terça-feira, março 14, 2006

A Minha Referência #2 - Pedro Górgia


Infelizmente a minha disponibilidade para abraçar a arte, nas últimas semanas, como já devem ter reparado tem sido muito pouca. No entanto, o desejo eterno de descobrir e mostrar o que os outros fazem distintamente, puxa-me para a frente do computador.
Como a rádio e o livro, a televisão surge como um meio de fácil proliferação de arte. Ou por divulgação ou, mesmo, por actuação. Apesar de, na televisão a cara contar excessivamente para o sucesso, existem ainda bons exemplos de representação nas telenovelas portuguesas. Porque o teatro não permite a (quase) ninguém uma estabilidade financeira. Porque há actores que não ambicionam a televisão como objectivo de carreira.
Pedro Górgia é mais uma das minhas referências nesta definição de actor profissional que eu aplaudo. Se calhar não é muito prestigiante ter participado numa telenovela de fraca qualidade como os "Jardins Proibidos", mesmo sendo um pastor com um agradável desempenho. Mas, actualmente, em "Mundo Meu", alguém teve a genialidade de lhe dar o papel de Miguel Ângelo, alguém teve a genialidade de o por a contracenar com a Manuela Maria. Numa altura em que certos críticos (exageradamente ou não) louvam o trabalho de Maria João Bastos na mesma telenovela, não lhes ficava nada mal demonstrarem enquanto crítica que estão atentos aos bons valores da representação nacional. Os bons valores como o Pedro Górgia, que tem um curriculum que começou há 15 anos. Um curriculum que abrange vários cursos de formação, representação em teatro infantil (um bom hábito que ainda mantém e lhe dá muita "bagagem”), filmes e para além das já referidas telenovelas, boas séries televisivas.
A personagem Miguel Ângelo expõe Pedro Górgia ao grande público como um surpreendente actor de comédia. Surpreendente, porque o humor não nasce da força do texto. Surpreendente, porque o humor não é perceptível numa cena isolada. Surpreendente, porque Miguel Ângelo é uma personagem altamente improvável na realidade mas que se torna credível pela a coerência de toda a figura criada. Figura criada que não é só mérito de quem a escreveu. Na sua grande maioria é mesmo de Pedro Górgia, actor que “entra no inconsciente da sua personagem e no consciente e no subconsciente, de tal forma que consegue ser a própria personagem, mesmo que para isso tenha de dar um pouco de si à personagem e tenha de a moldar a si.” Apesar de eu saber que Hitchikker não é fan de Pedro Górgia (ainda bem que não gostamos todos do mesmo) este é um actor que personaliza a perfeita definição que deveria ser lida por todos os que têm aspiração a tal.
Para os fans (como eu), Pedro Górgia regressará aos palcos portugueses no próximo dia 22, com a peça: Como Tornar-se um Fora da Lei de Sucesso, da sua autoria.
E, depois de Prateleira, surge uma segunda rubrica no Espaço de Crítica Artística: A Minha Referência

2 Comments:

Blogger Hitchhiker said...

Para os que quiserem criticar Pedro Górgia pela presença numa telenovel, e refiro isto eu que, como mencionado, não serei o seu maior fã, convém relembrar que António Feio entrava no "Ai, os homens", que Ruy de Carvalho, Isabel de Castro, Eunice Munoz ou Vitor Norte também participaram em inúmeras telenovelas (sempre as malfadadas telenovelas...), e que Miguel Guilherme, Canto e Castro, Nuno Melo, Maria Rueff ou Nuno Lopes já participaram em vastas séries televisivas. Fará isso deles maus actores? Passando por uma sala de cinema, ou por um teatro perto de si, verá que obviamente que não.

12:04 da manhã  
Blogger espectador said...

Subscrevemos os elogios ao actor Pedro Górgia a quem também já fizemos a devida homenagem no nosso modesto blog, mas não podemos concordar com a fraca força incutida aos artistas, aos produtores, realizadores, pessoal do audiovisual que tem ao longo dos últimos anos conseguido incutir uma qualidade até aqui inexistente, na ficção nacional. Pelo contrário, devemos dar os parabéns pela qualidade demonstrada, numa das telenovelas de maior sucesso: jardins proibidos e mesmo outras. Um actor profissional é sempre um actor profissional e só demonstra ser um bom actor quando diante das adversidades( maus cenários, mau texto, má produção,etc - que não é o caso da actual ficção nacional que em muito melhorou e já bate a ficção brasileira) consegue ainda assim fazer um trabalho notável.
Abraço do pessoal do Arte Lusitana.

5:27 da tarde  

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