong&gt;Knock-Knock&lt;/strong&gt;. Ainda que salvos pela melodia original e pela voz que transcende convenções, fica  um sabor amargo nos lábios. E talvez mais estranho do que isto seja a versão &lt;em&gt;hip-hop &lt;/em&gt;de &lt;em&gt;Happiness&lt;/em&gt; da autoria de &lt;strong&gt;Lifesavas&lt;/strong&gt;… é, de facto, interessante conseguirmos ter estilos diferentes dentro do mesmo álbum, no entanto, é com alguma perturbação que se sente um enorme destoar ao escutar esta faixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como derradeira homenagem, a última música deste CD é uma fabulosa canção de despedida. Quem a canta é &lt;strong&gt;Sean Croghan&lt;/strong&gt;, um companheiro de quarto de &lt;strong&gt;Smith &lt;/strong&gt;que nunca se chegou a despedir dele. Talvez seja por esse mesmo motivo que &lt;em&gt;High Times &lt;/em&gt;tenha um peso tão sinistro neste disco. E, para realçar a profunda expressão de tristeza que existe nesta faixa, fica também retido o facto de esta música ser inédita: todos pensamos como teria sido &lt;strong&gt;Elliott Smith &lt;/strong&gt;a cantá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fica, então por dizer, depois de tantas versões, de tantas leituras, de tantas aproximações? Muito pouco. Quase nada. À margem do génio de &lt;strong&gt;Smith&lt;/strong&gt;? Dentro das suas intenções? As respostas para estas perguntas serão apenas fruto da especulação musical. Deixemos isso de parte. Fica o objectivo deste disco, portanto, a homenagem feita a um músico fantástico, a um homem sofredor, e em muitos casos a um exemplo e a um amigo. Separado de gostos e de pontos de vista. Verdadeiramente independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;To: Elliot From: Portland&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;The Decembrists &lt;/em&gt;et al. &lt;em&gt;tocam Elliot Smith&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;2006&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116680909107298740?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116680909107298740/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116680909107298740' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116680909107298740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116680909107298740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/to-elliot-from-portland.html' title='to: Elliot from: Portland'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116661160113555550</id><published>2006-12-20T12:47:00.000Z</published><updated>2006-12-22T15:09:50.016Z</updated><title type='text'>Wake Up And Smell The Coffee</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6462/1986/1600/98545/Wake-Up-Preto.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6462/1986/320/85138/Wake-Up-Preto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6462/1986/1600/902442/Wake-Up-Preto.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Neste últimos três meses de 2006, deparámo-nos nos cartazes culturais com um oferta de monólogos bastante diversificada. Para tal, a contribuição de alguns dos melhores actores portugueses tem sido fundamental. Maria João Luís com Stabat Mater, Gonçalo Waddington com Comida, João Lagarto com Começar a Acabar, Tiago Rodrigues com Wake Up And Smell The Coffee são alguns exemplos de &lt;strong&gt;bons actores&lt;/strong&gt; que valorizaram, neste final de ano, esta diversidade cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Monólogo&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Cena falada apenas por um personagem; discurso aparentemente dirigido a ele mesmo, ou a um auditório do qual não se espera resposta. Na análise do discurso teatral, é considerado como uma variedade do diálogo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu considero arriscado fazer um monólogo. Ou melhor, um monólogo que valha a pena ser representado. Tudo pesa muito. O texto, a versatilidade do actor, o espaço, o tempo de acção têm de estar perfeitamente unidos de forma a criar uma linha coerente de espectáculo com o intuito de captar a atenção do público que, nestas encenações é extremamente &lt;strong&gt;exigente&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A definição de monólogo que transcrevi não é perfeita. Eu procurei várias e não encontrei nenhuma que exprimisse o que eu entendo como monólogo. Escolhi esta porque abarca os elementos essenciais mas nem sempre de forma correcta. A melhor definição de monólogo será mesmo o espectáculo de Tiago Rodrigues no MM Café que esteve em cena até ao dia 16 do presente mês. Com um texto de Eric Bogosian e encenação de Luís Mestre, o actor português dá uma pequena &lt;strong&gt;lição&lt;/strong&gt; de dramaturgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cena falada apenas por um personagem;&lt;/em&gt; a definição começa mal. Eu sei que o erro não é tão linear. Esta definição de monólogo parte de uma peça teatral. Ou seja, descreve o que é o monólogo quando inserido numa montagem teatral. No entanto, quando alguém descobriu esta arriscada fórmula mágica de realizar espectáculos só de monólogos, esta parte da definição tornou-se obsoleta. Tiago Rodrigues não interpreta uma só personagem, começa com uma espécie de “eu-actor”, passa por um actor frustrado até a um vendedor-diabo, entre outras deliciosas personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Discurso aparentemente dirigido a ele mesmo, ou a um auditório do qual não se espera resposta&lt;/em&gt;. Tiago Rodrigues ao encarnar todas estas personagens, obviamente não tem sempre o mesmo destinatário. O monólogo começa com o tal "eu-actor" que fala directa e abertamente para o público sobre o espectáculo que estamos à espera de assistir. De seguida assistimos a um deambular de direcções. O actor num ritmo fascinante, fala para si próprio, para uma pessoa específica no público e para a plateia inteira. Este deambular é fantástico. Tiago Rodrigues domina por completo a expressão do sentimento. A sua interpretação passeia entre o confiante e o frustrado com uma &lt;strong&gt;expressividade&lt;/strong&gt; que nos faz esquecer que tudo não passa de uma representação. E Tiago sabe que para o sucesso pleno tem que sentir a reacção do público. As gargalhadas, os suspiros, os silêncios são as respostas do público que Tiago absorve com muita facilidade. Mais uma vez a definição falha, é verdade que não há resposta verbal por parte do publico, mas desde quando uma resposta só é apelidada de tal no uso exclusivo da fala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Wake And Smell The Coffee não interessa falar só sobre o trabalho de actor. O texto de Eric Bogosian é também excelente. Aliás será mesmo a base para Tiago desenvolver a sua &lt;strong&gt;arte&lt;/strong&gt;. A escrita de Bogosian é inquietante, vasculha nas nossas pequenas rotinas e para quais já não temos armas. Somos mesmo atingidos com a violência do confronto. Lá está, não respondemos verbalmente, mas o silêncio na sala torna-se constrangedor durante alguns segundos. Não muitos, porque logo de seguida o constrangimento é quebrado por um momento cómico. E é desta variação que vive o monólogo. Atingido o clímax final com uma cena inquietante repleta de humor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116661160113555550?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116661160113555550/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116661160113555550' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116661160113555550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116661160113555550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/wake-up-and-smell-coffee.html' title='Wake Up And Smell The Coffee'/><author><name>Ensaio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17968431232829196146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116650653723112793</id><published>2006-12-19T05:25:00.000Z</published><updated>2006-12-19T05:44:48.600Z</updated><title type='text'>Air - Late Night Tales</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5810/691/1600/350236/Cover.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5810/691/200/595838/Cover.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando se pretende expressar uma série de eventos na forma de uma ideia ou de uma digressão sentimental, a construção de uma banda sonora pode ser a melhor aliada. Deste facto se socorre o cinema há décadas e a ligação entre ambos parece cada vez mais sólida, mas esses &lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5810/691/1600/126543/LateNightTales.jpg"&gt;&lt;/a&gt;ambientes e as suas regras resvalaram da tela e conquistaram uma autonomia muito própria, consubstanciada após o clássico de &lt;strong&gt;Brian Eno&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Ambient 1: Music For Airports&lt;/em&gt;. Apesar de a música dita erudita desempenhar há muito mais que décadas uma função semelhante, só com o desenvolvimento da música popular e o progresso da aparelhagem electrónica (a introdução dos sequenciadores, sintetizadores e samplers, por exemplo) certos sons encontraram lugar e validade. Eventualmente se percebeu que existia um novo campo, fértil em experimentações, cujo relevo, desde os anos 70, vai e vem. O que já não oscila é a importância dos ambientes musicais para além desse estilo mais restrito que é a música ambiente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E se essa importância se acentua nos tempos recentes, propagando-se por diversas correntes musicais e fazendo da definição de um ambiente um novo critério para o êxito, honra seja feita a uma banda que acolheu essa orientação desde o primeiro álbum: os franceses AIR. Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, a cumprir uma década de carreira, são responsáveis pela contaminação do ar com um cheiro apenas caracterizável através dos três termos franceses cujas iniciais dão origem ao nome: A de &lt;em&gt;Amour&lt;/em&gt;, I de &lt;em&gt;Imagination&lt;/em&gt; e R de &lt;em&gt;Rêve&lt;/em&gt; (sonho). De todos os álbuns o mais consistente na forma e conteúdo talvez seja &lt;em&gt;Moon Safari&lt;/em&gt;, de 1998, embora nenhum seja a excepção a confirmar o ditame, a máxima orientadora. Escutar a discografia dos parisienses é como sentir os efeitos de um bálsamo que não se esgota num aroma ou no alívio da dor, mas que se expande pelo corpo alterando a nossa disposição. Mais do que pela concepção de preciosidades romântico-atmosféricas &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;, primam por fazer música capaz de estabelecer novos humores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todo este enquadramento gerou uma certa expectativa em relação à contribuição dos AIR para a série &lt;em&gt;Late Night Tales&lt;/em&gt;, do selo Azuli. Queria-se perceber o que estava na rectaguarda da sua criação musical, o que tinha levado à depuração da sua música e que género de influências e gostos paralelos teriam. Sucessivos adiamentos na edição do álbum começavam a frustrar quem acompanhava o processo, e até a primeira &lt;em&gt;tracklist&lt;/em&gt; vinda a público viria a ser distinta da realmente escolhida. Custa compreender o porquê de tanto atraso, tendo em conta que se trata de uma &lt;em&gt;playlist&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É, de facto, apenas uma &lt;em&gt;playlist&lt;/em&gt;. Na verdade, não se pode dizer que tenham sequer dado particular atenção às passagens das músicas. As transições são feitas da maneira mais óbvia, como se o objectivo fosse demonstrar que, perante a qualidade das músicas propostas, nada mais havia a fazer senão pô-las todas em sequência. Hoje em dia, qualquer um pode fazer isto no seu computador pessoal. Tentar, buscando na sua colecção, um agregado de músicas suficientemente boas para se poderem aglutinar e formar um ambiente. Isto é fácil. Difícil é fazê-lo bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem se lembraria de forjar um álbum indicado para os amantes da penumbra e para todos os momentos simultaneamente melancólicos e belos? Muitos. Mas quem incluiria os &lt;strong&gt;Black Sabbath&lt;/strong&gt; (“Planet Caravan”) nessa compilação, logo a seguir à introdutória “All Cats Are Grey”, dos &lt;strong&gt;The Cure&lt;/strong&gt;? E quem conseguiria tão harmoniosa amostra de doces vozes (&lt;strong&gt;Cat Power&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Jeff Alexander&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Elliott Smith&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Reg Presley&lt;/strong&gt; dos &lt;strong&gt;The Troggs&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Robert Wyatt&lt;/strong&gt;), intercaladas por referenciais cinematográficos (&lt;strong&gt;Georges Delerue&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Tan Dun&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Nino Rota&lt;/strong&gt;), como cenas de um filme ligadas pela banda sonora? Quem arriscaria a inclusão de &lt;strong&gt;Minnie Riperton&lt;/strong&gt; (“Lovin’ You”), na sua face mais descaradamente romântica e colorida? E ainda a tudo isto juntar os estranhos teclado e voz de &lt;strong&gt;David Sylvian&lt;/strong&gt; em “Ghosts”, uma atormentada canção do já lendário &lt;strong&gt;Scott Walker&lt;/strong&gt; (“The Old Man’s Back Again”) e o tom grave na hora da despedida em “My Autumn’s Done Gone” de outro monstro da música contemporânea, &lt;strong&gt;Lee Hazlewood&lt;/strong&gt;? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poucos. Muito poucos. Provavelmente os mesmos que finalizaram com a interpretação da Orquestra de Cleveland de uma composição de &lt;strong&gt;Ravel&lt;/strong&gt;. Ouvindo mesmo atentamente, fica-se com a sensação que qualquer compilação dos AIR sairía inexoravelmente assim: um álbum de música não original que realmente cria um ambiente. Um álbum para os aspirantes a músicos com poder de encaixe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Nota: 9/10&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116650653723112793?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116650653723112793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116650653723112793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116650653723112793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116650653723112793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/air-late-night-tales.html' title='Air - Late Night Tales'/><author><name>Pedro Teixeira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116637797771210831</id><published>2006-12-17T17:36:00.000Z</published><updated>2006-12-17T17:58:33.953Z</updated><title type='text'>Less Than Zero</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4779/4229/1600/908295/Lessthan01st1.png"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4779/4229/320/544236/Lessthan01st1.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Less than Zero &lt;/strong&gt;marcou o início da carreira literária de &lt;em&gt;Bret Easton Ellis&lt;/em&gt;, embora se tenha destacado não como o livro que antecedeu &lt;em&gt;The Rules of Attraction &lt;/em&gt;ou &lt;em&gt;American Psycho&lt;/em&gt;, mas como um excelente começo no seio da literatura americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explorando um tema que acaba por ser recorrente nos seus livros seguintes, &lt;em&gt;Ellis &lt;/em&gt;consegue subverter a realidade no modo como escreve: a alucinação e a paródia de sentimentos estão ao serviço da realidade alternativa que procura descrever. E consegue-o com um perfeição assustadora para o jovem de apenas dezanove anos que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro é narrado sobre a forma de um registo semelhante a um diário ou a um caderno de anotações. Quem nos fala é Clay, um rapaz adolescente de dezoito anos que está a gozar as suas férias de Inverno em Los Angeles, depois de ter desperdiçado o semestre na sua faculdade por entre festas, sexo e droga. A casualidade destes eventos é proclamada ao longo de todo o livro, desde o início até ao banal desenrolar da acção nas mais variadas circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Clay, a sua vinda a Los Angeles concretiza-se em mais festas, em mais álcool, em mais &lt;em&gt;valium&lt;/em&gt;, em mais cocaína e em muito mais sexo. Não consegue compreender até que ponto está ou não apaixonado por Blair, uma ex-namorada, embora mantenha relações de uma noite com rapazes bronzeados que conhece nas mais diversas festas. Não compreende até que ponto se voltou a relacionar com os seus amigos, mas fica em casa sob o efeito de dois ou três &lt;em&gt;valium&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contactos que estabelece rumam sempre às novas doses de cocaína, aos novos &lt;em&gt;dealers&lt;/em&gt; e a novas situações ilícitas. A crueldade com que tudo isto é descrito é imensa: não há qualquer tipo de censura quando se descreve a sub-cultura oca que é uma constante na vida de Clay e dos seus amigos. Para ele, nada do que possa testemunhar nas imensas mansões ou locais frequentados pela classe alta a que pertence o sensibilizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo prossegue, tudo se arrasta até ao ponto em que o leitor já se contorce com o mundo que o narrador lhe apresenta. E até ao dia em que este contacta com feridas muito escondidas, com as realidades novas dos seus antigos amigos: vê-se, então, forçado a admitir a sua fragilidade, e a história prossegue assim, oscilando entre comprimidos, tonturas e a incapacidade de fugir através da alienação química. O que prova a fragilidade do consumidor de drogas, do jovem rico, da aparente superficialidade orientada por convenções igualmente superficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez se possa dizer que a pouca consistência da história é um trunfo fulcral no que diz respeito à tenacidade e ao efeito de caos que se sente ao ler as páginas deste livro, uma vez que &lt;em&gt;Ellis &lt;/em&gt;afasta por completo as teorias que, segundo se pensa, orientam o nosso comportamento. E isto é efectivamente um ponto positivo: a linha mestra deste livro é a narração sem escrúpulos do crescimento e da passagem à idade adulta no seio de uma cultura de dólares perfeitamente estagnada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como última referência, o título não podia ser mais apropriado e a remete o leitor à conhecida música de &lt;em&gt;Elvis Costello&lt;/em&gt;, muitas vezes abordada no decorrer da narrativa. Em suma, temos nas mãos uma excelente estreia para &lt;em&gt;Bret Easton Ellis &lt;/em&gt;e um marco surpreendente na literatura americana do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Less Than Zero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Autor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Bret Easton Ellis&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116637797771210831?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116637797771210831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116637797771210831' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116637797771210831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116637797771210831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/less-than-zero.html' title='Less Than Zero'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116637607899372493</id><published>2006-12-17T17:04:00.000Z</published><updated>2006-12-19T19:55:40.823Z</updated><title type='text'>Prateleira #8 - The Clash (UK)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4779/4229/1600/816492/l0028770.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4779/4229/320/286468/l0028770.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;The Clash&lt;/strong&gt; é a versão britânica do álbum de estreia da banda homónima britânica, considerada uma das precursoras do movimento &lt;em&gt;punk &lt;/em&gt;no Reino Unido. No final dos anos setenta, o Reino Unido testemunhava a revolução musical que distinguiria bandas internacionalmente e criaria um estilo diferente do que tinha sido feito até então. No entanto, os &lt;em&gt;The Clash &lt;/em&gt;conseguiram fazer a sua música onde tantos tentaram e apenas conseguiram vaguear em torno de um cliché.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda foi formada depois de Joe Strummer ter largado os &lt;em&gt;The 101’ers&lt;/em&gt; e ser ter juntado a Mick Jones e a Paul Simonon no grupo que seria chamado de The Clash. Pouco depois, juntou-se-lhes o baterista Terry Chimes, peça que impulsionou alguns concertos sem grande expressão junto do público. As editoras discográficas finalmente descobriram o potencial da banda e os &lt;em&gt;The Clash &lt;/em&gt;assinaram um contracto de cem mil libras com a CBS. Este acto causou discórdia entre os britânicos, que chegaram mesmo a proclamar a morte do &lt;em&gt;punk &lt;/em&gt;depois da efeméride. A situação acalmou e, depois do famoso &lt;em&gt;The Anarchy Tour&lt;/em&gt; de 1977 (com bandas como &lt;em&gt;Sex Pistols&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Johnny Tunders &amp; The Heatbreakers&lt;/em&gt; e os &lt;em&gt;The Damned&lt;/em&gt;) o que restava do dinheiro do contracto serviu para a gravação deste disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta altura, já os &lt;em&gt;The Clash &lt;/em&gt;contavam com Nicky "Topper" Headon como baterista que, apesar de se ter tornado o baterista definitivo, não participou aquando da gravação deste disco. O álbum foi lançado em Abril de 1977 e vendeu mais de cem mil cópias, um valor não muito elevado dada a qualidade do som, que apenas agradou os ouvintes de &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt; já habituados a técnicos de som sem experiência. Dois anos mais tarde, o álbum foi lançado nos Estados Unidos com um som melhorado, algumas faixas diferentes e um alinhamento modificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, neste disco, temos Joe Strummer como vocalista e na guitarra, Mick Jones na primeira guitarra e com alguma voz, Paul Simonon no baixo e Terry Chimes &lt;em&gt;a.k.a. &lt;/em&gt;"Tory Crimes" na bateria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ritmo simples de &lt;em&gt;Janie Jones &lt;/em&gt;é um bom início para o CD, não só por ter ficado conhecido como um clássico da banda e um clássico do punk, mas também porque elucida os ouvintes acerca do conteúdo musical que se expõe ao longo do disco. A faixa seguinte é &lt;em&gt;Remote Control&lt;/em&gt;, onde ouvimos a combinação da diferença de duas vozes únicas: a de Mick Jones e a de Joe Strummer. É uma faixa um pouco mais lenta, que resulta muito de uma sucessão decrescente de acordes aliada a uma percussão característica. Sem deixar de incentivar a energia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I’m so bored with the USA &lt;/em&gt;acabou por se tornar um mito, fenómeno explicado pela divertida guitarra que não excede um tempo definido nem se torna demasiado sobrelevada. O baixo mantém a sua linha fiel e sem grandes alterações, destacando o refrão em coro: &lt;em&gt;I’m so bored of the USA&lt;/em&gt;. A faixa seguinte é &lt;em&gt;White Riot&lt;/em&gt;, popularizada depois do cover dos &lt;em&gt;Anti-Flag&lt;/em&gt;. A versão presente neste disco é uma versão diferente da escutada na versão americana deste CD, sendo bastante melhor. Esta é música mais rápida do álbum, o que, juntamente com a sua pouca duração, contribuiu para a sua conversão num ícone do &lt;em&gt;punk &lt;/em&gt;britânico. Deve o seu título às rebeliões conhecidas por &lt;em&gt;Notting Hill Carnival Riots&lt;/em&gt;, tema inspirador para Joe. A versão americana acrescenta algumas sirenes e uma profusão menos legível da linha melódica da guitarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hate &amp; War &lt;/em&gt;é mais um colosso na música &lt;em&gt;punk &lt;/em&gt;e na carreira da banda. Destaque para as letras provocadoras, à boa maneira &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt;, que funcionam como crítica social. O refrão final é um excelente exercício fruto do cruzar das vozes de Mick e Joe. &lt;em&gt;What’s my Name&lt;/em&gt; consegue ser um pouco aborrecida e apresentar um refrão monótono. É a única música do álbum atribuída a um ex-guitarrista da banda, Keith Levine, e a única que não está ao nível do resto do álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que chega &lt;em&gt;Deny&lt;/em&gt;, uma faixa &lt;em&gt;exclusively British&lt;/em&gt;. A guitarra aproxima-se de uma vertente mais sombria, unida à voz de Joe a cantar uma letra mais violenta e menos humorística. A faixa está muito bem conseguida, enquadrando perfeitamente o refrão com as notas dedilhadas na guitarra e com a letra, se bem que, mesmo com o acrescentar de alguns pormenores muito bem musicados, &lt;em&gt;Deny &lt;/em&gt;peque também um pouco pela repetição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;London’s Burning &lt;/em&gt;representa um auge deste CD, sendo bastante rápida, com uma letra que nos fala de Londres e da realidade com que os fãs &lt;em&gt;punk &lt;/em&gt;tomavam contacto todos os dias. Já para não falar do soberbo solo de guitarra de Mick Jones, contributo mais do que essencial para tornar esta faixa uma das melhores músicas &lt;em&gt;punk &lt;/em&gt;escritas até hoje. E, do mesmo modo que &lt;em&gt;London’s Burning &lt;/em&gt;se apresenta enquanto um clássico, &lt;em&gt;Career Opportunities &lt;/em&gt;também se consegue distinguir nesta esfera musical por aceder ao mundo do desemprego numa letra irónica aliada a uma guitarra simples e a uma melodia fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cheat&lt;/em&gt;, a música seguinte, bebe sobretudo dos &lt;em&gt;The Ramones &lt;/em&gt;no refrão, apesar de conseguir uma oscilação rítmica muito interessante, um solo de guitarra fantástico e alguns efeitos colaterais muito atraentes. Foi deixada de parte na versão americana por se destacar do resto do álbum, apesar de ser uma excelente música &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt;. Retomam-se depois os ritmos muito rápidos com &lt;em&gt;Protex Blue&lt;/em&gt;, um lugar de destaque para todas características indissociáveis da banda, tal como o humor, a rapidez com que se canta e se toca, e a energia que se transmite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente a faixa mais curiosa deste disco seja &lt;em&gt;Police &amp; Thieves&lt;/em&gt;, uma música quase experimental que mostra o contacto dos &lt;em&gt;The Clash &lt;/em&gt;com o &lt;em&gt;reggae&lt;/em&gt;. E é fantástico o modo como, em pouco mais de seis minutos, conseguem articular o &lt;em&gt;punk &lt;/em&gt;com o &lt;em&gt;reggae &lt;/em&gt;de um modo tão perfeito, seja pelo intercalar das vozes de fundo com a guitarra, seja pela percussão mais jamaicana. Contudo, o destaque é, sem dúvida, a linha do baixo, absolutamente fundamental para o resultado final que é uma faixa muito rica em referências e muito rica no que toca a uma articulação fabulosa entre dois universos que caminhariam paralelamente nos anos seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;48 Hours &lt;/em&gt;mostra-se demasiado curta (a mais curta do álbum), mas enquadra-se no apetite auditivo: uma guitarra típica, um refrão em coro, uma letra interessante. Acaba por ser um prefácio para o grande final deste CD: &lt;em&gt;Garageland&lt;/em&gt;.&lt;em&gt; Garageland &lt;/em&gt;tem a melhor letra deste álbum e é uma das melhores letras dos &lt;em&gt;The Clash&lt;/em&gt;. O título foi inspirado numa crítica muito frequente nos concursos televisivos: o júri costumava dizer às bandas que deviam ter ficado na garagem. Porém, esta faixa consegue ser diferente do resto do disco e agradecemos aos &lt;em&gt;The Clash por &lt;/em&gt;não terem ficado na garagem. Mostram-se novas maneiras de abordar o que podia perfeitamente estar muito usado ou muito tido em conta, isto sem se andar muito longe da qualidade do resto do disco. "&lt;em&gt;I don't wanna hear about what the rich are doing/ I don't wanna go to where the rich are going/ They think they're so clever; they think they're so right/ But the truth is only known by guttersnipes.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um modo geral, &lt;strong&gt;The Clash (UK) &lt;/strong&gt;foi um excelente álbum de estreia e uma óptima rampa de lançamento para a esta banda e para muitas outras que começavam a gravar e a tocar. Para além de ser um disco clássico para os amantes de &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt;, este álbum representou uma era, uma mentalidade. Atingiu níveis de crítica muito inteligentes à sociedade e à política, conseguiu ter sentido de humor, abraçou uma realidade alternativa. Sem dúvida um percursor de grandes  novidades, sem dúvida uma amostra do &lt;em&gt;best of the British&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;The Clash (UK)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;The Clash&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ano: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;1977&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116637607899372493?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116637607899372493/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116637607899372493' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116637607899372493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116637607899372493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/prateleira-8-clash-uk.html' title='Prateleira #8 - The Clash (UK)'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116629020426233199</id><published>2006-12-16T17:06:00.000Z</published><updated>2006-12-16T20:04:56.243Z</updated><title type='text'>The Anatomy School</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.fantasticfiction.co.uk/images/n25/n129065.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.fantasticfiction.co.uk/images/n25/n129065.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«He found his bed and climbed into it. Getting settled made the bed creak and twang. If that went for too long guys would accuse him of all sorts of things. One thing really. &lt;em&gt;Brennan's pulling his plonker&lt;/em&gt;. He kept his hands well away from it. They smelled of lemon.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando &lt;em&gt;Bernard MacLaverty &lt;/em&gt;escreveu &lt;strong&gt;The Anatomy School&lt;/strong&gt;, sabia que tinha conseguido qualquer coisa de diferente dos seus outros livros. O autor, já nomeado para o &lt;em&gt;Booker Prize&lt;/em&gt;, arrancara à feroz crítica do Reino Unido classificações muito satisfatórias. Porém, talvez seja mais importante o facto de &lt;em&gt;MacLaverty &lt;/em&gt;se ter conseguido afirmar e destacar na tão saturada literatura britânica dos dias de hoje. Quem já entrou numa livraria nas terras de Sua Majestade sabe como é ser bombardeado pelos imensos &lt;em&gt;outstanding books&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;books of the year &lt;/em&gt;que ofuscam as prateleiras. No entanto, &lt;strong&gt;The Anatomy School&lt;/strong&gt; consegue ser muito mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;MacLaverty &lt;/em&gt;conta a história de Martin Brennan, um adolescente preso na fase mais dura da sua vida, atravessando um período particularmente problemático: Belfast no final dos anos sessenta. Talvez tenha sido a inocência desmistificada que tornou este livro tão emblemático, contudo, começamos por seguir Martin neste período da sua vida e somos, de imediato, o seu melhor amigo. A aprendizagem da vida contorce o seu pensamento: pergunta, pergunta, pergunta… e torna a perguntar. As respostas estão diante dos seus olhos, assim como está o valor das coisas, o pensamento cruzado com a informação que lhe é impingida no colégio católico. E, confrontado com dúvidas sobre sexo, obcecado pela consumação da carne, pela derradeira desmistificação da sua virgindade, Brennan lá consegue ter tempo para o que é verdadeiramente crucial para a sua mãe: passar nos exames finais… a qualquer custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martin Brennan tenta atravessar, então, este rito de passagem fulcral. É imperativo que consiga passar nos seus exames, uma vez que esta é a segunda vez que está a fazer o último ano. A bolsa que lhe fora oferecida caducou aquando da sua reprovação, pelo que a sua mãe, uma viúva trabalhadora de uma classe indefinida no contexto social dos anos sessenta, o pressiona bastante. A culpa e o medo do fracasso são duas constantes nos dias de Brennan. Quase tão constantes como a confusão sexual que lhe assombra o espírito à medida que se envolve em duas curiosas amizades: com Kavanagh, o jovem desportista e experimentado que Martin idealiza e deseja ser; e com o perturbador e revolucionário Blaise, cuja intelectualidade plena de carácter é muitas vezes incompreendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, deparam-se inquietações, desafios à autoridade e à religião. Blaise incita os amigos a questionarem o dogmatismo religioso e a ordem que o colégio empreende. Kavanagh aponta o dedo à personalidade dos padres, às suas falhas, à sua vertente mais humana por detrás de batinas e rosários. Aqui, &lt;em&gt;McLaverty &lt;/em&gt;confronta o leitor com a realidade dos anos sessenta, com a abertura de espírito que se distorce noutro tipo de incertezas, do mesmo modo em que se fala de um alvorecer científico, de uma tentativa de criar fórmulas para sentimentos, de uma expressão fingida de políticas muito reais e concretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do abstracto surge o concreto no modo como se concretizam as perguntas destes três rapazes. A adolescência incita as questões a tomarem forma e as amizades encarregam-se de oferecer uma resposta mais ou menos vaga: trocam a Religião pela Ciência, procuram compreender a Arte, a História, o mundo que parece tão perto e tão cinzento. Fica ainda o turbilhão sobre-explorado das suas mentes inquietas: o que é o sexo e a pornografia? Onde está essa coisa chamada de alma? Deverá Martin ser padre? Como é que as mulheres sentem prazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intercalando o sagrado com o profano das amizades, &lt;em&gt;McLaverty &lt;/em&gt;narra a história com mestria, num estilo duro, pleno da ansiedade de quem faz tudo às escondidas ou pela primeira vez. Sejam os cigarros fumados junto às casas de banho ou os pensamentos que deambulam muito por cima do discurso despótico dos padres do colégio. Insurge-se sempre a dúvida neste romance plenamente masculino, perfeitamente orientado para a decadência da virilidade, para a transformação de rapazinhos em homens e para toda a parafrenália de implicações que isso possa ter. As personagens femininas acabam por ser um símbolo, quer para os rapazes, quer para a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em determinados momentos, o autor congela o diálogo e pára a acção para nos darmos conta de como o fenómeno da aprendizagem é bizarro e assustador. Isto acontece do mesmo modo em que procura o humor nas noites de sanduíches organizadas pela mãe de Martin para um padre e algumas amigas. O jovem ouve a tentativa de explicação da realidade, a busca pela compreensão da existência e a veracidade que não existe nos afectos. E pensa, maquina e irrita o seu raciocínio, longe das conversas em que a sua mãe se orgulha de ter um filho que "não fuma" e que não tem qualquer "interesse pelo sexo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curso da vida de Martin não é linear, mas estamos com ele. Seguimo-lo ao longo do seu difícil e tortuoso percurso, num livro sério mas cheio de sentido de humor e perspicácia. Porque é bom sentir que se faz qualquer coisa, ainda que qualquer coisa de errado. Porque é bom saber que se existe. E porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;« 'Thanks be to God. There seems to be nothing but girls to distract you down at the library. Do you ever say the prayer I gave you?'&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;'Yeah.' »&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;The Anatomy School&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Autor: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Bernard MacLaverty&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116629020426233199?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116629020426233199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116629020426233199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116629020426233199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116629020426233199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/anatomy-school.html' title='The Anatomy School'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116621790888372028</id><published>2006-12-15T21:21:00.000Z</published><updated>2006-12-15T21:25:08.903Z</updated><title type='text'>Ligação Directa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/1600/326160/capa%20-%20002.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/400/191146/capa%20-%20002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; “Quando uma rádio como a RFM se queixa que passaria mais música portuguesa se ela tivesse qualidade e depois não passa nem a mim nem a outros, fico um bocado perplexo, no mínimo. No mínimo.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Godinho em &lt;em&gt;Blitz&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Godinho já tinha provado que é perfeitamente capaz de se recriar. De baralhar e voltar a dar. Foi o que fez com &lt;em&gt;O Irmão do Meio&lt;/em&gt; de 2003. Aí, com ajuda dos amigos, propunha novas abordagens para alguns dos grandes clássicos da sua carreira. Agora, com &lt;em&gt;Ligação Directa&lt;/em&gt;, propõe nova abordagem à carreira de sempre. Com músicas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álbum de originais seguinte a &lt;em&gt;Lupa&lt;/em&gt;, de 2000, &lt;em&gt;Ligação Directa&lt;/em&gt; não surpreende ninguém. Vamos então tentar perceber se isto é bom ou mau. Sem arriscar, Sérgio Godinho faz o que já se esperava, mais um bom disco. O problema é que com ele é que isso não é novidade. Fica mais um bom registo para a sua já grande, quantitativa e qualitativamente, discografia. Perde-se uma oportunidade de algo realmente original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil criar algo de drasticamente novo quando se está quase a fazer 40 anos de carreira. Mas de Sérgio Godinho espera-se tudo. Contudo, a questão aqui pode também ser, para quê algo de novo, se o que temos é bom? Confere. &lt;em&gt;Ligação Directa&lt;/em&gt; não espanta ninguém, mas também não desaponta. Quem dera poder dizer isto de mais músicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ligação Directa&lt;/em&gt; abre em doze dupla sobre tema repisado mas, aparentemente, sempre bem-vindo. “A Deusa do Amor” e “Ás vezes o Amor” são boa abertura, com a segunda em claro destaque, single descarado e chapa três. Despachado que está o tema do Amor neste empacotamento duplo, seguimos com “Marcha Centopeia” que, musicalmente, mostra o melhor de Godinho. Como em “O Carteiro”, por exemplo, a recriação de sons populares com ritmo de fundo a pedir um pé a marcar ritmo é a sua especialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não há duas como ela” faz lembrar o Palma de “Tempo dos Assassinos” e “O Velho Samurai” é o Sérgio Godinho de antigamente. Para o bem e para o mal. Mas mais para o bem, convenhamos. Muito mais para o bem é “O Rei do Zum-Zum”, uma das melhores, senão mesmo a melhor, música do álbum. Sátira social e harmonia melódica com o jogo de palavras que só mesmo Godinho consegue, numa daquelas letras que se tornam paradigma da boa escrita musical portuguesa. Ligação directa para a galeria dos obrigatórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem agradável é também “No Circo Monteiro nunca chove” à qual se segue “O Às da Negação”, com forte peso de uma melódica e quase militar bateria. “O Big-One da Verdade” é a única música que não é de sua autoria, pertencendo a Hélder Gonçalves. Para terminar, em competição directa com “O Rei do Zum-Zum”, “Só neste País”, música a fazer lembrar “Que força é essa?“. Coros ciciados em tom de boato popular são alguns dos bons pormenores que ajudam a compor mais uma boa música deste bom álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom é mesmo o pior que se pode dizer de &lt;em&gt;Ligação Directa&lt;/em&gt;. Mas se calhar arriscar mais talvez desse em algo muito bom. Talvez não. Deixemo-nos, por enquanto, levar por este pragmatismo. Não deslumbra, mas agrada.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: Ligação Directa&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Sérgio Godinho&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 7/10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116621790888372028?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116621790888372028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116621790888372028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116621790888372028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116621790888372028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/ligao-directa.html' title='Ligação Directa'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116589000980533175</id><published>2006-12-12T02:13:00.000Z</published><updated>2006-12-12T20:37:39.830Z</updated><title type='text'>Rewind #3 - O Vale era Verde</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/1600/802153/ovaleeraverde2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/400/710017/ovaleeraverde2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; “Men like my father cannot die. They are with me still, real in memory as they were in flesh, loving and beloved forever. How green was my valley then.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A metáfora por excelência. O cinema pode ser poesia. &lt;em&gt;O Vale era Verde&lt;/em&gt; é a prova disto mesmo. Realizado por John Ford apartir de um romance original de Richard Llewelyn, conta a história de uma família de mineiros do País de Gales no princípio do século vinte. É através de uma auto-biografia retrospectiva de Huw Morgan, 60 anos depois, que conhecemos os membros da família, as suas desventuras e emoções e, paralelamente, a vida do vale onde se inserem, das suas gentes e preocupações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Vale era Verde&lt;/em&gt; é essencialmente um filme metafórico. Na passagem para um novo século, a presença da realidade mineira na vila apresenta-se como uma faca de dois gumes. Sustenta-a e polui-a. Sustenta o vale, na medida em que é a principal, senão o única, fonte de rendimentos para toda aquela população. Será esta dependência que estará na origem do descalabro que se abaterá sobre o vale com a escassez de empregos e o surgir de mão-de-obra mais rentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Polui o vale, em todos os sentidos possíveis. No sentido mais literal, desaparecerá o verde encantador da infância de Huw, substituído gradualmente pelo industrial cinzento. Este cinzento que ofusca a frescura da natureza não é mais que a alegoria da alma de cada um destes habitantes galeses. Elucidativas as imagens iniciais em que o Vale se dirige como um todo, ao som de cânticos tribais, para as minas. Não tão subtilmente quanto isso, um cinzento interior abater-se-á sobre todo este mundo rural. Intrigas e suspeitas, contestações e sindicalismos, desemprego e fome, muitas serão as provações a que este povo tipicamente trabalhador se terá de sujeitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/1600/736414/ovaleeraverde3.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/320/42360/ovaleeraverde3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não há qualquer tipo de vitimização nesta película. O clã Morgan, um paradigma do seu povo, é trabalhador. Rural, honesto e temente a Deus, como todos, é uma família sofredora mas intransigente na defesa do trabalho como valor fundamental. Este cinzento que se abate sobre todos, pousará a sua mão também sobre os Morgan. Doença, infelicidade, necessidade de emigração e morte são algumas das consequências que o Vale traz ao clã de Huw.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Vale era Verde&lt;/em&gt; é, para além desta grande e elaborada metáfora, um excelente filme de época. Não tanto fisicamente. Há o vestuário, a paisagem, a caracterização das personagens, os vastos pormenores da casa dos Morgan. Há tudo isto. Mas o que mais impressiona é a coerência psicológica, para o bem e para o mal, de um povo cuja verdade é o trabalho. As virtudes e as teimosias irracionais de um meio rural, pouco dado a literacias. O trabalho, a religião e a virtude como contraponto da educação intelectual e da podridão social. Os únicos apoiantes da educação de Huw seriam Mr. Gruffydd e o próprio pai de Huw, dono de uma visão estratégica e sentido de dever atrozes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este pai, chefe do clã Morgan e uma das referências do Vale, é Donald Crisp, vencedor do Óscar de Melhor Actor Secundário com &lt;em&gt;O Vale era Verde&lt;/em&gt;. O Filme arrecadaria ainda a estatueta para outras quatro categorias, nas quais se incluem Melhor Realizador e, obviamente, Melhor Fotografia. Para além destes 5 oscares, estava nomeado para outros tantos e receberia ainda o prémio de Melhor Filme Estrangeiro pela Associação de Críticos Argentinos e de Melhor Realizador pela Associação de Críticos de Nova Iorque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Vale era Verde&lt;/em&gt; é um filme invulgarmente belo. Belo no sentido fotográfico do termo e belo no sentido mais humano que poderá ter. Uma metáfora da confrontação de um mundo mais virgem e conservado com uma realidade à qual não há fuga possível. Maria do Rosário Pedreira escreveu: “Tudo o que vem de ti é um poema”. Ninguém descreveria melhor este filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: O Vale era Verde&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realizador&lt;/strong&gt;: John Ford&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;: Roddy McDowall, Donald Crisp, Walter Pidgeon, Maureen O’Hara, Anna Lee, Sara Allgood, John Loder e Patric Knowles.&lt;br /&gt;E.U.A., 1941&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota: 10/10&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116589000980533175?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116589000980533175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116589000980533175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116589000980533175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116589000980533175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/rewind-3-o-vale-era-verde.html' title='Rewind #3 - O Vale era Verde'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116585231102672324</id><published>2006-12-11T15:31:00.000Z</published><updated>2006-12-23T18:07:06.230Z</updated><title type='text'>Noise Floor (rarities: 1998-2005) - Bright Eyes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.students.ch/img/cms/news/1161379917.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.students.ch/img/cms/news/1161379917.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os independentes &lt;strong&gt;Bright Eyes&lt;/strong&gt; chegam agora com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Noise Floor&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, uma compilação de raridades musicais, de algumas ideias acidentais que tomaram lugar entre 1998 e 2005. Não é a primeira vez que a banda de &lt;em&gt;Conor Oberst&lt;/em&gt; opta por um formato de compilação, embora acentue que não se trata de um &lt;em&gt;best-of&lt;/em&gt;, mas sim de um disco cheio de peculiaridades, à sua única e boa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste CD, escutamos os temas de sempre, com a voz de sempre, embora com algumas pequenas e deliciosas variações. Estas mudanças tão características podem seguramente afastar muitos ouvintes, embora atraiam os fãs para o universo alienado e febril musicado por &lt;em&gt;Conor Oberst&lt;/em&gt; e seguidores. Abre com &lt;em&gt;Mirrors and Fevers&lt;/em&gt;, uma colagem de confusão e ruído, seguida de um pequeno trecho &lt;em&gt;a cappella&lt;/em&gt;. Aqui residem algumas gravações de um tour que a banda efectuou pela Europa, assim como um pedaço do álbum homónimo de 2000. Funciona como prólogo para um processo de uma confusa letargia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se-lhe &lt;em&gt;I Will Be Grateful For This Day&lt;/em&gt;, a primeira música mais electrónica composta pela banda: a voz quase negligente de &lt;em&gt;Oberst&lt;/em&gt; molda-se nos contornos harmónicos espelhados no órgão e na percussão lenta. Narra mais um universo inerente à própria natureza da banda, cheia de letras perturbadoras, uma linguagem nua e com palavras de espontaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Trees Get Wheeled Away&lt;/em&gt; evoca mais o &lt;em&gt;folk&lt;/em&gt; íntimo, presente na melodia simples e convidativa. As guitarras acústicas remetem para um cenário mais idílico, embora a letra rasgue frases de grande ironia e provocação. “&lt;em&gt;There’s a virgin in my bed / And she’s taking off her dress &lt;/em&gt;(…)” Conta mais uma história deprimente na crueza das palavras não premeditadas, sob uma melodia bonita e numa tonalidade oscilante entre o maior e o menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O piano volta em &lt;em&gt;Drunk Kid Catholic&lt;/em&gt;, mostrando que os &lt;strong&gt;Bright Eyes&lt;/strong&gt; conseguem afastar quem não abraça a realidade ilusória que a banda nos propõe. Tudo gira em torno de um sentimento que é mastigado, dissecado em partes distintas, completamente exposto sobre uma música bem conseguida. À semelhança desta faixa, temos presente também &lt;em&gt;Spent on Rainy Days&lt;/em&gt;, com um ritmo mais rápido, em contornos mais &lt;em&gt;rock&lt;/em&gt;, manifestando sempre uma intensa marginalidade. A percussão procura atingir as guitarras eléctricas, perseguindo as palavras fugidias. Esta é uma das muitas faixas gravadas em caves, garagens, salas vazias, por entre cinzeiros cheios e guitarras amontoadas… o que lhes confere uma certa rebeldia ainda mais acentuada neste álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faixa seguinte apresenta-se como a mais acidental de todas. Gravada no início da carreira da banda, &lt;em&gt;The Vanishing Act&lt;/em&gt; é um aparente e dissonante improviso sobre o piano, alimentado por acordes ininterruptamente sacudidos na guitarra. A voz de &lt;em&gt;Conor Oberst&lt;/em&gt; confunde-se com uma matiz irreversível, fundindo-se na voz feminina que se lhe junta. A música corre, a letra arranha. E acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Soon You Will be Leaving Your Man&lt;/em&gt; é um molde clássico na própria ironia do termo. O desafio dos &lt;strong&gt;Bright Eyes&lt;/strong&gt; ecoa na cinzenta melodia cantada, na modulação perfeita dos acordes, na calma e ligeireza com que se esboça a infidelidade e o amor semi-verdadeiro. O mérito consiste na aproximação da beleza face ao grotesco, à fantasia doentia das alucinações. Do mesmo modo que se adequa uma percussão fora do comum, quase imperceptível, escondida por entre as notas no piano. No final, há uma pequena amostra de ruído e vozes que substituem a melodia cantada por instantes. Assim funcionam também &lt;em&gt;Motion Sickness&lt;/em&gt;, cantada com ligeireza, com um dedilhado na guitarra e um órgão quase coral no refrão; e &lt;em&gt;Amy in the White Coat &lt;/em&gt;na voz triste e nostálgica de &lt;em&gt;Oberst&lt;/em&gt; sobre um suave ruído incessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mais algumas faixas dignas do melhor conseguido pela banda, apresentam-se &lt;em&gt;Weather Reports&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Seashell&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Tale&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Bad Blood&lt;/em&gt;. A música nunca pesa pela intensidade e não peca por ausências: o cru manifesta-se nas letras, no modo como rastejam, no modo como nos introduzem ao sublime do mundano e ao mundano do sublime. O seu magnetismo encontra uma expressão na figura da mulher, em copos de vinho, em comprimidos, na náusea, no desespero, na nudez, na ausência. O alternativo encaixa-se no modo de pensar e fazer música na medida em que, sarcasticamente, se apresenta desadequado e desinibido. Ouve-se “&lt;em&gt;The drunk kids, the catholics / They’re all about the same / They’re waiting for something, hoping to be saved&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contacto entre o que é descrito torna-se de tal modo poderoso que a música parece quase insuportável. A angústia plúmbea não se desvanece nunca ao longo das dezasseis faixas deste disco. Porque, na verdade, este mundo não é fácil... e tão-pouco é a abordagem dos Bright Eyes: lida-se com a perda, com o falso, com o aparente, com o lugar-comum, com a superficialidade do quotidiano. Treme-se. Toca-se o que não é real e o que é meramente aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;I just keep drinking the poison&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And smoking the cartons&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pack and a half a day&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So when time comes to claim me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My friends and my family will gather around my grave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And they’ll believe that they knew me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And love me and miss me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And all call by my name.&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Noise Floor (rarities: 1998-2005)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Artista/Compositor&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Bright Eyes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ano:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;2006&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116585231102672324?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116585231102672324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116585231102672324' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116585231102672324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116585231102672324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/noise-floor-rarities-1998-2005-bright.html' title='Noise Floor (rarities: 1998-2005) - Bright Eyes'/><author><name>L</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-TCv-5RZefhY/Tq41ofDPawI/AAAAAAAABk0/k9dWiFJUZPo/s220/l-logo-death-notes-fundo-preto-f0ac3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116571804942076677</id><published>2006-12-10T02:31:00.000Z</published><updated>2006-12-10T19:56:30.730Z</updated><title type='text'>Lunário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/1600/325549/lunario.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6441/688/400/235769/lunario.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;“As bocas pousam da nudez uns dos outros. Enche-se de alegria a minha treva. E tudo dividimos: o pão e a noite, a pobreza, os corpos e a desolação.&lt;br /&gt;O dia volta pelas frinchas das tábuas, passa igual a outros dias. Pelas vozes que despertam, pelos fios de suporte suspensos, pelo movimento langoroso dos corpos – reconheço todos aqueles rostos que enfrentaram o cruel dia.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem confundido com a vida de Al Berto, este &lt;em&gt;Lunário&lt;/em&gt; que ele nos oferece. Desde Sines a esta afirmação despudorada de uma sexualidade que não pretende chocar, mas antes ser natural. Uma metáfora da sua escrita. Mistura entre Prosa e Poesia, os limites dos dois conceitos desfazem-se neste escritor que constrói o seu mundo, que é a sua noite, à volta da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta inexactidão do limite bem definido entre Prosa e Poesia não se limita à escrita propriamente dita de Al Berto. Espraiada, rica, plena de vocábulos eminentemente oníricos, será o seu paradigma, mas para além desta, há as repercussões na forma deste romance. Lunário é tanto um livro de poemas quanto nos transporta para uma noite de beleza de palavras e construções. Só mais tarde aparece uma narrativa, o quotidiano de Beno, o pretexto para este elaborado juntar de sons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É talvez por isso que o livro segue a vida de Beno e dos que o rodeiam. Como um diário escrito na terceira pessoa. Beno, Kid, Nému, Alba e Zohía são as personagens que vão desenrolando uma acção de carácter moderno e modernista. O choque com o estabelecido não se dá por contraposição. Este mundo das regras sociais a que estamos acostumados simplesmente não existe. Existe sim o mundo de Beno. Amor, drogas e poesia. Ou, numa palavra, melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caem ainda sobre este livro as palavras de ser, acima de tudo, um livro homossexual. &lt;em&gt;Lunário&lt;/em&gt;, acima de tudo, não é um livro homossexual. É um livro de pulsões e paixões. A homossexualidade é só os moldes em que tal nos é expresso. Uma história de amor em que o amor é tudo menos o nosso conceito prêt-à-porter de sociedade ocidental homofóbica e monogâmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividido em sete partes (Crepúsculo, Lua Nova, Quarto Crescente, Lua Cheia, Quarto Minguante, Umbria e Cântico), &lt;em&gt;Lunário&lt;/em&gt; é um livro pouco usual na literatura portuguesa. Subversivo mas com naturalidade. Exótico no sentido mais urbano e quotidiano da palavra. Um Romance em jeito de conjunto de poemas sobre as relações humanas. Uma das melhores obras de Al Berto, metáfora autobiográfica condensante da sua obra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19908114-116571804942076677?l=criticaartistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criticaartistica.blogspot.com/feeds/116571804942076677/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19908114&amp;postID=116571804942076677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116571804942076677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19908114/posts/default/116571804942076677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criticaartistica.blogspot.com/2006/12/lunrio.html' title='Lunário'/><author><name>Gustavo Jesus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19908114.post-116560541198344480</id><published>2006-12-08T18:52:00.000Z</published><updated>2006-12-08T20:10:12.570Z</updated><title type='text'>Vivo #2 - Cat Power no Festival Radar (Aula Magna)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5810/691/1600/323695/Cat%20Power%20@%20Aula%20Magna.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5810/691/320/992260/Cat%20Power%20%40%20Aula%20Magna.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As expressões artísticas não têm consciência de si. Quer sejam construídas pelo homem ou compreendidas na sua total substância mas não dele emanadas, parecem depender do desempenho do criador ou intérprete caso surjam inesperadamente medíocres. Há no entanto certas especificidades que distinguem algumas expressões artísticas de outras. No cinema, após a estreia de uma fita ela comportar-se-á seguindo a mesma linearidade, evitando qualquer flutuação (excepto os casos em que se procedeu a uma reedição futura, por vezes com tratamento tecnológico); na generalidade das artes plásticas não é pedido ao artista que exiba a sua mestria em tempo real, pelo que a obra final resultará imutável, se correctamente protegida; as obras literárias congelam na forma assim que o autor ou editor as divulgam, sobrando apenas espaço para não mais que meros adornos ou aguçadores do apetite; as artes dramáticas, no entanto, sobrevivem da proclamação estética concluída somente no cair do pano e vivem no (e do) medo permanente do erro e do fracasso; a música, do modo que se nos apresenta hoje em dia, evolui em dois tabuleiros quase autónomos cujas regras fundamentais divergem. Torna-se claro que, tal como a apresentação ao vivo advém da gravação, também a representação teatral brota do texto dramático e a película do argumento. Não obstante, em nenhum destes casos (nem, diga-se, na maioria dos outros) há tamanha adequação entre o resultado final do objecto artístico enquanto obra estabilizada e a exibição do mesmo a uma audiência como na vertente musical. Porque o que releva quer do álbum, quer do concerto é, afinal, a música.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Adiante: as experiências artísticas não têm consciência de si nem dos outros. São antes estados prévios que dispensam qualquer tipo de pudor ou compaixão, mesmo quando os outros são quem lhes deu forma. São filhos a quem não devemos educar na esperança de uma consideração recíproca. Essa separação é um dos requisitos para a autonomia da expressão artística e, consequentemente, fonte de força da arte como um todo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pondo de parte o meu altruísmo artístico, mandando às urtigas tudo o que disse, permanece em mim o mesmo sabor agridoce que se instalou à saída da Aula Magna. A norte-americana, em estúdio, é uma pérola. Álbuns como &lt;em&gt;Moon Pix&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;You Are Free&lt;/em&gt; e o recente &lt;em&gt;The Greatest&lt;/em&gt; colocaram-na no trilho de outras grandes figuras femininas da canção. Esperava-se, na segunda visita a Portugal, que Chan Marshall se redimisse do desastroso concerto em Matosinhos, em 2004, mostrando estar finalmente num estado minimamente controlado (pessoas como ela não se desejam excessivamente domesticadas) que permitisse aos portugueses ouvir aquela belíssima voz marcada pelas vicissitudes da vida, a terna melancolia inscrita nas letras das músicas e nas composições a habitar os terrenos do rock, blues e folk. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem lá foi ansiava por essa grandeza para a qual o último álbum avisa, esperando deleitar-se com a sublimação das suas capacidadas, isto é, com o fim das mudanças súbitas de humor, os desvarios súbitos e as crises emocionais ou hormonais. Um concerto com canções tocadas do princípio ao fim, com Cat Power acompanhada pela banda e com Cat Power a solo, à guitarra ou ao piano. Assim ela planeou e fez, sendo acompanhada pela super-banda (e superlativizada) The Dirty Delta Blues Banda, ao longo de cerca de uma hora. Extremamente descontraída, pareceu flutuar durante as canções, dançou, cantou, acenou, apresentou timidamente as suas desculpas em relação ao sucedido no primeiro concerto, descalçou os seus sapatos portugueses e foi agraciada com uma longa ovação, ao que ela respondeu rompendo pelo meio do público distribuindo setlists pelos felizardos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tendo feito quase tudo bem, não deixa de ser intrigante sentir que, no fim de contas, quase nada resultou ao nível do que se gravou em estúdio. Apesar de alguns momentos bem conseguidos, como o belíssimo cover de “Satisfaction” e as mais intimistas “I Don’t Blame You” e “Where Is The Love”, apesar de se ter atravessado diversos álbuns (com maior ênfase para o último) para gáudio dos fãs mais indefectíveis, apesar de ressuscitar certa parte do legado musical norte-americano (Bill Callahan paira em muitas das músicas de Chan Marshall), o concerto desenrolou-se sob arreliantes condições técnicas – um zumbido estático corrompeu a qualidade do som ao longo de toda a actuação, o baixo e a bateria pareciam asfixiados, deram-se grandes oscilações do volume sonoro e até se aturou uma reverberação amadora aqui e ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com tudo isto, ficou claro que público presente era de tal maneira admirador das virtudes de Cat Power qu
