Amor, Escárnio e Maldizer

Poder-se-à não gostar de Hip-Hop. Poder-se-à não gostar da música dos Da Weasel. Mas dificilmente poderá alguém ser levado a sério se não se der conta da importância dos mesmos. O Hip-Hop mainstream em Portugal tem um rosto, que vai mostrando diversas faces. Da mais agressiva e social à introspectiva e intimista. Não há medo da exposição, há necessidade de confrontação. Há sinceridade, sentimento, cultura underground lentamente tornada de massas. Como sempre disseram, eles dão-lhe com alma.
O sentimento é o de que crescemos com esta banda. Treinámos os nossos ouvidos nem sempre habituados a este espectáculo de ritmo e batida e fomos acompanhando, ao longo dos seus trabalhos, a sua maturação e a nossa. Felizmente, este ainda não é um grupo maduro. Tem as suas fraquezas. Músicas que empatam, dificuldade nalgumas situações em discernir o fundamental do acessório, letras que nem sempre mantém a toada geral de qualidade. Mas tem, esta imaturidade, uma grande vantagem. Mantêm-se um grupo à procura, sem medo do novo, audaz e propício à experiência, à variedade. Amor, Escárnio e Maldizer, pois claro. De tudo um pouco.
Desde Cinema que não se via algo assim. Desde que Rodrigo Leão se lembrou de juntar uma colectânea impressionante de convidados para o seu álbum em forma de banda sonora, que ninguém juntava tamanha amalgama de impar qualidade. José Luís Peixoto, Gato Fedorento, Bernardo Sassetti, Buraka Som Sistema, Maestro Rui Massena e Vikter Duplaix são participações que, de uma forma ou de outra, seja em remisturas, letras, arranjos ou skits, enriquecem o trabalho. Música Hip-Hop a puxar pelas massas, mãos no ar em concerto variado, numa orquestração de uma banda que caminha para o maduro em passos seguros. Referências à cultura popular um pouco ao estilo de Seth Cohen, mas sem a BD, ainda que Manara seja chamada ao barulho são pautadas com tiradas de sátira social, bem ao estilo da doninha.
“Toque-Toque” tem tempero brasileiro enquanto faz lembrar o início da banda. “Mundos Mudos” é versão intimista com participação de orquestra que encaixa bem em qualquer colectânea amorosa. Intimista também, mas porque o piano de Sassetti a isso o obriga, é “A Palavra”, bem ao estilo dos melhores cantautores. A realidade é palavra de ordem em “Negócios Estrangeiros”, na prova cabal de que é possível a convergência de influências culturais. Quanto a “Dialectos de Ternura”, se não gosta da música, aguente-se. Esta música é o verão que se avizinha.
Título: Amor, Escárnio e Maldizer
Autor: Da Weasel
Nota: 7/10
3 Comments:
grande album. eu dava-lhe mais do que 7. um dos grandes albuns da musica portuguesa, diversificado, divertido, com grandes hits para o verao, mas mta citacao para outras coisas.
Este album esta muito porreiro!!!Boas musicas com boas letras!!!
Amor , escarnio e maldizer! Um disco bem conseguido. Algumas(poucas) falhas, na minha opiniao, contudo, mto bem pensado e trabalhado. Merece o sucesso que se adivinha. As doninhas dao-lhe com a alma e nos aqui tamos pa retribuir!
Carlao como sempre, grandes letras (ate lhe chamaria poemas), fortes, bem estruturadas que atingem os objectivos; metem ate a mente mais inexperiente e "vazia" a pensar em alguma questao. Pacman, o senhor da palavra, ta em grande neste album, como era de esperar!
Melodias agradaveis, outras mais banais e previsiveis, contudo, têm o meu aplauso.
Destaque para "A palavra (tema para Sassetti)", "Um dia destes", "Toque-toque" e "mundos mundos".
Dialectos de ternura, asseguir ao enorme de sucesso de re-tratamento, as doninhas tinham de manter o nivel (nao de qualidade),mas de sucesso com o novo single. E ele aí esta, mesmo para quem á primeira impressao nao gosta ou acha foleiro demais os "da-da" e "uh-uh" de certeza que ha segunda passagem ja vai cantarolar tambem estes tao falados dialectos.
O meu :( vai para o Virgul, igual de mais ao que sempre foi...nao noto evoluçao ou mudança, talvez eu esteja errado.
Da Weasel,para mim nao é uma banda de hip hop portuguesa. É a banda!
hip hop tuga ao mais alto nivel!
e quem n gosta n come!lol
Palavra de honra*
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