3 minutos antes da maré encher

No seu primeiro trabalho os A Naifa conseguiram espantar o mundo crítico português. É possível fazer Fado-Electrónico com qualidade, com uma identidade própria, sem samplar Amália com uma batida de duvidosa novidade. E fizeram-no com uma força e um ímpeto que a necessidade de serem ouvidos exigia. Neste segundo disco, estão mais calmos. Os mesmos problemas urbanos estão lá, a mesma fusão de estilos está lá, a não renegação do Fado como ponto de partida está lá, mas já não é preciso tanta efusividade. Eles já sabem ser ouvidos. Há que dar voz, então, à palavra.
Pegando no título de um livro de Valter Hugo Mãe, em 3 minutos antes da maré encher, sucedem-se poemas de jovens poetas portugueses como Adília Lopes, José Luis Peixoto ou Rui Lage, num alinhamento coerente, não muito arriscado, jogando pela certa, onde a componente Fado tanto é dada pela voz de Mitó, como pelas ambientais guitarras portuguesas. Em relação ao primeiro trabalho, um pouco mais de relevo para o Trip-hop. De resto, prioridade à palavra. Quem canta "Tenho uma estátua florescente da virgem maria." só o pode fazer.
Contra os A Naifa, um dos mais acertados e benvindos projectos no que toca ao tratamento do Fado, joga a especificidade da sua música. Muito centrada nesse mesmo tratamento ao Fado, e num público maioritariamente citadino, numa faixa etária muito trintona. Apesar disso, ficam bons registos como "Da uma da noite às duas da manhã", "Fé", "Senoritas" ou "A verdade apanha-se com enganos". Em imagem, o cartaz que anuncia as datas do seus concertos.
Título: 3 minutos antes da maré encher
Autor: A Naifa
Nota: 7/10
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