Kafka à Beira-Mar

Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar'
Vem recheado de mistério esta mais recente obra do japonês Haruki Murakami a que o público português tem acesso, depois de Sputnik, Meu amor, de 1999. Largamente aclamado pelo público e um verdadeiro êxito de vendas, é sobre a alçada de um gato que nos é apresentada esta agradável e poética viagem pelo fantástico. Seria uma barreira cultural este culto do extraordinário e do fantástico que opera no mercado japonês e que nos chega não só através da Literatura, mas especialmente pelo cinema. Em Kafka à Beira-Mar resulta de modo oposto, puxando-nos de modo hipnótico para um universo interessante mas que não chegamos nunca a perceber.
Kafka à Beira-Mar não será um livro de fácil leitura porque não é um livro simples. É um livro de escrita elegante e espraiada, com um sentido estético e poético elevadíssimo, mas cuja trama não se desenrola de forma clássica. De tal forma o é, que mesmo chegado ao fim do livro, o leitor interroga-se mais do que se esclarece. A escrita fluente e a exigente descrição psicológica das personagens prendem, num livro onde o non-sense e o fantástico poderiam desinteressar.
Em Kafka à Beira-Mar, interlaçam-se as história de dois homens, o jovem de 15 anos, Kafka Tamura e o caçador de gatos, Nakata. Kafka é um rapaz demasiado maduro, que foge de casa, de um pai cuja presença será fará sentir sobre a forma de uma maldição edipiana. Ao longo da história, por entre mundos paralelos onde o tempo não faz sentido, conversas com a andrógina Oshima e romance com o passado de alguém, Kafka vai descobrindo o mundo ao descobrir-se a si, a sua sexualidade e quem verdadeiramente é. Nakata é alguém que sente a cabeça vazia, fruto de um segredo militar que se vai desvendando e que, graças a isso, consegue manter breves conversas com gatos. Pelo meio, Nakata conhece Hoshino, o camionista que vê nele o avô e que será a sua bengala, por entre procuras de pedras mágicas e conversas com o Coronel Sanders do KFC.
Eis um livro que não fala do fantástico, usa o fantástico como metáfora, com maior ou menor sucesso, para falar do passado e do futuro. O presente, neste mundo de fronteiras temporais pouco definidas, é um modo de coabitar a nossa história com os nossos anseios. Aqui fala-se de amizade, de refazer no futuro os nossos erros do passado, de procurar um sentido último, bem para além das convenções sociais. Um livro que ultrapassa as barreiras culturais, no nosso meio literário não habituado a romances comerciais tão repletos de peixes que caem do céu e prostitutas que citam Hegel.
Vem recheado de mistério esta mais recente obra do japonês Haruki Murakami a que o público português tem acesso, depois de Sputnik, Meu amor, de 1999. Largamente aclamado pelo público e um verdadeiro êxito de vendas, é sobre a alçada de um gato que nos é apresentada esta agradável e poética viagem pelo fantástico. Seria uma barreira cultural este culto do extraordinário e do fantástico que opera no mercado japonês e que nos chega não só através da Literatura, mas especialmente pelo cinema. Em Kafka à Beira-Mar resulta de modo oposto, puxando-nos de modo hipnótico para um universo interessante mas que não chegamos nunca a perceber.
Kafka à Beira-Mar não será um livro de fácil leitura porque não é um livro simples. É um livro de escrita elegante e espraiada, com um sentido estético e poético elevadíssimo, mas cuja trama não se desenrola de forma clássica. De tal forma o é, que mesmo chegado ao fim do livro, o leitor interroga-se mais do que se esclarece. A escrita fluente e a exigente descrição psicológica das personagens prendem, num livro onde o non-sense e o fantástico poderiam desinteressar.
Em Kafka à Beira-Mar, interlaçam-se as história de dois homens, o jovem de 15 anos, Kafka Tamura e o caçador de gatos, Nakata. Kafka é um rapaz demasiado maduro, que foge de casa, de um pai cuja presença será fará sentir sobre a forma de uma maldição edipiana. Ao longo da história, por entre mundos paralelos onde o tempo não faz sentido, conversas com a andrógina Oshima e romance com o passado de alguém, Kafka vai descobrindo o mundo ao descobrir-se a si, a sua sexualidade e quem verdadeiramente é. Nakata é alguém que sente a cabeça vazia, fruto de um segredo militar que se vai desvendando e que, graças a isso, consegue manter breves conversas com gatos. Pelo meio, Nakata conhece Hoshino, o camionista que vê nele o avô e que será a sua bengala, por entre procuras de pedras mágicas e conversas com o Coronel Sanders do KFC.
Eis um livro que não fala do fantástico, usa o fantástico como metáfora, com maior ou menor sucesso, para falar do passado e do futuro. O presente, neste mundo de fronteiras temporais pouco definidas, é um modo de coabitar a nossa história com os nossos anseios. Aqui fala-se de amizade, de refazer no futuro os nossos erros do passado, de procurar um sentido último, bem para além das convenções sociais. Um livro que ultrapassa as barreiras culturais, no nosso meio literário não habituado a romances comerciais tão repletos de peixes que caem do céu e prostitutas que citam Hegel.
Título: Kafka à Beira-Mar
Autor: Haruki Murakami
Nota: 6/10
10 Comments:
De facto um livro que nao consigo deixar de ler, sobretudo pelo facto de não ser um romance e sim duas historias que nos remetem para o lado real da vida, ou seja que nos podia acontecer ou que pelo menos sonhamos um dia ou uma noite, penso que sempre desejamos falar com animais ou fugir de casa, sim pelo menos uma ves na vida pensamos nisso.Mas o livro é mais que isso. é de facto intenso. maduro e surreal, e justifica-se o titulo, apesar de ser catalogado como uma musica no livro, Kafka - o mais existencial de todos ..... recomendo.
Encontro uma palavra que descreve completamente este livro: Fantástico.
Fantástico porque narra a estória de dois personagens estranhos, cada um ao seu estilo, mas realmente muito estranhos. Um adolescente de 15 anos que foge de casa e vai de encontro a uma profecia feita pelo seu pai. E um velho com um atraso mental acentuado, devido a um estranho acidente na sua infância, e que sabe comunicar com gatos. Estranho, mas ainda é só o início!
Fantástico porque relata acontecimentos como conversas com gatos e pedras, peixes e sanguessugas que caem do céu, crianças adormecidas na floresta que perdem a memória, e muitos mais relatos que evidenciam a imaginação e a criatividade deste autor.
Fantástico porque há certas alturas em que pessoas deste tempo têm encontros com pessoas de tempos passados, muitos anos passados… e mantêm relações com as mesmas, mesmo estando em mundos à parte.
Fantástico porque nos contas estórias lindíssimas de amor e de amizade.
Fantástico porque se lê de um fôlego só, viciante, enérgico, um conto cheio de vida e força, como as suas personagens!
O fim deixou-me um pouco à deriva… há coisas no livro que ficam por explicar, mas provavelmente é mesmo essa a ideia!
Se este livro fosse para o cinema o seu realizador teria, inevitavelmente, de ser David Linch… por isso imaginem a loucura deste livro!!!!
Divirtam-se!
14 Junho 2007
Ana Gabriela Sousa
www.fenther.net
Encontro uma palavra que descreve completamente este livro: Fantástico.
Fantástico porque narra a estória de dois personagens estranhos, cada um ao seu estilo, mas realmente muito estranhos. Um adolescente de 15 anos que foge de casa e vai de encontro a uma profecia feita pelo seu pai. E um velho com um atraso mental acentuado, devido a um estranho acidente na sua infância, e que sabe comunicar com gatos. Estranho, mas ainda é só o início!
Fantástico porque relata acontecimentos como conversas com gatos e pedras, peixes e sanguessugas que caem do céu, crianças adormecidas na floresta que perdem a memória, e muitos mais relatos que evidenciam a imaginação e a criatividade deste autor.
Fantástico porque há certas alturas em que pessoas deste tempo têm encontros com pessoas de tempos passados, muitos anos passados… e mantêm relações com as mesmas, mesmo estando em mundos à parte.
Fantástico porque nos contas estórias lindíssimas de amor e de amizade.
Fantástico porque se lê de um fôlego só, viciante, enérgico, um conto cheio de vida e força, como as suas personagens!
O fim deixou-me um pouco à deriva… há coisas no livro que ficam por explicar, mas provavelmente é mesmo essa a ideia!
Se este livro fosse para o cinema o seu realizador teria, inevitavelmente, de ser David Linch… por isso imaginem a loucura deste livro!!!!
Divirtam-se!
14 Junho 2007
www.fenther.net
Encontro uma palavra que descreve completamente este livro: Fantástico.
Fantástico porque narra a estória de dois personagens estranhos, cada um ao seu estilo, mas realmente muito estranhos. Um adolescente de 15 anos que foge de casa e vai de encontro a uma profecia feita pelo seu pai. E um velho com um atraso mental acentuado, devido a um estranho acidente na sua infância, e que sabe comunicar com gatos. Estranho, mas ainda é só o início!
não entendo o que se passou comigo ao ler kafka. não sei se foi da atmosfera que me sugou, se a verdadeira essência da vida reside na pergunta "quem sou eu?". a verdade é que, enquanto li, não só vivi de modo diferente, como me achava entrenhada nas perguntas e conclusões de kafka tamura e do nakata. e o que mais tocante vive neste livro é a simplicidade do ser embrenhado numa psicologia e filosofia da vida, mas que não precisa de estudos para o saber. o nakata é das personagens mais humanas que alguma vez conheci. e que bom que foi.
neste momento estou a ler este livro, ja lia uma outra obra deste escritor, e estou nprecionada como as suas palavras me entram na alma... é mais que um livro mais que poesia... se ler mos bem cada palavra(no meu caso ate sublinho), encontramos respostas que temos no nosso intimo...
Foi de facto, o melhor e mais delirante livro que li em toda a minha vida!
Fascinante, hilariante, espantoso, lindo, faustoso, hipnotizante, espectacular, fabulástico, incrível, e muito mais!
Huruki Murakami, sem dúvida um grande escritor! Nenhum me cativou tanto como ele! Li esse livro num instante! E comecei por ler outra obra dele!
É sem dúvida o meu ídolo!
Parabéns!
Muito bom esse livro, de facto muito bom!
É um livro fascinante... com uma trama fantástica, complexa... surrealista !
Porém, a sua leitura é facilitada pela elegância e limpidez da escrita de Murakami, que se espraia por todo o livro.
Este é sem dúvida um dos melhores livros que li até hoje.
Primeiramente, do Haruki, li o After Dark, um livro mais urbano, passado na capital 24horas do Japão, Tókio. Agora, acabo de terminar o Kafka à beira-mar e... estou estarrecida. Um show de descrições pormenorizadas e de surrealismo fantástico. Não sei onde este homem foi buscar tanta imaginação para escrever essa história... "Viajou-na-maionese" completamente. Nenhuma personagem era uma pessoa normal e, sim, algumas coisas ficaram por resolver, mas... num festival de loucuras desse, nada mais tinha importância senão resolver os problemas existênciais de um miúdo de 15 anos. Recomendo.
Simplesmente deslumbrante e contemplativo... Magnifico!!! Palavras que nos enchem o coração de amor e muita sabedoria...
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