quarta-feira, dezembro 28, 2005

O Portugal de José Gil


Portugal, Hoje - O Medo de Existir tinha, à partida, tudo para ser um grande livro. Para começar o autor. José Gil, até então nome desconhecido do grande público (como, aliás, é de bom tom em qualquer grande pensador) fora considerado um dos 25 pensadores mais importantes do mundo num artigo da revista francesa Nouvel Observateur. Depois, a altura escolhida. Bem no auge da decadência santanista (se calhar esperava-se mais visão para um dos tais 25 pensadores mais importantes...), e bem ao género de bater ainda mais no ceguinho. E por último, pela publicidade. Estava encontrado o novo livro de leitura obrigatória de verão.

Contudo, o ensaio filosófico com traços populares portugueses acaba por não se revelar pau para tanta obra. A começar pela escrita do filósofo-pensador-com-certeza-não-escritor. Embrenhado nas suas filosofias, muitas delas de indiscutível actualidade e interesse, José Gil consegue deitar muito a perder pelo desinteresse causado pela sua escrita face ao interesse das suas observações. Não obstante, o livro é de uma toada relativamente leve, e lê-se com bastante facilidade. O problema é mesmo a falta de estímulo causada pela escrita prosaica do ensaísta português.

Ficam na retina as imagens de uma sociedade atemorizada e controlada por um pronvicianismo crónico. Boa interacção entre história e criacção de figuras sociais, bem como a articulação de temas como os Media ou o sempre presente medo. Tudo isto, com arquétipos do so called Tuga, misturados com provérbios e historinhas de aldeia. De um pensador de tamanho gabarito, pensava-se mais.

Título: Portugal, Hoje - O Medo de Existir
Autor: José Gil

Nota: 5/10

1 Comments:

Blogger midas said...

Não é novidade. Aplica o método da escola francesa em Portugal. Esquece algumas particularidades culturais. Mas é sem duvida uma pequena pedrada no charco das ideias. Demasiado arredado do espaço publico nacional (que ainda vai existindo).

2:23 da tarde  

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