segunda-feira, abril 23, 2007

Vivo #4 - Buraka Som Sistema no Lux

Lisboa, noite de 20 de Abril, Lux. A noite começa calma e sem grande entusiasmo. O Lux vai enchendo aos poucos, muito poucos a principio, no principio de uma noite ainda fresca mas que viria a aquecer. Piso de baixo fechado à espera da hora ansiada, piso de cima averso a qualquer ponta de emoção. Por volta da uma da manhã, o espaço começa a compor-se, a fila de entrada a engrossar, mas tudo continua em banho-maria. A noite começa verdadeiramente quando, pouco antes das duas, alguém tem a boa ideia de passar, adivinharam, Buraka Som Sistema. Mais propriamente, a mais recente versão de “Dialectos de Ternura”. A noite começa nesse instante. Como que animados por uma força invasiva, os corpos dispertam para movimentos que segundos antes se julgavam impensáveis. Prenúncios de uma festa por acontecer.
From Buraca to the world.

Buraka Som Sistema tem vindo a habituar-nos a este crescendo em todos os campos. Por volta das duas horas, começa a tornar-se complicado respirar. É então a altura de abrir as portas ao andar de baixo, gesto que dá azo a um movimento apressado e generalizado, espécie de urbe histérica em período de saldos. Bem-vindos ao Inferno. E não, isto não é uma coisa má. Corpos demais em espaço de menos. É assim que devemos beber o Cocktail explosivo que se revela Buraka Som Sistema. Para perceber porquê um Cocktail, basta olhar à volta. É impossível encontrar um padrão. Aqui estão o residente habitual do Lux, o miúdo do secundário, o trintão convertido, o amante de boa música, o amante de Electrónica e o amante de Kuduro. Todos juntos. Mal o Dj de Buraka entra, todos os seus corpos se materializam numa dança contínua e sempre, sempre, próxima, em grande parte devido à falta de espaço.
Buraka entra, o som rebenta.

O resto, que é o que importa, foi aquilo que Buraka mais sabe fazer. A festa. Os puritanos do Kuduro Progressivo (se é que isto pode haver..), poderão, como por vezes fazem, clamar que isto não é o verdadeiro som que praticam. Os fãs da música da Electrónica mais arrojada poderão, e com razão, queixar-se da falta de arrojo da música de Buraka. Esta não é a música mais complexa, completa ou conexa que ouvimos e ouviremos no palco do Lux. Mas, perante a festa em que Buraka se torna, torna-se complicado pensar em qualquer destes pontos. Á técnica responde-se, em força, com o corpo. Com a agressividade. Com uma festa multiracial de constante comunicação com o corpo. Porque a falta de politicamente correcto é uma linguagem. E o Kuduro também. O Cocktail veio a demonstrar-se um shot, num concerto que durou pouco menos de duas horas, já com o encore que se pedia. Pelo meio, pessoas no palco, espectáculo visual em forma de dança e muita, muita, festa. Tanta que se perdoa o facto de terem tocado duas vezes a tão apetecível “Yah!”. No fundo, o que contou, foram os imensos corpos que se abanaram no espaço que não tinham.

Ai não…

3 Comments:

Blogger B. said...

Gostava de os ver ao vivo, e mais uma vez, eles foram ao Lux num fim de semana que não estive por cá. Eu vou lá mais vezes que eles, e nunca nos cruzamos...Isto tudo porque oiço sempre falar dos concertos deles com a energia e "pica" com que tu descreveste aqui, e queria experimentar esse "shot", porque ouvir o CD em casa, nem consigo, não acho nada de especial, apenas original, mas presumo que vá gostar muito da explosão ao vivo, até lá...espero.

12:58 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

dialectos de ternura? isso nao eh dos da weasel? nao percebi ...

8:05 da tarde  
Blogger Hitchhiker said...

O original é dos Da Weasel, mas há uma versão remisturada por Buraka Som Sistema, que aliás se encontra como faixa bónus no cd Amor, Escárnio e Maldizer.

12:23 da manhã  

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