domingo, fevereiro 11, 2007

Rocky Balboa

A verdade é que se estava mesmo a ver. Pegando na história de sempre, cheio de nostalgia e revivalismos, Stallone volta a trazer para a ribalta o seu Rocky Balboa. Seu na medida em que Stallone tem tanto de Balboa como Balboa de Stallone. Do carácter que transparecem à musculatura do mundo onde se inserem, torna-se complicado discernir quem é a metáfora de quem. Rocky Balboa, o fim da saga, é um filme para fãs, no capítulo da revisitação, e para ele próprio, Stallone, que, mais do que se aperceber que é Balboa, o assume.

Rocky Balboa revisita a história do lutador de boxe homónimo criado em 1976 no oscarizado Rocky, um dos pilares maiores do cinema sobre o mundo do boxe. A fórmula do filme actual não foge muito de Cinderella Man: Ex-boxeur reformado por todos menos pela sua vontade pretende um comeback contra o rival mais novo, ágil e rico. O paralelismo entres os dois filmes é notável, com a excepção de que Crowe luta pela sua família e Stallone por orgulho e raiva.

Ainda neste capitulo, a comparação leva-nos para um dos pontos mais fracos de Rocky Balboa: o adversário. Longe do charme de Apollo Creed ou da ferocidade de Clubber Lang, é um muito apagado Mason Dixon, interpretado por Antonio Tarver, que se apresenta como o boxeur em jeito de rapper que a principio exala arrogância mas entretanto se converte ao charme resistente de Stallone. Nem o conflito com Balboa é suficiente para empolgar, nem a personagem e os dilemas de Dixon são explorados.

Depois, para além da previsibilidade e da mediocridade do guião, surge a homenagem a si próprio, à saga, e ao mito. A mítica subida das escadas, a luta no matadouro, em suma todo o período pré-combate são momento alto para quem viu nascer com Rocky um modo de cinema de luta. Mais que isso, fica a boa interpretação de Burt Young e a boa intenção de caracterização da decadência do herói. Mas que mesmo assim se levanta.

Neste autêntico one-man-show, em que Sylvester Stallone escreve, dirige e interpreta, fica a certeza do fim da saga de Rocky, num caminho continuamente descendente. Por entre metáforas de vida mais ou menos subtis, o filme encontra pelo menos um bom incentivo para ver Rocky Balboa no cinema. É a ultima vez.

Título: Rocky Balboa
Realizador: Sylvester Stallone.
Elenco: Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia, Geraldine Hughes e Antonio Tarver.
E.U.A., 2006

Nota: 4/10

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

De facto esperava mais, mas é quase o ultimo respiro de balboa, um reformado á espera de uma fama ou na aventura de um oscar nunca ganho, bem, não é este o caminho. Eu que tanto, vivi a saga de Rocky I e II , isso sim com qualidade merecida, tanto que a banda sonora ainda hoje faz as delicias de alguns boxers no momento de entrada ou mesmo no radio quando toca, a conduzir-mos. Este filme simplesmente mediocre, de má realização e argumento a muito desejar, o melhor é não ver e sim reviver os primeiros filmes.

6:05 da manhã  
Anonymous Luciano C. Fabres said...

Estão a falar sozinhos,pois Rocky Balboa é um filme muito bom. Sensível e dentro dos moldes do primeiro filme da saga. Neste filme eu vi um Sly perfeto, talvez até mais perfeito do que no Rocky de 1976.

11:12 da manhã  
Blogger Hitchhiker said...

Talvez estejamos a falar sozinhos, mas não será por isso que deixaremos de ter opinião própria. Sly, como lhe chama, talvez lhe pareça perfeito, o que a mim me surpreende, fruto da semelhança "sly"-Rocky. Está cada vez melhor no papel porque cada vez mais, ao longo dos anos e ao longo dos filmes, Sylvester Stallone é Rocky Balboa. Aparte para os fãs da saga, os bons pormenores e a actuação de Stallone não escamoteiam um filme sem chama, de argumento pobre e com algumas muito pobres interpretações que parece viver tão somente, como a personagem do filme, do passado.

5:46 da tarde  
Anonymous David said...

Adorei o filme, xD!

2:28 da manhã  

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